<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168</id><updated>2012-01-26T12:23:39.244-02:00</updated><category term='OI'/><category term='uw'/><title type='text'>VÉÏÖ CHÏÑÄ‡</title><subtitle type='html'>Crônicas, Contos, Sexo, Vídeo-Tapes, Mentiras, Verdades e Mitos.
Quem poderá saber?</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>158</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8099328734232368048</id><published>2012-01-22T21:55:00.016-02:00</published><updated>2012-01-25T21:35:25.646-02:00</updated><title type='text'>A Espanhola</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XZ83U-ETLg4/TxygoRI8DZI/AAAAAAAAAu4/A3d6GoZLKRA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-XZ83U-ETLg4/TxygoRI8DZI/AAAAAAAAAu4/A3d6GoZLKRA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Vamos la ordinário! Cincuenta reales nos peititos de su Dô! - Antecipadamente ela me cobra. Coloco a nota entre os seus seios e entro no aposento que,&amp;nbsp; de costume fede cigarro barato &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim senhores, apresento-lhes Dolores “A Espanhola”. É uma história tanto complicada,e só sei que veio da Espanha, região basca propriamente dito e está entre nós há pelo menos dois anos, aportando no Brasil atrás dum prometido casamento&amp;nbsp; numa louca história de Internet. História que com o passar do pouco tempo que nos conhecemos acebei por saber num privilégio aos&amp;nbsp; melhores clientes.&amp;nbsp; Sei que tudo começou em Dezembro de 2008 e perdurou até em Março de 2009, quando.......... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dô! - Ele disse com voz adocicada ( era assim que o vagabundo chamava a Dolores) -&amp;nbsp; De nada vai adiantar você trazer esse tanto de dinheiro ao Brasil já que é quase certo que a Federal vai confiscá-lo assim que você desembarcar....Aqui os federais são espertos. Sabe amor... esses caras da lei vasculham tudo, inclusive seus órgãos femininos para ver se abrigam drogas no interior... -&amp;nbsp; Reforçou na argumentação para impressioná-la naquela última conversa que mantiveram pelo computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O efeito&amp;nbsp; de suas colocações foi devastador e ela se manteve reflexiva até&amp;nbsp; explodir na questão que ele ansiosamente aguardava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;- Sí, mi amor. Entonces, qué podemos hacer? Puede usted decirme ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o golpe de misericórdia veio, dado por um canalha que a convenceu de&amp;nbsp; fazer uma ordem de pagamento em  seu nome&amp;nbsp; e a ser sacado numa agência do Banco do Brasil da Avenida  Paulista.&lt;br /&gt;Obvio, nome falso, conta fria.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;...........................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Istógio? A senhola ta loca? Aqui num tem Estógio nenhum!&amp;nbsp; Aqui é loja de ganha pão de Chang&amp;nbsp;&amp;nbsp; – Protestou um irritado chinês. Ele se assustara ante a mulher de corpo farto e brava como o demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ela conferira duas, três vezes e estava no endereço que ele lhe passara. Na placa ainda se via o mesmo número telefonico para o qual ela ligava  esporadicamente.&amp;nbsp; Porém alguma coisa se mantinha fora do seu entendimento; Ali era o  endereço de uma lan house, uma pequena loja de duas portas numa rua de  pouco comércio no bairro do Bixiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pendenga perdurou e o chinês tentou convencê-la, e ela, por mais que tentasse&amp;nbsp; não o entendia e muito menos se fazia entender. De certo só o a insistente negativa do chinês em dizer que conhecia o tal "Eustógio". E o fato a deixou ainda mais nervosa.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mi San Antonio,usted no entiende, chino ... pero este fue el número de teléfono que Eustógio me respondió ! – Argumentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que desta&amp;nbsp; feita o chinês compreendeu a última de suas colocações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ahan aham!&amp;nbsp; Mas... Chang&amp;nbsp; nada a ver, né? Esse telefone num é desse Istógio. Chang apenas empresta telefone pra freguês! Freguês tem que fornecer o número do telefone da pessoa&amp;nbsp; e assim que ligam, Chang chama cliente para atender - Ele tentava explicar apontando para o aparelho telefônico com o identificador de chamadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se atinha&amp;nbsp; aos lábios do chinês porém não conseguia compreender o&amp;nbsp; que dizia aquele sujeito. Por fim, exausta,&amp;nbsp; Dolores desistiu e ficou olhando o ambiente e aquelas máquinas navegadas por garotos que jogavam games,&amp;nbsp; e eles gritavam e o alarido, unido aos tiros de metralhora e outros de efeitos sonoros acabaram por causar-lhe desespero,&amp;nbsp; como se fosse ela o alvo daquelas balas. Foi então que o rosto se fechou numa tristeza imensa; tinha caído a ficha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que gran hijo de puta esse Eustógio! – Bradou angustiada e abandonou a lan house sem ao menos&amp;nbsp; despedir-se do chinês, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto assim,&amp;nbsp; naquela fria e melancólica segunda feira que, Dolores, a recém chegada em terras tupiniquins descobriu que havia sido passada para trás, lesada num 1.7.1 internético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; -Cómo pude ser tan ingenua e estúpida?" – Ela interrompe num sofrível portunhol a nossa "espanhola" de 50 pratas num movimento irritadiço de torax que fez escapulir o meu pau do meio dos seus peitos; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah mio charmoso Cristiano Ronaldo... como yo soy tonta e abestalhada! – Ela insiste no lamento. Óbvio, me irritei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei ei, Manolita!&amp;nbsp; Que merda que é essa? Não tenho nada a ver com esse teu lance com o tal de “Eustógio”. Eu paguei 50 paus pra ter o meu bibelô no meio das tuas tetas! Portanto... quero o serviço bem feito, entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era um bom momento de devolvê-la à realidade. Senti isso no seu olhar rude e estranho daquela mulher que não levava desaforos para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oscar , cuando su pequeño e imbecil “pipi” crescerá ? – Ela debocha do meu pênis à queima-roupa; A ira da espanhola sabia como ferir o orgulho de um homem.&amp;nbsp; Que ela poderia pretender com a gozação fora de hora? Que eu broxasse?&lt;br /&gt;Pois bem! Comigo ela teria que saber que não sou flor que se cheire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sua rameira catalã! Não é meu pau que é pequeno, e sim os teus peitos que são descomunais! – Claro, eu tinha que me defender ante aquele indescritível par de seios, dono de um sutiã, talvez número 62 ou mais. E insinuar que ele pudesse ter as tetas como a da vaca leiteira foi demais para ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No puedes te quejar Oscar ! Usted me paga unicamente la misma proporción de tamaño de su bastonete; Ou seja, quase nada! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela&amp;nbsp; se levanta e recoloca a calcinha amarela de rendas com pequeno furo atrás. Continuo olhando para ela enquanto&amp;nbsp; abotoa o sutiã lilás. Fixo-me na região do colo e sou capaz de apostar a minha vida que naqueles bojos caberiam tranquilamente duas ótimas bolas de boliche. Depois a vejo dirigir-se à penteadeira, uma peça antiga que abriga um espelho com algumas ranhuras de tempo, e aí sim, chora. À princípio é um choro contido e calmo como as mansas ondas depois do vento sul.&lt;br /&gt;Insisto no reflexo do espelho e percebo que nela ainda se emoldura algo da nobreza de antes. Nobreza essa que se esvai diante as visitas de hermanos brazilianos que pagam por seus favores sexuais, permitindo assim que ela sobreviva e quite o aluguel do obscuro quarto de pensão em que mora.&lt;br /&gt;E isso me faz pensar nas desilusões, nas mentiras que cercam esse mundo virtual e suponho que outras pessoas possam estar enganadas e passando, se não pelo mesmo, talvez por coisas bem parecidas. Levanto-me lentamente e visto a calça e a camisa com um botão faltando e ajeito os cabelos; nessa noite não acontecerá nada, eu sei, ela sabe. Como sei também que é o momento da solitude, da sua necessidade de ficar apenas com suas feridas e o medo da deportação caso a peguem. Ela sabe que precisa&amp;nbsp; voltar para casa, mesmo tendo se recusado procurar ajuda na embaixada do seu país - "Prefiro essa vida de cão a me&amp;nbsp; sujeitar ao olhar de desdém dos meus patrícios" - Ela tinha medo que eles vasculhassem sua vida no Brasil e soubessem que uma espanhola se prostituiu - " Não preciso ser humilhada" - E com isso ela finalizava o assunto.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E é deste modo que ela vive, anda e respira entre nós. Dolores é parte dum Brasil de percentuais, de estatísticas, é parte da mentira que tratam dos números da pobreza, dos que dizem sobre a prostituição, dos que dizem que estamos bem e a caminho da felicidade. Enfim..Dolores também é Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Antes que eu saia ela já está em pé e veste um robe dum cetim rosa claro  que abriga visíveis manchas de gordura. Eu insisto no  olhar e percebo uma ainda beleza naqueles seus olhos negros que, aposto,  brilharam bem mais que agora. Assim que me coloco à saída ela vem na  minha direção com a nota de 50 e a coloca no bolso da minha calça. Faço  menção de protestar, de dizer que não quero o dinheiro, porém ela refuta a minha insistência em devolvê-lo. Ao sair, Dolores beija a minha  boca e eu sinto um gosto acre como se ela tivesse fartado de salada de  alho e atum. Momentaneamente sinto-me nauseado e engulo a saliva e  fabrico outra e mais outra na tentativa que o gosto se dissipe. Ouço o bater da  porta e a sua sombra desaparecer pela fresta do piso e a madeira.  Solitário agora, espero alguns segundos e retiro do meu bolso outra nota  de 50 e as coloco juntas&amp;nbsp; e as empurro pelo vão. La dentro  as luzes estão apagadas e o que me faz crer que Dolores desagua a dor da distância e se afoga num oceano que &lt;br /&gt;deixa sua alma à deriva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hasta  la vista, baby! Juro que não não sei o por que, mas,&amp;nbsp; gosto de você! – Sussurro comigo ao sair pelo portão à caminho do ponto de ônibus mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim  que o coletivo encosta galgo os degraus encapados por uma grossa e negra  borracha e acomodo-me no banco do fundo. O ônibus está  completamente vazio e ainda há em mim um resquício do gosto do alho. Abro e olho  pela janela e vejo as ruas do bairro se desfazerem de suas luzes enquanto as pessoas e a noite&amp;nbsp;  preparam-se para descansar. No primeiro semáforo vermelho o veículo  faz a parada obrigatória e eu me esforço para fabricar mais uma pequena  porção de saliva.&lt;br /&gt;Ainda continuo enjoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 22Jan2012&lt;br /&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8099328734232368048?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8099328734232368048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8099328734232368048' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8099328734232368048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8099328734232368048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2012/01/espanhola.html' title='A Espanhola'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-XZ83U-ETLg4/TxygoRI8DZI/AAAAAAAAAu4/A3d6GoZLKRA/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1466123347809644918</id><published>2011-12-24T00:41:00.114-02:00</published><updated>2012-01-13T15:11:40.368-02:00</updated><title type='text'>Operação Tequila  - The Natal  -</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KPfyefCwcq0/TvU3W_a0nGI/AAAAAAAAAJA/ayqvJ76y34I/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-KPfyefCwcq0/TvU3W_a0nGI/AAAAAAAAAJA/ayqvJ76y34I/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Olho para baixo e as pessoas parecem do tamanho de brinquedos infantis. É na sacada do 23º andar que vejo parte da minha&amp;nbsp; cidade amanhecer e depois repousar. Sento-me na espreguiçadeira e retiro um cigarro da&amp;nbsp; carteira enquanto observo as luzes natalinas cintilarem&amp;nbsp; nas janelas e varandas dos edifícios vizinhos.&lt;br /&gt;Algo me incomoda. Levanto e encaminho-me para o peitoril&amp;nbsp; e novamente olho&amp;nbsp; para baixo e noto que muitas pessoas zamzam pelos nossos jardins enquanto outras rapidamente abandonam o condomínio.&lt;br /&gt;É noite de Natal, noite onde cada um de nós tenta&amp;nbsp; parecer ou se fazer feliz. Olho no relógio e os ponteiros indicam algo mais que 23 horas. O fato diz que em&amp;nbsp; menos de uma hora champanhes serão brindadas com votos de um Feliz Natal que serão dados por pessoas que talvez nem saibam do&amp;nbsp; significado mas&amp;nbsp; que, sorridentes,&amp;nbsp; trocarão&amp;nbsp; presentes antes que a ceia natalina ser avidamente consumida.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;As pequenas lampadas multicolores continuam piscando quando amasso o cigarro no cinzeiro e volto ao bar no fundo da sala e sirvo-me de outra generosa dose do &lt;span class="ac"&gt;&lt;b&gt;Ballantines&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;. É o meu primeiro Natal sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Aristides, seu devasso! Por que essa falta Deus? – A pergunta me fora feita pela ex esposa um ano antes, precisamente dia 23,&amp;nbsp; antevéspera do Natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Jesus! Você é uma criatura vil e pecadora! – Naquele instante, atônita, Eleonora deixou cair pesadamente o corpo sobre o nosso sofá&amp;nbsp; de cinco lugares.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;As coisas ficariam muito ruins para o meu lado; É que apenas não percebera que ela voltara para a casa adentrando o meu escritório sem que eu percebesse que se postara às minhas costas. E seu o motivo para tanta indignação ou ira? Simplesmente o que ela viu na tela do meu computador.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;Ao vê-la&amp;nbsp; desfalecida preocupei-me e corri à cozinha e trouxe-lhe um copo de água gelada com algumas gotas do seu adoçante predileto. Auxilio o copo em sua boca e ela lentamente ingere o líquido. Refeita,&amp;nbsp; levanta-se e procura na bolsa a cartelinha do Prozac; Eleonora é depressiva. Depois com ela em mãos&amp;nbsp; foi ao meu computador&amp;nbsp; e salvou alguns arquivos e os enviou diretamente para o seu e-mail. Por fim abandona o PC e caminha para o bar onde escolhe uma garrafa de um bom vinho do Porto. Escolhida,&amp;nbsp; ela&amp;nbsp; a passa para mim; Eleonora jamais conseguiu abrir uma daquelas.&amp;nbsp; Depois de aberta derramo a bebida em sua taça enquanto sua indifrença olha para o líquido rubro&amp;nbsp; como se fosse ele o sangue escorrido dos meus pecados. Vagarosamente leva a taça à boca e ingere uma boa dose junto de duas drágeas. Fora&amp;nbsp; pouco; Serve-se mais duas vezes antes que o corpo e&amp;nbsp; a mente se tornem refém da droga, da fluoxetina. Em menos de uma hora está completamente bêbada e dopada. Eu já me acostumara com aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte acordo com alguém tagarelando ao meu lado. Era Eleonora que convocava nossos filhos para naquela mesma noite estarem na ceia de Natal. “Precisamos tratar de assunto de vital importância ” ela&amp;nbsp; diz ao final de cada das ligação - " E por favor, não falte" -. Ela recomenda a cada um deles. Desligado o aparelho e sem me olhar ela&amp;nbsp; levanta-se da cama como o robbie ajustado ao corpo e retira-se do quarto. Sua atitude me deixou reflexivo já que desde a noite anterior ela e eu não mais trocáramos qualquer palavra.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;À noite, precisamente às 20 horas lá estavam os nossos três filhos: Alessandra, 28 anos, psicóloga. &amp;nbsp;Alberto, 27 anos, advogado, e Kaic, 24 anos, grafiteiro profissional. Ah sim,&amp;nbsp; presente também Cecilia, nossa caçula de 12 anos e que morava conosco. Sobre ela é aquilo que&amp;nbsp; defino como a paixão de minha vida. Alegre, inocente, linda, infelizmente Cecília&amp;nbsp; requer atenções e cuidados especiais. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Após os cumprimentos rotineiros Eleonora se mune do seu notebook e junto dos&amp;nbsp; filhos se dirige à biblioteca anexa à sala de estar; A reunião tinha o seu início apesar de não compreender a necessidade de&amp;nbsp; Cecília estar entre eles. A bem da verdade, assim que a porta foi fechada&amp;nbsp; um pressentimento dos piores se instalou em mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Passados talvez uns 30 minutos eles saem com feições carregadas tal qual a minha premonição, exceto os largos risos de Cecília, provavelmente sem compreender o motivo de tanta alegria.&amp;nbsp; Colocados diante de mim Alessandra convida-me à sala de estar,&amp;nbsp; talvez por ser a filha mais velha. Como era de se esperar o seu ranço autoritário&amp;nbsp; assume o comando e ela&amp;nbsp; exerce aquilo que pude deduzir como perícia psicológica.&amp;nbsp; Pelo jeito o veredicto seria pronunciado. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;- Papai, você sabia... - Ela começa empurrando para cima os óculos que  deslizam pelo nariz - ...que meus amigos psicanalistas comentam que hoje  em dia o sentido de culpabilidade dos pacientes não é mais fundado  sobre o interdito, mas sobre esta injunção de pretender o prazer? -  Nesse ponto ela assume um tom professoral. Aí finaliza entregando-me o  troféu " A carapuça do ano" - Agora, assim como o senhor as pessoas não  mais se sentem culpadas quando têm prazeres ilícitos ou infiéis, e... &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Deus! Eu não suportava aquele blábláblá acadêmico. Seguramente&amp;nbsp; o que me irritava em Alessandra era aquele fanatismo por Freud, Lacan e tantos outros.&amp;nbsp; Para mim e sem exceções eram&amp;nbsp; uns desajustados.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Eu olhava Alessandra e ouvia-lhe a voz e assumia que eu fora um dos responsáveis por sua mocidade enfiada em livros acadêmicos&amp;nbsp; e nas salas de aulas de duas faculdades. Terminadas ambas sobraram-lhe responsabilidades mas, faltaram as alegrias de um bom casameto e um par de filho brincando num play ground qualquer. Aliás,&amp;nbsp; houve o casamento, porém, outro dos seus enganos. &lt;br /&gt;Eu persistia o olhar nos seus lábios carnudos e percebia claramente&amp;nbsp; que a solidão cobrava o seu preço ao deixar-lhe a alternativa dum próprio e concorrido consultório na charmosa&amp;nbsp; Avenida Europa. Aliás, eu sabia muito mais sobre o seu sucesso; Ricos, como três mais três são seis, sempre supusseram-se problemáticos; Óbvio que a tese jamais se aplicaria a mim, um rico de raízes humildes e dos pés e mãos fincados em terras de produção de laranjas.&amp;nbsp; Sendo assim, Alessandra nada poderia trazer que me fizesse modificar a postura ou alterar a visão que eu tinha da vida e dos problemas que enfrentávamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Porém não era somente Alê a dona de todas as verdades desse mundo caótico. Agora era chegada a vez de Alberto, um rapagão de&amp;nbsp; inteligente rara, mas de tão baixa- estima como a&amp;nbsp; de se tornar atormentado pela traição de Claudia, sua ex- noiva, roubada por seu melhor amigo e bem debaixo de suas lentes esverdeadas.&amp;nbsp; Após veio o cancelamento de um casamento que tinha tudo para ser pomposo. Lembro-me que naqueles dias, amargurado,&amp;nbsp; apegára-se à mãe como se ela pudesse protegê-lo mais essa vez&amp;nbsp; e evitar que seus&amp;nbsp; olhos marejassem além do sugerido pelo bom senso.&lt;br /&gt;Portanto com aquilo que ele poderia supor como "coincidências"&amp;nbsp; é que chegou a sua vez. Sem dúvida que defenderia a mãe a qualquer preço, ainda mais agora&amp;nbsp; preso pelo cordão umbilical.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;- Papai, na separação judicial litigiosa o cônjuge protagonista da separação tem que comprovar os motivos elencados no artigo 5.o da Lei do Divórcio&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt; - &lt;/span&gt;E pelo jeito foi nisso que o senhor incorreu; em grave conduta de desonra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda  com a severidade citou que o artigo estabelecia  que a separação judicial devia ser pedida por um dos cônjuges quando esse  imputasse ao outro a conduta desonrosa ou que importasse em grave  violação dos deveres do casamento... - Nesse instante ele faz uma  pausa, dessas que tentam impressionar o corpo de  jurados para uma sentença favorável; Provavelmente para ele ali não estava o  pai, mas sim o réu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim acusou-me de permitir que a situação chegasse nesse ponto de incompatibilidade. E ele estava certo. Era esse o preço a ser pago por ter sido pego com a “boca na botija”.&amp;nbsp; Poxa  vida!&amp;nbsp; Por que Eleonora aparecera naquela hora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o instante que a eloqüência jurídica de Alberto foi abortada por Kaic. Ah! Ele  também necessitava tirar uma lasca do pobre Aristides. Porém, o que  Kaic poderia me dizer? Justo ele, um sujeito de vida tão aparvalhada,  envolvido com escândalos, meretrizes e boemia?&lt;br /&gt;E ele disse o previsível,&amp;nbsp; porém de forma bem menos sofisticada que os irmãos: &lt;span style="font-size: 10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="tab-stops: list 18.0pt; text-indent: -18.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; font-size: 10pt;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; font-size: 10pt;"&gt;-Aí&amp;nbsp;&lt;/span&gt; velho! To sabendo do teu Hip Hop com a gringa do MSN. Pelo jeito tua  casa caiu! O que você fez foi crocodilagem das grandes. Ainda mais  porque a mãe te pegou. Sabe mano, esse lance de  pretender ser Freestyle não combina com você! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Despejou de forma jocosa. Eu sentia o seu sarcasmo ante os implacáveis olhos de Eleonora.&lt;br /&gt;Após, simulou calma voltando- se para a mãe num tom demasiadamente forçado, desses que por&amp;nbsp; mais que nao queiramos acabam por soar falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sabe  mãinha...Se esse lance tivesse sido comigo eu chamava os Ratos de  cinza. Olha minha mãe, saiba que sempre estarei no mil grau contigo.  Pode confiar! - Para finalizar abrandou a voz - Apesar de que às vezes  você minha mãe parece-me algo "Wilde style", porém isso não quer dizer que&amp;nbsp; te considere uma Toy - &lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal" style="margin-left: -18pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Eleonora, perplexa,&amp;nbsp; olhou para ele e não emitiu qualquer comentário. Da minha parte freei a vontade de rir, afinal, não um bom momento. Ah sim, sobre Kaic apenas a elucidação que passou duas temporadas grafitando murais de Salvador. Portanto o “meu rei” e “mãinha” eram mais que justificáveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma noite fiquei matutando sobre o seu palavreado de maneirismos e a curiosidade&amp;nbsp; fez-me procurar na internet alguns desses significados do universo hip hop. E encontrando algumas traduções&amp;nbsp; consegui compreender o recado que o "Brow" nos dera, principalmente sobre os tais&amp;nbsp; “Ratos Cinza” que significavam o uso de força policial. Depois, na parte mais amena me julgou um "free"&amp;nbsp; no “Freestyle” ou seja; um sujeito libertino, porém muita responsabilidade. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;A parte que coubera à Eleonora se encaminhou com mais suavidade, já que “Wild style” é alguém que não se faz entender por completo, e “Toy” que condiz com a pessoa que não faz o mal, que não é má e nem pretende prejudicar alguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Terminada as colocações&amp;nbsp; Eleonora pigarreia e depois de certa que a garganta encontra-se limpa e que sua voz soaria será audível, dirige-se para mim. A sua feição é dura, e a voz também. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;-Aristides, eu quero o divórcio! Ouço o seu pedido com a máxima atenção. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Sim, eu dou! - Concordo. Era mais que sabido que o nosso casamento vivia de indifrenças e horas extras.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Aristides, também pretendo ficar com a casa – Ela diz apontando o indicador para o piso de jacarndá.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Claro! Tudo bem. –&amp;nbsp; Aceito. Pelo jeito a primeira parte do acordo estava am andamento. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Depois dos advogados veio o acordo&amp;nbsp; dos bens, o valor da pensão pensão judicial e a necessária paz para estar&amp;nbsp; neste apartamento de quatro quartos e três suítes encontrado às pressas. Apartamento que não me exime da análise de nossa vida e da probabilidade do casamento ter feito água após o nascimento de Cecília. E concluo dessa forma porque sempre nos fora&amp;nbsp; difícil aceitar que ela era um bebe dotado de excepcionalidade. É é mais que provavel que até hoje culpemos um ao outro pela gravidez&amp;nbsp; fora de tempo e imprevista.&amp;nbsp; Contudo,&amp;nbsp; depois de constatada a tal anomalia tentamos a fé,&amp;nbsp; promessas, ofertórios e tudo que um bom cristão possa imaginar.&amp;nbsp; Lembro até que num rompante da crença fomos à Aparecida do Norte certos de&amp;nbsp; que providências divinas seriam tomadas e elas&amp;nbsp; livrariam o nosso anjo de toda e qualquer imperfeição. &amp;nbsp;Não deu certo e nem a foi a fé que faltou; Talvez Deus tivesse outros planos para nossa garotinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Daí em diante eu me vi desmoronado nos caminhos do Senhor. Eleonora não, contrária, se apegou á Deus na espera que ainda se operasse o milagre.&amp;nbsp; E não fora unicamente a Deus que ela se apegou, mas&amp;nbsp; também aos ansiolíticos e o vício da bebida. E isso isolava nossa vida comum que aos poucos deixava de ter coisas em comum; Eu ia ao futebol, ela, à missa. Ao jantares e comemorações, ela, às novenas. Eu precisava de sexo, eventual, porém ela abraçara o celibato apesar de se permitir uma vez ou outra, aliás, talvez nem fosse ela, mas sim a bebida. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;E o que já não vinha bem piorou quando insistiu em colocar um imenso quadro de Cristo defronte à nossa cama. E mesmo bêbada já não me permitia ver partes do seu corpo e nem sentir o cheiro bom dos seus perfumes de mulher. Ainda tentei por quatro ou cinco vezes fazer&amp;nbsp; amor diante da imagem santa. Porém a frieza&amp;nbsp; de Eleonora aliada aos espetaculares olhos do filho de Deus freavam toda e qualquer iniciativa. Por vezes eu fitava o azul dos olhos&amp;nbsp; e eles parecia um oceano ameaçador; Sempre tive para mim que os olhos&amp;nbsp; daquela tonalidade eram mais desafiadores e penetrantes dos que quaisquer outros. Assim, com pouca intimidade eu e Cristo também fomos&amp;nbsp; nos afastando e tornando-nos indiferentes ao outro.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Quanto a mim e a Eleonora os nossos&amp;nbsp; antigos traços de intimidade cúmplice foram exaurindo&amp;nbsp; até se extirparem de vez. Não restara mais nada. Não havia conversas, críticas ou incentivos, mas apenas a indiferença, a bebida e os ansiolíticos. Lembro duma vez que vendo o barco naufragar tentei uma conversa com Jesus quando disse : “Ei filho de&amp;nbsp; Deus, você pactua com tudo o que está acontecendo?” - Como resposta eu só obtive o exuberante olhar azul além do temor que ele me causava.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;E assim, &amp;nbsp; meio que sem eira e nem beira é que fui me afastando de Eleonora até chegar àquilo que os experts em internet taxam de "SECOND LIFE" -&amp;nbsp; Ou seja uma outra vida,&amp;nbsp; virtual -&amp;nbsp; Na época recordo-me que pouco conhecia desse mundo virtul,&amp;nbsp; fato que persistiu até que o chefe do RH da empresa me ensinou os caminhos e eu comecei a navegar. Foi com ele que descobri as salas de bate-papo, que aprendi a interagir com as pessoas e esquecer-me um pouco da solidão. E essa vida virtul acentou-se quando Eleonora mudou-se para um outro quarto vago sob a alegação de que eu roncava e que isso não a deixava dormir, numa argumentação estranha já que eu roncara por toda uma vida.&amp;nbsp; Com os corpos e quartos separados comecei a usar a internet de forma intensa e descobrir outros sites de relacionamentos. E foi num daqueles que conheci Tâmara, a “gringa do MSN”.&amp;nbsp; Á princípio meu relacionamento com aquela mulher 15 anos mais nova foi cordial e respeitoso. Entretanto, o tempo e a carência que esbofeteiam as faces dos solitários fizeram- nos aproximar até tornarmo-nos tão íntimos quanto cúmplices naquele nosso novo jogo; o sexo virtual, o qual, infelizmente foi presenciado por Eleonora naquela ocasião.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;E aqui estou na solitude desta noite de Natal. Eu gostaria muito&amp;nbsp; mas,&amp;nbsp; Tâmara não poderá estar comigo já que está às voltas com um casamento tão fracassado quanto o meu. Enfim,&amp;nbsp; ela é persistente e aguarda o milagre num marido que a valorize, corteje e que ache o seu corpo e sexo mais atraente que aqueles que lhes são dados de forma gratuita ou que o seu dinheiro tenha que comprar. Enquanto o milagre&amp;nbsp; não se realiza, Tâmara insiste na crença das mudanças fazendo que não percebe o sentimento que nutro por ela. &amp;nbsp;E eu não tenho pressa, pois a precipitação nunca foi e jamais será o meu forte. Não vou forçá-la e nem pressioná-la, mas chegará o dia que ela notará que o seu jogo de canastras foi vencido mas,&amp;nbsp; que não foi por ela. E é desse jeito que aguardo o desfecho de mais uma novela,&amp;nbsp; uma mais às tantas que a vida sempre nos impõe.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;É nisso que penso&amp;nbsp; quando ouço um "plim plim" distante que me avisa que o peru á Califórnia está no ponto . Vou á cozinha e retiro do microondas uma dessas embalagens prontas que comprei numa rotisserie próxima de casa. Acomodo no aparelho uma porção de arroz para ser aquecida e vou ao refrigerador&amp;nbsp; retirar a travessa de salpicão de frango e uma torta de amoras.&lt;br /&gt;Não passam&amp;nbsp; mais que 10 minutos e a mesa está posta e será acompanhada duma imprevisível garrafa de Tequila. Sim, sei que pode parecer absurdo, mas dei preferência a acidez da Tequila que ganhei de um amigo mexicano. Olho para a bonita embalagem que trazia um pequeno copo estilizado e o retiro da caixa colocando-o sobre a mesa.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Cravo o olhar no relógio e penso que o bom velhinho bem que poderia estar descendo pela tubulação do exaustor. Insisto na imaginação e sorrio; Sim! Mas o que poderíamos dar de presente um ao outro? Talvez um bom scotch de 25 anos?&amp;nbsp; Uma vodka polonesa ou russa? &amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu reflito sobre a sabedoria daquele olhar de quem tem sobrevivido aos séculos e&amp;nbsp; tento supô-lo-o safado, passando a mão no rabo da estarrecida&amp;nbsp; Matilde ,minha fanática empregada evangélica - "O sangue de Cristo tem poder! Aos quintos dos infernos satanás barbudo!" - Ela o excomunga enquanto o bom velhinho mescla os infinitos “HO HO HO”&amp;nbsp; aos ébrios soluços da bebida.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a escapulir de mim e persito delirando enquanto outros devaneios me tomam&amp;nbsp; a mente&amp;nbsp; levando-me a questões absurdas e insólitas. -&amp;nbsp; Será que algum dia Papai Noel ficou de pileque? - Sem qualquer indício ou pista eu abro a&amp;nbsp; Tequila e abasteço meu copo duma dose farta que me queima as estranhas ao percorrer um emaranhados de capilares - E se eu e o velho Noel convencêssemos algumas garotas “da noite” para nos brindarem com um “pulling dance”?&amp;nbsp; Heim? - Dessa vez aquilo que há de devasso em mim o imagina&amp;nbsp; excitado&amp;nbsp; num momento que suor lhe banha o rosto e o óculos tal qual o de Alessandra desliza no&amp;nbsp; nariz de tez oleosa.&amp;nbsp; Porém Papai Noel é íntegro e&amp;nbsp; perturbado com&amp;nbsp; a proposta não permite que elas se dispam, abortando assim a pecaminosa dança - “HO HO HO” -&amp;nbsp; O bom velho brada ao colocar-se ao lado do seu véiculo de&amp;nbsp; ilusões&amp;nbsp; -&amp;nbsp; “Entrem garotas.Todos nos esperam!" - &amp;nbsp; Ele as convida&amp;nbsp; para uma volta ao redor do mundo no trenó encantado – “Há muito trabalho para fazermos!” –&amp;nbsp; Bonachão ele brada para elas ciente de que não está solitário, agora. Elas se mostram surpresas e aceitando o pedido tomam seus assentos - “ HO HO HO. ADIANTE!” - Ele ordena assumindo as rédeas, incentivando&amp;nbsp; suas renas para o&amp;nbsp; alucinante voo&amp;nbsp; daquele serviço que executa com&amp;nbsp; a mesma presteza de sempre . - "HO HO HO” - Eu o vejo feliz ao zarpar&amp;nbsp; com destino à imensidão do nada; Ele&amp;nbsp; sabe que nesse dia o Planeta lhe pertence. E ele vara o espaço e seus "HO HO HO"&amp;nbsp; ecoam pelo universo, de polo a polo, de mar a mar até riscarem todos os ceus e à tempo de se livrar de todos os seus embrulhos. E eles, um a um são jogados por todos os cantos diante das garotas&amp;nbsp; que gargalham depravadas enquanto suas&amp;nbsp; saias, la no alto , deixam à mostra nacos de suas coxas alvas e indecentes....&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;- Ou Ou Ou......... - Acorda-te Aristides! Ordeno para o pouco que há de sóbrio em mim,&amp;nbsp; incrédulo das minhas tantas sandices quando o telefone chama. E eu olho para ele que nervosamente reverbera em meus ouvidos num claro sinal que não pretende parar. Com alguma&amp;nbsp; dificuldade motora saio trançando as pernas e&amp;nbsp; vou atendê-lo; Eu precisava dar um fim naquilo.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Alôuuuu! É o&amp;nbsp; papai? – Eu reconheço a puerilidade da voz da minha garotinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-É claro que é o papai, filha! Estou morrendo de saudades de você! – Respondo, feliz. Ao fundo e do outro lado ouço a voz de Simone numa antiga canção de Natal. Emociono-me. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Papai, sabe de uma coisa? - &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Não filha! O que?&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Silêncio do outro lado. Aos poucos percebo o estralos de sua língua ao encontro do céu da boca; Geralmente ela o fazia quando algo a excitava ou a deixava ansiosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Papai, você sabia que amo você? – Ela confessa, pura e delicada como sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Claro que sabia! O papai também te ama muito, filha! – Eu fazia o possível para renegar as gotas que ameaçavam brotar abaixo das pálpebras. &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Papai? - Ela pergunta continuando a estalar a boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Sim filha!&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Sabe que acho o senhor muito “espétinho”? &amp;nbsp;– Eu sorri; Cecília sempre teve dificuldade com essa palavra. Certamente ela pretendeu falar “espertinho”&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;- Eu sou sim! E você sabe o que é? Você é o meu chocolate branco, a minha doce paixãooooooooooo! – Prolongo a sílaba final; Cecília adorava quando eu lhe falava daquele jeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Papai...Eu sinto muito a sua falta, viu?&amp;nbsp; Um Feliz Natal pro senhor! - Ela conclui.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Em seguida a ouço desligar do telefone. Repentinamente, como se fosse uma onda extraordinária sinto-me invadido por uma sensação melancólica que agora não me polpa as lágrimas. Tento bancar o durão e dispenso-me de usar guardanapo da mesa e procuro me afogar em outras recordações quando percebo o resto do whisky deixado no copo ao lado do da Tequila – “Sim cara! Você bebeu muito, muito!” - Confesso cheio de repreensões - "Seu maledeto! Pretende acabar comigo?" -&amp;nbsp; Brigo com aquele dedo de ótimo malte. Eu continuo a olhar para o líquido como se me devesse algum pedido de desculpa. Naturalmente, nao houve qualquer resposta -&amp;nbsp; Talvez o Sr. Ballantines não pretendesse perder o seu tempo comigo.... &lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Lá fora, agora,&amp;nbsp; a algazarra é intensa&amp;nbsp; e&amp;nbsp; gritos de comemoração são ouvidos enquanto e o céu se colore do espocar dos fogos. Vou à varanda e clarões de todas as matizes riscam o céu&amp;nbsp; deixando&amp;nbsp; rastros duma homenagem mais que merecida. Olho para a noite tão diferente de todas&amp;nbsp; e tudo me parece dotado de racionalidade e lógica. Continuo olhando para aquelas cintilações multicolores e sei que em tudo há a esperança&amp;nbsp; tanto quanto existe o bem e o mal, o amor e o ódio,&amp;nbsp; o negro e o branco. Retorno para a cozinha e tomo&amp;nbsp; o meu lugar à mesa e sorvo mais uma Tequila que desce queimando como as abrasivas cascaveis dos desertos mexicanos. Uma a uma trago na minha direção as travessas da ceia e sirvo num prato de dimensão avantajada um pouco de arroz, uma colher do salpicão, farofa e um bom pedaço do do peru à Califórnia. Tudo me parecia estar muito bom.&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;"Ho Ho Ho!" Feliz Natal, Aristides! - É como se a quimera ouvisse diante a fantasia dos meus olhos que flagrava o bom Noel saindo pela tubulação e despencando pela coifa. Insisto no duto&amp;nbsp; branco&amp;nbsp; duma tinta martelada à espera dum milagre igual o de Cristo ao multiplicar os pães e dividir o vinho. Insisto mais um pouco e nada acontece e jamais acontecerá. Fixo a mão que segura aquele copo de formato estranho e o sujeito de vidro mais me parece um dos&amp;nbsp; muitos cucarachas que se perdem de sua terra assim como distancio-me dos meus. E a cena&amp;nbsp; parece fazer algum sentido e mesmo sem&amp;nbsp; a noção exata do que faço ergo o copo num brinde vazio: "Feliz Natal, Aristides!" -&amp;nbsp; A mão ainda o mantém no topo quando patético volto o braço e recoloco o copo sobre a mesa. Sem saber se é o momento da ceia olho para o prato e todas aquelas travessas de prataria e observo um pouco mais além a sobremesa que repousa incauta na&amp;nbsp; toalha de rendas brancas. Como se hipinotizado atenho-me nela e noto que no&amp;nbsp; alto&amp;nbsp; amoras graúdas&amp;nbsp; duma coloração rubra imergem numa calda encorpada e de um vermelho menos intenso. Persito no olhar à procura dos mais ínfimos dos seus detalhes e percebo que há beleza ali,&amp;nbsp; há poesia e finalmente há o amor. E um a um aqueles sentimentos e sensações se avolumam e me confundem&amp;nbsp; transportando-me para a questão que o momento&amp;nbsp; torna crucial; Nao poderia a vida ser tão descomplicada quanto àquela torta de amoras? - Penso naquilo por uns bons 20 segundos ante os dedos que novamente irão manchar o copo mexicano.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;-Talvez...talvez, Aristides - Foi a única resposta encontrada ao completá-lo com Tequila&amp;nbsp; enquanto&amp;nbsp; la fora a vida persistia em festas e num oceano de esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;&lt;div class="ecxmsonormal"&gt;Copirraiti 24Dez2011&lt;br /&gt;Véio China&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;© &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1466123347809644918?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1466123347809644918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1466123347809644918' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1466123347809644918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1466123347809644918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/12/operacao-tequila-o-natal.html' title='Operação Tequila  - The Natal  -'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KPfyefCwcq0/TvU3W_a0nGI/AAAAAAAAAJA/ayqvJ76y34I/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1535568141237486298</id><published>2011-12-06T03:14:00.048-02:00</published><updated>2011-12-08T15:55:57.224-02:00</updated><title type='text'>Your Song</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DyffdKtg79M/Tt2jBDkc6sI/AAAAAAAAAI0/riAU1wu7ksw/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-DyffdKtg79M/Tt2jBDkc6sI/AAAAAAAAAI0/riAU1wu7ksw/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eu me encontrava em casa com o olhar cravado no infinito, agitando o pulso para ver as pedras girando no interior do copo. O líquido de tonalidade ferrugem se digladiava com os cubos de gelo que se debatiam no copo, guizando que nem cascáveis. Eu continuava pensando no nada enquanto&amp;nbsp; emborcava uma generosa dose de Jack Daniels,&amp;nbsp; mastigando algumas uvas passas que eu encontrara num&amp;nbsp; pacote dentro do refrigerador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais restava a fazer se não beber? O dia me trazia algo de um apelo nostálgico que me fez permanecer ali. Lentamente e ainda com a bebida na mão me dirigi ao system&amp;nbsp; que aodormecia num canto da sala e coloquei um antigo Cd do Neil Diamond pra rodar. Os primeiros acordes de “September Morn” mais uma vez desafiavam o que poderia haver de sensato em mim. E com os tons veio as recordação e sensação de quando ouvi a canção pela primeira vez. Uma sensação que me sensibilizara fazendo-me chorar sem que soubesse o porquê.&lt;br /&gt;Lembro ainda que após chorar eu apenas sorri. Mais que certom se me vissem naquele estado de melancolia poderiam supor que eu passava por sérios problemas emocionais. Talvez nem isso. Talvez supusessem que ali estava um sujeito exposto ao descontrole emocional, já que,&amp;nbsp; para a maioria das pessoas é inconcebível ver um sujeito passado dos 40 se debulhando em lágrimas sem que saiba o motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Mr. Diamond&amp;nbsp; não esteve nem aí para o meu pranto como não está agora e persiste cantando com sua voz de veludo, trazendo-me&amp;nbsp; idêntica tristeza e choro, tratando-me como uma criança birrenta ou um ateu no lumiar da crença. Talvez o fato de eu estar sentido a&amp;nbsp; mesma sensação fosse necessário para abrandar a dureza do meu espírito. Entretanto, eu torcia para&amp;nbsp; que esses momentos levassem de vez o anonimato das minhas decepções.&lt;br /&gt;Ainda permanecia nessa cachoeira de instrospecções quando o celular toca&amp;nbsp; devolvendo-me à vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por favor, é o doutor Adriano? – Pergunta a uma voz de tonalidade feminina, suave, quase sussurrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois não! É ele – Confirmei esfregando a manga da camisa num dos olhos. Depois mudei o celular de mão e passei o pano no outro olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;-Doutor, aqui é a Mariela Cintra. Desculpe estar ligando no seu celular. É que fui indicada por um amigo; o senhor Paulo Herberth.&amp;nbsp; O senhor conhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Eu conhecia o Paulo Herberth. Eu o havia defendido com sucesso numa ação movida por um ex-funcionário seu de mais de 20 anos de casa e que pretendia arrancar o seu couro. Antes mesmo de confirmar&amp;nbsp; o conhecimento da pessoa ela interrompe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Doutor, poderíamos marcar um encontro para hoje? É urgente! Estou muito aflita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro! Às 17,30 no meu escritório, pode ser? – Perguntei ante o seu repentino manifesto. Ela assentiu, e então lhe passei o endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Estarei lá sem falta. Até! – Ela se despediu e desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo me incomodou naquela voz. Era dramática demais, felina demais, quente demais. E a tonalidade sensual me levou a imaginá-la. Como ela seria; Loira, morena, negra, mestiça?&lt;br /&gt;Ainda divagando ligo para Carolina. Carolina era a minha secretária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Carolina, boa tarde! –&amp;nbsp; Cumprimento sem dar tempo para que relatasse tudo que acontecera na parte da manhã. E continuo&amp;nbsp; – Por favor, poderia dar uma ajeitadinha na minha sala? É que tenho uma cliente maracada pras 17,30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ihhh, eu já sabia! Quando o doutor telefona e pede pra arrumar a sala, sei que tem rabo de saia envolvido! Aposto que é com uma que ligou agora pouco com voz de manteiga derretida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deixou o nome? – Pergunto interrompendo; eu queria a confirmação se era a mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deixou sim! Uma tal de Mariela. Eu disse que o senhor não estava. E aí,&amp;nbsp; ela, toda abusada, respondeu - “Pode deixar moça, abaixo do telefone do escritório tem o número do celular dele. Eu tento ligar”&amp;nbsp; -&amp;nbsp; Depois desligou sem se despedir - Carolina relata com ares de reprovocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah Carolina, me poupe! Esqueça isso e só faça aquilo que pedi. Somente isso, por favor, ok? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem... Esse era o tributo que eu deveria pagar. Afinal, Carolina era minha&amp;nbsp; funcionária há mais de 18 anos. Evidente que decorrido tanto tempo e intimidade ela se dava o direito de palpitar naquilo que me era pessoal. Às vezes eu tinha quase a certeza que era por ciúme e demasiada proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, doutor! É bom que o senhor tenha muito cuidado nessas horas! Como dizia minha finada avó; Caldo de galinha e sopa de mocotó não faz mal a ninguém. E também porque o senhor ainda não deve ter esquecido de como sofreu nas mãos daquela lambisgóia morena...aquela megera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Carolinaaaaaa! Para&amp;nbsp; com isso! Diga só se entendeu o que te pedi! - Interrompi irritado dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Entendi sim, doutor! E torço para que o senhor não caia nas garras daquelas com boca carnuda, nádegas avantajadas e seios proeminentes. Parece que o doutor tem verdadeiro fascínio por mulheres lascivas e de formas, digamos... arredondadas – Devolveu num tom debochado, porém repreensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, Carolina! Dessa vez um pressentimento me diz que a próxima será um anjo e que me amará por toda a vida - Mal termino a frase eu imagino Carolina com os olhos arregalados. Então,finalizo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas te prometo, Carolina! Se a que vier não tiver um belo par de asas a gente manda logo pros quintos do inferno. Prometo, tá ! – Brinquei com ela antes de desligar o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que seria a minha vida se não fosse Carolina?&amp;nbsp; Nada! Absolutamente nada.&lt;br /&gt;Ela sabia aonde encontrar cada linha dos meus processos, cada um dos meus cheques, do saldo bancário,&amp;nbsp; compromissos, e principalamente,&amp;nbsp; dos falidos cartões de crédito. Enfim, sem Carolina eu seria um aboluto nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandono o celular e&amp;nbsp; me dirijo ao banheiro onde tomo uma ducha e faço a barba.&lt;br /&gt;Pontualmente às 16,30 o elevador me deixa no andar do escritório. Entro no conjunto e um cheiro de frescor invade meus pulmões. Um odor ótimo, algo silvestre, amazônico; Carolina caprichara dessa vez.&lt;br /&gt;Ela me vê entrar e nada fala. Eu percebo a sua indiferença num olhar&amp;nbsp; que me ignora. Eu&amp;nbsp; a provoco com o mesmo silêncio; “ Vaca amarela...” - Sorri - Acredito que estivéssemos participando de um jogo de atitudes pensadas, algo próximo ao ensaio dos enxadristas. Por fim ela abre a brecha para que se quebre o gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O doutor gostou do cheirinho? – Pergunta deslizando o indicador pela mobília como se querendo mostrar a eficiente limpeza e a remoção do pó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ótimo, Carolina! Ficou ótimo! – Concordei levantando o polegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu. Um sorriso bom, de agradecimento, daquele de quem sabe que está protegendo a cria.&lt;br /&gt;Eu gostava de vê-la sorrindo, e então, por alguns instantes fiquei estático e apenas olhando para ela; o que teria acontecido com Carolina que não encontrara ninguém nessa vida? Uma vida que eu testemunhava árdua, de trabalho, sem família, sem qualquer par de filhos para se matricular na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essas questões me propuseram um retorno no tempo.&amp;nbsp; Recordei a primeira vez que a vi. Foi no dia da entrevista. Na época eu estava com 30 e tantos, formado a mais de dez,&amp;nbsp; e necessitando de alguém que tomasse conta da esbórnia que era o meu escritório. E&amp;nbsp; para mim era uma fase promissora, de muitos clientes e de sonhos que não se exauriam, advogando causas, algumas importantes, por vezes movendo valores extraordinários&amp;nbsp; e que requeriam estratégias miraculosas. E por um algum tempo elas aconteceram,&amp;nbsp; todavia a minha desorganização emperrava aquilo que poderia ter sido muito maior. Relembro bem daquele dia da entrevista.E é como se eu possa vê-la sentada à minha frente; jovem, talvez uns 22, 23 anos, olhar tímido, aparência ingênua e decorada por um vestido floral&amp;nbsp; justo nos quadris e que valorizava estupendamente o talho do seu lindo corpo. Inexperiente, ela vinha de uma cidade do oeste paulista e&amp;nbsp; hospedara-se na casa duma prima à procura de alguma chance, óbvio, inexistente em sua cidade e&amp;nbsp; região. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;Ao fim da conversa, gostando daquele olhar sincero e do sotaque delicioso e interiorano acabei por contratá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Doutor, tenha muito cuidado com essas clientes de hoje em dia. Muitas delas são donas de olhares singelos,&amp;nbsp; pernas sensuais, mas são completamente caloteiras! –&amp;nbsp; Me adverte ao retirar-me do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ara sô! Larga de besteira, Carolina! –&amp;nbsp; Eu ri. Se não era ciúme, o que seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sorriso timido acompanhava meus lábios quando entrei na minha sala. Por mais que Carolina batalhasse para manter a ordem, sobre a minha mesa avolumavam-se cópias e cópias de processos, muitos deles com anotações ao pé das páginas, observações essas que ressaltavam algum fato importante para a formação de novas contestações. Contudo a vida de um profissional da lei não é composta apenas de sucesso e sorrisos. Não, não é, nela também se incluem as derrotas. Derrotas que, sacramentadas,&amp;nbsp; nos fazem avaliar&amp;nbsp; vícios profissionais,&amp;nbsp; os erros cometidos na linha da defensa ou de acusação. Porém, muitos dos meus insucessos não&amp;nbsp; permitiram que os mesmos enganos&amp;nbsp; fossem cometidos numa próxima vez.&lt;br /&gt;E na verdade,&amp;nbsp; eu me orgulhava mais dos&amp;nbsp; meus fracassos que dos triunfos. Com eles aprendi que sempre haverá a possibilidade de irmos para o alto&amp;nbsp; mesmo que o momento nos faça a boca amarga.&lt;br /&gt;O oposto, no triunfo, aí é onde espocam os sorrisos falsos, os tapinhas nas costas, que,&amp;nbsp; apesar de&amp;nbsp; acariciarem nosso ego, não nos deixam outras alternativas que não seja a ladeira abaixo.&amp;nbsp; E por vezes a descida&amp;nbsp; poderá ser tão cruel e vertiginosa que abalará a autoconfiança, a eficiência, tornando-nos uns náufragos de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O doutor não quer um café? – Carolina interrompe novamente meus pensamentos na tentativa de&amp;nbsp; injetar-me algum ânimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela conhecia todos os meus olhares, todas expressões,&amp;nbsp; bem mais que a sua própria imagem refletida no espelho. Ante sua gentileza faço um sinal afirmativo. Decorridos menos de 10 minutos lá estava o cafezinho, fresco, saboroso, misturado ao aroma da limpeza.&amp;nbsp; Ela serviu o meu, o seu,&amp;nbsp; e sentou-se à minha frente&amp;nbsp; com a persistência no olhar; Talvez o seu pressentimento de mulher&amp;nbsp; dissesse que algo não ia bem comigo. Ficamos nos olhando, quando pela primeira vez a vejo,&amp;nbsp; não com olhos do patrão, do amigo, mas sim com o olhar do&amp;nbsp; homem que busca&amp;nbsp; respostas. E os seus castanhos olhos,&amp;nbsp; ainda marcados por um ranço de menina insistiam no fitar, num me mostrar coisas que não mais conseguia ver. Pena que aquelas contas adornadas por discretas olheiras chegaram fora de hora, de tempo, um prazo de validade vencido, já que o próprio tempo solidificou em mim um sentimento que se nutre por irmãos. Portanto, não havia lacuna para qualquer dos meus devaneios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tenho certeza que é a solidão que te corrói. A solidão e um misto de melancolia... não é? –&amp;nbsp; Carolina insistia. Ela percebia o meu desconforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta intimista veio à queima roupa, uma flecha no centro da maçã. Aliás, não era uma pergunta, e sim a confirmação. Ali não era a funcionaria que me questionava, mas sim a mulher que agora tocava no meu calcanhar de Aquiles, um dedo na&amp;nbsp; ferida que não cicatrizava. Eu era apenas um ser humano que apesar dos&amp;nbsp; tantos relacionamentos não encontrara um amor para ser perpetuado.&lt;br /&gt;E isso me incomodava, aborrecia. Todavia a questão ficaria sem resposta já que ouvíamos os sons dos pequenos sinos afixados na parte interna da porta de vidro da na entrada. Era o aviso que gente ganhava as dependências do escritório. Carolina levantou-se apressada, recolheu as xícaras, ajeitou seus cabelos com as mãos e rumou à recepção.&lt;br /&gt;Ali da minha mesa ouvi alguns sussurros de uma voz feminina e a&amp;nbsp; firme tonalidade da minha secretária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um minuto, por favor! O Doutor Adriano já irá atendê-la. - Eu reconhecia o timbre. Algo me dizia que repentinamente Carolina se flagrou irritada. Em seguida os seus passos vieram até à minha sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Doutor, a senhora Mariela Cintra está aqui para a reunião das 17,30 –&amp;nbsp; Sua voz soava austera, contrariada, combinando perfeitamente&amp;nbsp; com um olhar de poucos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Peça-para entrar, por favor, Carolina! – Pedi desviando-me do seu olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim que Mariela entrou, estremeci. Estremeci por tanta beleza e amabilidade. Simpatissíma e bela, conversamos por um bom tempo; era como se nos conhecêssemos há anos. Ela trouxera os problemas da sua empresa com uma multinacional dos cosméticos que a acionara por espionagem industrial; A concorrente pretendia provar que a fórmula de um produto anti-rugas da minha cliente fora copiada do seu laboratório. Evidente, antecpando-se à multinacional, o produto comercializado pela empresa de Mariela&amp;nbsp; passou a ser de&amp;nbsp; grande procura,&amp;nbsp; devido principalmente a um ótimo preço de aquisição, num excepcional retorno financeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que eles questionam, procede, dona Mariela? – Pergunto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jamais doutor! Nunca roubaria nada de ninguém! - Protestou irritada. Depois sorriu nervosamente e solicitou - Doutor,&amp;nbsp; retire o “dona” por favor – .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o que eu pretendia ouvir. Ao bem da verdade, no momento, tanto a pergunta quanto a resposta se fariam inócuas, pois eu a defenderia à qualquer preço. Aquela mulher viera pra bagunçar a minha cabeça, já que à sua entrada em minha sala fizera o coração descompassar. Repentinamente eu o sentia pulsando no céu da&amp;nbsp; boca. Nela não encontrei os indícios e nem os exageros apontados por Carolina. Havia sim a doçura de um anjo, cabelos loiros, voz macia e uma aparência tão suave quanto as das porcelanas chinesas e um recio de quebrá-la com um simples toque das minhas mãos.&lt;br /&gt;E ela continuava a me olhar e a sorrir daquele seu jeito mágico, devastador, levando-me a acreditar que depois de passarmos juntos por quase duas horas as duas horas eu pudesse segui-la desvairadamente, acompanhá-la até os quintos do inferno se fosse necessário. E aquilo assustáva-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminada a reunião trocamos os nossos números de celulares e&amp;nbsp; cumprimentos.&lt;br /&gt;Talvez até tenha me excedido no abraço àquilo que deveria ter sido um simples aperto de mão. Por outro lado ela também deixava transparecer uma certa receptividade. Mais uma vez eu viajava na cauda de um sonho, e&amp;nbsp; talvez estivesse ali a mudança das mesmices cotidianas, dos relacionamentos com mulheres que, apesar de interessantes&amp;nbsp; nada trouxeram de novo, atolado que sempre estive em&amp;nbsp; profundas incertezas. Com ela parecia diferente; O olhar exalava tanta vida, esperança,&amp;nbsp; romance, ao ponto de vislumbrar a possibilidade do amor e do apaixonado que fui um dia. Eu me via susceptível, escancarado para a vida que me remete ao jogo de poker,&amp;nbsp; onde só se leva se for pra arriscar. Evidente, sempre existirá a possibilidade do blefe, doo risco que traz a vitória ou a derrota.&lt;br /&gt;E é, e sempre será assim com tudo. É assim quando se arrisca&amp;nbsp; nas bolsas de valores, nos outros jogos de sorte ou de azar. É assim quando saímos de nossas casas sem sabermos se retornaremos. É assim quando se ama ou deixa de amar. Em tudo,&amp;nbsp; absolutamente tudo haverá o risco, um contrato de clásulas imprecisas e a inexorável possibilidade de se pretender o céu para acabar se lamentando no inferno....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai Adriano, adorei&amp;nbsp;&amp;nbsp; a nossa conversa!&amp;nbsp; Percebo que estarei em excelentes mãos! – Ela exclama ao inciar as despedias. Sorrio ao retornar de mais um camalhamaço de minhas instrospecções. Ela também sorri ao nos encaminharmos&amp;nbsp; para a recepção. Educada, Mariela se despede da minha secretária:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa noite,dona..... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Carolina! Carolina&amp;nbsp; Frydmann! –&amp;nbsp; Carol responde secamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço que não percebo, e então delicadamente toco no ombro de Mariela com intuito de encaminhá-la a saída.&amp;nbsp; Saindo pela a porta de vidro caminhamos a passos lentos percorrendo os poucos metros que a deixaria na entrada dos elevadores.&lt;br /&gt;Já defronte a eles olho para o placa eletrônica incrustrada na parede e reparo que o elevador que serve meu andar encontra-se no parado no andar térreo. Como estávamos no 28º andar avalio que demoraria uns 5 minutos até sua chegada. Olho para ambos oa lados do corredor e ali não há nada senão&amp;nbsp; solidão e o ar frio da noite. Num impulso me achego bem próximo do seu corpo e sinto a delicada fragrância do seu perfume de mulher. Chanel 5, disse para mim.&amp;nbsp; Discretamente&amp;nbsp; exalo o buquê e ela percebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai Adriano! É o Chanel número 5 – Diz ansiosa com voz claudicante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorrio e aproximo-me mais. Praticamente tocávamos os nossos corpos quando a enlaço pela cintura e a trago ao meu encontro. O beijo foi dado, apaixonado, calmo no início, selvagem ao fim. Ao toque dos meus lábios Mariela pareceu assustada, porém, cedeu. Eu sentia o sabor da sua boca, o toque da língua e o estremecimento do corpo que se&amp;nbsp; fundia ao meu. Vingava em mim&amp;nbsp; a sanidade e a locura dos incautos pegos de surpresa pelo encatamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Adriano, liga pra mim assim que chegar à tua casa?&amp;nbsp; – Pediu. Aliás, não era um pedido e sim um convite&amp;nbsp; feito por alguém que ostentava um estranho brilho no olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ligarei! – Confirmei num mesmo momento que o elevador estacionara no andar. Provavelmente eu deveria estar parecendo um desses tantos bobos acometidos pelo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desta forma que ela se foi deixando atrás de si a marca de sua personalidade; o apaixonante Chanel 5.&lt;br /&gt;Por alguns instantes permaneci olhando para o indicador luminoso incrustrado na parede – 27º, 26º, 25º... o elevador descia a caminho do térreo. Eu sabia que lá chegando e ao abrir a porta outros homens a estariam olhando com os mesmos olhos de loucos. Homens que poderiam estar usando o seu creme anti-ruga,&amp;nbsp; agora mero produto&amp;nbsp; duma feroz batalha judicial. Eu entrava no jogo,&amp;nbsp; e não era pra perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com&amp;nbsp; a firmeza de propósitos fiz o caminho de volta para o escritório, porém um barulho assustador me surpreendeu e fez Carolina sobressaltar da sua cadeira executiva. Eu viera tão anestesiado pela sedução daqueles beijos que nem repararei que a porta de vidro se mantinha fechada. Conclusão; choquei minha cabeça violentamente contra o blindex.&lt;br /&gt;E foi&amp;nbsp; assim me sentindo um pateta que adentrei ao conjunto;&amp;nbsp; meus dedos acariciavam o rosto. Um rosto constrangido,&amp;nbsp; imaginando-se um&amp;nbsp; idiotizado&amp;nbsp; num mundo de tantos idiotas. &lt;br /&gt;Passado o susto Carolina não sorriu e manteve-se sisuda ao recolher suas coisas e ajeitar a mesa de trabalho. Assim que conseguiu enfiar o mundo na sua bolsa de 30 centímetros, atravessou a porta de vidro e se caminhou para os elevadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auquilo me chateou e um tanto contrafeito reparei que aquela fora uma das raras vezes que ela&amp;nbsp; foi embora sem despedir de mim - Paciência. Eu não poderia fazer - Agora sozinho, cuidadosamente fechei a porta com a chave e voltava para minha sala quando ouvi nervosas batidas no vidro. Retorno e&amp;nbsp; dou de cara com Carolina. Provavelmente esquecera algo – imaginei&amp;nbsp; - Abro a porta, mas ela não pretendia entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seu cego, estúpido! Você não percebeu que ela tem celulites? – Disse-me com raiva enquanto suas pálpebras tremulavam.&amp;nbsp; Descarregado,&amp;nbsp; deu-me as costas e voltou para os botões&amp;nbsp; dos elevadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À princípio permaneci perplexo, sem ação, para depois cair numa estrondosa gargalhada; Era blefe, pra não falar... mentira deslavada. Carolina, às vezeses priorizava jogos que não podia vencer.&lt;br /&gt;Agitando a cabeça num divertido sinal de recriminação vou à minha sala, agendo coisas&amp;nbsp; e penso em ligar para ela.&amp;nbsp; - “ Calma, Adriano! Ela está no meio a un trânsito irritante. Quer estragar tudo?”&amp;nbsp;&amp;nbsp; - Digo para mim e a esqueço momentaneamente. Ao sair apago todas as luzes, travo a maldita&amp;nbsp; porta de vidro e desço com mesmo elevador de Mariela. Parece que ainda há um pouco do seu cheiro e do perfume&amp;nbsp; envolvente impregando nas paredes laminadas. O elevador se movimenta e me deixa no subsolo. La, &amp;nbsp; pego o carro&amp;nbsp; e saio do edifício. Na esquina&amp;nbsp; entro num posto Skell que mantem ao fundo uma loja conveniências, a qual frequento. No interior da loja passeio por pequenos corredores à procura de novidades. Nada. Então compro apenas o trivial; cigarros, revistas e cervejas. Por fim solicito ao meu amigo empacotador e que auxilia o caixa no horário de janta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mané, por favor, 100 pratas em recarga da "Ei".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uai, dotô! Num vai ser os “quinzão” de sempre? – Mané pergunta, surpreso, os olhos arregalados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não não, Mané! Entrei numa roubada aí.&amp;nbsp; Sabe...uma baita gata... Mas.. você&amp;nbsp; ouviu corretamente! Pedi os 100 reais de crédito, mesmo – Confirmei levantando o polegar para o alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas, mas, mas&amp;nbsp; ou dotô num tem telefone em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não Mané, hoje as tarifas dos celulares são tão convidativas que nem compensa ter uma linha telefônica em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, é...&amp;nbsp; – Ele sorri sem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mané, vagarosamente digita os dados do meu celular na maquineta enquanto eu abro uma latinha de cerveja e a tomo no gargalo. Mané olha com um olhar desconfiado. Eu estava tão feliz que seria capaz de contar para ele tudo o que ocorrera naquela tarde.&lt;br /&gt;“O senhor só pode tá louco, dotô!”&amp;nbsp; – Fatalmente ele sentenciaria. É mais que certo que&amp;nbsp; Mané não é do tipo do sujeito que acredita em amor à primeira vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nessa possibilidade&amp;nbsp; resolvo não arriscar e mantenho-me calado apesar das minhas cartas serem insuperáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Royal Flush! Mané! – Exclamo, alto. Mané se sobressalta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Qui diabo é isso, dotô? - Ele me pergunta com feição duvidosa. Eu poderia explicar pra ele que era a jogada&amp;nbsp; vencedora do jogo de poker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, Mané! Deixa pra lá! –&amp;nbsp; E ri o melhor dos meus risos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida pego o troco das minhas despesas e abandono a loja. Por momentos olho para trás e percebo que Mané ainda me olha e coça a cabeça. - Acho graça -&lt;br /&gt;À caminho do carro uma enorme&amp;nbsp; vontade de assobiar “ Your Song”&amp;nbsp; Uma canção de Elton, mas com excepcional interpretação de Rod Stewart. Dizia uma parte da letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E você pode dizer a todos que esta é sua canção&lt;br /&gt;Pode ser bastante simples, mas agora que está feito&lt;br /&gt;Eu espero que você não se importe”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo assobiando a canção para uma noite que se abre tão excitada quanto um&amp;nbsp; belo par de coxas no aguardo dum&amp;nbsp; verdadeiro amor. Entro no meu carro, acendo um cigarro e expilo a fumaça para fora da janela, numa mania minha. Ligo o rádio giro o botão e sintonizo um canal de notícias onde reporteres relatam um Brasil de corruptos e corruptores. Claro! sempre haveria exceções. Aquilo me aborrece e vou para uma estação de música clássica. Ali, Chopin é tocado por um exímio pianista.Ele dedilha com maestria a impressionante&amp;nbsp; "Polonaise".No farol um desses garotos que vendem pequenas guloseimas se aproxima da minha janela com o vidro aberto. A música é tocada alta, e a fusão do piano com alguns outros intrumentos de orquestra soam incompreensíveis praquele&amp;nbsp; pirralho duns 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nossa tio! Que louco, isso! - Ele exclama surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apenas sorrrio e dou o seu "real" sem levar as balas de goma. Ele não perde tempo e avança serelepe para um outro carro. Sim, o Brasil tinha que produzir, trabalhar, não importava o como e nem o porque.&lt;br /&gt;Pelo retrovisor eu vejo o garoto se apoiar na janela do veículo imediatamente atrás enquanto o meu&amp;nbsp; pianista martela as teclas com a mesma violência que Chopin martelou. E isso me faz relembrar um pouco da&amp;nbsp; história do grande mestre polonês e sua mágoa com os russos que,&amp;nbsp; no velho mundo, sempre se meteram em confusões.&lt;br /&gt;Porém , para mim isso não faz a menor diferença. &lt;br /&gt;Há tempos eu não me sentia tão feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 05Dez2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1535568141237486298?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1535568141237486298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1535568141237486298' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1535568141237486298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1535568141237486298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/12/your-song.html' title='Your Song'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DyffdKtg79M/Tt2jBDkc6sI/AAAAAAAAAI0/riAU1wu7ksw/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-69254408064230173</id><published>2011-10-12T23:44:00.026-03:00</published><updated>2011-11-06T02:07:52.549-02:00</updated><title type='text'>Cenas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-p_bg73rKB2Q/TpZLNPYABrI/AAAAAAAAAt0/0fbElE0uues/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-p_bg73rKB2Q/TpZLNPYABrI/AAAAAAAAAt0/0fbElE0uues/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Somos anjos e demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto anjo te visito na doçura das preces  ao querer-me dedilhando poros e sugando tuas cavidades. E é assim  extasiada de imaginação que te escancaras&amp;nbsp; enquanto beijo tua  boca e acaricio teu sexo. Como de hábito suavemente nos possuímos e sorvemos as delícias que nossos orgasmos excretam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém , nem sempre quer-me assim; Doce, sacro e santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes torna-me brasa; Então me fazes o demônio que lateja e arde  dentro de ti numa chama que jamais se apaga.&lt;br /&gt;E assim ecoam os teus gemidos, e eles se&amp;nbsp; alastram pelas paredes e elas  pudessem apenas ouvir e ocultar&amp;nbsp; os segredos de todos nossos sussurros.&lt;br /&gt;E é nesta hora que não sou mais dono de mim e nem deste teu olhar depravado. Excitam-me teus lábios carmins que&amp;nbsp; proferem palavras desvairadas que se sustentas num riso insano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara! Aqui não é solo santo e nem você é meu anjo agora! -&amp;nbsp; Autoritária determinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda te ouço num mesmo tempo que&amp;nbsp; ofegam nossas respirações; Sabemos, a hora é chegada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Anda! Penetra-me, mais rápido! – Ordenas num ir e vir&amp;nbsp; de corpo - O que  importa naquele momento é o prazer que te concedo na pele que me impôs;&amp;nbsp; A  dum pobre apaixoando perdido da alma&amp;nbsp; –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ages como se eu fosse um principiante e então debochas e&amp;nbsp; ris arrogante ao cerrar os olhos e desfalecer de tanto prazer.&lt;br /&gt;Depois de alguns minutos o&amp;nbsp; hábito  de sempre; Com cara de vadia evitas tua própria nudez ao vestir as lingeries.&amp;nbsp; Recomposta olha-me com fogo e saltitante te levas ao banheiro. Ali, como de costume te inspecionas&amp;nbsp; no espelho,&amp;nbsp; retocas a maquiagem e&amp;nbsp; pressionas os lábios deslizando as mãos no corpo,&amp;nbsp; ajustando as peças íntimas com extrema delicadeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde estou curvo o tórax e pela pequena abertura  da porta vejo parte das tuas ancas&amp;nbsp; adornadas&amp;nbsp; pela ínfima calcinha  vermelha; Provavelmente o reflexo no espelho te previne&amp;nbsp; que és capaz de enlouquecer um homem. Retorno o corpo, acendo um cigarro e sorrio ao expelir a  fumaça que segue na direção do teto. Contudo antes de chegar ao destino ela deixa pelo caminho traços e&amp;nbsp; contornos imprevisíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então você ressurge entre a fumaça e faz careta para o vício que arde entre meus dedos. Você não gosta de supresas;&amp;nbsp; Verdadeiramente detestas os meus cigarros tanto quanto persistes linda e deliciosamente sensual. &lt;br /&gt;Aos poucos o olhar da mulher&amp;nbsp; se despe do tom de censura e se abre num sorriso de dentes perfeitos; Outra vez a magia de ti; Faceira,&amp;nbsp; cedes o lugar para uma garota&amp;nbsp; que sussurra-me mimos e depois debruças e&amp;nbsp; mordiscá--me os lábios; sei que gostas disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim te jogas na cama e te aninhas em meu peito deixando neste pobre diabo um oceano revolto da mesma sensação; Para mim, eternamente, será como se houvesse sido a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2011Set21 &lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-69254408064230173?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/69254408064230173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=69254408064230173' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/69254408064230173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/69254408064230173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/10/cenas.html' title='Cenas'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-p_bg73rKB2Q/TpZLNPYABrI/AAAAAAAAAt0/0fbElE0uues/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3261910431844947753</id><published>2011-10-01T16:51:00.032-03:00</published><updated>2011-10-06T16:46:41.801-03:00</updated><title type='text'>A metáfora miguxa e a fábula das letras iletradas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KRo4mNV-pPQ/ToduGSVWKFI/AAAAAAAAAHw/WgAbiYbL7rY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-KRo4mNV-pPQ/ToduGSVWKFI/AAAAAAAAAHw/WgAbiYbL7rY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;“Se a vida der apenas um limão; chupe!&lt;br /&gt;( autor desconhecido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, se não apreciares o cítrico em sua forma natura e gosto acre, existe a possibilidade de fazê-lo limonada. Lembre-se: cuidados especiais com a diabetes; Para ela adossante à vontade. Se incólume e na posse da saúde perfeita, assúcar, porém com certa parcimônia; É de bom alvitre utilizá-lo dum jeito que não coloque em risco o teu esmalte dos dentes. E se ainda assim, diante dos riscos acarretados &amp;nbsp; insistires na refrescante limonada, faça-a&amp;nbsp; mais saudável e amena ao seu organismo. Nesse caso&amp;nbsp; abuse do mascavo, um assúcar extraído do caldo da&amp;nbsp; cana.&amp;nbsp; A saúde é sempre tua, porém não se esqueça: Quem avisa... amigo é”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi exatamente desta forma que o “ EU SOU MIGUXO GRAÇAS A DEUS” um novato de taverna acabara de postar o seu primeiro escrito numa confraria literária conhecida por ” O BURACO DA MADALENA” Óbvio, o texto além de mostrar-se pródigo na mistura de pessoas e tempos verbais trazia um teor esdrúxulo num tom de quase gozação. Porém deveríamos levar em conta de que não fosse essa a verdadeira intenção. Mas, mesmo que&amp;nbsp; tentássemos vestí-lo de sério havia um imperativo quebra-cabeça a nos desafiar. Talvez desnudá-lo fosse tão simples ou complexo quanto os erros de grafia disperos&amp;nbsp; em frases que nada de novo trazia à area da ciência terapêutica&amp;nbsp;ou gastronômica. Enfim, possível era&amp;nbsp;o fato de&amp;nbsp;simplesmente depararmo-nos com uma redação algo incomum e que não&amp;nbsp;buscava grandes reconhecimentos como tantas outra que ali foram postadas e esquecidas. Claro, poderíamos creditá-lo como de mau gosto, oco, vazio e indicá-lo ao "Prêmio Sergio Mallandro de Literatura” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim,&amp;nbsp; pronta, a crônica ( se é que também podemos entendê-la como crônica)&amp;nbsp;foi afixada&amp;nbsp;no mural aveludado ao lado do balcão das bebidas. Depois sentou-se e indiferente aguardou as primeiras avaliações. Contudo algo de inusitado aconteceu naquele caso e os enganos gramaticais acabaram por propiciar algo parecido com uma revolução, um levante dos erros” E ela se deu como um número de magia; as&lt;br /&gt;palavras&amp;nbsp;incorretas se duplicaram e saltando das linhas&amp;nbsp; tomaram assentos numa das mesas próximas. E era tanto insano pegar as letrinhas naquele papo insólito, desconexo, meio que sem pé e nem cabeça. Suas conversas e intenções desfilavam claríssimas:&amp;nbsp; Elas estavam lá pra ver o circo pegar fogo.&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;-Eu quero mais é que esse cara se lasque! Você viu em que textinho requenguela esse metido à escritor foi nos meter? –&amp;nbsp;Esbravejou o Assúcar - Nem sei onde&amp;nbsp;&amp;nbsp;arrumei tanta&amp;nbsp;paciência&amp;nbsp;pra fazer parte dessa bobagem&amp;nbsp;sem sal, sem tempero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Sou obrigado a&amp;nbsp;fechar com você! –&amp;nbsp;&amp;nbsp;Concordou - E digo mais; Sem açúcar também! -&amp;nbsp; Concluiu o Adossante. Porém ele&amp;nbsp;se esquecera&amp;nbsp;de algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, e&amp;nbsp; AÇÙCAR,&amp;nbsp;saiba seo carboidrato inculto...AÇÙCAR&amp;nbsp;se escreve&amp;nbsp;com C e cedilha &amp;nbsp;–&amp;nbsp; Tudo óbvio e cristalino; tratava-se duma tremenda carraspana, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adossante se surpreende com o tom professoral do amigo. Contudo,&amp;nbsp;sua resposta vem aos&amp;nbsp;gargalhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é ignóbil aspartame! ADOÇANTE também se escreve com C e cedilha! - Assúcar fora a&amp;nbsp;forra&amp;nbsp;à galope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caraca amigo! Você está certo? O que&amp;nbsp;pode estar&amp;nbsp; acontecendo com essa nossa descolorada gramática? –&amp;nbsp; Adossante recrimina-se&amp;nbsp; diante do próprio engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... pra falar a verdade,&amp;nbsp;conosco nada! Somos nada mais nada menos que traços manipulados por&amp;nbsp;&amp;nbsp;quem nos escreve.&amp;nbsp;Portanto somos os inocentes, ou melhor ainda; &amp;nbsp;vítimas&amp;nbsp;de um asno que se meteu a escritor! - O Assúcar&amp;nbsp; justifica-se&amp;nbsp;&amp;nbsp;à la&amp;nbsp;Pilatos, &amp;nbsp;num lavar de mãos. Depois persiste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como estamos falando de literatura... sabia que a ignorância dos maus escritores é a mesma dos caras que se acham? Você notou como esses soberbos agem com desdém&amp;nbsp;com o&amp;nbsp;que não seja de sua&amp;nbsp; produção ou dos&amp;nbsp;amiguinhos de patota? – &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;-Claro que já reparei, Assúcar. E aqui eles surgem aos montes! Quando percebo fico de olho nesses chatos! – Interviu o amigo – E sabe... você tem razão; os suprassumo se sentem assim como... semi-deuses, enfim... são uns tremendos duns baba......&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;Um fato inesperado faz Assucar abortar as falas&amp;nbsp;do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Xiu!&amp;nbsp;Calado, Adossante! Algo me diz que coisa boa não vai sobrar pro nosso escritor! Um sujeito de feição rude está vindo&amp;nbsp;pra ca&amp;nbsp;– Assúcar o apontou para aquele sujeito com cara de poucos amigos.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Curiosamente eles pareciam tensos e preocupados, fato estranho praqueles que&amp;nbsp;pretendiam ver&amp;nbsp;o circo pegar fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidências à parte, era mais que certo que as palavras inquietaram-se por aquele que lhes pretendeu dar -lhes vida num contexto literário, mesmo que ele as tenha&amp;nbsp;exposto&amp;nbsp; ao ridículo da gafe. Porém, nem a saia justa em que se viram serviu para atrapalhar o andamento da postagem que foi lida e criticada por aquele sujeito de feição dura. O seu nome;“ERAMOS OS MIGUXOS ASTRONAUTAS” Sobre ele poderíamos dizer que era um dos escritores mais assíduos e fluentes daquele boteco de mesas engorduradas. Ao escrito ele se referiu assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caro&amp;nbsp; MIGUXO GRAÇAS A DEUS, percebo a relevância da sua preocupação com o esmalte dos dentes da rapaziada e a da escassez da nossa produção de açúcar. E isso leva à conclusão de que se o governo federal persistir nesta política anti-canavieira é mais que certo num futuro próximo os veículos a álcool venham se tornar refénsda ganância das multinacionais dos adoçantes. Evidente, eles terão algum trabalho até conseguirem transformar as malditas sacarinas e ciclamatos em combustíveis. Mas... como os gringos e em especial os chineses são terríveis....nunca se sabe"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavrinhas se entreolharam assustadas. A insânia crítica só merecia uma conclusão daquela. Contudo a loucura não foi tanta e nem o suficiente que evitasse os agradecimentos do autor. E ele foi atencioso e educado com o seu avaliador: &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;"Grato, amigo“ASTRONAUTAS” A sua presença e opinião foram de imensa importância. Este novato só têm a agradecer" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda aturdidas e incrédulas, as palavrinhas liam e reliam o corpo da crítica. Indignadas ante os disparates e a falta de bom senso, manifestaram-se entre si:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hey! Tu leste tudinho o que esse sujeito com feição de poucos-amigos escreveu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que li tudinho! Vírgula por vírgula... Só que não entendi bulufas....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é, Adossante! Só falta esse&amp;nbsp;amalucado convencer o Ministro que o texto do nosso patr~&lt;br /&gt;ao deva ser&amp;nbsp; o motriz da Pasta da Agricultura Ô gente mais estrambótica, impression....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta feita é o Adossante que interrompe abruptamente o amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Silêncio Assúcar! Olha aí mais um sujeito estranho vindo na direção da gente. Ele está olhando para o mural e é provável que seja&amp;nbsp;pra dar uns pitacos... -&amp;nbsp;&amp;nbsp;Depois silenciam e aguardam &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam-se 15 minutos e uma nova crítica é afixada ao mural. Dessa vez quem avaliou&amp;nbsp; foi “OS SETE MIGUXOS CAPITAIS”&amp;nbsp; Na verdade, OS SETE MIGUXOS era um sujeito pouco conhecido pelos freqüentadores da taberna. Porém isso jamais o intimidou, ao contrário, o fazia um crítico ácido e de veemente oratória. Outra de suas&amp;nbsp; marcas era a paixão que abraçava seus posicionamentos. E foi com alguma empáfia,&amp;nbsp; ajeitando o nó da gravata e espalhando o pó das mangas do paletó que&amp;nbsp; ele pregou no quadro as impressões daquilo que havia lido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Patente está que o autor revela a estupenda veia política assim como uma turbulenta inquietação com os dias de hoje. Não sou pitonisa, não prevejo o futuro e nem me afogo nas águas do passado, mas... sinto no escrito um excepcional exercício de metáforas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Metá... quem?&amp;nbsp; – O Assúcar&amp;nbsp; cutuca o Adossante - Do que esse maluco tá falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por Deus..quietinho aí! Como é que eu vou saber se você não me deixa pensar? – O Adossante se irrita e ralha com o amigo -. Silêncio! Vamos ver onde desembocará esse blablabla dos diabos.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;"Parece-me claro que o limão representa o sistema vigente... - Continua&amp;nbsp; OS SETE MIGUXOS –&amp;nbsp; E o&amp;nbsp;sabor cítrico aporta as mazelas do dia-a-dia, o déficit da carteira de empregos e desdenha dos salários aviltantes pagos à maioria dos trabalhadores brasileiros. E o açúcar, como não poderia deixar de ser... metaforicamente assume as tristezas e&amp;nbsp;a desesperança de um povo em seus governantes. Falta de esperança essa que estende a nossa infeliz classe de políticos..."&lt;br /&gt;Após&amp;nbsp;novas reticências, finaliza: &lt;br /&gt;"Ótimo escrito, meu caro GRAÇAS A DEUS! Parabéns por desvendar o caos com a precisão dum exímio cirurgião!"&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;Novamente as letrinhas se flagram espantadas enquanto o autor, outra vez mostra-se grato&amp;nbsp; ao seu mais recente crítico: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Muito obrigado amigo “SETE”. Logo mais devolver-lhe-ei a visita. Sei de antemão que lá encontrarei texto de um verdadeiro escritor" - Gentilmente&amp;nbsp;se refere&amp;nbsp;ao outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assúcar e Adossante, inconformados se&amp;nbsp;transformam em máquinas de ler. E como máquinas&amp;nbsp;relêem&amp;nbsp;tudo à&amp;nbsp;bordo dos seus&amp;nbsp;sorrisos nervosos ante tanta demência&amp;nbsp;distribuida&amp;nbsp;nquelas linhas. &lt;br /&gt;Jesus Cristo! Era Inacreditável. E eles ofegavam freneticamente&amp;nbsp;ao insensato&amp;nbsp;humano que pode haver em cada um.&amp;nbsp;Porém aos poucos foram retomando a normalidade,&amp;nbsp; respirando com cadência, &amp;nbsp;e aí sim, &amp;nbsp;articulando as palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Compadre Assúcar, tem absoluta certeza que leu com atenção o que esse possível candidato&amp;nbsp;&amp;nbsp; escreveu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que tenho, compadre. Li tudinho! Não sou analfabeto, pô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E então... O que achou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... acho que a intenção do sujeito foi soar “politicamente correto” Talvez ele deve faça parte&amp;nbsp;desses grupelhos da ultra direita radical.&amp;nbsp;Saca esses que, quando na oposição pretendem o poder a qualquer preço, mesmo que às cutas de falácias e mentiras? &amp;nbsp;Com certeza o compadre já ouviu falar que os aliciadores de&amp;nbsp;direita são poderosíssimos. E o pior; geralmente esse pessoal tem o dom da oratória e do convencimento - Conclui Assúcar num tom desanimado. &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;-Ah, compadre.. nem me diga!-&amp;nbsp; Aparta o outro -&amp;nbsp; Desses aliciadores entendo eu. Bem sei como são os manipuladores da consciência alheia. O problema é que depois de tramados os fios das teias, eles se transformam em &amp;nbsp;formadores de opinião emaranhando nossas consciências...Aí compadre, aí&amp;nbsp;já era! &amp;nbsp;–&amp;nbsp; Exalta-se&amp;nbsp;o Adossante. Ele parecia saber do que falava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Xiiiiiiiiiiiii! Olha lá! É agora que a cobra vai fumar! –&amp;nbsp; O Assúcar&amp;nbsp;brada ao&amp;nbsp;chamar a atenção do companheiro com um comnplementar&amp;nbsp;cutucão na barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ui! Mas...Como assim? Que cobra é essa que vai fumar, compadre? –&amp;nbsp; Questiona&amp;nbsp;com olhos arregalados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uai! Assim assim! A cobra vai fumar, compadre!... Veja quem está saindo do toalete e vindo para cá. - Assucar diz apontando discretamente o dedo para a pessoa que deixa o banheiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela, aparentando uma certa&amp;nbsp;severidade&amp;nbsp;e atravessa o salão e&amp;nbsp;toma assento numa&amp;nbsp;mesa defronte ao mural &amp;nbsp;Em suas mãos as inseparáveis companheiras de suas vida; As&amp;nbsp;folhas de papel A4 além&amp;nbsp;&amp;nbsp;da&amp;nbsp;favoritíssima&amp;nbsp; Montblanc Meisterstuck&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai meu Deus do céu...vai danar tudo! É agora que cachorro louco só morde calcanhar com pedigree! – Clama um frenético Adossante - &amp;nbsp;Quem diria que “A EX MIGUXA E O VENTO QUE A&amp;nbsp;LEVOU” daria as caras por aqui? Eu jamais imaginei que ela estivesse no pedaço - Conclui desanimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é! Agora é tarde, compadre! O negócio é a gente ficar balançando as perninhas pra ver com quantos paus se faz&amp;nbsp;essa canoa!&amp;nbsp;- Recíproco&amp;nbsp;&amp;nbsp;lamentou-se&amp;nbsp;ao outro&amp;nbsp;com um&amp;nbsp;amuo de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles, desconfiados&amp;nbsp;se atinham a&amp;nbsp;cada um dos movimentos&amp;nbsp;faciais da dona EX, que, compenetrada,&amp;nbsp;&amp;nbsp;exercitava os longos dedos, estalando todas&amp;nbsp;as juntas. Depois&amp;nbsp;&amp;nbsp;lentamente se dirigiu ao quadro, leu tudo que estava postado e&amp;nbsp;retornou&amp;nbsp;à mesa. Sentou-se e com a caneta&amp;nbsp;em mão, por alguns minutos&amp;nbsp;debruçou-se&amp;nbsp;à &amp;nbsp;redação&amp;nbsp;até sentí-la expressar o que lhe&amp;nbsp;seria de convicção. Depois, altivamente&amp;nbsp;&amp;nbsp;segue ao mural e firma&amp;nbsp;o seu A4 &amp;nbsp;crítico logo abaixo dos demais.&amp;nbsp; Nele, leu-se: &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;"O Miguxismo é o pecado mortal dessa confraria. E os que ele exercita são&amp;nbsp;os que ministram a extrema-unção num boteco que agoniza. Ah que vontade de evitar essa morte! Que saudade do pessoal de antes. Aqueles sim eram os verdadeiros poetas e não essa turba de miguxos que só serve pra bolinho de festa ou enfeite como a&amp;nbsp;cauda de um&amp;nbsp;pavão" &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;Próximos dali asseclas da tropa de elite&amp;nbsp; se achegam com suas cintilantes taças de Margaritas. E eles&amp;nbsp; sorriem nobremente enquanto tilintam suas taças num inequívoco brinde&amp;nbsp;de contestação.&lt;br /&gt;Ali tudo se fez claro e transparente para os que passassem os olhos pelo mural. &lt;br /&gt;Evidente, para mim, este cômico crônico, ou, crônico cômico se preferfirem,&amp;nbsp; ali&amp;nbsp; tudo soou-me velho, velhaco, &amp;nbsp;com gosto de ranço, com cores&amp;nbsp;da discriminação&amp;nbsp;e um mesmo sabor de&amp;nbsp; fritura saturada. Haveria alguma novidade naquilo? Óbvio que não! Para mim, nenhuma!&lt;br /&gt;Porém para eles, mesmo que&amp;nbsp;surgisse algo de interessante no front do “Madá” seria o mesmo que nada houvesse. Afinal... eles partilham das mesmas opiniões, das mesmas convicções onde o “babado” é reverenciar o velho clube da esquina de sempre, os carinhas de sempre,&amp;nbsp; os partícipes das&amp;nbsp; bajulações de sempre e dos blábláblás do eterno sempre.....&lt;br /&gt;Enfim... eles sempre serão os mesmos, sempre, e isto,&amp;nbsp; mais que notório se fez fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 01Out2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;----------------------------------------&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;--------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não&amp;nbsp;sabidos&amp;nbsp;foram os motivos, mas desta feita as&amp;nbsp;confusas&amp;nbsp; letrinhas amanheceram com cólicas renais de tanto gargalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hã... como assim..cólicas renais? Fatalmente perguntará um deles. &lt;br /&gt;- Meu lorde, por acaso não se refere às cólicas abdominais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah... é mesmo!&lt;br /&gt;Foi mais um dos meus bobos enganos. &lt;br /&gt;Licença poética talvez.. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3261910431844947753?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3261910431844947753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3261910431844947753' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3261910431844947753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3261910431844947753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/10/matafora-miguxa-e-fabula-das-letras.html' title='A metáfora miguxa e a fábula das letras iletradas'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-KRo4mNV-pPQ/ToduGSVWKFI/AAAAAAAAAHw/WgAbiYbL7rY/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-2845245307196861120</id><published>2011-08-27T08:11:00.005-03:00</published><updated>2011-09-09T20:22:03.990-03:00</updated><title type='text'>100% Virtual</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-v4h1InaWLO4/TlkZYXV0wqI/AAAAAAAAAHs/EpInOAQJ-Ks/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-v4h1InaWLO4/TlkZYXV0wqI/AAAAAAAAAHs/EpInOAQJ-Ks/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Conversávamos eu e meu amigo num bar. Ele parecia preocupado comigo e eu  nem sabia extamento o por que. Era-me estranho sentir aquele cuidado todo. Enfim,  talvez o avanço de minha idade preocupasse o garoto. Talvez ele tivesse  receio que duma hora pra outra eu batesse as botas espumando bebida  entre os lábios, desabando da cadeira e lambendo o chão como o mais vagabundo dos cachorros. Eu estavaindo prum gole dos grandes do meu terceiro Bloody enquanto ele há um bom tempo sorvia suas generosas doses  conhaque, uma rebatendo a outra, emendando com cervejas e cu de burro  (suco de limão e sal). Sua voz soava pastosa, ébria, macilenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veio, está na hora de parar com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Com isso o que, AVG, com a bebida? – Indaguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que não, porra! To falando dessa tua virtualidade exacerbada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que? Minha virtualidade exgerada? De que Wikipédia você ta falando, cacete? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uai!  Só não vê quem não quer. Você não se tornou incólume a ela, não se safou  ileso dela – Ele se achega curvando o corpo sobre a mesa e sussurrando  como se segredasse algo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, o meu amigo era um desses  garotos chegados num português cheio dos tre-le-les. Aquilo até que não  me aborrecia. Eu gostava dele e o achava engraçado, principalmente  quando se embebedava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ué, não sei por que Mozilla você cismou com isso, Maicon!&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele  me olha por alguns instantes e pensa. Os seus olhos apesar de bêbados mantem ainda o brilho de alguma esperança, coisa,diga-se de passagem, há muito não visto nos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... o que eu quero dizer, Veio, é que acho que  você está carente de realidade. Sabia que seios e uma  vagina bem lavada e depilada fazem um bem danado prum homo sapiens de  pênis? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achei divertida a sua colocação. Dito, retorna para a posição de origem na cadeira. Ah  sim! Sobre Maicon nunca seria demais dizer que além daquele seu  palavreado cheio das nove horas, era ele um sujeito chegado numa assepsia absurda,  quase intolerante até. &lt;br /&gt;Claro, naquele estado ele jamais poderia se lembrari que  um ano anos antes, numa noite de inverno em que nos afundávamos num louco porre  de vodka e cervejas, ele, com o dedo em riste e o corpo desgovernado  levantára-se da cadeira e do nada discursou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;-Não existe um único bucéfalo neste recinto que me verá desfilando com uma dona em fase excreta de&amp;nbsp; fluxo sanguíneo mensal!&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio o silêncio. Mané, o dono do bar,&amp;nbsp; permanece estático, dinheiro do troco  cravado entre os dedos ante o cliente que aguardava em frente ao caixa registrador. O  constrangimento só foi vencido por algumas garotas duma mesa próxima.  Inicialmente elas sorriram, depois gargalharam.&lt;br /&gt;Também pudera! Por Deus! Bucéfalo? O que o pobre equídeo de Alexandre tinha a ver com aquilo? E além do mais&amp;nbsp; ele poderia ter simplificado tudo&amp;nbsp; e dito que jamais sairia com alguma garota em fase de período menstrual. &lt;br /&gt;Em  todo o caso aquilo não me era importante naquele dia e nem no dia de hoje, mas sim,&amp;nbsp; o motivo de ter chegado a conclusão que eu me tornara 100% virtual. Permaneci calado por  algum tempo. Olhei para o meu bloody, girei as pedras de gelo no copo e&amp;nbsp; me manifestei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Maicon, Emessene à parte, acredito que que você esteja exagerando? – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente, era exagero, absurdo. Era simples de perceber que o cara com problemas era ele e não eu. Podáimos nota isso a olho nu. Ele me fulminou com aqueles olhos&amp;nbsp; ébrios e&amp;nbsp; meneando a cabeça num gesto de reprovação, me questiona:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah é? - Então me diga. O que está fazendo nesse instante? –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, sim! Estou com o laptop Winamp aberto. Mas... e daí? – Respondi sem perder-me da tela do meu note.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E daí o cacete? Agora me diga... Com quantas donas está teclando aí no seu "mesene" seu,&amp;nbsp; seu, Don Juan webmaníaco? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem.  estou com... três amigas! Ops,... quatro!&amp;nbsp; - Naquele exato momento acabara de entrar uma quarta  Youtube amiga. Era a Rutinha. Uma loira plastificada, talvez uns 42  anos, mas ainda de seios fenomenais, em que pese as suas proteses de silicone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Está vendo, Véio? Você não é  capaz nem de dar-me atenção. Tu que não percebes a inexorável  contradição que te tornaste - Inexorável? Puta que pariu! Maicon estava com a corda toda. Quanto ao "tu"era compreensível, afinal, Maicon&amp;nbsp; adorava falar para a 2ª pessoa  verbal. – “É a pessoa vebal da poesia” – Ele costuma dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô Maicon... não é bem Yahoo assim! Eu presto atenção em você, mas sem deixar de conversar com as minhas amigas. É uma questão de cavalheirismo. - Defendi-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Amigas,  que amigas seu velho cabeça dura? Amigo é coisa de carne e de osso.  Amigo é aquele que te leva para casa no segmento mais alto do membro  superior&amp;nbsp; se por acaso você necessitar (O filho da mãe me pegara de jeito. Eu  sabia o que ele pretendia dizer)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, Google, sei disso Maicon! Apesar de eternamente grato por azquela noite e ainda mais por ter feito aquilo por mim! Mas...não poderia simplesmente ter  dito assim: Amigo é aquele que a gente carrega no ombro quando está  bêbado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, ele queria que me fazer sentir culpado. Maicon era bom em chantagens emocionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Seu Xucro! - Ele responde -&amp;nbsp; Eu sei você que gostaria que eu declinasse da frase para simplque disse para meramente ter falado com a rudez com que falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maicon se entusiasmara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amigo é aquele de quem sentimos o caloroso abraço. Esses  sim são os nossos eternos amigos, e não essas pragas cibernéticas surgidas duma cartola virtual. - Os seus olhos ganham maior brilho, algo insano, louco, um lobo bêbado e desvairado que continuou com seu discurso: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toda essa manifestação afetiva virtual me parece tão  falsa quanto o ilusionismo de David Copperfield!&amp;nbsp; Lembra-se dele, Véio?&amp;nbsp; Aquele sujeito que fazia desaparecer avião diante nossos olhos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava para a sua boca e ela não cessava de&amp;nbsp; movimentar-se. Possivelmente os  seus problemas eram bem maiores do que aqueles que imaginara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Maicon, Maicon, Facebook Microsoft, pare! Acredito que você esteje delirando... – Tento em vão despertá-lo tocando fortemente no ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah,  maldita rede mundial de computadores! - Ele continua - Essa coisa absurda que vocês  tratam por....por.... – Maicon parecia em transe. Ele simplesmente nao se recordava da palavrinha pequena e mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Internet, Maicon! É a Internet, Badoo, o que voc~e está se referindo! – Tento auxiliá-lo. Sua mente quedava-se á embriaguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que seja essa porra de Internet! – Ele dá de ombros. Nele, além da embriaguês eu notava o tom de decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para Maicon e entendendi que aquilo jamais aquilo que fiz jamais poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;Sem que ele soubesse eu fizera para ele um perfil fake no Orkut. Gostaria de vê-lo&amp;nbsp; não tão só, com o pé na modernidade, fazendo novas amizades, vendo pessoas, interagindo, se  mostrando em webcam, falando por microfone, enfim.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Maicon...Bem....Maicon era complexo demais e jamais entenderia a virtualidade, e nós... os meros virtuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 26Ago2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-2845245307196861120?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/2845245307196861120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=2845245307196861120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/2845245307196861120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/2845245307196861120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/08/100-virtual.html' title='100% Virtual'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-v4h1InaWLO4/TlkZYXV0wqI/AAAAAAAAAHs/EpInOAQJ-Ks/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3921118294744154032</id><published>2011-08-24T20:53:00.016-03:00</published><updated>2011-10-12T21:30:43.649-03:00</updated><title type='text'>24 Horas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jdQIqaNyIGM/TlWEtFwsfxI/AAAAAAAAAtk/TFnoCgzzxwU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-jdQIqaNyIGM/TlWEtFwsfxI/AAAAAAAAAtk/TFnoCgzzxwU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu estava com sérios problemas&amp;nbsp;de sono. Aliás, acredito que não era propriamente o sono e sim a virtualidade.&lt;br /&gt;Notívago crônico, cotidianamente não conseguia dormir antes das quatro ou cinco da manhã.&lt;br /&gt;Meu  estado de confusão mental progredia consideravelmente; Eu não sabia se  me tornava virtual pela pontualidade da falta do sono, ou se notívago ao excesso de virtualidade. A coisa se revestia de contornos tão  drásticos e assustadores a ponto de confundir-me entre a noite e o dia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois bem Sr. Bates, qual é o problema agora? – Perguntou o analista, online, pelo MSN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem...  Dr. Dil, sinto que as coisas não podem continuar do jeito que estão –  Evidente, eu percebia o tom contrariado da pergunta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sr.  Bates, eu acho que o seu caso é mais indicado para um neurologista que  propriamente para mim, um mero psicólogo. – Disse com certo enfado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez  o Dr. Dil tivesse razão. Talvez eu estivesse insistindo à toa já que  aquilo não apresentava&amp;nbsp; resultado prático ao meu problema. Na última consulta  ele havia deixado claro que minha insônia deveria pra ser tratada por um  neurologista. Recordo-me inclusive uma de suas ultimas tentativas de se isolar  dos meus questionamentos, prontificando-se a enviar pelo motoboy  uma receita do Diazepan. –“ "Eu tenho um colega que pode aviar o receituário em seu nome” – Ofereceu. Claro, sabendo o quanto me fazia refém dos vícios,  recusei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Doutor, acredito que essa falta de sono pode ter como pano de fundo algum aspecto psicológico. Talvez não haja a ocorrência de algum fator na infância? – Insisti - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Persistia no fato pois geralmente os analistas imputam responsabilidades a essas questões ocorridas em fase infantil. Porém, comigo ele jamais permitiu usar-me desse artifício. Talvez tivesse receio que  eu me tornasse mais chato que propriamente era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim continuamos naquela conversa que não nos levava a lugar algum e para complicar a  noite era de um&amp;nbsp; calor intenso,e eu,&amp;nbsp; ansiosamente apertava uma dessas pequenas bolas de borracha; Diziam que fortalecia a musculatura. E eu a pressionava algumas vezes e depois jogava-a&amp;nbsp; para alto e a pegava sem deixar cair ao chão&amp;nbsp; quando a pelota fazia o trajeto de volta.&lt;br /&gt;O Dr.  Dil, um analista virtual contrato por mim mediante uma depósito mensal em sua conta bancária olhava o movimento da pequena esfera&amp;nbsp; e sua  cabeça seguia a sua trajetória, ora subindo, ora  descendo num ato que poderíamos descrevê-lo como pura idiota. Assim que a bolinha veio morrer novamente na palma da minha mão,&amp;nbsp; irritado, falou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr. Bates, desculpe, mas não é para isso que o senhor me paga e muito menos são esses os serviços que lhe presto. Fulminou-me. Eu o olhei surpreso através da webcam. Talvez ele estivesse incomodado com a repetitividade do trajeto daquela bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah!  Não se incomode com ela, doutor. Não é preciso acompanhá-la! – Disse-lhe com um ar compreensivo. Ele olhou-me  com a feição irritada,&amp;nbsp; e isso eu pude distinguir na perfeita resolução da sua imagem estampada ali em minha tela de cristal líquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Na verdade sr. Bates, isso nada tem a ver com a  sua maldita bola. É que é um tanto constrangedor tocar nesse assunto,  mas...o senhor não me deixa outra alternativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim? Seja mais específico! –Realmente eu não captara onde ele pretendia chegar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oras  Sr. Bates, assim... assim. assim como o senhor está; com o pênis ereto sob sua cueca. E o senhor há de convir... é uma visão um tanto  desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para algo volumoso por debaixo da minha cueca samba-canção e de  fato ele estava com a razão. O pau estava ereto como se fosse o braço de  Adolf Hitler numa saudação nazista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, nem ligue pra ele, doutor! Isso é apenas vontade de fazer xixi! Tentei justificar-me sem dar grande importância ao fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sr.  Bates, o senhor quer mesmo saber? O senhor é um homem profundamente&amp;nbsp; intolerável! Passar bem! – Tão logo emitiu a sentença desligou a sua webcam e desconectou o MSN. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente,  já passara a hora de me desfazer do Dr. Dil Page Brin e do seu  sistema de análise por vídeo conferência Era tão nítido. Andávamos a passos de tartaruga e o  pouco que percorremos se traduzia num resultado desanimador. Em todo o caso eu reconhecia o seu faro comercial ao estabelecer o primeiro  consultório de psicologia com atendimento virtual. &lt;br /&gt;Claro, a culpa fora toda minha. Comodista fisicamente eu me livrara dos  malditos divãs freudianos, dos elevadores apinhados de gente,&amp;nbsp; dos estacionamentos abarrotados de carros, resultados dum trânsito insano de uma  irritada São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que ele se foi olho para o relógio; duas e meia da manhã.&lt;br /&gt;-  Plimmmm – Alguém entra online e o nome é visceralmente&amp;nbsp;  familiar. Coloco os fones de ouvido novamente e abro o microfone e a  webcam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filho, boa noite! - Ela me cumprimenta com a voz um tanto tremula da idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa noite mamãe! O que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Conta pra mãezinha; você comeu direitinho hoje? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Comi, mamãe! – Respondi lacônico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus,  era ridículo flagrar-me com a minha velha num papo desse e num hora  daquela. Naquele momento me ocorreu que a insônia devia provir de minha própria árvore  genealógica. Isso&amp;nbsp; me pareceu bem delineado nos seus olhinhos notívagos. E mamãe jamais se aperceberia&amp;nbsp; que aquilo era  constrangedor para um sujeito na minha idade. Certamente  passava-lhe despercebido, talvez pelo avanço da idade,&amp;nbsp; mas, ela me fazia sentir como se eu fosse um garotinho indo pra escola municipal do bairro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah filho, to te achando magrinho, olheiras tão profundas! - Ela suspira, agora com feição preocupada.&lt;br /&gt;Oh Cristo! Ia começar tudo de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mamãe, Eu já te falei. To muito bem! E a senhora sabe que quando durmo nem Boeing derrubando o apartamento me acorda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, isso é! Acho que não escuta porque ronca que nem um porco! E o seu ronco é tão alto quanto a turbina de avião.– Seus lábios se alargam e ela solta um daqueles seus risinhos safados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então ta! Um beijo mamãe! – Despeço-me imprevistamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes mesmo que ela tivesse a oportunidade de novas recomendações eu a bloqueio.&lt;br /&gt;Pronto! Problema resolvido. Claro, eu havia falhado ao não verificar o seu nome na lista de contatos permitidos.&lt;br /&gt;E ela se foi me deixando mais essa! Por que ela fora falar em  comida?&lt;br /&gt;Faminto voei à geladeira e  encontrei apenas os restos de um frango assado de três dias - Blargh! Olhar aquelas coxas esbranquiçadas me revirou o estômago. &lt;br /&gt;Assim, sem nada que pudesse matar a fome preparo a  terceira capiriroska enquanto persisto na relação dos contatos online e percebo a Cantina e Pizzaria Cosa Nostra. Desbloqueio e escrevo com letras garrafais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-XANG LEE, POR FAVOR, AINDA ESTÃO ENTREGANDO PEDIDOS? – Xang Lee era portador dum avantajado grau de miopia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chinês&amp;nbsp;  havia herdado a Cosa Nostra&amp;nbsp; e o tino comercial de sua família. O local onde funcionava a cantina havia sido uma pastelaria. Todavia o passar do  tempo e a pouca rentabilidade nos negócios fez Xang Lee esquecer os engordurados pastéis de queijo,  carne e palmito e optar por outro tipo de estabelecimento. Isso ficara patente numa conversa que tivera  com Xang numa das raras vezes que estive em sua pizzaria; Eu me dizia  surpreso por ver um chinês tornar-se dono de cantina.  Xang, por sua vez argumentara que os italianos haviam invadido  segmentos de comércios típicos dos chinêses, sobretudo as lavanderias. Foi então que percebi que seu raciocínio se  impregava de realidade, fudamentalmente&amp;nbsp; ao estarmos diante um mundo globalizado onde não mais existiam cartéis de etnias,  gastronômicos ou que abrangessem&amp;nbsp; outros ramos de atividade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso que eu relembrava quando&amp;nbsp; Xang respndeu pelo MSN confirmando estar em funcionamento. Mediante a confirmação novamente abro a webcam e peço pelo microfone:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Xang, pode me mandar ½ aliche, ½ mussarela? O meu endereço já consta com vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Xim sinhôro Bates! Vinte minutos a pizza taí xua casa! - Ele  confirma a bordo de sua túnica de cor amarelo-canário onde um enorme logo  da cantina bordado ao bolso retratava uma inexplicável Torre Eiffel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que&amp;nbsp; encarrássemos, Xang finaliza: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–  O pleço é R$ 32,80... Vai junto biscoitinho da sorte e Gualaná Dolly  glátis! - Xang era um cara esperto e sabia como conquistar a sua  clientela, apesar do guaraná ser o Dolly.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Com 45 minutos de atraso eu recebia a pizza. O rapaz me entregou a caixa  quadrada e o refrigerante. Dei-lhe o dinheiro com alguma gorjeta e ele  se foi. Abro a caixa e a surpresa: Era de camarão. Camarões enormes, bem  assados, apetitosos, apesar da pízza aparentar fria. Eu não tinha nada a  ver com a incompetência dos outros; Naquela noite alguém não comeria os  camarões que tanto ansiou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Degusto quatro dos oito pedaços e me sinto fartado.&lt;br /&gt;O que fazer? Um filme na TV? &lt;br /&gt;Não!  Filme de TV é um saco, geralmente reprise. Além disso o que aborrece  são aqueles comerciais enfadonhos que interrompem a fita a cada 20 ou 25  minutos. Passo os olhos pelos DVDs, e também não me atraem;&lt;br /&gt;Eu já assistira cada um daqueles filmes pelo menos um par de vezes. &lt;br /&gt;Vou  para janela, retiro um cigarro do maço e o acendo. No prédio da frente à  coisa de 40 metros um casal se beija. Eles se bolinavam e as mãos dele  são tão rápidas quanto o desejo dela quando dão pela minha presença.  Cerraram as cortinas e eu me amaldiçôo por ter deixado as luzes de casa  acesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Deus, que ócio! Minha vida era nada mais que puro tédio. &lt;br /&gt;Bem...  Eu poderia jogar xadrez, afinal, o Windows 7 tinha um ótimo jogo  instalado; Não, não! Vivo sendo surrado pelo maldito programa– Concluo  enfadado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber o que fazer com aquela insônia me dava nos  nervos volto para o PC. Sento-me e revejo a lista de contatos e percebo  que deveria ter ali uns 200 e tantos nomes. Provavelmente mais de 90%  deles fosse de mulher. Mulheres que tive algum contato pelas minhas  andanças virtuais e as quais nem me recordava. Felizmente para mim e  para elas e a fim de evitar constrangimentos do – “ Oi..nos conhecemos  aonde?” ou o fatídico - “Ei, quem é você?” - sempre as mantive  bloqueadas. &lt;br /&gt;Continuo seguindo a lista e.... Bingo! Estava lá, online! – Massagens Leonora – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-me  bem de Leonora. Talvez uns 50 anos, conservada, coxas apetitosas e  seios volumosos. Eu estivera em seu respeitável estabelecimento por  cinco ou seis ocasiões.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;Era uma casa com muitos compartimentos e aonde as garotas faziam barbaridades com os nossos corpos, exceto massagens. &lt;br /&gt;Na  terceira vez que ali estive Leonora me chamou discretamente e me  entregou seu cartãozinho. Olhei;além do seu celular constava o seu MSN. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Menino, assim é mais fácil, rápido e prático!. Esquema Delivery, sacou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro, claro, saquei! – Exclamo e pisco-lhe o olho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda continuo com os olhos pregados no seu perfil bloqueado, sorrindo para todas aquelas recordações. &lt;br /&gt;Persisto  olhando para o nome da sua casa de massagem e estou quase para deixá-la  online. Então me questiono se realmente estava a fim de alguma mulher.  Não que estivesse tarado por uma daquelas garotas, mas o tédio me  irritava. Desbloqueio o nome de Leonora e novamente abro a webcam e  assumo o microfone: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oi meu querido! – Ela exclama ao ver-me, antecipando-se a mim. Evidente, minha fisionomia ainda lhe era familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Leonora, boa noite! Como estamos de garotas? – Pergunto simpaticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonora  me atende vestida numa blusa de tule que deixa à mostra os seus  protuberantes seios. Eles ainda estão em plena forma e são adornados por  um sutiã também negro e menor ao tamanho que deveria ser. Parecia que  os seus seios estavam em liberdade condicional, porém com enorme desejo  de se verem livres daqueles bojos e tecidos rendados. &lt;br /&gt;No rosto uma  maquiagem pesada, carregada de azul e lilás. Isso a impregnava de uma  feição quase espalhafatosa, como a de quem estava prestes a ir num baile  a fantasias ou a uma festa de horrores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Xi, Bates! Numa hora  dessas não sobrou la grande coisa! Pra te falar a verdade eu estou aqui  unicamente com a Sheylinha. Lembra dela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sheylinha..Sheylinha...Ah, lembrei! Aquela magrela de bumbum atrofiado? – Questiono com o tom de uma decepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, ela mesmo! – Ela confirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, não é la aquelas coisas, mas... quanto tá morte? – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hum... pra você, fim de noite, faço R$ 150,00! Ta bom assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cem pilas. Nenhum centavos a mais! – Regateio. Acho que Sheylinha não vale nem a metade disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Fechado! – Ela responde num tom de “nem tudo está perdido”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos de ½ hora e o porteiro me chama ao interfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seo  Bates, tem aqui uma... uma...uma...- Ele está constrangido.Realmente a  sua simplicidade não sabia mexer com questões tão complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já sei Adrael! Mande subir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sheylinha  toca a campainha e eu abro a porta. Ela fede à bebida barata. Vinte e  poucos anos, a calça jeans agarradíssima faz suas pernas magérrimas  darem a impressão que se livrarão do pano e acertarão em bolas numa mesa  de sinuca.&lt;br /&gt;Ela nem pede licença e vai entrando e se desfazendo das roupas.&lt;br /&gt;Primeiro se despe da camiseta branca com letras douradas descascadas, mas onde ainda se lia:&lt;br /&gt;- Eu sou e todo mundo é! –&lt;br /&gt;Em seguida se desfaz das calças ficando praticamente seminua.&lt;br /&gt;Definitivamente ela não me causava qualquer tesão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô seo Bates, borá andar logo com isso que eu tenho que pegar o buzão que sai do Parque Don Pedro as seis, daqui a pouco. &lt;br /&gt;Não há nada pior nessa vida que prostituta apressada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Calma filha! Não quero transar não. Vamos apenas conversar! – Disse-lhe pacienciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor não vai brincar de pif paf comigo? – Ela exclama e gargalha como gente à-toa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso! Sem pif paf, hoje! Tranqüilo! - Afirmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela aquietou-se e então conversamos um pouco e eu soube de todas aquelas  desgraças que geralmente acompanham a vida das prostitutas. Era a  estória triste de uma garota dos confins desse país. Porém sempre é bom  mantermo-nos algo cético com histórias de meretrízes.&lt;br /&gt;Antes de se ir ela ainda se oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seo Bates, tem certeza que não quer uma, bronha ou um boquete, ao menos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, Sheylinha. Definitivamente não! – Garanto-lhe num suspiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a resposta ela se troca na minha frente e eu sinto certa pena daquela critura.&amp;nbsp; Há nela um olhar de criança, doída, machucada e sinais de uma vida muito dura, talvez a vida de cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 5:15 da manhã quando ela deixa o apartamento com um acenar de mãos e um sorriso sacana. Assim que se foi tudo se tornou cinza, escuro, quase negro.&lt;br /&gt;Volto ao PC e são raras as pessoas que se mantém acordadas numa hora  daquela. Desligo o computador e vejo a tela colorida definhar comigo,  morrer comigo. Agora não há mais vida ali, apenas o cristal líquido,  negro como se fosse o breu.&lt;br /&gt;Vou ao banheiro, dou uma urinada, escovo os dentes e lavo o rosto.&lt;br /&gt;A  feição que vejo refletida no espelho me assusta. Eu parecia estar com  mais de 50 e não os 39 que de fato tinha. Vou para o quarto e visto o  meu pijama flanelado. Olho para ele e rio de mim; Ele me lembra duma  certa vez, que bêbado e em roda de amigos confessei que usava um  daqueles e fui alvo de gozação - Isso é coisa de bicha, de gay! - Eles  riam e gritavam para os outros clientes do bar que estávamos.&lt;br /&gt;Lembro-me  que mandei todo mundo se foder quando o garçom também começou rir.  Afinal, eles que fossem à merda; jamais eu me separaria dos meus pijamas  flanelados.&lt;br /&gt;Já com ele ajoelho-me ao pé da cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pai, faça  que meu dia seja diferente ao de hoje! Mude algo dentro de mim, por  favor – Eu oro com devoção. Afinal, eu tinha que acreditar em alguma  coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELE deve ter me ouvido. E é mais que provável  que tenha concluído: "Ora ora! que sujeito folgado&amp;nbsp; fui despejar  nesse mundo" &lt;br /&gt;Termino a minha oração e me enfio debaixo dos cobertores. &lt;br /&gt;Pela janela a claridade amena me fazia sentir que o novo dia viria. &lt;br /&gt;Dia  que poderia me reservar sol, chuva, gente que se ama, gente que se odeia e outras tantas coisas boas e más. O mundo continuava girando e nós não  sentíamos, aliás, jamais sentiríamos O planeta era notícia, sempre.  Notícia que espocava de segundos em segundos na rede, nas rádios,  nas TVs. Notícias de tragédias que davam conta de quanto o mundo sofria, agonizava.  Notícias que eu só teria ciência quando acordasse la pelo meio da tarde, impassível, boca amarga e meio ébrio de tanto sono. Algo andava mal dentro de mim, e pela pela primeira vez em muitos anos eu necessitava me dar vida, doar-me, de ter alguém pra amar e me sentir amado. Alguém que desligasse a televisão depois da sessão das dez e me desse um tapa na bunda e me convidasse para a luxúria e o amor.&lt;br /&gt;Porém o amor sempre me fora complexo,&amp;nbsp; imprevisível, e tanto quanto eu imcompreensível como a virtualidade que me tornei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 23Ago2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3921118294744154032?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3921118294744154032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3921118294744154032' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3921118294744154032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3921118294744154032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/08/24-horas.html' title='24 Horas'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jdQIqaNyIGM/TlWEtFwsfxI/AAAAAAAAAtk/TFnoCgzzxwU/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8175611686240636675</id><published>2011-08-20T14:41:00.004-03:00</published><updated>2011-08-20T20:26:18.786-03:00</updated><title type='text'>Entregues &amp; Possuídos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9-AUgtXvHr0/Tk_wtKGu16I/AAAAAAAAAtg/-aJj1ebYgIA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-9-AUgtXvHr0/Tk_wtKGu16I/AAAAAAAAAtg/-aJj1ebYgIA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ao lado da cama a janela entreaberta. Nela, um pequeno e ansioso rouxinol gorjeia&amp;nbsp; sua curiosidade por aqueles inexplicáveis afagos e beijos.&lt;br /&gt;Acima dos lençóis o homem misturado ao  cheiro de cidade e um odor do Paco Rabanne apenas sorria para a mulher. Para eles parecia que há  muito nada houvera de tão significativo. Tomavam-se de um sentimento  quente, suas veias em erupção pelo movimento frenético do sangue,  embevecido por algo para o qual não há antídoto, a não ser o próprio  veneno adocicado que ora experimentavam.&lt;br /&gt;Pela mesma fresta penetravam  alguns poucos e envergonhados raios de sol, tão gélidos ante o verão  que se presenciava naquele quarto.&lt;br /&gt;O gosto das bocas se tornava o  mesmo, os perfumes já não eram discernidos e o gorjeio do rouxinol se  misturava ao leve ranger do madeiramento da cama.&lt;br /&gt;Cama que abrigava  muito mais que corpos à procura de prazer. Cama que guardava os segredos  daqueles seres que se tocavam cálidos. Era certo; Ali não havia só a  carne e os delírios que nela se enseja. Ali havia mais, muito mais; era a  doçura, a cumplicidade além do desejo.&lt;br /&gt;Ofegavam quando os sussurros  abandonaram seus lábios e se misturaram vagantes, escoando pelas paredes  do quarto. Agora, dois seres a mercê das sensações, resvalando suas  bocas, sentindo sabores antes distantes, faiscando olhares, reféns  absolutos dum estado de luxúria e paixão. E assim foi que se possuíram;  Um inferno misturado ao infinito, rebuscando cores, deuses e diabos  sucumbidos ao imensurável prazer.&lt;br /&gt;La fora a vida seguia seus passos,  indiferentes, sem cheiros, sem murmúrios, sem nexos, tampouco sem o  líquido e o gosto daqueles que se tornam unos.&lt;br /&gt;Depois disso,  extasiados apenas sorriram e se beijaram; Eles sabiam que o mundo não  fazia noção das chamas que aquelas paredes invejaram. Paredes que se  impregnaram de um olor saído das profundezas dos seus espíritos,  escoando pela tez, manifestando-se na emoção que rouba a própria razão.&lt;br /&gt;Mais  que isso, tinham toda a certeza que por algum tempo houve ali o  fascínio e a entrega de suas almas. Almas que abraçaram corpos que se  adentraram, mãos que devassas se perderam e reencontraram caminhos  cúmplices que margeiam pessoas dotadas de emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 20Ago2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8175611686240636675?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8175611686240636675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8175611686240636675' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8175611686240636675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8175611686240636675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/08/sobre-entregas-e-posses.html' title='Entregues &amp; Possuídos'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9-AUgtXvHr0/Tk_wtKGu16I/AAAAAAAAAtg/-aJj1ebYgIA/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-6712699385696176685</id><published>2011-08-15T22:08:00.029-03:00</published><updated>2011-08-19T12:50:56.243-03:00</updated><title type='text'>Um dia de fúria - By Véio China</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-BqlzdJLBTJw/Tkm9ifFv4kI/AAAAAAAAAHo/6PbCh79qQfI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-BqlzdJLBTJw/Tkm9ifFv4kI/AAAAAAAAAHo/6PbCh79qQfI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Definitivamente aquele não foi o meu dia de sorte. Novamente eu  subia ao apartamento, só que dessa vez para trocar as calças e por um fato  absurdo. Lembro-me que ao descer do 13º andar o elevador estacionora no 5º onde adentraram a dona Izolda e seu cachorrinho chihuahua, um loirinho&amp;nbsp; enegrecido com cara de retardado. Claro,estou me&amp;nbsp;refirindo&amp;nbsp;ao cachorrinho e não  propriamente à dona a dona Izolda, apesar dela por vezes&amp;nbsp;me parecer uma&amp;nbsp;autêntica  cadela.&lt;br /&gt;Dona Izolda,&amp;nbsp; mulher do síndico, dona de estrutura enorme e tetas 58,&amp;nbsp; e uma bunda imensa, parecida com túnel&amp;nbsp; Rebouças, tamanha&amp;nbsp; a profundidade. Eu  a achava ainda mais apavorante que o seo Virgílio, o marido síndico. Pra falar a verdade, sobre  eles ( síndicos) eu sempre tivera mais medo deles que dos batedores de  carteira. Afinal, com os ladrões de carteira o lance sempre foi&amp;nbsp; pacífico, já que nos lesam sem ao menos percebermos.&lt;br /&gt;Em todo caso&amp;nbsp;o Paquito (nome da  cãozinho) houve por bem confundir a minha calça acinzentada com um poste de rua, desbravando assim uma mijada espetacular. Recordo que ao entrar no elevador não me senti confortável com a presença deles, e assim eu  fitava a placa luminária&amp;nbsp;presa ao&amp;nbsp;teto quando senti algo em minhas calças e&amp;nbsp;o chihuahua retardado jactando nela..&lt;br /&gt;Eu achei extremamente agressivo a forma displicente, descarada e polida com a qual dona Izolda  reprimiu&amp;nbsp;seu problemático&amp;nbsp;animal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Paquito! Tenha modos e não urine  na barra da calça do cavalheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puta que pariu! Eu tive vontade de  chutar o rabo dos dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao térreo não houve como não rir as ver&amp;nbsp;&amp;nbsp;ambos&amp;nbsp;a minha frente. Elas caminhavam lado a lado e tudo neles combinavam, até  o desengonçado e ridículo&amp;nbsp;rebolado.&lt;br /&gt;Antes de seguir pelo corredor do saguão bato  as mãos no bolso e não encontro minha carteira. - “Porra! Seu cabeça de asno”  Xingo-me. Subo ao apartamento, e localizo a carteira e saio.&lt;br /&gt;Novamente na  descida o elevador estaciona, dessa vez no 7º andar. &lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Um calafrio me percorre o corpo. Ali,&amp;nbsp;em minha frente, dona Sara  e sua famigerada cria, Brigite, uma garotinha loira dos seus sete anos.  Obviamente ela tinha problemas comigo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mãe, olha o moço com nariz de... –  Prontamente interrompi&amp;nbsp;a chatinha&amp;nbsp;e terminei por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De palhaço, não é?  Sei, sei! - Devia ser a 15ª vez naquele ano (e ainda estávamos no início do 2º  semestre) que eu a ouvia se referir assim ao meu nariz, enorme e um tanto  avermelhado, confesso. E ainda mais para mim oriundo germânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filha, já te falei diversas vezes! Não deve se referir assim  às pessoas, mesmo que tenha motivo! – &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;Se havia coisa que admirava em dona Sara  era o seu espírito conciliador. Era-me de grande valia naqueles  momentos de aflição.&lt;br /&gt;O resto do percurso foi feito sem grandes atropelos. A menina  esqueceu-se do meu nariz e apertou os botões de todos os andares sob a complacência da  mãe. “Ah, Noêmia, aí vou eu!” Eu&amp;nbsp;sussurrei para mim ao chegar&amp;nbsp;no térreo. Um  pouco mais e eu saia pelo portão e me encaminhava para meu veículo estacionado  em frente ao prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ops! Esqueci as chaves do carro! – &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;Novamente ralhei  comigo ao bater a mão na presilha da calça e dar pela falta do  chaveiro.&lt;br /&gt;Mais uma vez eu retornava para o interior&amp;nbsp;do prédio.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&amp;nbsp;Aquele não era mesmo&amp;nbsp; o meu dia de sorte....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mãeee! Olha o moço com nariz de palhaço de volta!  –&amp;nbsp; Dona Sara a olha com severidade, bem, e o resto nós ja sabemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filha, eu já te falei. Não se importe com o&amp;nbsp;enorme&amp;nbsp; nariz do  moço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Deus! Eu não merecia aquilo. Sem olhá-las atravessei a recepção e me dirigi ao elevador e dali ao meu apartamento.&lt;br /&gt;Dentro de&amp;nbsp; casa e procuro as chaves do carro e as encontro em cima da estante da sala.  Estou de saída quando o telefone toca. “Deve ser a Noêmia” – digo para mim –  Afinal, eu já deveria estar em sua casa há mais de 10 minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alo! –  &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;Não. Não era a Noêmia. Era sim uma voz grave e de um soberbo&amp;nbsp;afetamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, pois não! – Respondo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É o Kaká? – Me pergunta o  sujeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&amp;nbsp;Bem, meu nome era Carlos. Carlos Brickmann, pra ser exato. Porém  não me recordava de ser&amp;nbsp;chamado por Kaká por qualquer pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;-Sim, Carlos, Carlos Brickmann&amp;nbsp;falando! – Devolvo, como se incentivando a pessoa a me tratar&amp;nbsp;num tom&amp;nbsp;mais formal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ai Kaká, aqui é a Rogéria!  Sabia que você é delicioso? Já estou sentindo falta desse corpinho ao meu lado  na cama – Disse num tom espalhafatoso e feminino..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, eu não era&amp;nbsp;um gênio,&amp;nbsp;mas tinha a sabedoria suficiente para reconhecer&amp;nbsp;as afetações&amp;nbsp;de um travesti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Escuta aqui seu Rogério não sei das quantas!  Você ligou pro número errado, pro cara errado. E a porra do meu nome não é Kaká.  É Carlos! – E bati o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava fechando a porta quando o  telefone toca novamente – “É a Noêmia” – Exclamei - Provavelmente puta da vida comigo &amp;nbsp;–  pensei -&lt;br /&gt;Retiro o telefone do gancho, coloco no ouvido. No fundo ouço uma daqueles canções&amp;nbsp; canção de Gloria Gaynor que se identificaram no movimento gay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Kaká, você é um grosso! – Outra vez alguém bate  o telefone, mas desta feita não fui eu. E além do mais aquele sujeito esteva com  muita sorte “Ah se eu tivesse um identificador de chamadas” –  Lamentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente estou no hall quando o elevador chega. Entro e aperto  o “T”.&lt;br /&gt;Outra vez em descida ele&amp;nbsp;para agora no 8º andar. Nele entra um  dos sujeitos mais temidos do pedaço. Wolf Hocken. Wolf é um careca de quase dois  metros, uns vinte dois anos e um monte de banha distribuída em seus mais de 140  quilos. A sua negra camiseta GG com uma suástica em vermelho vivo&amp;nbsp;conferem-lhe uma  aparência atemorizadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sieg Heil! Camarada Brickmann! – &lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;Ele me  cumprimenta com o braço em riste enquanto toca os pés de ambos os coturnos  ocasionando um som de tonalidade grave. &lt;br /&gt;Traduzindo, ele me saudara com  um “Salve a Vitória” como se eu fosse um companheiro ideológico. Além de Wolf  misturar Vladimir Lenin e Adolf Hitler, ele deixava-me furioso; final, quem  poderia ter dito ao babaca que eu descendia de alemães? &lt;br /&gt;Merda viu!&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Saímos do elevador e ele segue apressado pelo saguão. Olhando-o  pelas costas&amp;nbsp;vejo que figura agressiva ele se tornou. Uma agressividade  desnecessária, maltratora de minorias sociais, enfim, dessas que geram violência que por  vezes&amp;nbsp;terminam em morte.&lt;br /&gt;Wolf seguia em frente e cada vez mais rápido até  quase desaparecer das minhas vistas.&lt;br /&gt;“Ah Noêmia, aí vou eu! Agora ninguém nos  segura!” – Convenci-me finalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;Entro no meu Tipo 96 e sigo em frente.  Eu estava louco pra mostrar o meu novo carro pra Noêmia, adquirido por suados  7.500 reais. Ansioso, vencia as ruas, ultrapassava os carros deixando para trás  alguns faróis vermelhos contando com a fiscalização precária dos&amp;nbsp;sábados. Em exatos 20 minutos estou&amp;nbsp;em frente do seu prédio num bairro Judeu.&lt;br /&gt;O  edifício relativamente simples abriga garagens coletivas. O porteiro, ao  ver-me, acostumado com a minha presença abre o portão automático e eu  entro.&lt;br /&gt;“Ah Noêmia! Estou chegando, mais alguns andares!” - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a minha  carência era enorme. Carência dos seus carinhos, dos seus beijos melados e de  cada curva daquele moreno corpo judeu. Há mais de 20 dias não fazíamos sexo,  geralmente por minhas ausências a serviço da empresa em que trabalhava. – E quando  juntos, exceto um dia ou outro ela tinha&amp;nbsp;o hábito religioso de dormir  extremamente cedo. Não raras vezes me expulsou do seu apartamento ou tive que  levá-la correndo do meu – “Amor, preciso dormir, descansar. Entenda, por favor,”  – Ela costumava comunicar antes mesmo de começar a novela das oito, que por&amp;nbsp;  ironia&amp;nbsp;começava às nove. Bem, fora esse insignificante detalhe, eu e ela  nos dávamos muito bem, numa convivência tão boa&amp;nbsp;ao ponto de&amp;nbsp;pensar num compromisso, mas sério,  coisa lógica para quem está junto há quase&amp;nbsp;um ano. - “Ah, Noêmia, Noêmia, estou a  poucos metros de você! - Aguarde!” – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao seu &amp;nbsp;andar segui para&amp;nbsp;a  porta e toquei a campanhia. Nada. Apertei o botão e outra vez ninguém atendeu.  Mantive os ouvidos grudados á madeira e nem barulho eu ouvia do interior. - “Talvez ela esteja no toalete”! –&amp;nbsp;Pensei comigo mesmo – Aguardei mais 5 minutos e  toco novamente a campainha. Insatisfeito&amp;nbsp;pressiono o botão sem folgá-lo do dedo.&lt;br /&gt;Talvez o ruído tenha  sido tão irritante que&amp;nbsp;a vizinha saiu à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei moço! Quer parar de  tocar campainha? Noêmia não está aí. Ela saiu faz ½ hora, mais ou menos – Me  comunicou laconicamente e um tanto desinteressada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso fechou a sua  porta sem esperar qualquer pergunta minha.&lt;br /&gt;“Caraca! Acho que ela deve estar  muito puta comigo!” – Deduzi. Enfim, Noêmia, depois de tanto esperar&amp;nbsp;deve ter&amp;nbsp;cansado e  saiu, provavelmente para me irritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah meu Deus! Que saudades daquele rabo, do&amp;nbsp; par de coxas fenomenal, dos peitos EG! – Disse para mim em alto e bom som  ao sair do elevador, já no saguão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como,&amp;nbsp;peitos&amp;nbsp;EG? Foi o que o senhor  disse, seo Carlos? – Pelo jeito eu não estava sozinho, e o maldito&amp;nbsp;funcionário se colocará  atrás duma coluna sem que eu percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Foi nada não  Expedito! Esqueça! – Finalizei. Provavelmente ele&amp;nbsp;jamais entenderia o significado daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi do porteiro com um aceno de mão e me dirigi  para o carro. Quase seis da tarde e a noite se precipitava, bela, mormacenta. Na  rua as pessoas zanzavam de um lado pra outro, esperançosas e no aguardo que coisas boas acontecessem. Estava tentando enfiar as chaves na porta do veículo quando sinto  algo chocando dolorosamente em minhas costelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei tio! É um  assalto! Quietinho! –&amp;nbsp; O sujeito&amp;nbsp;disse numa voz&amp;nbsp; ameaçadora. Apesar do tom percebo que se trata de um jovem.&amp;nbsp;Eu tinha medo  desses garotos e dos seus dedos nervosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não! Tudo bem! Eu não vou  reagir. Pode levar a grana e o carro, mas, por favor, não faça nada de mal! –  Respondi com voz trêmula. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por qualquer bobagem aquele fedelho poderia estourar os meus miolos.&lt;br /&gt;Alguns segundos que pareceram a eternidade e eu apenas&amp;nbsp;sentia o cano do seu revolver nas minhas costas. Ele nada respondeu, &amp;nbsp; parecia estar perdido em algum pensamento, até que se pronunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É o  seguinte, tio! O Tipo fica com o senhor&amp;nbsp;e a grana vai com a gente. Tira a grana&amp;nbsp;do bolso, rapidinho, anda! – E  estocou-me mais uma vez a costela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Temeroso, enfiei a mão no bolso e retirei a carteira. Havia 300  paus em notas de 50, e alguns trocados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha aí tio! Fica com esse  trintão! Prum pneu furado deve dar! Boa sorte com o Tipo, tio! – Naquele  instante eu tive a ligeira impressão que ele estava me gozando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais  que 15 segundos e surge um rapaz numa moto e freia ao nosso lado. Evidente, era  o comparsa. O meu rapaz enfia rapidamente o capacete, sobe na garupa e  saem em disparada. Ainda o vi acenar para mim assim que a moto partiu&lt;br /&gt;Trêmulo enfio a chave na porta e ela se abre. Eu entro, aspiro e inspiro um bom  bocado de ar e parto na direção da Delegacia de Polícia mais próxima: não seria  eu a colaborar com a impunidade no&amp;nbsp;Brasil e nem fazer parte&amp;nbsp;das pessoas  que não lavram ocorrência de algum tipo de&amp;nbsp;delito&lt;br /&gt;Porém, participar das corretas  estatísticas nesse país custa um preço, e caro; Saí de lá às 22 h envolto pelo  descaso e falta de respeito&amp;nbsp;da máquina pública. No tempo que permaneci nas dependências da polícia  eu vi de tudo por lá. Vi bandidos algemados, &amp;nbsp;baleados, ouvi gritos de horror e tantas  outras barbaridades. Enfim, foi deprimente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu dia fora um fracasso  absoluto. Eu ficara sem Noêmia e suas coxas grossas. Ficará sem uns bons  trocados, mas, por sorte ainda permanecera com o Tipo, relegado jocosamente pelo  criminoso. “Ah Noêmia! Eu queria tanto te mostrar o carro novo!”&lt;br /&gt;Está certo  que não&amp;nbsp;um modêlo&amp;nbsp;moderno, mas em excelente estado de conservação. Tinha até  um toca-discos Pioneer, antigo, mas um bom toca-discos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir pra  casa a saudade de um tempo outrora me levou à Rua Augusta, no centro da cidade.  Eu queria &amp;nbsp;relembrar a década de 80, as casas de shows eróticos e as prostitutas  da rua. Naquela época eu costumava percorrer&amp;nbsp;os quarteirões  pecaminosos com uma Brasília amarela. Não é necessário dizer que eu apenas gastava gasolina e  pneus indo de um lado para outro. Por mais que eu quisesse transar com uma  daquelas mulheres eu jamais consegui. Eu achava deprimente vê-las vendendo o  corpo, rabos de fora,&amp;nbsp;&amp;nbsp;mostrando as calcinhas, vermelhas, verdes, em ordem, furadas, etc, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;E também porque achava&amp;nbsp;horrível e de mau gosto aquelas suas maquiagens pesadas,  duras, meras mortas-vivas pintadas. Porém, naquela noite eu estava com vontade de  retroceder no tempo. Lembro que fiz os mesmos percursos de antes e nada parecia ter mudado. Suas bundas, suas tetas, seus rostos coloridos  continuavam nas vitrines das aberrações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já estava desistindo quando vi  uma delas escorada num portão de grade de um estacionamento fechado e &amp;nbsp;num local de pouca  iluminação. Olhei na direção daqueles longos cabelos loiros e eles combinavam  magicamente com&amp;nbsp;a saia e blusa, ambas&amp;nbsp;negras. Claro, a saia bem acima do joelho, mas  nem tanto escandalosa como as das outras garotas. Dei o farol alto na tentativa  de vê-la melhor. De onde eu estava ela me parecia linda, mesmo com aqueles  traços&amp;nbsp;e maquiagem pesada rebocando o seu rosto. A princípio ela se sentiu  incomodada pelo farol que a cegou por momentos. Percebi e o incômodo e desliguei o farol  e o motor do carro. Ela resvalava suavemente as palmas das mãos junto dos olhos  e se &amp;nbsp;encaminhava na direção do carro,&amp;nbsp;no sentido&amp;nbsp;da porta do passageiro.  Agora mais próxima, ao passar na&amp;nbsp;frente do carro&amp;nbsp;ela excitou-me sobremaneira.  O corpo da prostituta era simplesmente divino e me surpreendia o fato de  não estar gemendo em alguma cama dos hotelecos da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda  na penumbra ela se debruçou sobre a janela oposta à minha. Claro que ela  não distinguira a minha fisionomia ao se oferecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E aí garotão! O que  vai ser pra hoje? Um boquete ou uma transa completa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conhecia aquela voz. Estarrecido,  exclamei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Noêeeeeeeeeeeemia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um bom&amp;nbsp;tempo foi a última vez  que nos vimos. Passado quase um ano&amp;nbsp; voltei à Augusta e  reencontrei Noêmia. Dessa vez não houve&amp;nbsp;exclamação e nem surpresa. Houve sim uma  mulher com traços de algum envelhecimento precoce&amp;nbsp;e que confessou numa das camas  daqueles pardieiros que se dera mal ao não recusar a primeira fumada de crack  ofertada por um dos seus clientes. &lt;br /&gt;Evidente, eu não transei com ela, apenas  ouvi os relatos da sua perdição e o quanto sentiu-se mal na noite da dolorosa descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... foram apenas relatos&amp;nbsp;  isentos de qualquer pretensão. Lembro de ter&amp;nbsp; voltado mais algumas  vezes e a&amp;nbsp;olhos nus eu a via definhar&amp;nbsp;cada vez mais. Nunca mais fomos ou freqüentamos aqueles  quartos fedorentos, mas sempre lhe deixei algum dinheiro que pudesse ajudar em suas despesas. Recordo-me que na última vez ela nao estava mais la.&lt;br /&gt;Preocupei-me e perguntei  do seu paradeiro para uma de suas colegas. A resposta foi objetiva, dura e até óbvia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Noêmia  já era, moço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que saí de la um tanto desorientado. Doía saber  que uma mulher de pouco mais de 30&amp;nbsp; sucumbira às drogas. E assim foi para ela  e assim é&amp;nbsp; e sera para outros milhões de dependentes&amp;nbsp; e sem que possamos fazer grandes coisas.&lt;br /&gt;Dilacerado desci a Augusta no seu lado mais central e estacionei o Tipo&amp;nbsp;dinte dum boteco fuleiro.&amp;nbsp;Ali alguns bebuns de meia idade e bocas-moles  cantavam algumas canções de Roberto Carlos, seguindo as músicas tocadas numa jukebox caindo aos pedaçsos.&lt;br /&gt;Sentei numa das mesinhas e pedi  rabo-de-galo e cerveja. Tomei o primeiro numa única talagada. Os demais sorvi  com maior paciência e persistência. Embebedar-me era inevitável e questão de  tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez estivesse pelo quarto drink quando me juntei aos bêbados; Entre a meninice e a&amp;nbsp; adolescência eu ouvira as canções de Roberto Carlos, pois minha mãe nutria adoração por elas. Portanto, de tanto ouví-las algumas eu recordei, outras, em partes. Mesmo que não mais façam o meu gênero&amp;nbsp; existe todo saudosismo por suas letras românticas e rítimos apaixonados. Claro, jamais seria ingênuo de admitir que alguém cantou o amor tanto quanto ele.&amp;nbsp; O amor que transbordava de suas composições mas, o amor que eu não tinha, e assim não ofertava.&lt;br /&gt;Passava das duas da manha quando abandonei o boteco e zigzagueei&amp;nbsp;  junto com o Tipo pela Radial. Leste. Por sorte na via expressa havia pouquíssimo trânsito e isso talvez tenha evitado que me envolvesse em acidentes.&lt;br /&gt;Chegando&amp;nbsp;em casa e sem conseguir estacionar abandonei o veículo em cima da calçada bem em frente ao portão. Entrei trôpego e devo ter pisado em algumas formigas&amp;nbsp; enquanto a morte&amp;nbsp; me fitava com um riso de sarcasmo na face que&amp;nbsp; não via. &lt;br /&gt;Ela e eu sabíamos que eu apenas necessitava de uma boa noite de  sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 15Ago2011&lt;br /&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-6712699385696176685?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/6712699385696176685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=6712699385696176685' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/6712699385696176685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/6712699385696176685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/08/um-dia-de-furia-by-veio-china.html' title='Um dia de fúria - By Véio China'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-BqlzdJLBTJw/Tkm9ifFv4kI/AAAAAAAAAHo/6PbCh79qQfI/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3912049988160139292</id><published>2011-07-26T16:28:00.033-03:00</published><updated>2011-08-12T17:25:45.825-03:00</updated><title type='text'>Álbum de Fotografias - Uma quase estória de amor -</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kYQRC6RwiPE/Ti8RE9afwbI/AAAAAAAAAtc/5dglYehdAas/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-kYQRC6RwiPE/Ti8RE9afwbI/AAAAAAAAAtc/5dglYehdAas/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Perdido nos labirintos dos meus medos/ Quero ser&amp;nbsp; água de cachoeira/ Desprender-me do alto e jorrar/ Num voo livre e denso/ Sentir a força deste amor/ Em cada sorriso do teu olhar/ Não vou&amp;nbsp; mais me arrebentar/ Em pedras de sabores amargos........&lt;br /&gt;Foi o que jurei para mim&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma poesia minha. Uma poesia à procurava de algum rosto, algum traço que pudesse trazer&amp;nbsp;&amp;nbsp;alegria e&amp;nbsp;um motivo de fazer persistir-me nesse acordar do dia-a-dia,&amp;nbsp; nessa vida de tantos tropeços. Eu andava numa solidão de dar dó, auto-imposta, premeditada até. Afinal, &amp;nbsp;nada surgia&amp;nbsp;que me interessasse à&amp;nbsp;ponto de fazer desprender-me da concha para&amp;nbsp;perceber o que&amp;nbsp;se passava&amp;nbsp;à minha volta. Deixados para trás&amp;nbsp; ficaram&amp;nbsp; dois casamentos, mulheres, alguns fracassos, e filhos. Aliás, uma penca deles, cinco para ser mais exato, esses sim jamais “ex”..&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Recordo também&amp;nbsp;que esta&amp;nbsp;solidão foi&amp;nbsp;colocada em xeque na Rua Barão de Itapeteninga, no centro de Sampa. No meio da multidão um rapaz&amp;nbsp; gritava os dizeres de um cartaz&amp;nbsp;preso às costas: "Case bem e deixe essa&amp;nbsp;vida de vai-e-vem!" Evidente, achei muito engraçado a cena. Porém algo curioso aconteceu ao olhar praquele&amp;nbsp; garoto. Repentinamente me senti impulsionado a ir no endereço indicado, um pressentimento que&amp;nbsp; pudesse dar certo. Memorizei o destinoo e na mesma rua, no 318, conjunto 301- achei a agência de csamentos - CASE BEM - &lt;br /&gt;Ansioso, subi ao 3o andar e&amp;nbsp;fui ao&amp;nbsp;encontro da minha&amp;nbsp;felicidade. &lt;br /&gt;Ao adentrar ao conjunto uma moça de cabelos avermelhados me olha de cima abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa tarde, senhor....senhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oh, desculpe, Kelldian! Marco Kelldian – Respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Senhor está á procura da felicidade? – Ela me pergunta com certa doçura na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de responder que&amp;nbsp; jamais existiu e nem existiria a felicidade e essa tal pessoa ideal.&amp;nbsp;Talvez eu estivesse sendo um tanto radical pois numa&amp;nbsp; certa vez alguém cruzou o meu caminho. Uma dessas pesssoas fabulosas e que temos por hábito de rotular&amp;nbsp;por "sob medida”&amp;nbsp; Contudo, e contrariando o outro lado da moeda ela percebeu à tempo que eu não era a medida para o seu tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia achei melhor não contrariá-la&amp;nbsp; em demasia. Eu não queria parecer-lhe antipático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! Estou à procura da felicidade, senhorita.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Carla! Carla Dambrózio – Respondeu caprichando ainda mais no sorriso comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela puxou uma cadeira e pediu para sentar-me. Ainda com naquele sorriso forçado deu-me a ficha cadastral onde eu deveria fornecer meus dados pessoais, situação sócio-econômica e outros tantos detalhes que por pouco imaginei estar ante um fiscal da Receita Federal. Após preenchido ela faz um recibo e me entrega. Retiro o talão de cheques da carteira e preencho a penúltima folha com a quantia solicitada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao entregar-lhe o cheque&amp;nbsp; imaginei se aqueles trezentos reais seriam um indício para minha felicidade. Era mais que certo na vida sempre será necessário pagar pra ver, portanto, eu estava fazendo a minha parte. E também porque se fosse bem sucedido &amp;nbsp;naquela louca procura haveria de concordar; o preço era irrisório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida levantou-se da sua mesa e me encaminhou para uma das diversas salas do conjunto. Ali numa delas colocou alguns álbuns de fotografias sobre uma mesa de reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Senhor Kelldian, aí estão as fotos de algumas de nossas mulheres Aquelas que ainda no encontram a sua cara metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito, novamente sorriu o seu melhor sorriso empresarial, encostou a porta e deixou-me só. - “Nossas mulheres” - O termo ecoava em minha mente. “Nossas mulheres..nossas mulheres” - Eu estava impressionado pelo fato delas custarem tão barato...apenas trezentos reais – Concluí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa três volumes de álbuns. Abri pacienciosamente e no primeiro percebi algumas mulheres interessantes, bonitas até. Eu achei curioso o fato de todas as fotos apresentarem o mesmo fundo, uma paisagem de nuvens límpidas e um céu extremamente azul. Isso me levou a deduzir &amp;nbsp;que as fotos eram tiradas ali mesmo, provavelmente em alguma daquelas salas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em todo caso o passe de mágica veio com o segundo álbum. La estava ela! Eu achara! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eduarda Reys indicava o nome na contracapa do seu pequeno book. A descrição do seu perfil indicava para um cargo de assistente social. Além de divorciada dizíasse poetisa. Logo mais adiante fazia menção à dois filhos ainda menores. Algo me apaixonava nela e naqueles olhos tão cheios de vida. Um sorriso repleto de esperanças me fez imaginar campos verdejantes, calor das mãos dadas e sussurros de eterno amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nas fotos mais à distância notava-se um corpo de alguém beirandos aos&amp;nbsp; quarenta, porém de curvas excitantes e pernas bem torneadas. Tudo isso se emoldurava num vestido dum vermelho Ferrari com&amp;nbsp; 5 dedos acima dos joelhos.&lt;br /&gt;Claro, o entusiasmo evitou&amp;nbsp; que eu perdesse&amp;nbsp; tempo com os demais álbuns. &lt;br /&gt;Levantei e me encaminhei à recepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Senhorita Dambrózio, eu a encontrei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Um minuto senhor Kelldian. Já vou vê-lo e conversamos melhor. – Ela respondeu ao interromper a ligação em que estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos de 5 minutos la estava a recepcionista me indicando de que forma &amp;nbsp;proceder. &lt;/div&gt;&lt;form&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sobre a pessoa em questão a senhorita Dambrozio relatou que a "dona Eduarda" preferiria ver antecipadamente&amp;nbsp; as fotos do eventual pretendente. E no caso de manter algum interesse, que o contato seria feito pela própria e por&amp;nbsp; telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza que há o interesse, Senhor Kelldian?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Plenamente! Todo interesse – Concluí mais palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhorita Dambrózio sorriu e pediu para acompanhá-la, novamente. Mais uma vez eu me via perdido naquele labirinto de salas quando entramos noutra delas. E foi &amp;nbsp;lá, sob a limpidez de nuvens alvas e dum céu cretinamente azul que tirei as fotos para o meu book. &amp;nbsp;Era estranho. Repentinamente eu me sentia uma espécie de top model - "Vire mais pra ca, pra lá, sorria, não franza a testa" - Ela orientava a mim e ao meu constrangimento.&lt;br /&gt;Por sorte eu havia me barbeado na manhã&amp;nbsp; e minha aparência, complementada por um terno social&amp;nbsp; de um cinza escuro e uma camisa branca me aferiam um certo ar de respeitabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem....É só isso senhorita? – Perguntei. Além de me sentir incomodado achava estranho todas aquelas formalidades – Pensei - . E o amor, eim? Bem...o amor.. quem diria... o amor tinha se tornado mera transação comercial, um grande negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, é sim, senhor Kelldiam. &amp;nbsp;Aguarde que manteremos contato. Telefonaremos, avisou no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedimo-nos cordialmente e retornei para casa com o sorriso de Eduarda impregnado na mente. A senhora Reys impressionara, sensivelmente.&lt;br /&gt;Nos dois dias seguintes&amp;nbsp; não me dispersara do seu olhar quando o telefone toca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alô, o senhor Kelldian, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, ele! –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Carla. Conversamos por alguns momentos e ela me disse que Eduarda Reys havia se interessado por mim, e que faria contato. Mal desliguei ele toca novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Alô, por favor, o senhor Kelldian? – Ela era, a voz dela, Eduarda Reys.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eduarda? – Pergunto no aguardo de sua &amp;nbsp;confirmação – A tonalidade&amp;nbsp; parecia combinar com os seus olhos castanhos e o sorriso que tanto me encantara. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/form&gt;Foi o que bastou para iniciarmos uma conversa e desligarmos depois de mais&amp;nbsp; de três horas. Falamos sobre diversas coisas, relacionamentos, família, sobre ela, sobre mim, e finalmente o nosso gosto pela literatura. Sensível, poetisa dotada de extrema percepção Eduarda acabou por recitar uma de suas poesias como estivéssemos num sarau. Também falei daquilo que&amp;nbsp; me era paixão. Falei dos meus contos, de alguns personagens sem rostos mas com resquícios de alma. Ali mesmo trocamos nossos e-mails com promessa de não perdermos contato. Ao desligar parecia que eu conhecera aquela mulher pela vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;No decorrer do mês persistimos no contato diário, ora por telefone, ora por correio eletrônico. Inclusive nos tornamos recíprocos ao ponto de comentarmos todas as&amp;nbsp; mazelas de nossas vidas, nossos fracassos e os poucos sucessos. Constantemente trocávamos e-mail com poesias, contos, ora sugestionando, ora criticando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Recordo-me também que ela se impressionara com um dos meus personagens; Erico Zambini era seu nome, e segundo ela, ele se caracterizava por uma melancolia de um amargor doce.&lt;br /&gt;Porém faltava-me algo. Faltava a posse daqueles&amp;nbsp; aqueles olhos &amp;nbsp;e&amp;nbsp; do sorriso tão perturbador e que não me permitia dormir sem relembrar dele. E a coisa fluiu até o chegado o momento de nos conhecer. Marcamos para um sábado; 19 horas.&lt;br /&gt;Pontualmente e conforme o combinado eu a peguei defronte ao prédio que residia. Eduarda estava simplesmente sensacional. Eu senti arrepios ao cumprimentá-la à saída do edifício, uma sensação gostosa de tocar as suas mãos,&amp;nbsp; de sentir o perfume delicado e feminino envolvendo o ar.&lt;br /&gt;Ao abrir-lhe a porta do carro, discretamente e sem que fosse sua intenção deixou-me ver uma nesga de suas exuberantes pernas, algo dum apelo tão sensual que jamais senti por outra mulher, apesar dos meus muitos relacionamentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Partimos e a duas quadras dali ganhei o estacionamento dum supermercado; meus cigarros&amp;nbsp; tinham terminado. Estacionei, desliguei a chave do contato e fitei-a. Eduarda jamais saberia, mas, existia nela tanta luz, talvez o suficiente para alegrar miseráveis e descartar incrédulos iguais a mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Portanto, ainda permanecíamos sentados e em completo&amp;nbsp; silêncio quando lembrei-me que na véspera&amp;nbsp; havia pedido para que me fizesse uma poesia. Como resposta ela dissera que não conseguiria assim de forma tão simples:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kelldian,&amp;nbsp; poesia não se encomenda. O que nela se traduz é simplesmente o estado de paixão por alguém ou algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claramente Eduarda estava coberta de razão e eu não deveria ter tocado no assunto, mas, impulsivo que era, não consegui evitar. Em todo o caso tentei me justificar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ultimamente ando muito pidão, né Duda? ( Eu gostava de chamá-la de&amp;nbsp; Duda ) - Ah....coisa de velho! Deixa pra lá! -&amp;nbsp; Completei sem perder o costume de ser tanto chantagista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagina, Kelldian...pidão nada. Se o não é dado, não custa buscar um sim. E outra coisa; “velho é trapo". Então, sem chances de você ser um. – Respondeu concentrada. Duda era escolada, e não seria tão fácil sugestioná-l.a &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas..não ando te pedindo muito&amp;nbsp; Duda? Veja...peço poesias, atenções, carinhos....&lt;br /&gt;Ando abusando, não é meu anjo? Confesse! Juro que aguento! – Novamente um chantagismo psicológico em cena. &lt;br /&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Ta abusando não meu lindo...pronto, confessei. Você me faz bem- Devolveu com um sorriso nos lábios. Dessa vez eu tinha me dado um pouco melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sabe...As vezes gostaria de ter uma bola de cristal para descobrir o que a Du pensa de tudo isso. Mas.....infelizmente eu não a tenho. Assim só resta deixar as letras descobrirem – Afirmei cerimonioso, assim, como se houvesse chegado a algum fantástico pensamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem...a Eduarda, ou Duda, se preferir, pensa só coisas boas. Não gosto de deixar coisas ruins ocuparem espaços em minha vida, senão acabam por alastrar – Ela devolveu séria, determinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois sorriu e continuou -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pode ter certeza disso, Kelldian...se não jamais estaria aqui no carro com você. Deixa de tentar ser um Herculano Quintanilha...seja somente o Erico Zambini do brasil do meu coração – E riu. Um riso maroto, apesar da singeleza do tom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher sabia como mexer comigo, parecia conhecer o meu ponto “G” afetivo. Eu saboreei cada espaço da sua frase, cada entreabrir de lábios. Eu simplesmente não consegui me conter e ri: &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Herculano Quintanilha, Du? Quer me fazer morrer de rir? . Adorei isso! Hum...Erico Zambini do Brasil do coração da Duda. – Depois continuei as minhas impressões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... Acho que temos problemas à vista, Du! Tem um tal de Kelldian fazendo sinal. Provavelmente queira viajar nesse nosso trem. Sei não! Será melhor ele ficar de fora?&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;-Hum...O nome dele Kelldian, é? E o que você sabe sobre esse tal Kelldian? - Ela questionou&amp;nbsp; trazendo nos olhos um misto de surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobre esse tal de Kelldian? Bem....às vezes acho que sei tudo. Outras...quase nada. Por vezes um sonhador que se impressiona com&amp;nbsp; sorrisos meigos ou com detalhes de sensíveis em textos. &lt;br /&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela me olhava, questionadora. Era como se pretendesse saber com toda segurança quem era aquele homem. &amp;nbsp;Tossi discretamente&amp;nbsp; e segui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vez em quando ele e suas atitudes me surpreendem. Como agora por ex; Ele entra no e-mail só pra checar se há mensagens suas. E quando não encontra&amp;nbsp; se torna lacônico e decepcionado. Estranho ele, não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eduarda prestava atenção. Depois desviou o olhar e o cravou no toca CDs como se ali houvesse respostas pras suas perguntas. Pensou por alguns instantes e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, to começando a achar que esse tal Kelldian é igualzinho a todos nesse aspecto.&lt;br /&gt;Os sonhadores são pessoas inteligentes. Eles encontram uma forma mais bonita de viver. Tentam colocar flores no caminho para melhor percorrê-lo aproveitando-se do perfume! –&amp;nbsp; Devolveu entusiasmada. Pelo jeito Duda achava os sonhadores interessantes. Depois continou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles são pessoas sensíveis, que se impressionam com sorrisos, com carinhos, com palavras! Para as pessoas sensíveis as pequenas coisas são gigantescas e fazem toda diferença – Aí então finalizou num tom emocionado: - Sabe Kelldian, obrigada pela sua sensibilidade e overdose de carinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo foi demais para mim. Eduarda sabia como ninguém tocar-me com suas conclusões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olhe Duda! Estou sorrindo para você! Eu e você&amp;nbsp; somos permeados por overdoses de sonhos e realidades. Eu um sonhador, e você, bem, assim, excessivamente &amp;nbsp;realista e gentil. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eduarda não fazia a menor idéia, mas me sentia sonhador, disposto&amp;nbsp; talvez a voar para Marte, África e lutar por algo que acreditasse. Talvez ela fosse o inverso. Talvez ela precisasse&amp;nbsp; sentir o chão e a terra por entre os vãos dos dedos. –&amp;nbsp; Duda persistia encanta, atenta à minha fala, aos meus gestos. Eu, por outro lado, desembestara a falar sem parar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Perceba, Duda.&amp;nbsp; Aqui estamos nós. Lados opostos num embate interessante, um jogo de quase sedução permeado por sonhos e realismos. Acho que o poeta sempre soube, apesar de jamais me sentir um, que o sonho jamais prevalece à razão. Finalizei num tom desanimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuava me fitando, algo encantada, talvez preocupada com a visão que passei. Ainda pensativa ela desviou o olhar de mim e outra vez fixou-se&amp;nbsp; no painel do veículo. Permanecíamos em silêncio. Repentinamente a tonalidade de sua voz transborda numa &amp;nbsp; poesia.. Duda declamava para mim :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho e realidade/Sonho é poético/A vida também/Sonhar realidade/Ou realizar sonho/Faz muito bem!&lt;br /&gt;A vida é irreversível/Poupá-la não convém/Jamais saberá o fim/Se não for além!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é festa de alegria/É flor desabrochada/É sabido que a dor penetra/Mesmo sem ser convidada!&lt;br /&gt;A fuga nunca foi segura/Só resta viver de fato/Na vida o que perdura/É o amor, e o seu ato!&lt;br /&gt;E a razão, morre de paixão/Porque não dá o braço a torcer/Ela vibra de emoção/Mas tenta sempre esconder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a ouvia deslumbrado. Tudo que conversáramos até então se encaixava em contexto. Poesia sua, feita no ato, de fato. Eu persistia aturdido e ela, ante a minha reação brincou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Kelldian, a vida é festa de alegrias! Uhuuuu... Mesmo sem ser convidada! quase fiz esta poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que gostoso, Duda! Ta vendo porque você- me deixa em estado de constante paixão? - Devolvi. E continuei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E saiba dona Eduarda....isso é poesia sim! Uma poesia da Duda para o Kelldian. Bem, .pelo menos isso, né? –&amp;nbsp; Naquele instante me sentia feliz. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;form&gt;&lt;/form&gt;&lt;form&gt;Mesmo que não quisesse seria impossível não gostar daquela mulher de olhar  jovem e de atitudes surpreendentes. Eu me sentia um verdadeiro&amp;nbsp; jovem, um desses garotos galantes em suas calça jeans desbotadas que cursam o primeiro semestre de faculdade. Contudo, Duda era tímida ,dessa timidez franca, sincera, essas&amp;nbsp; que só encontramos em pessoas que realmente valem a pena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Kelldian, deixei de mencionar nesse projeto de poesia que é difícil  escrever para poetas como você. Tu escreves pacas, te curto um absurdo.  Gosto de te ler.&lt;br /&gt;E saiba: a razão é uma invejosa que canta de galo, se acha a poderosa, mas prefere a emoção em prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vez o encanto. Eu me sentia indefeso; era como se uma serpente naja pudesse sair por entre aqueles bancos&amp;nbsp; e me picar; e eu nem sentiria.&lt;br /&gt;Antes que déssemos a partida na direção do bar onde tomaríamos alguns drinks ela me sai com essa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Kelldian,.ia me esquecendo.... Nõ existe ninguém perigoso, ganhador ou perdedor.&lt;br /&gt;O que existe é uma forma certa para negociar! – Ela sorriu e piscou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  entendi o recado. Eu não era um ganhador, mas havia ali uma batalha  onde&amp;nbsp; não se podia&amp;nbsp; tombar morto sem lutar. E em cada batalha  haverá a possibilidade da vitória. E, para isso eu deveria seguir adiante e jamais  desistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Independência ou morte! – Exclamei.Ela riu,&amp;nbsp; nós rimos. &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Dei a partida e o carro avançou suavemente. No primeiro farol o vermelho se abriu majestoso. Aguardei as pessoas passarem e elas pareciam tão sisudas,&amp;nbsp; preocupadas com suas vidas, seus tantos problemas e obrigações. Um fim de tarde morno fez surgir do nada um rapaz e seus malabares com o fogo. A vida estava dura, muito dura, dava para entender aquelas roupas de circo e o nariz de palhaço. Pouco antes do verde eu desço o vidro e lhe &amp;nbsp;dou algum dinheiro. Ele sorri e me olha agradecido. Antes que o carro partisse, ele diz:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;-Aêêê tio! Boa sorte no babado! - Eu sorri. Provavelmente o “babado” ao que ele se referia deveria ser a&amp;nbsp; Eduarda - Eu olhei divertido. "Boa sorte no babado" murmurei e sorri novamente. Ele tão esperto como as suas tochas de fogo. De algum jeito ela sabia que eu precisaria de alguma sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez fitei&amp;nbsp; aquela mulher madura e duma beleza quase juvenil e percebí que seus olhos cintilavam tão lindos que poderiam ofuscar o fulgor do sol ou a exuberância da lua.&lt;br /&gt;O farol abriu e seguimos em frente. Sempre em frente. Em frente, para os lados, mas nunca para trás. Naquele instante&amp;nbsp; entrar&amp;nbsp; à direita ou à esquerda não faria a menor diferença. Era só seguir adiante procurando as marcas dum novo destino e jamais retroceder no olhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Independência ou morte! – Exclammei mais uma vez para uma Eduarda que parecia feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez aquela noite não fosse uma como outra qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 26Jul2011&lt;br /&gt;Véio China® &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/form&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3912049988160139292?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3912049988160139292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3912049988160139292' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3912049988160139292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3912049988160139292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/07/album-de-fotografias-quase-uma-estoria.html' title='Álbum de Fotografias - Uma quase estória de amor -'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kYQRC6RwiPE/Ti8RE9afwbI/AAAAAAAAAtc/5dglYehdAas/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3013678450438030821</id><published>2011-07-02T14:34:00.000-03:00</published><updated>2011-07-02T14:34:08.718-03:00</updated><title type='text'>Palhaço!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BWnlaN5yJ6k/Tg9WI7ZmV3I/AAAAAAAAAHI/4BhvinVNgrI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-BWnlaN5yJ6k/Tg9WI7ZmV3I/AAAAAAAAAHI/4BhvinVNgrI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;E o mundo gargalha diante aos olhos do palhaço; Ele não é engraçado, sabe que não.&lt;br /&gt;Insiste, mas não consegue compreender o motivo de acharem tanta graça em seu jeito.&lt;br /&gt;Talvez  seja o olho maior que o outro ou a tinta esbranquiçada que tinge seu  rosto ou mesmo o nariz avermelhado e arredondado do tamanho de uma bola  de golfe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele jamais pensou ou quis ser palhaço. Relembra a infância e o circo na cidade. &lt;br /&gt;Um olhar encantado nas lonas coloridas e no leão peludo que parecia tão bravio&lt;br /&gt;Vou  ser domador – Exclamou divertido - Haveria de ser herói, igualmente, e  ter as feras ao seu comando. E aquele leão que aguardasse! Haveria de  ter o seu respeito e o medo era apenas passageiro O peludo haveria de  sentir a autoridade de sua voz e os estalidos do chicote. Ah se haveria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou e não houve o leão e nem qualquer outra fera&lt;br /&gt;Não houve quem obedecesse a tom de sua voz ou os estalidos da chibata que acoitava o ar.&lt;br /&gt;Persistiu  sim aquele encanto que jamais o abandonou, mesmo que socado a se ver  fantasiado em roupas largas e super coloridas. Ele mesmo achava  divertido aquele nariz enorme e vermelho, mas que não era o seu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo palhaço é solitário, sabiam?&lt;br /&gt;E pra ele jamais houve companhia que não fosse o riso&lt;br /&gt;Palhaço, palhaço! – Ele adorava quando gritavam, incentivavam&lt;br /&gt;Ria palhaço! Pediam. E ele ria e ria e até acreditar que era o mais verdadeiro dos palhaços.&lt;br /&gt;Palhaço não precisa de amor. Palhaço necessita do riso e de olhos de criança... Convencia-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt; E agora, depois de tantos anos passados ele persiste palhaço.&lt;br /&gt;Um palhaço de gestos lentos e rosto enrugado&lt;br /&gt;Apenas um palhaço que ri, ri e continua a rir tanto&lt;br /&gt;Até seu riso explodir num pranto de dor&lt;br /&gt;Que ninguém sabe, imaginam ser apenas risadas&lt;br /&gt;As risadas que ele sente da própria dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que palhaço eu fui? Escarnece de si. Para isso jamais houve resposta&lt;br /&gt;E então ele continua rindo, rindo e rindo. É unicamente o que ele sabe fazer&lt;br /&gt;Não mais incomodam as lágrimas que se fundem aos poros e borram o rosto até desabarem e fenecerem na boca imensa e azul&lt;br /&gt;Ele é apenas um palhaço! É a única certeza que tem&lt;br /&gt;Um palhaço a rir da compaixão que tem por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 02Jul2011&lt;br /&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3013678450438030821?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3013678450438030821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3013678450438030821' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3013678450438030821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3013678450438030821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/07/palhaco.html' title='Palhaço!'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BWnlaN5yJ6k/Tg9WI7ZmV3I/AAAAAAAAAHI/4BhvinVNgrI/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3413226809385725492</id><published>2011-06-21T17:56:00.006-03:00</published><updated>2012-01-15T20:19:06.025-02:00</updated><title type='text'>Uma trepada dos infernos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-0SPTc-5hij0/TgEDoKN0wWI/AAAAAAAAAHE/xZVV1Kdm0pc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-0SPTc-5hij0/TgEDoKN0wWI/AAAAAAAAAHE/xZVV1Kdm0pc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Acordei de sobressalto. Minha cama ardia. Como era possível? Estava num chalé à beira lago, São Joaquim, Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;Os  termômetros previram 3 graus negativos praquela madrugada e talvez  estivesse fazendo mais frio de que afirmava a previsão. Com o corpo em  brasas procuro o interruptor do abajur. Encontro, aperto e surge a tênue  claridade de uma lâmpada 20 w de tom azulado. A parca luminosidade  clareia parte dos móveis antigos que decoravam aquele chalé alugado.  Alguma coisa sombria e tenebrosa escorre no lugar sem que eu saiba  exatamente o que fosse ou porque era. Firmo os olhos na direção de cada  peça do mobiliário e percebo os contornos de um Buda que se acomoda na  prateleira de uma pequena estante. Ele é aterrorizador. Evidente, Budas  não são aterrorizadores, mas aquele em especial, era. Eu podia  distinguir claramente os contornos rechonchudos da divindade de mais ou  menos 30 centímetros de altura e outros tantos de circunferência. Ele me  incomoda, então desvio o olhar e me atenho no celular que repousa na  mesinha de cabeceira junto ao abajur. Ligo-o; 3:00 hrs. da manhã,  indica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o corpo ainda em chamas jogo para fora da cama os  três cobertores que me agasalhavam e me levanto. Dirijo-me à janela onde  pequenas camadas de gelo grudam nas partes externas das vidraças. La  fora o breu da noite e os raios que iluminam o quarto não me trazem  qualquer interesse. Talvez se houvesse alguns lobos uivando ansiosamente  a fim de sentir o gosto da minha carne, me sentisse melhor. Todavia não  existiam lobos em São Joaquim, e sim cãos indefesos e vadios com tanto  frio quanto os turistas e seus agasalhos multicoloridos. Turistas que,  diferentes de mim vasculhavam cada centímetro daquela cidade como se  estivessem no quintal de suas casas. Entediado saio do quarto e sigo em  direção à pequena sala, anexa. Ali um cheiro forte e ácido impregna o ar sem que possa saber onde se origina. Um novo trovejar e a&amp;nbsp;  claridade dos raios iluminam outra parte da sala. Foi então que eu o vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vieil homme, pourquoi avez-vous quitté le lit? – Fala-me uma voz um pouco grave, porém com entonação feminina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte e à custa de uma falecida avó francesa eu consigo entender o que dissera. &lt;br /&gt;Ela  queria saber o porquê de ter-me saído do leito. Atônito e sem muito  entender novamente os trovões e raios proporcionam uma luminosidade tão  intensa que é o suficiente para que eu o distinga perfeitamente. Ali  sentada na poltrona de frente às esquadrias da sala eu encontro nada  mais, nada menos que o Diabo. Aliás, mais que um diabo. Um diabo fêmea!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Avez-vous peur, ma chère? – Ela pergunta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta  feita o tom de sua voz soa um pouco mais feminina. Feminina e um tanto  sensual. Claro, eu estava apreensivo, porém, machos não devem ter medo  de mulheres, mesmo que sendo diabas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não não, meu amor! Medo nenhum! - Respondi tropeçando na língua. Não iria entregar-me à sua intenção de me amedrontar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oui! De ce que je vois, eux aussi, un galant homme - Ela replica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  não sabia o motivo, mas ela me tomava por um homem galanteador. Não que  eu não fosse, mas jamais imaginei sê-lo com um ser das profundezas&lt;br /&gt;Repentinamente  ela se levanta e eu estremeço. A diaba devia ter o tamanho de um pivô  de basquete, algo próximo ou maior que 2 metros de altura. O seu corpo  era integralmente vermelho, da cor de um sangue vivo. Ela se mantinha  nua da cintura para cima e ostentava um par de seios fenomenal, pra não  dizer satânico. Abaixo dos quadris as longas e perfeitas pernas deixavam  à mostra, ao centro, um pequeno triângulo, uma minúscula calcinha em tule, decorada nas extremidades com delicadas rendas, todos no mesmo&amp;nbsp; tom carmim.&lt;br /&gt;A visão inusitada e voluptuosa me excita e eu não consigo desgrudar os olhos nela. Eu jamais conseguiria imaginar-me hipnotizado por algum “coisa ruim”. Mas, era isso o que ocorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novos  raios e agora eu percebo claramente o seu rosto e paradoxalmente sua  feição é angelical apesar da coloração grená e dos pequenos chifres que  afloram na cabeça. O diabo vem em minha direção. A sala, agora  totalmente clara diante de raios que parecem ter a intenção que aquilo  jamais termine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pavor se faz latente quando ela me pega pelas laterais da cabeça e  com mãos fortes e ágeis e leva a leva na direção dos seus protuberantes  mamilos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Suck, maintenant! – Ela me ordena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz soa magnânima e eu não tenho como desobedecê-la, e nem há a vontade para que isso ocorra. &lt;br /&gt;O  mamilo penetra em minha boca e eu o sugo com vontade. Ela murmura algo  com “Ai, que gostoso!” enquanto eu chupo aquele bico como se fosse um  bebê. Eu me sinto estranho, afinal com o corpo ereto e até ao ponto de  minha cabeça correspondiam à altura dos seus peitos. Eu sugava com o  rosto virado para o alto para ver a sua expressão quando que, com certa  rudeza ela arranca o mamilo de minha boca e a leva até o outro. Ao  mínimo toque da minha língua, o bico enrijece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De moi! - Ela grita. Ela quer ser possuída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  agora me puxa pela gola do pijama flanelado, atravessando a sala e indo  na direção da cama. Ao jogar-se nela eu vou junto com seu corpo.  Estendida ali ela geme e me fala impropérios e xinga de todos os nomes  possíveis. Eu distingo perfeitamente seus palavrões, “filha da puta”  “gigolo” “cadelo” e outros adjetivos enquanto se liberta da calcinha num  único puxão. Eu estou seduzido e em brasas e talvez meu corpo fosse  capaz de fritar filés de dois dedos de altura em questão de segundos.&lt;br /&gt;Era  tudo tão louco, insano quando suas enormes mãos se postaram atrás de  minha nádegas e me trazem violentamente para dentro dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Aiiiiiiiiiiiiiiiii  combien c'est merveilleux! – Ela urra ao sentir o meu pau se aprofundar  em sua vagina. O seu corpo freme por completo e eu me sinto como se  fosse um elevador de cargas ali em cima do seu ventre, ora subindo, ora  descendo, de acordo com a volúpia dos seus desejos e movimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ohhhhhhhhhhh!  – Ele se contorce num gozo satânico. Era a consumação do ato, aliás, do  ato dela. Eu seria capaz de jurar que aquela diaba sofria de gozo  precoce já que unicamente ela gozou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso e com cara de satisfeita puxou um cigarro dentro do meu  Malrboro e o acendeu com a ponta de um dos dedos e deu uma longa  baforada. Incrivelmente ela estava plena e satisfeita. Na face, claro,  aquele sorriso unicamente destinados aos diabólicos.&lt;br /&gt;Com u pau em  chamas e sem gozar limpei aquele líquido esverdeado que se desprendera  dela. Talvez fosse sugestão, mas podia jurar que o cheiro desprendido  dele era algo parecido com o perfume Anais Anais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me foi uma surpresa por não supor que demônios poderiam cheirar tão bem, ou mesmo que mantivessem relações sexuais.&lt;br /&gt;Um  pouco mais tranqüilo deixei-me rolar para o lado e sentei na cama com  as costas voltadas para a cabeceira. Inacreditavelmente eu não sentia  mais o medo e apenas um desconforto com aquela temperatura. Igualmente  retirei um cigarro do maço, acendi com isqueiro e dei uma longa tragada.  A diaba completamente silenciosa parecia não querer muita conversa. Eu,  com intuito de não me sentir constrangido tentava puxar prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Então.,..Não me diga! Os diabos são franceses?– Eu tentava questioná-la  com o mais idiota dos meus sorrisos. Sua manifestação foi inequívoca.  Abismado, estava ali outra coisa que eu jamais poderia imaginar; Diabos  eram poliglotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oui! Autant que Dieu est brésilien! – Devolveu-me a queima roupa, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  a olhei perplexo. Bati rapidamente as mãos na pequena chama que  escapulia pelo bolso do pijama e continuamos tragando nossos  cigarros de brasas confortáveis; Elas se sentiam em casa. Vez por outra  eu arriscava um rabo de olho e via o contorno daqueles seios fantásticos  e das pernas que enlouqueceriam qualquer santo do pau oco. Por alguns  instantes ela fechou os olhos e se voltou pra dentro de si como se  estivesse em louvor. Talvez esse mundo de crenças, fanatismos,  santidades e demônios fosse demasiadamente globalizado e ela conseguia  interagir com Deus, de alguma forma. Eu jamais saberia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que terminei o meu cigarro eu acendi outro na brasa do anterior  enquanto ela amassava a sua bituca&amp;nbsp; num cinzeiro de louça. Ela olhou pra mim e  pela primeira vez sorriu, docemente, e o que me foi um espanto pois  jamais imaginei coisas ternas partindo deles. Em seguida ela retorna para a  sua meditação enquanto eu fico a pensar na razão de tudo aquilo. &lt;br /&gt;Talvez  eu houvesse morrido e não tinha sido notificado do meu passamento. Ou  talvez ainda eu estivesse sofrendo de alguma síndrome, delírios,  convulsões. Todavia era demasiadamente quente e real para deixar de ser  verdadeiro. Novamente olhei para os seus seios e os finíssimos pentelhos  avermelhados acomodados logo abaixo do seu ventre, e sorri.  Provavelmente o “coisa ruim” pretendesse a minha alma e pensasse em  alguma proposta em que pouco cedesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desviei dos peitos e das  pernas e continuei olhando pra ela e pra sua prece silenciosa. Talvez,  se real fosse e retornada do seu transe ela quisesse me possuir, outra  vez. Portanto, como com diabos jamais se brinca e eu tinha que me manter  tento. &lt;br /&gt;Porém, existia a real possibilidade de que não fosse nada  daquilo e eu estivesse excessivamente alcoolizado, afinal, a garrafa de  vodca permanecia vazia em cima da estante, próxima à hediondez do Buda.  Afinal, quem poderia me garantir que eu não estivesse tendo problemas  com distúrbios mentais ou mesmo transtornos com os eventos do sono? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente  eu não sabia, porém, pelo sim, pelo não e antes que meus olhos se&amp;nbsp;&amp;nbsp;fechassem&amp;nbsp; e eu retornasse ao sono que deixava minhas pálpebras  pesadas, sorri, tranqüilo. Eu me sentia inteiramente em paz. &lt;br /&gt;Eu nada temia ou deveria temer, afinal, como ela bem dissera, Deus era legitimamente brasileiro. E, sendo assim ela e eu&amp;nbsp;estávamos no mesmo barco, jogando no mesmo time.&lt;br /&gt;Porém, como os diabos são imprevisíveis e antes que meus olhos selassem de vez eu a  vi dar um salto da cama e se colocar em posição ereta. O seu  corpo se mantinha rijo, os peitos empinados e as penas&amp;nbsp; sem apresentrem sinais de  varizes ou estrias. A sua voz soou melódica, grave e ainda&amp;nbsp; feminina quando&amp;nbsp;entoou uma canção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Allons enfants de la Patrie Le jour de gloire est arrivé !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a Marselhesa, o hino da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 21Jun2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3413226809385725492?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3413226809385725492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3413226809385725492' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3413226809385725492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3413226809385725492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/06/uma-trepada-dos-infernos.html' title='Uma trepada dos infernos'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-0SPTc-5hij0/TgEDoKN0wWI/AAAAAAAAAHE/xZVV1Kdm0pc/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-4065082641154619779</id><published>2011-06-14T18:56:00.019-03:00</published><updated>2011-11-16T07:27:11.586-02:00</updated><title type='text'>O Sr. Kasparov, meu neto e um Surfista Prateado</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-z0Zm5pJsKCM/TffXRJ_3yNI/AAAAAAAAAHA/MNv8hh4m-xk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-z0Zm5pJsKCM/TffXRJ_3yNI/AAAAAAAAAHA/MNv8hh4m-xk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Dad, sabia&amp;nbsp; que sempre eu penso em Nossa Senhora com um manto cor de rosa e calça  jeans? Geralmente a imagino&amp;nbsp; em cima dum palco com focos de luzes, assim como&amp;nbsp; num show de rock. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse era meu neto, Jean-Paul, 12  anos. Minha filha Dynáh escolhera esse nome em homenagem ao grande  filósofo Jean-Paul Sartre, de quem era fã e ávida&amp;nbsp; leitora. Dynáh sempre fora inteligentíssima (QI 148) Portanto, nada mais óbvio que Jean Paul, mistura genética com um pai de QI 154, fosse algo próximo à genealidade. Talvez,&amp;nbsp;  Dynáh já o tivesse pressentido através dos carinhosos mimos de suas mãos na enorme barriga dos tempos de gravidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas.. Jean Paul, veja, Nossa Senhora não é&amp;nbsp; popstar como a Madona,&amp;nbsp; muito menos uma estrela do mundo do rock – Contestei &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ih vô! Numa dessas minhas viagens aposto que não vai querer saber&amp;nbsp; dos lugares que vi Jesus percorrendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, o bom senso dizia-me&amp;nbsp; que não deveria questioná-lo dessa vez. As suas&amp;nbsp; reticências e o ar vago e maroto&amp;nbsp; deixavam-me  vaga impressão dos locais por onde ele fizera o filho de Deus  transitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim era com Jean Paul, onde sua criação  excessivamente católica viera com as fraldas e o limpar de bunda, herança herdada do meu genro, um  rico industrial na área da informática.&lt;br /&gt;Paradoxalmente, minha filha, agora também&amp;nbsp; afeita&amp;nbsp; ao catolicismo, esquecera de suas crenças antigas em clara oposição aos seus filósofos favoritos,&amp;nbsp; mas em comunhão com Antenor, seu marido,&amp;nbsp; um católico praticante e que sempre teve ótimo acesso ao pároco. Convem ressaltar que meu genro&amp;nbsp; jamais agiu com mesquinharias&amp;nbsp; nas doações feitas para a Igreja do bairro, independentemente de jamais fechar os olhos para alguns fatores que ocorriam naquela igreja e com o padre Luisinho,&amp;nbsp; tal qual o habito do religioso trocar o modelo do automóvel todo o santo ano. Evidente que eu me questionava quem poderia estar arcando com esses gastos. Claro, crentes, os fiéis afirmavam que essas despesas eram bancadas pelo Vaticano. Porém, cético, sempre desconfiei que o dinheiro do Antenor estava&amp;nbsp; metido no meio nessas aquisições.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  assim foi que, cercado de religiosidade&amp;nbsp; por todos os lados praticamente não restou alternativa  para Jean Paul que não fosse aceitar a imposição dos pais para que de trilhasse o caminho da fé. Fé que ajudei a desvirtuar ao transportá-lo no tempo e aos caminhos pregressos da minha revoltada  juventude. Comum era desviá-lo da rota&amp;nbsp; cristã ao contar-lhe parte das minhas estórias&amp;nbsp; mais amenas ou fazê- lo cadenciar o par dos seus pezinho 38 sobre o tapete persa do Antenor.&amp;nbsp; Naquelas ocasiões e para seu delírio,&amp;nbsp; no mini  system colocado acima&amp;nbsp; da minha mesinha de cabeceira eu desfilava para ele os pesados&amp;nbsp; rocks progressivos, principalmente os das bandas The Who,&amp;nbsp;&amp;nbsp; Led Zeppelin, Pink Floyd entre muitos outros.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele maroto de inteligência formidável assimilou tudo de forma rápida e precisa às  custas de alguns dos DVDs das minhas bandas&amp;nbsp; favoritas. Devido a alguns filmes antigos que ele ele aprendera a dar os  pulinhos iguais ao do&amp;nbsp; Pete Townshend e do Angus Young. E eu me divertia ao vê-lo curtir um som e atravessar o quarto empunhando a sua  guitarra imaginária, saltando pra lá e pra ca com as pernas ora dobradas para um  lado, ora esticando-as para o outro&amp;nbsp; numa&amp;nbsp; perfeita imitação dos seus ídolos. Nada incomum também eram os momentos onde as delicadas mãos de minha  filha batiam à minha porta com toques apreensivos e que sugeriam um demasiado nervosismo: “Ô pai, não vá me dizer que  senhor tá induzindo o Jean Paul a ouvir esse barulho dos infernos?” –&amp;nbsp; Evidente, esses&amp;nbsp; lances da Dynáh quebravam completamente o&amp;nbsp; nosso barato, e o que me obrigava a diminuir consideravelmente o volume. Depois, claro,&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; ria dessas passagens.&amp;nbsp; Mas o que as batidas de Dynáh não conseguim impedir era a minha cumplicidade para com aqueles pequenos delitos de Jean Paul. Delitos esses que nos aproximavam ja&amp;nbsp; que seria improvável que ele praticasse aqueles "absurdos"&amp;nbsp;&amp;nbsp; na presença dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dad, eu não sei se você sabia, mas... Platão desenvolveu uma teoria que  foi esboçada no Mênon: A teoria da reminiscência –&amp;nbsp; La vinha ele com suas afirmativas num  descolado sorriso. Óbvio, eu saquei que ele estava&amp;nbsp; pretendendo me gozar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas... que merda quer dizer isso,&amp;nbsp; eim sabichão? - Ele riu divertido com a complexidade da minha frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah,  é assim, vô: A gente nasce com a razão e as idéias verdadeiras. E aí a Filosofia nada mais faz do que nos relembrar dessas idéias. Isso é conhecido por maeutica, entendeu? –  Ele afirma com um olhar de sabe-tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah sim...agora que entendi! Bem, mas como eu diza.... – Rapidamente eu tentava abortar aquele seu lero-lero &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  não suportava aqueles momentos em que Jean Paul&amp;nbsp; cismava de desfilar a vidas dos filósofos, os seus  amores, as suas desilusões e até as suas mortes singulares. Pra falar a verdade eu achava aquilo tudo um porre. Portanto só me restava livrar-me dos bocejos ao tentar desviar a sua atenção.&amp;nbsp; Sem dar tempo pra ele raciocinar, impostei a voz e mandei brasa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Diz aí pirralho sabe-tudo! Quem foi o “Surfista Prateado”? –  Eu jamais fora homem de levar desaforo para casa. Era olho por olho, dente por dente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Surfista o que...? – Ele questiona com olhos esbugalhados. Parecia que eu estava lhe perguntando sobre caramujos tailandeses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, compreensível que ele não soubesse me dizer.&amp;nbsp; Jean Paul jamais poderia saber do “Surfista Prateado”. Evidente, meu neto desconhecia que eu me  referia a uma&amp;nbsp; leitura do meu tempo de ginásio. Foi então que pacienciosamente expliquei para ele que o "Surfista Prateado" fora um herói de uma revista em quadrinho e que dava conta que ele viera&amp;nbsp; de uma outra galáxia&amp;nbsp; a mando de um dos chefões do cosmos com a finalidade de devorar a Terra  ( Os seus olhos se arregalaram&amp;nbsp; quando citei&amp;nbsp; que ele viera devorar a terra) Mesmo diante da sua reação continuei esplanando que o super-herói levitava&amp;nbsp; na sua prancha prateada e que se encantara com a nobreza dos  sentimentos terrenos. E em se encantando&amp;nbsp; ele resolvera permanecer entre os humanos, travando guerras contra todos os  tipos de mal e crueldade.&lt;br /&gt;Talvez com o tempo o meu neto pudesse compreender que a minha predileção por aquele super-herói se a atrelada ao seu perfil psicológico; um super-herói nostálgico, solitário, e excessivamente melancólico. Evidente, eu e o Surfista tínhamos tudo em comum, exceto o fato de eu jamais ter sido um super-herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que Jean Paul com cara de pouca surpreso e concluiu: - Ah sim.. Então esse que é o tal&amp;nbsp; Surfista Prateado.. .Nossa, nada punk!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém os seus olhos e atenções estavam distantes daquilo que eu falava. Foi quando tentei penetrar naquele nos seus&amp;nbsp; olhos azuis como as águas  do oceano Atlântico. Como era de se esperar, não consegui.&amp;nbsp; Não conseguindo levei-me a concluir que por mais qu tentasse jamais flagraria Jean Paul interessado por esse tipo de coisa. Ainda mais para alguém como ele; um apaixonado por mitologia  grega, culturas milenares e tudo aquilo que se distanciava de minha  parca intelecutualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô vô! Mudando de assunto... Já ouviu falar duma tal de Maria Madalena? -&amp;nbsp; Ele desconversou, provavelmente insatisfeito com aquele papo de super-herói. Porém o sexto sentido me sinalizava que ele estava prestes a me colocar numa outra fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah...Cê ta falando daquela  da bíblia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É! Essa mesmo, vô! - Ele confirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim... O que&amp;nbsp; sei que é ela foi uma prostituta, e que queriam apedrejá-la. Mas sei também que  Jesus interviu à tempo – Confirmei convicto. Peguei o bandido! Dessa ve eu tinha a história e a bíblia a meu favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, vô, até que enfim você acertou uma...&amp;nbsp; Mas...se disser que Jesus Cristo fez aquilo porque estava com outras intenções na cabeça, o senhor acreditaria? - Dito, ele me fez a cara mais sacana que um safado de 12 anos poderia&amp;nbsp; me proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atônito ao ouvir tal despautério minha boca ressecou e eu mal consegui piscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim? Que leviandade é essa seo&amp;nbsp; moleque sem-vergonha, safado!&amp;nbsp; - Seus olhos se assustaram com a rispidez da minha reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horrorizado abro a porta do quarto e vocifero:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô Dynáh! Vem tirar esse demônio daqui! - Minha voz ecoou pelo corredor, forte, irritada, absurda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço os saltos altos de Dynáh, e eles estão a caminho, mas o  danado, esperto, nem esperou a chegada da mãe. Quando dei por mim ele subia em desabalada as escadas que davam acesso ao seu quarto. Provavelmente la dentro e em seu notebook de última geração ele travaria uma feroz batalha virtual contra um poderososo software de xadrez desenvolvido com&amp;nbsp; as complexas informações&amp;nbsp; do lendário&amp;nbsp; Gary Kasparov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que foi pai? O que o Jean aprontou dessa vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah filha! Nada não. Bobagem! - Desconverso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dynáh me olha com ar de repreensão. No mínimo me achava um tolo por tirar sua atenção de algo que deveria estar fazendo. Eu olho para ela ao se afastar e sinto um imenso carinho por aquela figura femina. Ela some pelo corredor e adentra à biblioteca e eu penso no meu garotinho;&lt;br /&gt;Eu não me surpreenderia se ele desse uma boa sova no programinha daquele russo metido à besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Xeque Mate! - Exclamo para as paredes e uns poucos quadros à óleo. Atrás da porta, num poster envelhecido, Janis Joplin me olha, esquizofrênica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 13Jun2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-4065082641154619779?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/4065082641154619779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=4065082641154619779' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4065082641154619779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4065082641154619779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/06/um-neto-mr-kasparov-e-o-surfista.html' title='O Sr. Kasparov, meu neto e um Surfista Prateado'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-z0Zm5pJsKCM/TffXRJ_3yNI/AAAAAAAAAHA/MNv8hh4m-xk/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1917935668886010776</id><published>2011-06-09T11:53:00.002-03:00</published><updated>2011-06-09T12:06:32.159-03:00</updated><title type='text'>Subterrâneos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rdfQ5K27-Ys/TfDeuCGlEAI/AAAAAAAAAtY/l1Z9sTEPkoA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-rdfQ5K27-Ys/TfDeuCGlEAI/AAAAAAAAAtY/l1Z9sTEPkoA/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" t8="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Paizinho, sobreviveremos a Junho? – Ela pergunta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor Onadia a olhou enquanto pensava sobre o que poderia ser compreendido nas divagações da garota. Ele sempre soube que as perguntas eram mais difíceis que as respostas, ainda mais para ele, que andou bons pedaços da vida metido em situações que jamais se equacionaram.&lt;br /&gt;De toda forma se recordou que ela surgiu numa bela manhã de Maio. Naquele dia a brisa acariciava o seu rosto enquanto o sol e as cores das ruas tornavam a vida com algum sentido. O sorriso da garota resplandecia e iluminava parte dos seus subterrâneos. Subterrâneos que sempre foram a sua vida. Não que ela fosse plena em amargura, tristeza, porém, insensível, não dimensionando as emoções que o cercavam, apenas obrigando-o a se conformar com a monotonia excessivamente linear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Paizinho, sobreviveremos a Junho? – Ela insistia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta, pelo tom, travestia-se dramática e desafiadora, mas ele não quis decepcioná-la. Realmente não tinha a certeza se sobreviveriam a Junho. Por milagre estavam superando aquele Maio, mesmo que creditando-o a uma força superior. &lt;br /&gt;Sim! Sabia também que milagres aconteciam, e mesmo que raros, numa proporção de um por milhão pretendeu supor que ele poderia ser essa chance. Todavia, calejado, jamais contava com a sorte e não desconhecia que as possibilidades daquele relacionamento dar certo eram as mesmas de na marca do pênalti tentar fazer o gol do campeonato chutando uma bola de concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela, um ar jovial e as impacientes mãos na cintura tornavam-na algo peculiar. Tão incisivo quanto a pergunta, em seu rosto sobressaia a maquiagem de tonalidades fortes, azul e algo rosáceo. No corpo a justa calça de jeans delimitava as formas perfeitas e um bumbum empinado. Ele apenas continuava a olhando e sorrindo com ternura. Ela tinha idade pra ser sua filha. O que ela poderia ter visto ou sentido por ele? &lt;br /&gt;Em todo o caso tudo estava ocorrendo da forma que imaginara. Sabia que mais cedo ou mais tarde surgiria nela algum outro interesse que revigorasse as batidas do seu jovem coração. Ele podia pressenti-las. Via no olhar daquele rosto quase juvenil e ainda sem as marcas do tempo toda a esperança que era de direito aos jovens, apesar da pouca experiência. &lt;br /&gt;Nada, absolutamente nada fugiu-lhe ao script ou se furtou ao seu comando. Tudo era tão óbvio e previsível como naquela manhã de sol quente e de ruas coloridas quando se apaixonou por aqueles enormes olhos castanhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota se impacientava pela resposta que não vinha. Então ele levantou os braços e os deixou cair desleixadamente ao pronunciar, sereno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filha, to me guardando para quando o carnaval chegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o olhou surpresa. Chico Buarque também o olharia. Ambos jamais o compreenderiam. E Chico, principalmente, talvez até por jamais se ver metido em questões daquela ordem. Contudo e ao fim ele sabe que o senhor Buarque teria sorrido e lhe pagado uma cerveja estalada antes de voltar a cuidar dos seus próprios problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota permaneceu atônita com a conclusão. Além do posicionamento não lhe fazer sentido, era ela necessariamente jovem a ponto de não perceber que era nela que as respostas se acomodavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o senhor Onadia continuou a olhá-la em seu desconforto. Ele sabia que os subterrâneos o aguardavam ansiosamente e com certa saudade. Talvez, numa relação quase que sado masoquista, ambos, ele e as profundas colunas de si se apegaram um ao outro. Era passada a hora de retornar. Ele compreendia perfeitamente que ficara tempo demais exposto ao sol, e que isso poderia matá-lo&lt;br /&gt;O senhor Onadia encaminhou-se para o pequeno bar anexo à sala e de la retirou dois copos e os completou com Jack Daniels. Para ele sem pedras de gelo, para ela, três. &lt;br /&gt;À princípio tocaram seus copos e depois ele içou os braços no nada e brindou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tim tim, meu caro Chico! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o brinde inusitado ele persistiu sorrindo enquanto a fantasia em sua mente desvairava a ponto de vislumbrar ali o Sr. Buarque com cara de bons amigos, mesmo que sem entender os seus motivos. O senhor Onadia continuou sorrindo daquele seu jeito, como se no momento pudesse alçar Chico e dar-lhe um abraços dos mais amistosos. &lt;br /&gt;Ao fim do drink os três entenderam que era a hora do adeus. Toda a ternura no mais doce dos seus beijos selou a despedida. Em seguida a musa de Maio choramingou por alguns instantes e se foi. Não havia o amor, é claro, mas toda despedida causa algum tipo de dor. Eles o sabiam.&lt;br /&gt;Sozinho agora, o senhor Onadia serviu-se de mais uma das várias doses do uísque que tragaria naquela noite de alguma tristeza. Era o processo de retorno para dentro de si por atalhos e rotas que somente ele conhecia.&lt;br /&gt;Seus subterrâneos se mantinham risonhos, dolorosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 09Jun2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1917935668886010776?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1917935668886010776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1917935668886010776' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1917935668886010776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1917935668886010776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/06/subterraneos.html' title='Subterrâneos'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-rdfQ5K27-Ys/TfDeuCGlEAI/AAAAAAAAAtY/l1Z9sTEPkoA/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1110419157357862783</id><published>2011-05-29T09:46:00.000-03:00</published><updated>2011-05-29T09:46:41.762-03:00</updated><title type='text'>Os ventos da PLaza de Mayo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5KBopIBr0Bw/TeI7A983VwI/AAAAAAAAAtQ/Klr-qZPu3gc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-5KBopIBr0Bw/TeI7A983VwI/AAAAAAAAAtQ/Klr-qZPu3gc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ventos vindos da Plaza de Mayo uivavam gélidos e&amp;nbsp;tormentosos.&lt;br /&gt;Batiam nas janelas, quebravam vidraças, avassalando o que&amp;nbsp;encontravam pela frente, levando de si&amp;nbsp;o seu&amp;nbsp;amor, maior que ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda recorda-se do indecente sorriso dela, dos seus lábios carnudos e do admirável sarcasmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hasta la vista, baby! -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela  disse num sorriso maldito e desdenhoso ao ajeitar as suas roupas  (na maioria de, striper) no banco traseiro de um carro de aluguel.&amp;nbsp;Ele, olhava a impassividade do motorista que em nada ajudava enquanto o vento levntava seu vestido rodado, ameaçando e fazer&amp;nbsp;decolar o chapéu  no mais puro estilo “Rita Hayworth” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro, na sala, pousados  em cima do tampo de um pequeno bar, dois copos de uísque tomados até à  exaustão jaziam nostálgicos. Num canto oposto a melancolia dum rádio  vitrola,solitário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El día que me quieras&lt;br /&gt;la rosa que engalana,&lt;br /&gt;se vestirá de fiesta&lt;br /&gt;con su mejor color.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantava Carlos Gardel.&lt;br /&gt;De  duas, uma; ou ele sobrevivia a Junho, ou a trazia de volta, humilhado  como na vez anterior. Foi um momento de indecisão, difícil  para ele, até que sua voz desprendeu-se do nó que se dera na garganta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Adios! Hija de puta! ¡Me habían matado ya otras veces!&lt;br /&gt;¡Pero restablezco siempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez ele não deu dinheiro ao motorista.&lt;br /&gt;Ao  partir, ela voltou o olhar pelo vidro traseiro e o percebeu cada vezes  mais diminuto à medida que o automóvel ganhava&amp;nbsp;novos espaços. Houve  tempo ainda de vê-lo retornando para dentro da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma longa noite de tangos, bebedeira, e de todos os esquecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 26Mai2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Interstitial?u=http://letras.terra.com.br/carlos-gardel/15882/&amp;amp;t=AD1ueXZUQLz-8ZWwWW4lTx_0QPC-xTO3hhVF6BHPOhTLLepkcou6qJpV89btnA5JBcIcq4CgFTjFWubyjMexdr4Egu0z4qwcLwAAAAAAAAAA" target="_blank"&gt;http://letras.terra.com.br/carlos-&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;gardel/15882/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1110419157357862783?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1110419157357862783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1110419157357862783' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1110419157357862783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1110419157357862783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/05/os-ventos-da-plaza-de-mayo.html' title='Os ventos da PLaza de Mayo'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5KBopIBr0Bw/TeI7A983VwI/AAAAAAAAAtQ/Klr-qZPu3gc/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-9036256455026815301</id><published>2011-05-22T21:05:00.017-03:00</published><updated>2011-06-17T17:56:34.111-03:00</updated><title type='text'>O Olhar de Marcela</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9pF67g1kTiY/Tdmj8vp-8NI/AAAAAAAAAG8/xZYBPwlhuxk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-9pF67g1kTiY/Tdmj8vp-8NI/AAAAAAAAAG8/xZYBPwlhuxk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O telefone tocou naquele fim de manhã de domingo. De inusitado naquele  dia só um rato que me desafiou na porta da entrada de casa. Tentei  alcançá-lo com a ponta do tênis do pé direito, em vão, ele escapou e eu  fiquei com um baita trauma na perna ao acertar em cheio o primeiro  degrau da escada, em concreto puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom dia Véim! Domingo Azulado pra ti. Um Beijo! – Era a Marcela, ou, Tchela, como eu gostava de chamá-la, talvez por ser eu oriundi de italianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  a conhecera na fila do supermercado. Ela me olhava atentamente e  eu me perguntava o que ela poderia estar achando de interessante ou hilário em mim. Isso foi até ao ponto dela desinibir e vir questionar-me se eu seria o Eulenardo, o criador do  Velho Zina, um nada famoso personagem publicado em meu livro único. Provavelmente ela deve ter me reconhecido pela foto da contracapa do best seller fracassado. Claro, adorei ouvir aquela voz um tanto teatral e juvenil apesar dela estar, talvez, pela casa dos 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia também, Tchelinha! Que esteja azul e cheio ondas calmas! Beijos pra ti, meu amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mar calmo? Nãooooo! Estou cansada de calmaria e de coristina R. To numa gripe danada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... tem o Camaleão..lembra-se? - Brinquei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  Camaleão era uma casa de shows onde se tocava rock pesado e as  pessoas ficavam enlouquecidas e gingavam seus corpos na pista de dança. E segundo ela, la seria comum encontrarmos bêbados, drogados, gays, lésbicas e os cambaus A4.&amp;nbsp; Fora  ela mesma que me falara do lugar no dia que nos conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô se Lembro! Massa!&amp;nbsp; Espero ficar boa logo. Assim poderei sair com o véim e dar boas risadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto,  mais uma vez o personagem interferia na minha intimidade. Desde o primeiro  dia ela me tratava por “Véim” Tanto faria se meu nome fosse Justus,  Cassandro ou Teófilo. Pra ela eu seria sempre o “Véim" – Eu mal chegara a essa conclusão quando ela veio com outra, evidente, sobre o  safado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sabe, essa noite sonhei com ele, acredita? Acho que  conversamos tanto sobre ele, acabei sonhando. Nada de importante... ele  surgiu no nada – Concluiu com uma voz bonita, mas um tanto desalentada  por aquilo ser apenas um sonho. Era assombroso como ele podia ser tão real para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... Poderíamos levar o Véio num show de rock pesado, preferência  heavy metal. Seria engraçado vê-lo com as mãos na cabeça, intimando o diabo,&amp;nbsp; achando que o  mundo estaria acabando – Devolvi num riso tanto irônico. Claro! Eu pagaria os tubos pra colocar o  velho numa saia justa dessa, não duvidem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hahahhaha... Que  figuraça é o Véim! Imaginando ele curtindo, batendo os pés, o corpanzil desconjuntado, balangando a  cabeça insanamente e mandando todo mundo à pequepê! Certamente  roubaria a cena e faria o show.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Roubaria, é? Preciso dar um jeito nesse Véim decrépito! – Momentaneamente eu fora absorvido por um ciúme doentio e inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que jeiiiiito? – Ela questiona assustada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma! To pensando aqui... Cicuta? Não não é platônico demais.&lt;br /&gt;Overdose de Vodka? Jamais! seria matá-lo do jeito que gostaria de morrer.&lt;br /&gt;Fazendo amor? Nunca! Pois sei a quem ele queria. Morte natural? Também não... demoraria mais que deveria – Retruquei um tanto entediado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu desalmado! Isso la é coisa que se deseja pra alguém? Coitadinho do véim – Ela protestou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... estou sujeito a outras eficientes sugestões! E aí, o que me diz? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Faz isso não... ele é um pobre coitado! Mas... posso falar uma coisa?  Acho que ele viverá 100 anos. – Tchela retruca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Marcela falava como se houvesse nela toda a  certeza desse mundo. Era como se o danado respirasse entre nós e que o visitássemos num asilo em fins de semana com os bolsos forrados de bolachas água e sal e chicletes Adams.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que?&amp;nbsp; Aos 100 anos? Você ta louca? A maldição pairará sobre minha vida.&lt;br /&gt;Oh  destino cruel! Viver à sombra dum bebum de bloodmary. Você é a décima  terceira que ele me rouba! To pensando em me mudar pro oriente médio.  Seria menos turbulento... acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hahaha – Marcela gargalhou  daquele seu jeito único e que fazia o mundo ter algum colorido. Depois  complementou - Olha... não gosto de ferir as pessoas. Vou contar uma  coisa no seu ouvido Eulenardo, mas, não conta pra ele não ta? É que eu  gosto mais de você do que dele. Claro!...Conheci ele primeiro... ele é  uma graça de véim..mas, fazer o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah é?!!!!!! – Poderia parecer a coisa mais imbecil desse mundo, porém aquilo me deixou feliz. Tão feliz que exclamei:&lt;br /&gt;Que tenha longa vida o Véim!!!! - Eu sei, inacreditável mas, eu fiz isso. Era como se ele e eu travássemos uma guerra nas estrelas pela supremacia do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Haahhaaaa  – Novamente ela gargalhou daquela forma zombeteira. Depois finalizou - Olha! só te  liguei pra saber se está tudo bem contigo. Até mais véim, e um beijo no  seu lindo coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Até mais, Tchela! Um beijão no seu também. –&amp;nbsp; Era bom saber que nossos corações eram lindos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcela  desligou o telefone e eu recordei aquele primeiro dia. Lembro-me do seu  olhar, nostálgico e belo. Lembro-me da garota de mini saia, pernas  bonitas, pintura discreta e que me olhava dum jeito como se eu fosse uma  pessoa muito importante. Não, eu não era. Era apenas um escritor  medíocre e que criara um personagem com o qual ela se identificara. Após  pagarmos nossas compras eu a convidei para um café. Ali na mesma rua  encontramos um Franz e ficamos la por quase duas hora. Tomamos alguns capuccinos e falamos um pouco de nossas vidas e muito sobre as desventuras do Véim, seu  ídolo. No fim trocamos telefones e olhares. Talvez os mais de 20  anos de diferença pesassem e fizessem a diferença, pensei ao vê-la  partir. Ela olhou para trás e sorriu. Um sorriso lindo, algo melancólico  e de alguém que esperava que algo de bom acontecesse em sua vida.&lt;br /&gt;E sorri e acenei um “até logo”, pois sabia que ainda não era o adeus.&lt;br /&gt;Eu simplesmente adorava os olhares iguais ao dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 22Mai2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-9036256455026815301?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/9036256455026815301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=9036256455026815301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/9036256455026815301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/9036256455026815301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/05/o-olhar-de-marcela.html' title='O Olhar de Marcela'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9pF67g1kTiY/Tdmj8vp-8NI/AAAAAAAAAG8/xZYBPwlhuxk/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8962918961625510207</id><published>2011-05-06T04:20:00.001-03:00</published><updated>2011-05-06T04:30:16.600-03:00</updated><title type='text'>Tchau tchau Manaus!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Y1sX9SR29YU/TcOghDPAQQI/AAAAAAAAAG4/zc0uErxqjD4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y1sX9SR29YU/TcOghDPAQQI/AAAAAAAAAG4/zc0uErxqjD4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Lembro-me como se fosse hoje.  Constantemente a libido vazava entre os dedos das minhas mãos  masturbatórias. Em mim um desejo incontrolável de algo que não fosse as  conversas dos garotos mais velhos que em pormenores narravam as transas  imaginárias com garotas que eles jamais foderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo ainda  que foi quase bom sentir aquele calorzinho subindo e descendo pelo corpo  e explodir num orgasmo. Porém eu não entendia muito bem daquelas  coisas, afinal, as minhas experiências com as garotas, até então, se  resumiam à uma relação quase que literária, ou, melhor, com as  revistinhas de sacanagem que singelamente tratávamos por "catecismos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  as resvistas me excitavam. Eu gostava dos desenhos pornográficos, das  moças de bundas enormes, seios imensos e mamilos generosos. Gostava dos  "ahhhhs, uhhhhs" grafados nas semicircunferências logo acima dos  desenhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, crente que deveria ser assim foi que tive a minha primeira relação sexual.&lt;br /&gt;O  nome dela era Dulcinéia e estava na faixa dos dos 18 ou 19. Relembro que foi na  casa dela, um quarto e cozinha num cortiço enorme onde outras pequenas  moradias serviam de aluguel. Filha de enfermeira de período integral,  Dulcinéia ficava com os dias livres, numa composição que poderíamos  poetizar assim - Dulcinéia, o tempo e a solidão -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde,  enfurnado na cama de casal onde dormia com a mãe, e sem o "quebra-gelo"  aconselhável foi que partimos para o crime.&lt;br /&gt;Com os catecismos  avivados na memória tentei impressionar - "ahhhhh - uhhhhh" - Foi o  bastante para que uma Dulcinéa preocupada abortasse a cópula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cara! Para com isso! Os vizinhos.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para  mim foi um balde de gelo, e se fatalmente com uns 50 e tantos&amp;nbsp; teria broxado. Contudo, garoto e dono de uma aparência que mais parecida 20,&amp;nbsp; prém sem ultrapassar os exuberantes 16, foi me  que mantive firme e na ponta dos cascos. Todavia, fora ruim, também: O legado de minha família dizia que sexo  significava amor e vice-versa,&amp;nbsp; portanto, me apaixonei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma das fases mais doloridas da minha vida.&lt;br /&gt;Eu amava Dulcinéia.&lt;br /&gt;E ela apenas ria na minha cara e dava pra todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti mai2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8962918961625510207?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8962918961625510207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8962918961625510207' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8962918961625510207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8962918961625510207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/05/tchau-tchau-manaus.html' title='Tchau tchau Manaus!'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Y1sX9SR29YU/TcOghDPAQQI/AAAAAAAAAG4/zc0uErxqjD4/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-193414539865500246</id><published>2011-04-30T15:31:00.003-03:00</published><updated>2011-04-30T15:39:49.310-03:00</updated><title type='text'>A Realeza e a Plebe ( Croniqueta )</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZEjWeAS5wEI/TbxPxTb1NII/AAAAAAAAAFw/FQYJS5gXFvg/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZEjWeAS5wEI/TbxPxTb1NII/AAAAAAAAAFw/FQYJS5gXFvg/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Meus intestinos fervem e os gases acumulam-se, graves e hediondos.&lt;br /&gt;Contudo, alguém quereria saber de minhas flatulências? Ninguém, aposto!&lt;br /&gt;Enquanto  meus gases não criam fama e nem ganham espaço top entre os vídeos do  Youtube, na casa real, provavelmente, tendo em vista o matrimônio, o  orifício anal da duquesa foi depilado com tecnologia laser. &lt;br /&gt;Uau! Isso sim é coisa muito chique!&amp;nbsp; - Provavelmente diria Elton John -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em  que pese tais inerências serem afeitas ao poder, o dinheiro e  futilidades, acredito termos (a duquesa e eu) alguns traços no patamar do comum  e naquilo que o exercício de nossas sacrossantas existências afere.&lt;br /&gt;Claro! Diferenças existirão já que não me verão sob o sol de &lt;i&gt;Côte d'Azur ou nos paddock de Monte Carlo,&lt;/i&gt; eu sei.&amp;nbsp; Portanto, elas serão bem outras que as de nossas vis humanidades.&lt;br /&gt;E  nem há de se falar do sangue. Não há o sangue azul e nem Real! Há um mesmo que é  vermelho lá como é rubro cá. Talvez apenas difiram os tipos sanguíneos ou o teores  álcoólicos impregnados neles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que preciso, de verdade, é  urgentemente encontrar formas mirabolantes de chamar as atenções da  platéia global e sem que precisse&amp;nbsp; ostentar uma melancia de 450  quilos na corrente de ouro 14 com Lady Gaga acima e nua. &lt;br /&gt;Sim,  claro! Para mim não há a menor dúvida; A princesa e eu somos&amp;nbsp; parte dessa mesma turba que  processa, boceja e defeca diariamente toneladas de merdas que entopem os  esgotos das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, para mim é pouco, para ela não. Quem sabe se eu pudesse saltar de  qualquer uma das pontes ao longo do Rio Paraná e me afogar junto aos  bagres dos dentes serreados ou às tilápias de rabos dourados? Surtiria algum efeito prático? Provavelmente não! Persistiria sendo muito pouco ou quase nada para chamar a atenção daquilo que reside superficial em nós meros mortais com batimentos cardíacos entre 70 a 120 vezes por minuto&lt;br /&gt;E,&amp;nbsp; certamente se afogado fosse, talvez o meu  tanto de fama não superasse a reles nota de rodapé duma página policial  num desses jornalecos populares e de baixa tiragem. A notícia bem ínfima persistiria  grandiosa nas mais necessárias fantasias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bêbado morre afogado ao colidir com uma vaca e cair da ponte"&lt;br /&gt;*Nota da Redação: Não houve tempo sequer de ver na  TV o matrimônio da realeza britânica”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti Abr2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-193414539865500246?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/193414539865500246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=193414539865500246' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/193414539865500246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/193414539865500246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/realeza-e-plebe-croniqueta.html' title='A Realeza e a Plebe ( Croniqueta )'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ZEjWeAS5wEI/TbxPxTb1NII/AAAAAAAAAFw/FQYJS5gXFvg/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-7204672839099717579</id><published>2011-04-28T04:33:00.014-03:00</published><updated>2011-04-28T15:34:05.774-03:00</updated><title type='text'>Madá, Justin Bieber, e outras Drogas &amp; Afins</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4krllYQ-SJ0/TbkPOCo7zLI/AAAAAAAAAFs/xarS_em5dcE/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-4krllYQ-SJ0/TbkPOCo7zLI/AAAAAAAAAFs/xarS_em5dcE/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Havia algo de errado. Começando pelas minhas rugas e a barriga  proeminente que se dobrava e recaia sobre a cueca. E essas disparidades jamais  combinavam com a textura suave de sua pele e muito menos com os seus surpreendentes 37  anos incompletos, que, não pareciam mais de 29. Talvez outras coisas  deixavam-nos além daquilo que deveríamos ter ou tido. Eu, apesar dos 58,  mais assemelhado aos 62, queria apenas curtir as minhas bandas  favoritas de rock pesado. Ela, por seu lado, estacionara num universo  teen, desses freqüentados por super ídolos pop. Talvez fôssemos um par  de coisa desconexa, ou, duas aberrações, cada qual ao seu estilo.  Lembro duma certa ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Paizinho, ta sabendo que tua gatinha  ta hiper carente hoje? – Ela piscou num dos olhos enquanto os imensos  headphones concretados aos seus ouvidos lhes davam um ar de alguém  desorientado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu corpo serpenteou a musica que estava ouvindo.  Não seria difícil imaginar que pudesse ser algo como a irritante  “S.O.S” dos Brothers.&lt;br /&gt;Porém, aquela canção parecia praga, uma grande  desgraça e que ela tanto insistiu e cantou pelos cantos da casa que  acabei por assimilar a melodia. Era comum pegar-me assobiando-a&amp;nbsp;  como se isso fosse a coisa mais natural deste mundo. E quando não a assobiava eu a cantava. Cantava na  sala, cozinha, debaixo do chuveiro, e até na cama enquanto trepávamos. &lt;br /&gt;Por  outro lado eu não dera a mesma sorte dela. E isso se tornou inconteste  diante uma das últimas fodas que tivemos; Eu deixara rolando um cd do  AC\DC no system da sala num volume demasiado alto. Som para mim era  assim, e tinha que ser curtido alto, muito alto. Portanto não demorou  muito praquilo surtir seus efeitos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Paizinho, pelo amor de Deus! Assim não dá! – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela  reclamava das batidas graves do contrabaixo que reverberavam e faziam  trepidar os vidros da janela da sala. Incomodava-a também os riffs de  Angus, principalmente em “Black in Black”. Como eu não fizera qualquer  menção de levantar-me para dar um jeito naquilo, ela, furiosa curvou as  costas sobre o colchão, soerguendo-a abrupta e consideravelmente, desiquilibrando-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desequilibrado, acabei por sair de dentro dela, e o que foi pena,  afinal, depois de 20 e tantos minutos aquilo estava começando a ficar  muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah papai, desculpe, mas... trepar com esses caras bramindo que nem hienas, não dá! – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente,  com ela eu me divertia com vários fatores; Ao vê-la nervosa,&amp;nbsp; sua burrice e outras pequenas coisas.  Nessas ocasiões, invariavelmente um de seus olhos se tornava bem maior e  mais dilatado que o outro. Portanto eu ri da sua observação e tive vontade de  corrigi-la, explicar que hienas não berram e nem urram, mas,&amp;nbsp; gargalham. Porém achei  melhor fingir que não ouvira ante a possibilidade de ser quebrado o  encanto e a sedução que conseguíramos estabelecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não  seria impróprio admitir que Madá fosse um tanto mesquinha e que grande  parte de suas atitudes e reclamações não se justificavam. E digo assim porque numa  noite daquelas fizera-me ouvir e ver umas três vezes o vídeo dum teen  retardado cantando suas idiotas canções alienantes; “Baby Ft  Ludacris” era uma delas. Claro, eu&amp;nbsp; faria qualquer coisa por Madá,&amp;nbsp; assistir como assisti  Justin com aquele seu ridículo corte de cabelo, inclusive de pernas entrelaçadas como dois adolescentes comendo&amp;nbsp; pipocas e tomando o guaraná Taí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, como o tempo é o senhor da razão,  repentinamente aos seus olhos&amp;nbsp; fui perdendo o charme, o encanto, a novidade. Eu  deixara de ser o velho e descolado transgressor para me tornar apenas um  idoso que vestia surradas calças Levis e tênis acamurçados da Adidas.  Não estranharia se inesperadamente surgisse na estante de casa um  volume do “Estatuto do Idoso”. O descaso, inclusive abrangeu os meus CDs  do Led, Floyd, Who, Clapton e Bob Dylan e outros tantos que passaram a  ser desdenhados e tratados meras relíquias dum&amp;nbsp; museu musical. Nos últimos tempos ela me tinha como o grande troglodita, um dinossauro tão velho quanto aos seus  velhos ídolos. Recrimináva-me também ao dizer que eu me tornara obsoleto, desses que se fazem acompanhar dum tempo onde o aperto  de mão equivalia à palavra e um fio de barba um documento de idoneidade. Óbvio que havia um grande exagero de sua parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As  coisas persistiram&amp;nbsp; desta forma e tomaram contornos dramáticos quando deixei de ser o seu  “papai” para tornar-me simplesmente “Alfredo”. Daí para o fim era um pulo  de brincar amarelinha, e eu sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malas postas na sala. Madá maquiada ao estilo de Mortícia Gomes esperava  por algo ou por alguém. Não tardou e a campainha se fez  soar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pode deixar que eu atendo, Alfredo. – Ela comunicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo bem - Eu disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao  abrir a porta soou uma voz de tonalidade juvenil. Esgueirei o olhar o  suficiente para ver a quem pertencia. Um garoto de olhos verdes e de  pernas magras que pareciam dois bambus fincados sorria e tagarela bastante.  Repentinamente ela voltou para a sala e pegou um dos três  volumes de suas malas. Fiz menção de ajudar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pode deixar aí onde está Alfredo! Sou independente! – Ela disse com certa empáfia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudo bem outra vez!&amp;nbsp; – Eu concordei ao dar de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim  que o último volume saiu eu ouvi um clik e a porta se fechou.  Definitivamente Madá não fazia mais parte do meu mundo. Curioso, fui até  a janela e a tempo de vê-los saindo diante uma das cenas mais engraçada que Madá me proporcionou.&lt;br /&gt;Foi&amp;nbsp; hilário  ver aquele pirralho grudado à cintura de Madá. Os quase um metro de  oitenta dela contrastavam com pouco mais de metro e sessenta do  meninote. Pareciam um gráfico de variações de produtividade; altos e baixos&lt;br /&gt;Estranhamente, Madá era a mulher dos opostos, das inconsistências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim eu  os vi partirem. Talvez Madá carregasse na mala algo que jamais pendurou no cabide ou nos guarda-roupas de sua vida; a sensatez. Eu não estranharia se o seu próximo alvo fosse um tenor fracassado ou algum perspicaz pagodeiro.&lt;br /&gt;Dei uma última olhada quando fecharam o portão da frente e percebi que o garoto tinha aquele mesmo corte de cabelo do tal Justin.&amp;nbsp; Eu ri gostoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encaminhei-me para o rack, liguei o system e “Perfect Stranger” foi  curtida no último. Gillan continuava sendo um dos maiores vocalistas do  rock mundial, e Steve Morse um espetacular virtuose que fazia sua  guitarra Enie Ball gemer como a mais espetacular das prostitutas. Contudo,  saudosista que sempre fui dou por falta de Ritchie Blackmore e do Deep Purple dos anos 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim da canção me lembrei da cena de Madá e do seu garotinho Bieber agarradinhos um no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É isso aí, Madá! Uvas verdes também fazem vinho bom – Concluí ao colocar&amp;nbsp; "Black Dog" do Zeppelin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Caraca!  Como eu gostava do John Borman! Ele batia legal. – Lamentei ao  ouvir os primeiros acordes e relembrar a estupidez de sua morte no próprio  vômito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que nós enquanto humanos temos a necessidade da  lamentação, da automutilação e da falta de comiseração por nós mesmos; Meã culpa, meã culpa, mea máxima culpa, gostamos de nos sentenciar. Porém o transcorrer da vida me ensinou algumas coisas, e alguns&amp;nbsp; conselhos bons que procuro seguir; Se a vida te deu um limão, faça uma limonada -&amp;nbsp; Lamentar? Lamente-se sim!&amp;nbsp; Mas somenten aquilo onde haja algum verdadeiro valor a ser lamentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Boa sorte, Madá! Que ela nunca te abandone! - Brindei ao tocar as cordas da minha guitarra imaginária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e Jimmy Page éramos o máximo. Melhores que os outros três, óbvio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti Abr28/2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-7204672839099717579?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/7204672839099717579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=7204672839099717579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7204672839099717579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7204672839099717579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/havia-algo-de-errado.html' title='Madá, Justin Bieber, e outras Drogas &amp; Afins'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4krllYQ-SJ0/TbkPOCo7zLI/AAAAAAAAAFs/xarS_em5dcE/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8390375836190956470</id><published>2011-04-22T17:48:00.015-03:00</published><updated>2011-04-25T04:31:51.788-03:00</updated><title type='text'>Cenas pueris</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-M6o-7_MODsw/TbHowphf0aI/AAAAAAAAAFo/LBhJmVpgQUU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-M6o-7_MODsw/TbHowphf0aI/AAAAAAAAAFo/LBhJmVpgQUU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Tio, tio! Eu quero avisar pro senhor que o ca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quereria meu rapaz! Quereria... – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondeu bruscamente o sujeito de aparência austera enquanto batia as mãos nas pernas e nos fundilhos da calça. Ele acabara de levar um tombo medonho ao tropeçar no meio-fio daquela movimentada rua. Contudo e para piorar o que bom não era, &amp;nbsp;a barba,&amp;nbsp; numa tonalidade arruivada e o olhar severo acrescido da calvice tornavam sua feição mais rude que propriamente era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tio, mais é só pra te dizer pro senhor que...–&amp;nbsp; Novamente foi interrompido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Jovenzinho, antes de tudo seja mais cordato e tenha para você que não se pode ficar interpelando desta maneira pessoa que mal conhece!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sei tio, mais é que.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-De novo? Que garoto maçante! Certamente a civilidade e polidez não lhe foram ministradas em casa, muito menos herdadas de berço. Será que é nesse desentoar maleducado que caminha para a sua puberdade? - Dessa vez o homem o admoestava tão braviamente que parecia que seus olhos poderiam saltar das cavidades oculares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sei tio! Mais, mais... – O garoto tentava expressar, porém e apesar da insistência não obtinha sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tem mais mais e nem menos menos! E saiba! Não é mais, é MAS! - Praticamente berrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu sei tio, mais&amp;nbsp; pelo amor de Deus, o senhor não ta entendendo que o Maic.. - Definitivamente aquele jamais seria o seu dia. O homem se mantinha irredutível e o abortou com rudeza, novamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por que não se cala, ser pueril e inconveniente? – Foi a nova bravata, porém, dessa vez,&amp;nbsp; num&amp;nbsp; mesmo grau de rudeza, mas com maior sofisticação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ta bom, tio! Se o senhor acha melhor assim... - Desestimulado o menino deu de ombros, virou as costas e se retirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o garoto se afastou o homem caiu em si. Havia agido com muita severidade com menino e sem oferecer-lhe ao menos a oportunidade de dizer o que se entalava na garganta. Arrependido chamou o garoto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei, meu jovem! O que poderia apalavrar-me de tão importante e essencial? – O garoto girou sobre o próprio eixo e voltou para ter com ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Bem, tio. Agora nem dá mais jeito. Agora é tarde! - Exclamou com certo receio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tarde? Tarde pra que? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem... é assim tio. Quando o senhor tropicou na calçada e se esborrachou, não percebeu, mas... a sua peruca avuou pra bem longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Voou... - O homem o corrigiu irritado com a opacidade do seu linguajar. Porém não bastaram mais que poucos segundos para que desse pela gravidade da informação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como? A minha peruca? - Questinou enquanto levava uma das mãos ao cocurutu&amp;nbsp; e dava por falta dos cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso, tio! Ela avuou pra longe. E foi nessa hora que tava passando o cachorro do Tininho, o Maicou Jéquison, e ele abocanhou aquele negócio cheio de cabelo e deu no pé! -&amp;nbsp; O homem o olhou com certa raiva: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E por que não me disse naquele momento, garoto indolente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Indo, quem, tio? –&amp;nbsp; Obviamente, além de não saber o peso das palavras, perguntava-se o porque do homem usar palavras tão difíceis para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Indolen... ah, deixe pra la! – Irritou-se ainda mais o suejito que não deixou de&amp;nbsp; insistir: Deveria ter-me avisado a tempo, garoto aparvalhado e lerdo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato o homem, apesar da ira, sentia-se constrangido sem os seus cabelos avermelhados. Todavia agia de forma insólita e hilária ao tentar esconder a calvice espalmando ambas as mãos onde antes havia o chumaço de cabelos. O garoto, sentido-se cobrado tentou defender-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem.. tio. Eu até que tentei, mas o senhor ficou me ensinando o dicionário todinho... Mais aí já era! Não deu mais tempo - Concluiu derrubando os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então, tudo está sacramentado! -&amp;nbsp;  O Homem suspirou inconsolável. Porém, brasileiro, surgiu a luz, esboçou-se a esperança:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei garoto, você tem o endereço do tal canídeo? - &amp;nbsp;Perguntou num olhar de súplica e ainda com as mãos no alto da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, era a chance que a sua calvice&amp;nbsp; precisava. Talvez nem tudo estivesse perdido.&lt;br /&gt;O olhar de rogo se manteve cravado em sua fisionomia diante do garoto que parecia matutar.&lt;br /&gt;Passado alguns segundos, vestido numa expressão de incerteza, o garoto se manifestou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Canídio, Canídio...&amp;nbsp; bem tio, desse eu não tenho não. Pra falar a verdade eu nem sei se esse sujeito mora por aqui. Se ainda fosse o do Maicou Jéquisom dava pra quebrar um galho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti Abr2011&lt;br /&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8390375836190956470?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8390375836190956470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8390375836190956470' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8390375836190956470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8390375836190956470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/cenas-pueris.html' title='Cenas pueris'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-M6o-7_MODsw/TbHowphf0aI/AAAAAAAAAFo/LBhJmVpgQUU/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3011529144300861567</id><published>2011-04-22T10:15:00.001-03:00</published><updated>2011-04-22T10:28:00.312-03:00</updated><title type='text'>Violação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-avg0gHfFE3s/TbF5XsF8w4I/AAAAAAAAAFk/gD-5xrpgEtM/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-avg0gHfFE3s/TbF5XsF8w4I/AAAAAAAAAFk/gD-5xrpgEtM/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;São Paulo, março de 1984.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linda. Talvez 18 ou 19 anos. Menina de predicados, boa alma e o xodó dos pais apaixonados.&lt;br /&gt;Humana, a libido e os desejos se dobraram à razão e à aparência máscula de um  corpo perfumado e muitos músculos. Dos gemidos e sussurros apenas  a lembrança do que trazia no ventre, apesar de ainda pouco perceptível. – Graças a  Deus o bebê estará bem – Dizia para si ao perambular em seu calvário dos dias que não tinham fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do  namorado, o que lhe fizera o mal, não mais dera sinal. Relembra que ele  se desapareceu. A casa onde Cesar morava, pequena, agora se abandonava e  deixava-se varrer pelos ventos de outono que assopravam as folhas no  jardim.&lt;br /&gt;Contudo em sua vida não existia trégua. &lt;br /&gt;Imprescindível,&amp;nbsp;  ela o sabia, era acreditar nos seus sonhos e numa existência que poderia  ser melhor, apesar de saber difícil contar com o fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Se fosse  somente essa a dor! Não, infelizmente não era. Lembra-se da outra, logo após,&amp;nbsp; ocorrida na volta da faculdade para casa.&amp;nbsp; 23h30min, horário de sempre.  Recorda-se até do trajeto que&amp;nbsp; ônibus fez naquela noite. Um caminho de ruas  sombrias e alumiadas de lua cheia, das luzes fracas&amp;nbsp; nos postes e por faróis do coletivo que a  desembarcou na parada de todo dia.&lt;br /&gt;Recorda que ainda pensava nele quando fora do coletivo caminhou pelas ruas solitárias e fantasmagóricas, pouco menos de 15 minutos até chegar em casa.&lt;br /&gt;Rememora  ainda que escutou barulhos enquanto prosseguia. Eram sons das solas de sapatos  que vinham logo atrás e freneticamente tamborilavam o asfalto, aproximando-se rapidamente.&lt;br /&gt;Tensa, tentou apressar os passos até dar no fim da rua onde se abria um enorme descampado. A relativa claridade  permitia que distinguisse as marcas de cal no campinho de terra onde seu  sobrinho Euzébio fazia bonitos s gols para o time da escola municipal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi  naquele ponto que os passos a alcançaram. A mão forte e ágil selou a  sua boca enquanto uma pontiaguda lâmina de retalhar churrasco reluziu ao  luar, ameaçando-a. &lt;br /&gt;Um calafrio percorreu todo seu corpo ao reparar na  feição transtornada do homem. Era horrível, principalmente o seu olhar insano. Foi então que  esperou pelo pior.&lt;br /&gt;Talvez se a vida fosse unicamente se dua posse&amp;nbsp; não se importaria em reagir e tentar gritar.  Talvez os gritos de horror apavorassem o maníaco e aquele nauseante odor  de bebida deixado no ar. Porém sabia; há quase três meses a vida deixara  de ser apenas sua. Portanto, não poderia arriscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi sob o clarão da lua que ela foi estuprada, submissa e deixada ao relento num chão de terra batida. Talvez  se ele a estacasse no solo não haveria qualquer surpresa e nem  desencantos.&amp;nbsp; Para ela naquele momento tanto faria ser pau, pedra, sol ou chuva.&lt;br /&gt;Sarcástico, o estuprador antes de  partir&amp;nbsp; ajeitou as calças na cintura e subiu o zíper. Ele a fitava  com os mesmos olhos insanos. Todavia era hora de ir. E antes mesmo  que desaparecesse na noite clara, ainda lhe pareceu por bem galantear:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Menina, jamais esquecerei estes olhos tão grandes que poderiam ser bolas de futebol –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois  da vergonha e humilhação a vida teve que persistir apesar da doença. Houveram noites que  pensou em desistir, mas, logo recobrava a força interior e  pensava no seu bebê. Os meses passaram e ela quase se deu por morta-viva. Não  havia mais a beleza e o seu corpo definhava apesar da pequena bola arredondada em sua barriga. Todavia, diante  de todas orações e rogos e o bebê nasceu saudável e liberto da doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezembro de 1985&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que chegou  o dia que um dos seus poucos desejos foi concretizado; Investigadores bateram à  sua porta e disseram que era necessário que ir à delegacia  reconhecer um homem.&lt;br /&gt;Pelos relatos dos policiais talvez houvessem capturado o maníaco&amp;nbsp; daquela noite de lua clara&lt;br /&gt;O  coração acelerou ao adentrar no distrito. Em companhia do pai e sentada  numa cadeira de rodas remexeu o corpo cadavérico por detrás do vidro  espelhado e que a mantinha isolada dos suspeitos. Focos de luzes fortes  desnudaram todos aqueles rostos. Um a um ela os observou com muita  atenção apesar da comoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, é ele! Confirmou ao ver o detido com plaqueta de número 5 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por favor! Eu preciso ter com ele! – Rogou ao delegado num tom fraco e quase que inaudível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tentar perssuadí-la sem sucesso, e com pena da pobre moça a autoridade cedeu e o trouxeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maníaco quase nada entendeu a se ver diante daquela criatura definhada e esquelética. Por segundos se olharam.&lt;br /&gt;Algo o incomodava além da sua tosse seca e persistente, pois o seu olhar não conseguia se desvencilhar da mulher&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;-Lembra-se de mim? – Ela perguntou firme e decidida, como se algo sobrenatural a fortalecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Talvez! – Ele respondeu, para&amp;nbsp; depois, finalizau: Apesar que tenho a impressão que conheço os seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E conhece! – Sou a garota dos olhos tão grandes quanto bolas de futebol. Lembra-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estarrecido ante figura tão disforme,&amp;nbsp; pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por Deus, menina! O que Aconteceu com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Comigo nada! Apenas com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Comigo? Como assim? – Parecía-lhe um diálogo desconexo e surreal. A moça devia estar delirando – Concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuou olhando-o firmemente. Seus lábios ressecados tremiam, emocionados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Moço, você está morto! Sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu o riso dos ignorantes. Tudo parecia tão incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A dona deve estar maluca. Tenho uma saúde de ferro. – Riu-se com escárnio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Moço, re o pare no meu estado. Sabe o que é isso? Se não fosse o pavor de morrer eu teria dito a você que era portadora do HIV..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito  isso levou as mãos à cadeira de rodas e girou o aparelho no sentido da  porta de saída. O pai percebendo as dificuldades da filha ajudou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para trás ficou apenas um olhar estarrecido dum&amp;nbsp; homem que ja apresentava os sinais da doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti abr2011&lt;br /&gt;Véio China®&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3011529144300861567?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3011529144300861567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3011529144300861567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3011529144300861567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3011529144300861567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/violacao.html' title='Violação'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-avg0gHfFE3s/TbF5XsF8w4I/AAAAAAAAAFk/gD-5xrpgEtM/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-676152951929469788</id><published>2011-04-15T20:53:00.000-03:00</published><updated>2011-04-15T20:53:14.093-03:00</updated><title type='text'>A editora, o litígio e o mala</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Yohqb8lYQDA/TajZmaS7fyI/AAAAAAAAAFg/H_A2UB_y6HY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-Yohqb8lYQDA/TajZmaS7fyI/AAAAAAAAAFg/H_A2UB_y6HY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eu andava preocupado, aliás, mais que preocupado, atazanado talvez fosse  o termo exato. E esse atazanamento tinha nome: Editora J.J.Gusmão,  herança vinda de família, propriamente dos meus bisavós paternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém,  os negócios e a realidade nua e crua e da quase nenhuma rentabilidade  esbofeteavam-me no rosto, esfacelando os meus bolsos. Talvez fosse  chegado o momento inadiável de abrir mão daqueles escritores cujas  publicações pretendiam entreter o leitor com material fartamente culto e  erudito, e substituí-los por alguns da nova geração e que estivessem  mais antenados com os fatos do nosso tempo, além do uso de um linguajar,  mas abrangente, abrasivo e popular.&lt;br /&gt;Lembro que era a primeira vez em  seis anos que não renovaríamos com Jonathan Seinberg, que inclusive já  possuía farto material para a publicação de mais um livro.&lt;br /&gt;Com certa tristeza relembro da reunião que mantivemos e discutimos esses e outros fatores que motivavam a minha decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seinberg, sinto muito, mas, nesse ano não faremos e edição do seu novo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como?  Assim, sem mais e nem menos? Após seis anos de uma convivência  produtiva e rentável é isso o que tem a me dizer? Acha que meus leitores  cansaram do bom trato gramatical, dos termos refinados, estilizados,  rebuscados até? – Dito isso deixou pousar desanimadamente as mãos sobre  os joelhos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente Seinberg andava tão distante da  realidade que não notara que seu último livro vendera nada mais que  míseras 434 unidades. Também não deveria saber que a renda sequer  superou os 20% de custo de produção. Evidente, tais assuntos não eram da  sua seara. Contudo era minha obrigação manter-me e mantê-lo com os pés  fincados no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Perceba Seinberg, os leitores estão cada vez  mais distante daquilo que possamos considerar cultura. Estão também  aquém da prolixa erudição que os teus livros carregam - E continuei -&lt;br /&gt;Isso pode ter funcionado há mais de três décadas onde qualquer estudante  ou leitor guardava em sua estante edições dos grandes como Machado e  Aluízio, além, claro, dos grossos dicionários para consultas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, procurando ser razoável argumentei inclusive que nos dias de hoje  não há mais a obrigatória necessidade de dicionários se empoeirando em  prateleiras. E que o fato, tão cristalino, se dava pela obtenção pela  consulta online em diversos sites de internet, assim como em softwares  que nos trazem Aurélio, Houaiss e outros tantos gravados em CDs. Todavia  ele não se deu por vencido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Veja, Dra ( Dra era a simplificação  do meu nome, Dráuzio, e como gostava de me chamar) Voltando à questão  da leitura e do aparato leitoril, não é nenhuma novidade a baixa  receptividade da prosa nos tempos de hoje. – Tentou se justificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Epa!  Não é bem assim não, Seinberg! – Protestei – Estão aí escritores que a  despeito de nem mais existirem ainda faturam altas somas para seus  herdeiros genéticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quais, por exemplo? – Ele desafiou;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oras!  Só pra te falar dos malditos, alvos de minha preferência, lá vão  alguns; Celine, Bukowski, Fante, Hemingway, Miller, Kerouac e tantos  outros abarrotando as livrarias. Agora... Imagine se falarmos dos  escritores universais e suas obras de maior expressão? Inimaginável  seria nos aproximarmos desses números! – Exclamei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem.. – Ele  respondeu – Eles são exceções concedidas a temas polêmicos. Esse pessoal  que citou só vê arte em pornografia e devassidão. São escritores para  um classe de leitores (a ralé) que se ufanam e interagem com os autores  como se eles ainda se mantivessem vivos. Não é de se duvidar que nos  aniversários de suas mortes haja um sem números de bêbados e pervertidos  golfando vodkas e fazendo surubas em seus túmulos – Ironizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, mas... – Tentei interferir. Foi impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Mas, mas nada meu caro Dra! Nessas questões de más escolhas literárias o  que menos se vê é o trato e discussão da literatura, propriamente ditos  - Ele persistia -&lt;br /&gt;Esses que você citou nada mais são que lixo escrevendo sobre lixo – Discursou num tom de raiva, invejoso diria até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos  em silêncio por alguns instantes. O seu olhar nervoso passeava pela  sala e se atinha ao quadro de meu bisavô postado acima de minha  poltrona. Lá estava o velho João Juvenal Gusmão, o desbravador de toda  essa sinuca de bico em que me metera. Naturalmente, parceiro mudo de  todos os meus dias, JJGusmão deveria saber que a J.J Gusmão estava num  quase regime pré falimentar devido a minha pífia atuação empresarial.  Claro, ainda haviam algumas chances e eu tinha que agarrá-las. E elas  começavam por Seinberg, o number one da lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seinberg,  desculpe. Agradeço pela parceria que tivemos por todos esses anos, mas  agora é inevitável. Não mais temos interesse em suas obras. Ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jonathan Seinber desgrudou o olhar em JJ Salomão e fuzilou-me com aqueles seus olhos negros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansioso  levantou-se estapeou duas Mont Blanc prateadas que se encontravam em  meu porta-canetas. Em pé, o homenzarrão de mais de metro e noventa  esbravejou. Sua voz soou forte apesar de não conseguir distinguir os  lábios que se escondiam sob a espessa barba grisalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ad  infinitum, Allegatio partis non facit jus! Audiatur et altera pars! –  Disse-me numa impostação pedante tal qual ele. Depois completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Em  breve terás notícias minhas, meu caro! – Dito isso ajeitou a gravata  borboleta dentro da imensidão daquele seu paletó de risca de giz,  caminhou até a porta de saída e ganhou a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aquele chato  não sabia é que eu fizera três anos de direito até desistir e abraçar a  editora após o falecimento do meu saudoso pai. Portanto eu entendi o  recado. Em todo caso era inacreditável o fato dizer-me que estaria  colocando a Editora no “pau” num pretensioso latim jurídico, peça  fundamental dos grandes advogados. Assim que ele se foi eu apenas ri. &lt;br /&gt;Até naquilo o sujeito conseguia ser um grandíssimo mala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2011Abr&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-676152951929469788?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/676152951929469788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=676152951929469788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/676152951929469788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/676152951929469788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/editora-o-litigio-e-o-mala.html' title='A editora, o litígio e o mala'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Yohqb8lYQDA/TajZmaS7fyI/AAAAAAAAAFg/H_A2UB_y6HY/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-7748841135936050763</id><published>2011-04-09T20:37:00.001-03:00</published><updated>2011-04-09T20:40:27.127-03:00</updated><title type='text'>Flagrantes da virtualidade consentida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EkWp5uJwB5o/TaDuVbbrgbI/AAAAAAAAAFc/mcE5lVuvdnM/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-EkWp5uJwB5o/TaDuVbbrgbI/AAAAAAAAAFc/mcE5lVuvdnM/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tudo estava como devia ser. Banho tomado, cabelos aparados e os  inconfundíveis óculos escuros apesar da noite. Também me perfumara com  farta porção do Paco Rabanne, apesar de nem saber o motivo.&lt;br /&gt;Já era hora, aliás, passara da hora de conhecê-la menos virtual que até então. &lt;br /&gt;Naqueles  dois meses eu travara contato com sua alma e ela se abriu e discorreu  em sentimentos e frases carinhosas e de fácil assimilação&lt;br /&gt;Ansioso  como uma criança que assiste o seu primeiro jogo de futebol tirei o  aparelho da caixa, li o manual de instruções e o acoplei ao computador.&lt;br /&gt;Daí foi só domar as expectativas e conectar e deixar rolar o programa utilizado por 10 pessoas em cada 10 que se conectam; MSN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo  as instruções, testei a webcam e procurei me deixar mais amorenado que  propriamente sou, afinal, a pouca ou quase nenhuma experiência com  câmeras me indicava que aquela configuração de tonalidade escondia um  pouco das minhas imperfeições. Era o momento de conhecê-la não mais nas  inanimadas imagens de fotos, mas sim nos trejeitos do ser, na expressão  do olhar e da forma de sorrir. A angustiante espera me apavorava,  portanto, para acalmar fui à cozinha e de lá voltei a bordo de uma  garrafinha de caipirinha de vodca, Smirnoff, dessas compradas prontas.  Daí pra segunda, terceira, quarta foi vapt e vupt. Não é necessário  dizer que após o fim da primeira hora eu estava bêbado, ainda mais com  aquelas latinhas de cervejas pra rebater o acentuado gosto da vodca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plimmmmmmmmmm  – No canto direito inferior do meu laptop o aviso sonoro seguido de  comunicação visual indicava que Manuela, uma loira e robusta garota dos  seus 35 anos acabava de entrar no mesmo programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oi, Augusto! Tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tudp mwu amorr. E vpcè? To morrwmdp de saidade de boçé – Respondi, aliás, eu não, os meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hã, como assim, Augusto? – Ela parecia não entender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, achei que faltou-lhe boa vontade, afinal, era só associar a localidade das teclas pra que compreendesse perfeitamente.&lt;br /&gt;Contudo percebi que não iríamos longe daquele jeito.&lt;br /&gt;Meus dedos incertos não achavam as teclas que pareciam dançar. Enfim,  era aquele o momento; mandei o pedido para conversação por cam. Sempre  eu vira a marcação que ela possuía câmera, porém tentando não ser  indiscreto ou constrangedor, nunca pedi para que abrisse. Mas agora era  diferente... estávamos em condições de igualdade.&lt;br /&gt;A minha pulsação  acelerou e eu ofeguei ao aceite do meu convite. Alguns segundos e lá  estava ela; Manuela, em carne, osso, maquiagem e resolução.  Definitivamente, ela era um pedaço de mau caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Auguuuuuuuuuusto! É você? – Ela exclama num sorriso surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Zuzu bem meu amor? - Pelo jeito não eram somente as teclas que estavam com problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi  então que dei por mim ao me olhar atentamente na tela. Nos meus ouvidos  imensos headphones escutavam como música de fundo “Wont¨t get fooled  again” do Who. Os olhos brilhavam fatalmente ébrios. Ao lado do laptop,  na mesa, juntavam-se às garrafetas de vodca e outras tantas de cerveja  que eu bebera até então. Os botões da negra camisa se mantinham abertos e  isso deixava à mostra os pêlos do meu peito grisalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uiiiiii Augusto! – Você é bonitão! Que tórax forte você tem! Nossa, que música barulhenta essa. Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Wont¨t  get fooled again, do The Who – Respondi num inglês incompreensível  enquanto balançava a cabeça e batia a sola do pé o chão, marcando o  ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nossa! Pavorosa! – Ela me admoestou – Ah, você não tem aí alguma coisa de Daniel, Zezé di Camargo e Luciano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por  Deus! Aquela mulher só poderia estar louca. Onde estava aquele oceano  de sensibilidades que conheci? Zezé di Camargo e Luciano, só me faltava  essa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você fuma, é? – Num tom austero ela pergunta ao me ver colocando um cigarro na boca – Isso causa câncer, sabia? - Complementa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traguei  numa longa baforada. Olhava naquela figura atraente, me fixava no vão  do decote onde seios fartos saltavam apesar de tentarem se esconder  detrás dum sutiã dois números menores ao que deveria ser. Ela percebeu.&lt;br /&gt;E percebendo deu um jeito de deixar mais á mostra. À pretexto de algo  levantou e eu pude reparar no seu corpo, perfeito, bunda proeminente e  os cambaus A4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Manu, vou sair, mas, num minuto volto. -  Repentinamente excitei-me, todavia não quis dar bandeira. Assim, ao  sair-me da mesa um tanto trôpego e com a fala enrolada avisei que ia  buscar uma bebida. Ao voltar, com uma nova garrafinha e uma cerveja li  as impressões que ela deixara na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Augusto, to reparando que  você bebe um bocado. Homem, isso pode te matar, apodrecer teu fígado.  Quanto ao cigarro, já te falei, dá câncer. Agora... to achando  extremamente juvenil uma pessoa da sua idade estar curtindo rock pesado.  Isso nada mais é que barulho de adolescente. Você não acha que já  passou da idade?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra! Eu não acreditava no que estava lendo.  Tantas mulheres para conhecer e eu fora dar com uma do tipo “a mamãe não  gosta” E o pior; ela parecia ser a somatória de tudo que tolhia a  liberdade do meu ser; censora, psicóloga, médica de família, e uma  dessas malhadoras doentias que acham que saúde se encerra nas esteiras  ergométricas das academias (sim, eu havia visto uma ao fundo da imagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente perdi a vontade e o encanto de conversar com Manuela. Apenas ficamos nos  olhando enquanto as músicas se sucediam uma após outra; `Pink Floyd, Led  Zeppelin, Purple, Sabbath, Genesis (o antigo), Jethro Tull,&amp;nbsp; Supertramp, King Crimson e  outra dezena de bandas progressivas. Ainda me lembro de estar com os  olhos abertos quando ela se desfez da blusa naquela noite de excessivo  calor. Realmente, o sutiã era lindo e os seus seios espetaculares. Ainda  me lembro de ter tomado uma última garrafeta e vodca e uma latinha de  cerva.&lt;br /&gt;Acordei um tempo depois. Madrugada plena e certa friagem.  Olhei para todas aquelas garrafas e latas vazias e pensei – Ainda vou  morrer disso -&lt;br /&gt;Olho pra tela e nela tinha um recado de Manuela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Augusto, você é o fim da picada. Um sujeito velho, bêbado e desinteressante. E o pior; além de babar, ronca! Bye”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorri. Foi a última vez que falei com Manuela, a devorada de sujeitos ingênuos e idosos.&lt;br /&gt;Talvez eu não precisasse mais que meus cigarros, rocks e algumas bebidas.&lt;br /&gt;Talvez eu precisasse de muito mais que isso.&lt;br /&gt;Talvez  eu devesse me enquadrar na normalidade e naquilo que pessoas  aparentemente sensatas esperam de outras que não aparentam sensatez.&lt;br /&gt;Talvez  esse mundo da virtualidade tenha esse dom de fazer parecer tudo insano,  normal, sensato, e, tudo que é sensato,em desigual, louco.&lt;br /&gt;Pela primeira vez pensei em jogar o meu laptop fora, ou melhor, dar para alguém.&lt;br /&gt;Porém... bem, porém, os insensatos não se rendem jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hei de fenecer&amp;nbsp; diante apenas&amp;nbsp; do mais poderoso dos meus inimigos; eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti abril2011&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-7748841135936050763?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/7748841135936050763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=7748841135936050763' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7748841135936050763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7748841135936050763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/04/flagrantes-da-virtualidade-consentida.html' title='Flagrantes da virtualidade consentida'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-EkWp5uJwB5o/TaDuVbbrgbI/AAAAAAAAAFc/mcE5lVuvdnM/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5044626919773441029</id><published>2011-03-27T08:03:00.018-03:00</published><updated>2011-03-29T22:23:40.189-03:00</updated><title type='text'>Porfírio, o apanhador de cerejas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-N8fjHVVtlN0/TY8WCtaqg4I/AAAAAAAAAFY/ElDshb6dsN4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-N8fjHVVtlN0/TY8WCtaqg4I/AAAAAAAAAFY/ElDshb6dsN4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Cómo te llamas, muchacho?&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;-Porfírio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sólamente, Porfirio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porfírio Wells.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capataz continuou me olhando. Sua feição&amp;nbsp; chicana, severa, a pele queimada de sol e  aquele bigode grosso e vasto&amp;nbsp; que sugeria uma selva à procura de  animais.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;br /&gt;-Sabes recoge las cerezas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nunca colhi, mas tenho duas mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Entiendo que usted está aceptando el trabajo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim. 10 dólares a diária, isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No! Son cinco dólares. Los otros cinco son para la estadia, comida y el baño&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Feito! – Respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Muy bien, cabron!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito  isso me apontou para a carroceria de um caminhão Ford 48. Algumas  pessoas estavam la. Todas pareciam tão derrotadas quanto eu. Por outro  lado eu não podia me queixar.&lt;br /&gt;Para quem não tinha onde cair morto  qualquer pedaço de pão que me forrasse o estômago já era um grande  progresso. Todavia algo de inusitado&amp;nbsp; havia no contexto; Eu, um  legítimo americano de Los Angeles rendido a esses mexicanos  exploradores da mão de obra miserável.&lt;br /&gt;Contudo&amp;nbsp; também fazia algum sentido;  estávamos em plena&amp;nbsp; Santa Fé de Gonzalez, uma mexicana e pacata cidadezinha onde se só se respirava o comercio das colheitas da cereja. Ali era o ponto de partida a caminho do distante&amp;nbsp; sub distrito de Hernandez, região próspera na produção da fruta.&lt;br /&gt;Com certa dificuldade&amp;nbsp; subi na caçamba do caminhão,  afinal encontráva-me&amp;nbsp; acima do peso ideal. Claro, não se tratava de excesso  de peso pela fartura de alimentação, mas sim do álcool consumido debaixo dos desprezíveis viadutos de L.A. Enfim, ali junto as goteiras dos viadutos era dificílimo conseguir um prato de comida,&amp;nbsp; porém, bebida havia aos montes para o delírio dos  mendigos e seus amigos. Eu não era propriamente um mendigo, apesar de&amp;nbsp; sobreviver às custas de um biscate aqui, outro ali,&amp;nbsp; travando amizade ora com um, ora outro. Todavia me surpreendia; sempre&amp;nbsp; havia alguma coisa para bebermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em cima da carroceria caminhei  pesadamente sobre o envelhecido assoalho de ipê quando aqueles  seis me olharam sem demonstrar muito interesse.&amp;nbsp; Por força do hábito foram se identificando aos poucos;&amp;nbsp; Eddie, Mike, Fred, Johny, Cage  e Fred Astaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim, Fred Astaire? – Perguntei surpreso ao retribuir o seu cumprimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me arrependi! Foi  o suficiente para o bastardo dar um salto de onde se encontrava e  sapatear desajeitadamente no piso de madeira. Olhei para suas botas de solas  furadas percebi que ele estava mais fodido que eu.&lt;br /&gt;Por duas horas o  caminhão trafegou por estradas de terra levantando um&amp;nbsp; poeirão que  impregnava nossas roupas já encardidas, penetrando em nossas bocas e se misturando à saliva.&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;Foi então que percebi que pó tinha gosto; o gosto da terra, vermelha,  que ficava para trás, mas que parecia jamais terminar ao se juntar com a que víamos  pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sonny fodeu o rabo daquela vadia até fazer os bofes sair pela boca! - Mike disse à Cage num riso idiotizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem feito! Bem feito pra ela! A vagabunda da Rita ficou regulando pra gente, se ferrou. – Respondeu o outro imbecil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô!  Ferrou bonito! Ainda mais com um pau desse tamanho no rabo! –  Gargalhou Mike, separando as mãos uma da outra por uns bons 35  centímetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que aquilo só podia ser papo furado de bebuns,&amp;nbsp; afinal, um sujeito com um pau daquele estaria protagonizando filmes  pornôs nos mais bacanas estúdios do submundo de L.A, e não fodendo a bunda de  uma rampeira de esquina.&lt;br /&gt;Pensei no meu parceiro de velhas batalhas e concordei que meus míseros  14 centímetros jamais me fariam um astro das produções pornô de Holywood. Por outro  lado e por aberração da natureza se o meu pau medisse os fantásticos 35  centímetros numa hora dessa eu estaria à beira da piscina duma mansão em  Beverly Hills.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente&amp;nbsp; silenciaram. Olhei  para Fred e seu olhar se perdia misturando-se à poeira que deixávamos para trás. Era como  se a cada metro percorrido lhe roubassem o quase nada que restava de  suas esperanças. Eddie e Johnny permaneciam em silêncio e apenas davam  pequenos goles em seus cantis abastecidos de vodca barata.&lt;br /&gt;Sentei nas tábuas de  dois palmos de largura que nos serviam de banco e pensei em minha vida. Também me encontrava decepcionado comigo. Lembro de ainda criança gostar de imaginar-me aos 35 numa poltrona executiva da GM, dando ordens e  parecendo muito responsável. Em cima de minha mesa haveria uma placa de  bronze com letras góticas: - Mr. Porfírio Wells&amp;nbsp; - Lembro até que  idealizei a secretária; uma dessas americanas com descendência  irlandesa; Louise McPerson era o seu nome. As&amp;nbsp; pernas bem torneadas de Louise e seu bum bum arrebitado combinariam perfeitamente com o negro dos seus densos cabelos e o carmim dos lábios bem fomados e sensuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Porém o tempo a tudo revela e no choque da realidade&amp;nbsp; saquei que ser  filho de mãe americana e pai porto riquenho não me levaria muito longe. E  aqui estou eu, no topo do mundo, na carroceria de um caminhão ao encontro  das malditas cerejas.&lt;br /&gt;A viagem seguiu e depois de quase três horas engolindo pó  chegamos ao destino. Eram&amp;nbsp; onze da manhã quando entramos em nosso  alojamento. Aliás, aquilo jamais poderia ser tachado de alojamento. Num  chão rústico e pintado de vermelho pequenos colchonetes com menos de  três centímetros de espessura nos serviriam de colchão. Ao lado, acima  duma pequena cômoda três imundos travesseiros tentavam fazer par com  quatro lençóis encardidos.&lt;br /&gt;Como o capataz Rodriguez ainda permanecia por perto, Fred Astaire tentou reclamar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Senhor está faltando lençóis e travesseiros! Não é necessário dizer que a resposta foi um olhar fulminante seguido de ameaças:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cállate! Si esto no es bueno para usted, pagar su ida y vuelta y adiós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito  isso se retirou. Antes tinha-nos avisado que o almoço seria servi às  13 horas na única cantina do lugar. Disse-nos também para descansarmos o  suficiente, pois estaríamos na estrada às cinco da madruga com destino  às cerejas.&lt;br /&gt;Depois que ele se foi ficamos com um abacaxi em mãos. Como fazer a  divisão entre os travesseiros e lençóis?&amp;nbsp; Sem consenso,  resolvemos tirar no palitinho. Cada um que ganhasse escolheria entre uma  das duas peças. Por sorte ganhei a primeira mão e separei para mim o travesseiro  mais encorpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogo terminado sobrou um lençol. Portanto, eu,  Fred e Cage, ganhadores dos travesseiros, disputaríamos a primazia  daquele pano engordurado. Fred Astaire deu sorte. E o pior; o filho da  mãe em comemoração brindou-nos com o sapateado completo de "Singing In  the Rain”&lt;br /&gt;Como nada mais havia a fazer aguardamos pelo almoço. Às 13  horas em ponto estávamos na cantina indicada. Aliás, a única, pois no  pequeno vilarejo nada havia que não fosse a cantina, uma pequena igreja,  um diminuto posto de gasolina e o alojamento dos capatazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos à mesa de um madeiramento rústico onde se liam algumas frases sujas talhadas à canivete. Dentro do balcão uma senhora gorda com  cabelos em tranças nos olhava atentamente. O seu olhar também não era dos melhores. Mantivemo-nos sentados quando ela adentrou um  compartimento. Passados menos&amp;nbsp; de 10 minutos ela surgiu com os nossos almoços.  Travessas colocadas à mesa, reparamos na péssima aparência da refeição; o arroz, empapado,  um mexido de ovos com claras ainda vivas. Num prato, algo que supus ser  carne de galinha, pedaços irregulares e de uma coloração clara. Estranhei, pois não me lembrava de ter visto galinhas zanzando por ali. Porém a fome cavalar não se manteve insistente ao ponto de importar-me demasiadamente com o fato. Antes de comermos, Fred fez uma oração de agradecimento no que foi acompanhado pelos outros. Me mantive em completo solêncio; eu bem sabia o quanto aquilo estava nos custando. De tudo que foi possível comer,&amp;nbsp; o melhor tinha sido a carne&amp;nbsp; carne pálida que,&amp;nbsp; pra minha surpresa era extremamente saborosa. Eu não sabia de onde  traziam aquilo, talvez&amp;nbsp; da cidade. Ainda tentei inquirir à senhora qual fora a carne que comeramos, porém ela parecia não  entender,&amp;nbsp; respondendo-me algo que imaginei ser o dialeto da localidade, obviamente&amp;nbsp; incompreensível.  Bem, também o fato não se resvestia de tanta importância assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado, os rapazes preferiram voltar para o alojamento e dormir. Sim, eu sabia que seria bom descansar  o máximo possível, mas não era meu hábito cochilar naquele horário.  Portanto, enquanto eles foram pros seus colchonetes de três centímetros fiquei por ali  zanzando, reconhecendo o lugar.&lt;br /&gt;Adentrei a mata e logo surgiram os primeiros pés carregados de cerejas. Pelo jeito teríamos muito trabalho pela frente. Ao retornar contornei a cantina e me encaminhei para os fundos. Ali,&amp;nbsp; um balcão de madeira bruta parecia ser&amp;nbsp; o abatedouro daquilo que nos serviram no almoço. Acima do balcão havia  algo, mas, ainda distante não consegui precisar exatamente o que..&lt;br /&gt;Ao chegar próximo me estarreci; haviam  servido carne de cobra para nós. La estava o rabo de uma cascavel, e eu  podia até contar os anéis do guizo. A cabeça um pouco mais adiante  insinuava que a peçonhenta havia sido pega de surpresa e por um espetacular golpe de facão. Era triste, muito triste ver a cabeça e o rabo, ali,  dilacerados como se esperassem que algo acontecesse, como se pudessem juntar suas partes pra ela ir-se embora rastejando. Um pouco mais à  esquerda no balcão a pele que tinha sido retirada. Olhei com nojo para ela, e aquelas cores acinzentadas mais pareciam o prenúncio de um vendaval tal a tristeza que transmitiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão me causava  náusea; talvez o meu estômago fosse demasiadamente sensível à culinária exótica, ainda mais se tratando de cobra. Assim, foi inevitável e o jato que se desprendeu de minhas entranhas esguichou fortemente como se fosse uma dessas fontes  artificiais que ligamos á eletricidade.&lt;br /&gt;Repentinamente o sol não mais coloriu o dia e nem a terra me serviu de  base, sólida, e eu desabei por completo, desacordado Dei por mim ao me ver estirado num dos colchonetes do alojamento. Rodriguez gesticulava e falava nervosamente e alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Este hombre es una chica de verdad! No es bueno para nosotros! Prepárese para volver a la ciudad&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados  30 ou 40 minutos la estava eu na carroceria do caminhão. Evidente, eu  poderia falar praqueles imbecis o que tinham dado para comermos. Eu  ouvira conversas que carne de cobra fazia bem ao coração, colesterol e  até varizes e gastrite. Mas, e se uma gota daquilo maldito veneno tivesse  permanecido na carne? Talvez&amp;nbsp; me matasse . Ah não! Eu jamais arriscaria.&amp;nbsp; Preferia ser um mal sucedido&amp;nbsp;  ainda com vida que à comilão morto. Cobras? Elas pra la e eu pra ca. Nunca mais!&lt;br /&gt;Todavia, pensei e  achei prudente nada comentar com eles. E se eles tivessem a mesma reação?&lt;br /&gt;Talvez nem saíssemos vivos daquele lugar. Antes de partirmos ouvi  a voz rude de Rodriguez questionando-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cabrón, tienes algo de dinero com usted?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não não! Nenhum centavo, senhor! - Respondi com feição piedosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quiero ver tu bolsillos de los pantalones! – &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  miserável não acreditava em mim. Queria ver os bolsos da minha calça.  Mostrei. Depois me passou em revista e olhou no bolso da camisa e nos da jaqueta  jeans. Nada encontrou.&lt;br /&gt;Em seguida ordenou ao motorista que desse a  partida. Provavelmente iriam captar mais otários pras suas malditas  plantações de cerejas. Subi no caminhão com a mesma dificuldade de antes. Sentado solitariamente no banco da carroceria  pensei-me novamente executivo da GM – Bah! Sem chances! Repreendi-me. &lt;br /&gt;Depois  de quase três horas de poeira e a boca seca e sem saliva o meu quarto de pensão me aguardava. Não retornava exatamente como um herói vindo de guerra ou um campeão  mundial dos pesos pesados desembarcando no JFK após derrotar um tanque alemão de 120 quilos com um demolidor cruzado no queixo. Ao chegarmos ele me descarregou com alguma brutalidade. Eu ainda teria que descolar carona para voltar para o meu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los  Angeles, me aguarde que aí vou eu! Gritei ao ver o caminhão se distanciando. Sentei  no chão e tirei a surrada botina de camurça e de la retirei&amp;nbsp; os mesmos 45 dólares  que havia economizado para alguma emergência.&lt;br /&gt;Minha garganta queimava, o suor escorria&amp;nbsp; e o rosto ardia. Olhos,&amp;nbsp; braços, pernas, nádegas pareciam feitos de um único pó, o que me ocasionava uma sede miserável. Talvez, naquele momento eu desse a minha vida a troco de duas cervejas geladas, não sei.  Seguindo reto encontrei um boteco fuleiro ao fim da rua; era dos que gostava, me  sentia bem, quase em casa. Sentei no banco do balcão e pedi uma cerva. Um senhor  dos seus 50 anos e dono de uma barriga descomunal me serviu. Talvez ao  ver o meu estado perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hey chico! No estás a busca de un trabajo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei  para o local. Bem, quem sabe se eu não pudesse ganhar uns trocados a mais para poder  voltar a L.A de form mais tranquila? Não necessitei pensar muito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! – Eu disse olhando para o balcão onde provavelmente eu serviria os bêbados do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Así que ... esta tarde será la contratación de personas para trabajar en la cosecha de cerezas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  olhei para o rosto do suíno. La estava encravado o mesmo sorriso infame,&amp;nbsp; a  mesma feição insensível de Rodriguez. Tentei não dizer, mas,&amp;nbsp; a natureza se  fez indomável desta feita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ei seu cara de joelho de porco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Si? - Ele respondeu. Pareceu nao entender. Adorei aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então.... que vá se foder, seu merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei as costas e me mandei. Aquele boteco era muito fuleiro para mim.&lt;br /&gt;Deveria existir coisa melhor&amp;nbsp; pelas imediações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 27mar2011&lt;br /&gt;Véio China® &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="para"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-5044626919773441029?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/5044626919773441029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=5044626919773441029' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5044626919773441029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5044626919773441029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/03/porfirio-o-apanhador-de-cerejas.html' title='Porfírio, o apanhador de cerejas'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-N8fjHVVtlN0/TY8WCtaqg4I/AAAAAAAAAFY/ElDshb6dsN4/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-3614658929994815726</id><published>2011-03-04T19:03:00.005-03:00</published><updated>2011-03-04T20:32:31.365-03:00</updated><title type='text'>Crônicas absurdas de um cristão transtornado.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-_WX9MPew2ZM/TXFg1BXF23I/AAAAAAAAAtM/EL1f3GqRrbE/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="https://lh3.googleusercontent.com/-_WX9MPew2ZM/TXFg1BXF23I/AAAAAAAAAtM/EL1f3GqRrbE/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Acordei.&lt;br /&gt;Estranho. Olho para mim e eu não estou em minha cama, aliás,  estou, não nela e sim, talvez metro e meio acima. Meu corpo, surpreso e  espreguiçante levita no espaço. O cobertor que me enrolo, também.&lt;br /&gt;Ouço  um som alto e estridente. È o meu despertador; 07 horas da matina, me  lembra. Maldito! Incessante ele urra o alarme que jamais me deixa em  paz. Não seria exagero afirmar que o escandaloso aborta meus sonhos,  pesadelos e outras coisas que jamais sei ao certo. &lt;br /&gt;Ali, planando, sinto-me algo insólito, extraordinário, um quê de astro perdido e que vaga no nada.&lt;br /&gt;O  que poderia ter acontecido com Deus? – Talvez Deus tivesse sentado numa  mesa de fundos de um desses botecos fedorentos da São João. Deus,  dizem, é imprevisível. E quanto a mim? Bem... eu nem tanto. Talvez fosse  essa a minha primeira manifestação pós-morte? Porém não tinha certeza.  Pensei em algum fato que determinasse um pouco de vida. Um beliscão?  Sim, um beliscão, e por que não? Apesar de reconhecer que essa coisa de  se beliscar era um teste demasiadamente retrógrado. Pelo sim, pelo não,  cravei as unhas na pele que cedeu à pressão dos dedos polegar e  indicador. Sim, claro, houve alguma dor, e ela me fez perceber que  talvez ainda não transitasse no mundo dos sonhos ou dos pesadelos –  Mas... afinal....eu estaria morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso a falta de  manifestação do Todo Poderoso me incomodava. Por que ele não dava um  basta à devassidão de todos os delírios? Certamente Deus jamais fora um  covarde, sabido era. Mas, por que não fazia alguma coisa? E se ele  houvesse morrido na madrugada sem que eu soubesse? – Quedei em psicose –  Talvez minhas insanidades fossem frutos da criação severamente cristã.  Lembro-me que mamãe sempre dizia que de dez coisas que eu fazia, sete  eram os pecados. Sim, certamente foi contundente aquilo que me  impuseram. Cedo aprendi que em se tratando de Deus o melhor que faria  era aceitá-lo sem questionar os seus veredictos e seu absolutismo ante  as possibilidades, mesmo daquelas que ainda não imaginássemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reviro-me e o cobertor acompanha os meus contornos. Num impulso pego uma  das suas pontas de lã e a atiro mais para o alto. O cobertor abandona o  meu corpo e ganha o espaço como se fosse um tapete voador. Uma sensação  de liberdade me invade e faz-me flexionar as pernas que respondem aos  comandos tanto quanto a cabeça e o resto do corpo. &lt;br /&gt;Tudo continua parecer tão extraordinário que eu não perco a carona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À  vontade de ficar em pé o corpo responde. O tronco se torna ereto, as  pernas perfilam e os pés aprumam ao se encontrarem nos calcanhares. Ao  meu desejo de tocar o solo o meu corpo cede. Agora sim a lei da  gravidade surte efeito em mim e lentamente desço até triscar o chão.&lt;br /&gt;Repentinamente  tudo se torna alvo. Firmo as vistas e já não há paredes, cama,  cobertor, nem mesmo o insuportável despertador que tanto me exaspera. No  lugar das cadeiras, mesas, televisor, apenas a melancolia do agora num  espaço branco e oco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos doem, ardem, não suportam a  tonalidade reluzente e clara. Procuro por contrastes – nenhum – Portas  não há, e nem lugar para onde possa fugir ou me esconder. Talvez Deus  não mais me olhasse – Mortos nada vêem. Mortos são apenas mortos –  Concluo – Contudo combato o disparate – Deus jamais morre. Deus é  imortal, seu imbecil! – Rumino ao dispersar-me em outros desatinos -  Impulsiono o corpo num salto e surpreendentemente me vejo pululando. O  corpo se torna leve e novamente plana como se fosse um astronauta imune  às forças da gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente penso em Deus. Saco! Deus,  Deus, Deus... Essa insistência&amp;nbsp; decadente jamais me levou às  pernas cinqüentenárias de Madona, os peitos de mais de meia década de  Vera Fischer, ou, no pior das hipóteses, à&amp;nbsp; região do glúteo  da sessentona Rita Cadillac quando ela tinha 26.&lt;br /&gt;Provavelmente Deus se surpreendesse comigo. E talvez ainda desse boas  gargalhadas ao lançar no plano de um aveludado verde a sua cartada invencível; Royal Straight  Flush, ante o meu olhar de assombro – Você é um perdedor – Ele diria sem  demonstrar qualquer compaixão. E antes de me chutar o rabo por  considerar-me um tremendo dum babaca, fatalmente sentenciaria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filho! És melhor com os delírios que com as cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente,  contrapondo talvez eu tentasse refutar as suas certezas, mas, para que e  por quê? Minhas roupas ainda cheiravam à água benta e eu não me  desimpregnara da exacerbada religiosidade e nem do meu inabalável dogma  cristão. &lt;br /&gt;E além do mais, eu nada mais era que mera partícula, uma  rês induzida ao matadouro. Talvez essa a expressão nem fosse minha,  afinal, eu poderia estar morto. Aliás, melhor dizendo; Todos nós  poderíamos estar mortos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós, os mortos, zanzávamos por essa  terra de horrores subjugados por sentimentos óra inefáveis, óra perturbadores. Sentimentos  esses que sempre estarão apostos dentro de cada ser à espera da grandiosa cerimônia final.&lt;br /&gt;E nela, quem sabe, poucas lágrimas de alguns que se condoam num derradeiro adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2011Mar&lt;br /&gt;Véio China© &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-3614658929994815726?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/3614658929994815726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=3614658929994815726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3614658929994815726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/3614658929994815726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/03/cronicas-absurdas-de-um-cristao.html' title='Crônicas absurdas de um cristão transtornado.'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-_WX9MPew2ZM/TXFg1BXF23I/AAAAAAAAAtM/EL1f3GqRrbE/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5909068968017158846</id><published>2011-01-08T06:09:00.013-02:00</published><updated>2011-02-22T18:54:57.133-03:00</updated><title type='text'>A lobotomia e o poeta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TSgWeTaMW-I/AAAAAAAAAFQ/wGnPSK7xCcI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TSgWeTaMW-I/AAAAAAAAAFQ/wGnPSK7xCcI/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Eu a conhecera há uns bons cinco anos. Manuela. Eu sempre a via com seus  amigos no Bar Brahma, da São João. Descoladíssima, o tempo me fez  presenciar altos porres daquela figura, que tal Rebordosa se chafurdava  em mares de vodka Smirnoff. &lt;br /&gt;Por vezes eu dava a sorte ao flagrá-la sozinha,  então ia até ela e arriscava trocar umas idéias. Geralmente eu ria  bastante principalmente quando ela estava "alta" e me divertia com suas maluquices e seu jeito paulistano de falar “pô meu! Se  liga figura! Porra cara!” eram seus chavões lingüísticos prediletos.  Porém há coisa de mais de ano nunca mais eu a vira e até soubera por um  dos seus amigos que ela entrara num sério tratamento psiquiátrico. “Coisas de  nervos” Ele me disse.&lt;br /&gt;Portanto fora com imensa felicidade que a  encontrei na semana anterior, sozinha, na mesma mesa e a vodka de sempre.  Dessa feita uma conversa louquíssima, o que me fez supor que ela  não estivesse totalmente recuperada, ou que&amp;nbsp; fosse eu quem estivesse com  sérios problemas mentais. Ah sim! Não poderia esquecer de mencionar o fato que ela idolatrava  Geraldo Vandré num fanatismo tão exacerbado que tratava a todos, sem distinção de credo, da raça  ou cor, pela alcunha de Geraldo ou Vandré.&lt;br /&gt;E assim lá estávamos nós nesse reencontro que teimava celebrar a sanidade,&amp;nbsp; referendando-nos com mútuas palavras de carinho para depois nos emaranharmos na deliciosa fatalidade do abraço fraterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vandré, me diga, tem visto a Luiza? – Ela perguntava sobre uma amiga nossa em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não  sei Manuela!&amp;nbsp; Faz um tempaço que nao a vejo por aqui.&amp;nbsp; Unicamente sei dos caroços  de abacates que engulo. E juro; gostaria de saber fazer deles poesia - Brinquei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah,  é mesmo! Quase sempre que me esqueço que és poeta. Eu adoraria&amp;nbsp; ser  poetisa. Porém, reles mortal, infelizmente não tenho a mesma percepção e  sensibilidade de vocês, a casta nobre, e porque não dizer; bando de vagal!&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ela estivesse com a razão; fazia mais de 7 anos que eu não sabia o que era ter&amp;nbsp; carteira assinada. Independente da realidade dos fatos, aquilo de certa forma me espezinhou e eu fui ao revide:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem..Veja, não está notando, mas... Nem sempre aquilo que os olhos vêem&lt;br /&gt;é o que a mente estratifica É jovem, bonita, mas talvez não tenha talento. Provavelmente não percebe que a poesia nada mais é que o processo da vida, a capacidade à instrospecção, ao interior, o âmago. Portanto, quem é poeta não precisa descer pelos elevadores de cabines laminadas de um envidraçado edifício de executivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, mas... - Ela tentou argumentar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas, nada! - A interrompi - Será que você não andou sofrendo algum processo de lobotomia? - Finalizei. Ela me olhou atônita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Geraldo  do que fala o poeta Vandré? - Ela questionava de sua entidade favorita&amp;nbsp; - Tu deverias ser compositor de MPB e jamais um  poeta! Afinal,&amp;nbsp; que porra de  papo é esse meu... estudioso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.-Ah, bobagem minha, Manuela! Apenas tento seguir a canção que bem  poderia falar das flores. Porém, como o que faço é poesia, canções não  há nelas não! O que minha poesia tenta encontrar e é a rima certa, o  sentimento exato! Por exemplo, peguemos isso do que estamos falando...  Lobotomia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependi-me de ter sugerido ao pensar com meus botões; que porra de papo era aquele? - Tarde demais! Agora, realmente, ela parecia interessada em saber o que era lobotomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, Vandré! Mas... desde que eu saiba o que é isso. Tudo está  muito confuso! Se explique, homem. O que é exatamente essa porra de... lobotomia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ta bom, Manuela! - Fiz uma pausa e segui - Eu não tenho  a mais absoluta certeza, mas, lobotomia é o processo onde após a cirurgia no cérebro o  consciente é parcialmente apagado e você perde muito dos registros. Então você começa ter idéias  fixas, crer em coisas que a todos pareçam inviáveis. Por exemplo,  seria o mesmo que acreditar que em poesia abacate rima com Luzia. Evidente, haverá quem aceite a possibilidade, mas, sinceramente? Seria&amp;nbsp; pura&amp;nbsp; idolatria de leitor que tudo consente aos seus autores favoritos. Ou  seja; o leitor vai comer da mesma merda que eles comem, porém fará cara de satisfeito e dirá que comeu  caviar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porra, Vandré! Isso ta me parecendo uma sessão com doutor  Maurício, o meu terapeuta! Claro, sem aquele aparato técnico, é lógico, mas...parece - Ela  respondeu com feição compenetrada &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu tinha opinião toda própria e não tão favorável aos profissionais que transitam nessa área, :intervi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim,  mas veja, Manuela. Poetas que somos e que nada entendemos de psicologia , estamos anos-luz das poltronas dos terapeutas que, dum reles gato que mia querem nos  fazer crer que há ali algum evento importante... - Não era o gato que  miava e sim o leão que rugia –&amp;nbsp; Eles irão alardear. E isso fora os valores absurdos cobrados pelas sesso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vandré? - Ela interferiu, sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim Manuela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então o sentido de lobotomia é mais ou menos esse? – Ela perguntou com olhos cravados em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, acredito que é mais ou menos por aí – Confirmei. Momentaneamente seus olhos ganharam a rua&amp;nbsp; ela se ateve ao movimento das pessoas e aos carros que passavam. Depois voltou-se para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Caracas!  Eu vi num vídeo e até hoje não entendo como os “olivas” em plena  ditadura deixaram o Geraldo Vandré cantar” Pra não dizer que no falei  das flores” num daqueles festivais da Record. Foi um chute nos cornos do  sistema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como, Manuela? –&amp;nbsp; Me surpreendi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus! que versatilidade! num  piscar de olhos transformara a nossa conversa de alho, para bugalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como assim, ó Vandré! Calibre os ouvidos para me escutar cristalinamente - Ela replicou avançando o par de seios por sobre a mesa -&amp;nbsp; Eu quero mais é que os psiquiatras, a ditadura e  essa tal da lobotomia vão à puta que pariu! –&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem a ouvisse suporia que la estavam dois lunáticos revolucionários sussurrando contra o governo´ou uma classe médica específica.&amp;nbsp; Depois gargalhou escachada e socou levemente o tampo da mesa.&lt;br /&gt;"Bem feito, Vandré!" Disse para mim já que mereci aquilo. E ela tinha razão já que  vez ou outra nós os poetas insistíamos em conversas que eram verdadeiros  pés no saco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Caminhando e cantando e seguindo a canção. Somos todos iguais braços dados ou não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela  cantou baixinho remexendo o copo de vodka e fazendo o gelo girar  enquanto me olhava através dele. Repentinamente Manuela da um salto da  cadeira e exclama a pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, me diz uma coisa! Geraldo rima com Vandré?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a olhei surpreso. Definitivamente, ela era .louquíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Rima! – Fui esperto; Confirmei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez&amp;nbsp; a relação de Manuela no tocante à Geraldo Vandré fosse um exemplo bem próximo da lobotomização. Provavelmente ela não veria nada nesse mundo que fosse aquém e nem além de Geraldo Vandré. E ela dera sorte. Poderia ter sido muito pior;&amp;nbsp; Paulo Coelho, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah,  lobotomia, lobotomia... Oras! Quem queria saber dela?m método tão arcaico que a medicina  desistira dela, a psicologia não queria nem ouvir falar. Certamente nem  mesmo os abacates e a tal da Luzia quereriam conhecer a tal lobotomia . E pra falar a verdade, nem eu mesmo  sabia ao certo do que e porque estava falando dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para Manuela e ela  estava especialmente linda naquela noite; vestia uma justa calça de jeans, branca e que combinava espetacularmente com sua blusa decotada e o par de seios 46.&amp;nbsp; No rosto de nenhuma maquiagem seus olhos cintilavam que nem cometas triscando&amp;nbsp; as noites de esperanças e de lua cheia.&lt;br /&gt;E eu achei tão magico o momento que fiz levantar o meu copo num brinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A Manuela! - Sorri. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora não espera acontecer” - Cantei e logo fui seguido po ela, num duo, baixinho, quase aos sussúrros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado, Manuela piscou pra mim e tragou com vontade a sua dose de vodka como nos velhos e bons tempos. Era uma pena, mas....eu estava muito velho pra ela.&lt;br /&gt;Talvez há cinco anos as minhas chances fossem melhores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2011 Jan&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-5909068968017158846?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/5909068968017158846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=5909068968017158846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5909068968017158846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5909068968017158846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2011/01/lobotomia-e-o-poeta.html' title='A lobotomia e o poeta'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TSgWeTaMW-I/AAAAAAAAAFQ/wGnPSK7xCcI/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8131015179158235996</id><published>2010-12-30T03:43:00.017-02:00</published><updated>2011-01-04T23:16:39.080-02:00</updated><title type='text'>Véio China...um traidor!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TRwXZ7Hj0tI/AAAAAAAAAFM/CD3jsK1uxjw/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TRwXZ7Hj0tI/AAAAAAAAAFM/CD3jsK1uxjw/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu estava ansioso. Aliás, mais que ansioso...nervoso. Era a primeira vez que meu personagem marcava um encontro inadiável. “Precisamos ter uma conversa séria. Aguardo-te no BDE às 21hrs –Véio China” – dizia a mensagem em meu celular.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Estranhei. Seria dinheiro emprestado? – me perguntei. Não não! O China sempre foi ponderado, econômico. Nunca fez questão de casa em local nobre, apartamentos com suítes, viagens pras Bahamas, carro do ano, e todas essas coisas burguesas. Bem...o que poderia ser? Talvez pretendesse juntar os trapos com alguma dona e queria ver se eu bancava a sua despedida de solteiro – Seria isso? &amp;nbsp;Não não! Acho que também não. O Veio jamais foi chegado nessas frescuras de firmar rabo de saia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bem, o que sei é que aquilo martelou em minha cabeça no passar do dia. Claro, em vista a seriedade da intimação lá estava eu no BDE às 9:20hrs, em ponto. Entrei e vi alguns bebuns espalhados pelas mesas bebendo cervejas, caipirinhas, copos de vinho enquanto escreviam. Procurei o China com os olhos e o vi sentado solitariamente numa mesinha de canto mais ao fundo do bar. A penumbra do local combinava com seu rosto sombrio e vincado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Porra! 9:20 não são 9:00hrs! – Esbravejou ao me ver e olhar pro seu relógio de pulso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Desculpe Veio, me atrasei porque tive de deixar a Sara em casa. O carro dela quebrou e..&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-E eu com isso, merda! Ela que tomasse um taxi! –&amp;nbsp; Mal humorado cortou&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ta bem! Desculpe! Desculpe! – Realmente ele não estava com feição boa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Olhei para ele e me deu certa pena. Veio China era sujeito solitário, e isso naquela idade não era bom sinal. Vivia as custas de uma modesta pensão paga pelo governo. Eu perguntava aos meus botões o como ele se “virava” com tantas responsabilidades. Fora o aluguel do quarto, havia a despesa com alimentação, vestuário, remédios e outras necessidades. Ele me flertava com certa impaciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Quer um trago? – Ele perguntou. Confirmei com a cabeça. Ele chamou o garçom.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Uma vodka pro moço - Pediu com ar sisudo enquanto bebia do seu drink.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim que chegou eu a emborquei metade num único trago. Aquilo desceu queimando como se um dragão cuspisse bolas de fogo no meu esôfago. Era uma bebida horrível, e ele percebeu pela minha feição de asco ao estalar a língua.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Então! Isso é pra você ver. É essa porcaria que você me faz beber, Sputnik, uma vodka ordinária, &amp;nbsp;de 5ª. – Ele suspirou erguendo os braços lateralmente à cabeça para soltá-los com enfado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Caracas, China! É ruim mesmo! Eu não fazia a menor idéia – Tentei me desculpar&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim.... E isso sem contar os bloods que me faz engolir, um após outro, todo o santo dia – Se lamuriou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Uai! Mas, quais são os problemas com teus bloods? Acho que eles te dão um ar cult, de coisa underground, descolada, um estilo eclético - Devolvi com certa empáfia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Cult?&amp;nbsp; Cult, é? Você só pode estar louco! – O bloodmary que você me faz beber é&amp;nbsp; com puro-purê de tomate&amp;nbsp; Cica! A pimenta é de vidro, e da Jimmy, ainda! – Ele alardeou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bem, ele tinha toda a razão. Na verdade um bom blood se faz com vodka de qualidade, com legítimo suco de tomate. E se for pra ser de primeira é indispensável algumas gotas de pimenta ao nível da Tabasco,&amp;nbsp; americana – Concordei em pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Novamente ele emborcou um longo trago. Sua feição recendendo desesperança se estendia aos sulcos do seu rosto, agora mais talhado que da última vez que o vi. Recolocando os olhos em mim&amp;nbsp; perguntou conciso:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ainda ta de rolo com a Sarah?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, por quê? – Estranhei a pergunta&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Por quê, por quê? Porque a Sara é uma garota sensível, leal, amorosa, decente. E essa somatória de atributos deveria deixá-la à léguas de você. – Respondeu com certo aborrecimento&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Véio, vai me dizer que você não gostaria de ter uma mulher assim ao seu lado? –&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Claro! Mas....sem chances! – Retorquiu ferino.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sem chances, por quê? – Espantei-me.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele me olhou seriamente como um pai austero e infeliz com as notas no boletim escolar do fedelho de 10 anos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Por quê, cabeça de pudim? Simplesmente porque você só me faz relacionar com rampeiras! Putas! Vgabundas! Em todos esses malditos anos que estamos juntos foi unicamente o que você me deu....tranqueira! – Berrou. Seus olhos faiscavam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Mas...Véio, isso é bacana! Veja, reservei para você o submundo, os esgotos e todos os tipos de miseráveis existenciais. Isso é totalmente underground – Exclamei confiante e continuei:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Perceba Véio. Empregos péssimos, pensão de governo, vodka barata, quartos de pensão fedendo à barata, e. principalmente...esses malfadados relacionamento com as prostitutas, é a mais pura vivência underground, um subterrâneo de excentricidades&amp;nbsp; fadado à poucos. – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Discursei inflamado.&amp;nbsp; Incompreensível era o fato dele não perceber a importância da sua história, do destino que lhe dava. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Ele nada ouviu. Ele não estava mais ali, aliás, a sua atenção não estava. &amp;nbsp;Olhei para onde se dirigia o seu olhar e encontrei o destino. No balcão do bar duas altivas &amp;nbsp;mulheres loiras e balzaquianas. Afirmei o olhar e elas pediam informações ao Niko, o barman.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Compreendendo o que elas queriam apontou o dedo na direção e elas vieram em ao nosso encontro. Ao chegarem próximas eu pude sentir o perfume do Chanel 5 delas; Certa vez eu tivera um caso com uma grã-fina e distinguia a fragrância. E vinham num andar altivo, coisa de classe, e &amp;nbsp;isso podia ser comprovado naqueles trajes de gabarito, uma, &amp;nbsp;inclusive, &amp;nbsp;portava um estola de pele e a qual eu não reconhecia. Talvez &amp;nbsp;fosse de lontra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já em nossa frente pediram licença para sentar. &amp;nbsp;Educado, concordei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A mais bonita delas era um perfeito desfile de jóias que reluziam diamantes e platinas &amp;nbsp;em seus anéis, pulseira, brinco e colar. A outra, quase tão bela quanto portava uma pasta de couro, executiva, provavelmente de antílope. A grife era visível; &amp;nbsp;Christian Dior. Foi a da pasta executiva que perguntou, dirigindo o olhar ao China:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Por favor, o senhor é o Veio China?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim! – Respondeu ele naquele seu jeito rude, seco.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Senhor China, conforme combinamos por telefone, trouxe &amp;nbsp;a Claris Lisprevitor. E eu sou a Ludmila Zohen, sua secretaria- Disse olhando carinhosamente &amp;nbsp;para a amiga.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ô, que honra dona Claris! – Disse o China ao pegar-lhe a mão e beijá-la com sofreguidão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Caraça! Claris Lisprevitor? Eu sabia que já vira aquela mulher! Claris era simplesmente a mais famosa escritora nacional. Fantástica autora, Claris era um fenômeno e tinha seus romances publicados em diversas línguas, verdadeiros best-sellers em mais de duas dezenas de milhões de exemplares vendidos. Era inacreditável, mas la estava ela em carne e osso sendo beijada por aquele escroto. Inclusive, pela sua forma de sorrir parecia ter gostado do malandro. O velho afastou os lábios das suas &amp;nbsp;mãos sedosas e me apresentou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Claris, esse é meu autor, Leduard Pavone! – Ela sorriu discretamente para mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É já ouvi falar – Disse sem grande entusiasmo&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sr. China podemos ver os papeis agora? – Perguntou Ludmila com ares de eficiência profissional.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Heim? Mas que merda era aquela de “vamos ver os papéis”? – &amp;nbsp;Aquilo me assustara.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi naquele momento que o Veio pediu licença á elas para ter um particular comigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Elas assentiram e rumaram para o balcão. Ainda olhei para elas e vi o Niko tirar da prateleira um Jack Daniels; Era lendário o fato de Claris Lisprevitor&amp;nbsp; ser fanática por ele. Inclusive li várias &amp;nbsp;reportagens nessas revistas de fofocas dando conta dos seus escândalos e porres homéricos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O velho percebendo a minha aflição &amp;nbsp;pediu-me para sentar. Ele transpirava e eu demasiadamente confuso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Garçom! Duas Sputnik, por favor – Ele pediu ao Norberto, o garçom mais antigo do Bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Assim que as bebidas chegaram tragamos em duas talagadas. &amp;nbsp;Provavelmente ela deva ter queimado tanto como a outra vez, mas nervoso, nem me apercebi. Estava assustado com aquilo tudo. Foi então que o China tocou a mão em meu ombro e falou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Pavone, te chamei aqui hoje para darmos um fim à relação profissional autor/personagem, Pavone/Véio China. Fui procurado pela Ludmila há coisa duns 10 dias. Ela disse que a Claris adorava o estilo do Veio China. Inclusive já sabiam que a marca &amp;nbsp;“Veio China” estava registrado em meu nome, portanto direito autoral&amp;nbsp; meu. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu não te falei na época, mas há muito tempo eu registrei a marca, pois te conhecendo, não me foi difícil supor que me venderia por qualquer 10 contos de réis. E assim, diante do fato ela se mostrou interessada e negociamos cifras, percentuais e outras relés questões mercadológicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Mas, mas, mas.... – Eu não conseguia formar qualquer raciocínio diante do que aquele velho me falava. A garganta secara por completo, não havia saliva em minha boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Veja Pavone. – Ele continuou. – Com Claris vou ser um personagem de filigranas. É bem verdade que vou continuar permeando esse mundo erótico, porém com filigranas. Vou vivenciar o Jet - set internacional, transar com as mais descoladas atrizes, cantoras internacionais. Inclusive terei um caso com uma famosa Secretaria de Estado. Claro! O meu nome será o único há não ser ficcional. A idéia de Claris é internacionalizar a marca “Veio China”. E daí e se tudo correr bem, serei marca de perfume masculino, estarei estampado em invólucros de camisa de Vênus, marca de xampu anti-caspa, boneco inflável com pênis de 22 centímetros, e outra infinidade de produtos que atendam as necessidades do mercado. O meu acerto com ela foi de 50% para cada parte,&amp;nbsp; em tudo!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Mas, mas, mas... – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Era inacreditável. Aquele velho desgraçado me enfiara uma adaga pelas costas. E ela doía, doía muito, e sangrava, sangrava, e o sangue escorria de mim ensopando a toalha engordurada da mesa e pingava pelas beiras e como cachoeira mergulhava na direção do piso. O velho era um traidor, o maior&amp;nbsp; de todos, maior até mesmo que Cleópatra.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Definitivamente aquele sujeito era o maior filho da puta deste mundo!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Inconsolável eu olhava para os bicos dos meus sapatos esfolados enquanto o China sinalizava para que elas voltassem para nossa mesa. Elas chegaram e sentaram-se &amp;nbsp;- “Corja de Safados” &amp;nbsp;- &amp;nbsp;Pensei comigo mesmo. &amp;nbsp;E além do mais a sorte deles é que eu nunca fora um sujeito de escândalos; talvez essa minha parte covarde e fraca &amp;nbsp;fosse suprida pela coragem que eu &amp;nbsp;impregnava no meu personagem. O Veio China, &amp;nbsp;esse sim em minhas mãos jamais teve medo de algo – &amp;nbsp;Concluí aturdido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Diante um sinal afirmativo do velho a fina secretaria abriu sua pasta, esparramou os papéis por sobre a mesa, separou alguns e iniciou a leitura. Primeiro discorreu sobre publicações de livros com o China sendo o protagonista, depois adentrou às questões dos produtos que levariam a marca do velho. Por fim referenciou os &amp;nbsp;percentuais – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Para, Claris  Lisprevitor caberá a participação de 50% no lucro líquido dos negócios - Fez uma breve pausa e continuou - Para Veio China,&amp;nbsp; 25% do lucro líquido.&amp;nbsp; E aqui cabe a ressalva......&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Epa! Mal começavam a sociedade e já estavam passando a perna no velho? Aquilo me revoltou e eu a interrompi.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Cambada de aproveitadores! 25% jamais serão iguais à 50% ! – Vociferei alto. Já bastava um lesado naquela história. Pra que outro?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Elas riram. O velho gargalhou até perder o fôlego. Eu não entendia nada. Assim que as contrações desistiram do seu abdome forrado de banha e&amp;nbsp; flácidez&amp;nbsp; Ludmila continuou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Caberá à Leduard Pavone, 25% do lucro líquido dos negócios. Esta aqui o cheque de&amp;nbsp; R$ 200 mil&amp;nbsp; para&amp;nbsp; algumas necessidades iniciais que tenham. Podemos assinar agora, senhores?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por Jesus Cristo! Eu me tornara um milionário em menos de 40 minutos e&amp;nbsp; três doses de vodka? Ah, eu sabia que aquele velho jamais me deixaria na mão. O China era o cara mais fantástico do mundo! Talvez eu tivesse alguma participação&amp;nbsp; pois eu o construíra um velho, sacana, mas, um sacana de princípios. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Selamos o nosso acordo com apertos de mãos e abraços, exceto o China que tascou um beijo melado no perfumado rosto de Claris Lisprevitor . Sorríamos uns para os outros enquanto Ludmila e os seus peitos 46 me olhavam de forma convidativa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Garçom, por favor, Jack Daniels pra todos! &amp;nbsp;E por favor, traga a garrafa e deixe outra de sobreaviso. Rompemos com a miséria! &amp;nbsp;– Bradou o velho devasso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O mundo nunca me parecera tão belo. Eu olhava pra todos aqueles bêbados, pros escritores &amp;nbsp; e torcia para que tivessem a mesma sorte que&amp;nbsp; a minha ou que se ficassem&amp;nbsp; próximos. Outras coisas me invadiam os pensamentos naquele instante; A minha pequena e embolorada &lt;i&gt;kitchenette&lt;/i&gt; da Pça da República era carta fora do baralho. &amp;nbsp;Que tal um 3 dormitórios com hidromassagem&amp;nbsp; no Pacaembú? &amp;nbsp;Ah sim! O carro também. Eu daria o meu Gol 95 com rodas de liga leve pro Luis, porteiro do meu prédio. Eu sempre me amarrara naquela Van que ostentava uma enorme e empafiosa estrela metálica um pouco abaixo do capo. Queria-a de cor negra tal qual os olhos de Sarah ou provavelmente como algumas sensuais lingeries&amp;nbsp; “Victória Secret” &amp;nbsp;de Ludmila Zohen .&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti Dez2010&lt;br /&gt;Véio China© &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8131015179158235996?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8131015179158235996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8131015179158235996' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8131015179158235996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8131015179158235996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/veio-chinaum-traidor.html' title='Véio China...um traidor!'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TRwXZ7Hj0tI/AAAAAAAAAFM/CD3jsK1uxjw/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-2871918506100316147</id><published>2010-12-11T04:35:00.010-02:00</published><updated>2010-12-11T22:49:29.004-02:00</updated><title type='text'>Flagrantes caseiros (Da série Avô &amp; Neto )</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQMaGOsi3uI/AAAAAAAAAFE/a53SvtVKAxc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQMaGOsi3uI/AAAAAAAAAFE/a53SvtVKAxc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Vô! A gente ta apaixonado quando o coração da gente bate muito rápido? – Pergunta o garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Também, Lauro Roberto. Também! – Responde laconicamente o seu Jurandir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  avô, observador, já flagrara a excitação do neto ao flagrar a vizinha  do andar de baixo bronzeando-se ao sol. Graças à ampla área de serviço  restrita unicamente aos apartamentos de primeiro andar, a moradora mantinha o hábito de se  refrescava numa dessas piscinas de plástico, vestida a bordo dos  costumeiros e ínfimos biquínis de tonalidade clara. Ele mesmo havia passado  maus bocados ao ver aquela garota de 23 ou 24 anos com o rabo  empinado dourando ao sol. Portanto eram questionamentos inerentes à liberdade que mantinha com o neto. Todavia sabia dos perigos que essas conversas esondiam, ainda mais com um garoto que nem completara os&amp;nbsp; seus 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mas...Como assim ... “também”, vô? – Insistiu o garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Óras! É que também pode ser alguma taquicardia, oportuna. Antes que me pergunte o que é, repondo; é o excesso de&amp;nbsp; batimentos do coração. Não explicam isso na escola, menino? -  O velho tentava distraí-lo, levá-lo pra longe daquela conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vô!  Isso não tem nada a ver com a minha escola e nem com que me ensinam! - Após a réplica uma curta pausa para em seguida voltar à carga -&amp;nbsp; Vô! E se a gente além de sentir o coração batendo forte, ainda se sente muito&amp;nbsp;  feliz ao estar perto de alguma coisa. Isso não está me dizendo que posso estar  apaixonado por aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nem sempre, Lauro Roberto! Da última vez que vi meu  time ser campeão me deu uma batedeira danada e fiquei numa felicidade  só! E nem por isso estava apaixonado! - Ele sabia que subjugava a  Inteligência do neto; privilegiadíssima diga-se por sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ô vô! Assim  não da pra gente manter uma conversa de gente grande, pôxa! Eu até até te perguntar  uma coisa que não tenho nem mesmo acoragem de perguntar pro meu pai -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondeu num tom de quem dava muita importância a pessoa que estava em sua frente. Se havia coisa que aquele fedelho sabia fazer era uma boa chantagem emocional. E o moleque, se apercebido que deixara o avô sem reação apontou o gatilho e mandou ver:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Vô! Eu queria saber se quando&amp;nbsp; fico todo “coisado”&amp;nbsp; ao ver a Cleide do 14 se queimando ao sol... isso não pode significar que eu esteja amando ela ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era  esse o assunto que o velho tentava evitar. Primeiro, Lauro Roberto não  tinha idade e nem discernimento para discutir coisas das questões adultas.  Segundo, porque não era só ao neto que a vizinha dos biquínis excitava,  Ele mesmo sempre estava de olho nas movimentações vindas do andar  abaixo.&lt;br /&gt;Contudo, pelo sim e pelo não ele tinha que escapulir daquela conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, num jogo de estratégias o Sr. Jurandir permaneceu pensativo por alguns momentos;&amp;nbsp; “Já imaginou se minha filha me pega nessas conversas com o seu “Lari”? - Perguntou-se com alguma culpa no cartório - "Aí é que tô  fuzilado!” – Concluiu incomodado. &lt;br /&gt;" Mas...tem que ser agora!" -&amp;nbsp; Decidiu-se ao voltar o olhar pro garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então... "coisado". É assim que você fica ao ver a&amp;nbsp; Cleide, heim Lari? - Perguntou-lhe meio constrangido, quase estagnando sua voz no "coisado"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É vô! É assim que eu fico; coisado, principalmente na hora da piscina! Por isso que eu falo; é paixão, é paixão, eu sei que é paixão! - O garoto Insistia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arre égua! Como lidar com aquele garoto? Contudo a experiência tentou mostra-lhe uma saída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Que paixão que nada, Lauro Roberto! Tire isso dessa cabecinha de cabelos amarelados ! - O velho exclamou refutando a conclusão do garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom..então se num é paixão, que raio que é, vô? - Ele jamais poderia entender tanta teimosia daquele velho. Evidente! aquilo era amor. Só seu avô para não querer perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  Sr. Jurandir levantou-se do sofá e de onde estava olhou profundamente  para o guri; Ele achava lindos aqueles olhos azuis do neto - Em seguida  pigarreou, ajeitou os ombros, deu alguns passos na direção dele e ao passar&amp;nbsp; por ele  deixou a resposta namorando o ar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Lauro Roberto, querido! Isso não tem nada a ver com paixão e nem com o amor! Isso é somente a tua vontade de fazer xixi...capito, capito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi  com certa perplexidade que Lauri viu o velho atravessar o corredor e seguir na  direção do quarto.&lt;br /&gt;O Sr. Jurandir fez até que não ouviu uma pequena frase de  revolta deixada atrás de si: "Gente velha é foda, viu!” O garoto  resmungara baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar no seu quarto o velho foi acometido  por uma explosão de gargalhadas, mudas como o bom senso mandava ser;  Não seria bom dar bandeira numa hora daquelas. &lt;br /&gt;As contrações doloriam-lhe o estômago enquanto a mão enrugada selada na boca&amp;nbsp; evitava que o riso fosse ouvido. Mais um  pouco e&amp;nbsp; já acalmado dos espasmos e ali sentado em sua cadeira de balanço o&amp;nbsp; velho cedeu ao relembrar Cleide, o sol e as tonalidades dos seus libidinosos biquinis. No ir e vir do móvel, pra ele uma única certeza; Os  problemas dele e do neto com a exibicionista do 14 estavam&amp;nbsp; longe de  terminar, aliás, mal começavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010Dez&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-2871918506100316147?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/2871918506100316147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=2871918506100316147' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/2871918506100316147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/2871918506100316147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/flagrantes-caseiros-da-serie-avo-neto.html' title='Flagrantes caseiros (Da série Avô &amp; Neto )'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQMaGOsi3uI/AAAAAAAAAFE/a53SvtVKAxc/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-4695351375428781278</id><published>2010-12-08T23:07:00.047-02:00</published><updated>2011-11-16T01:21:16.275-02:00</updated><title type='text'>Captain my Captain</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQArWwy6NNI/AAAAAAAAAFA/FNinzfnjDj4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQArWwy6NNI/AAAAAAAAAFA/FNinzfnjDj4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;Captain my Captain!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Era assim que ele gostava de chamar a si. A certeza de falar unicamente aos&amp;nbsp; botões parecia revestir o termo "Captain my Captain"&amp;nbsp; de toda poesia que necessitava a solitude dos seus dias.&lt;br /&gt;Há muito nada trazia interesse ou coisa que&amp;nbsp; importasse. Deixados para trás como&amp;nbsp; as nuvens de tempo&amp;nbsp; ficaram os homens e&amp;nbsp; suas hipocrisias. Ao final, cansado de fraudes despiu-se de humanidades e foi para o mar. Talvez fosse esse o&amp;nbsp; legado;&amp;nbsp; as águas e um horizonte infindo&amp;nbsp; a apaziguar a alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;O tempo veio e com ele se tornou o sentinela dos mares.&amp;nbsp; Nas ondas bravias o pequeno barco era apenas tonalidade esmaecida, emergida à sucessão de ondas. Esquecera por completo do espírito humano ao ganhar um novo alento;&amp;nbsp; Nadie, um cognome carinhoso dado por ele a Nadine, uma majestosa orca que circundou o seu barco num dia de sol ardente e jamais o abandonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os anos decorreram e era comum flagrá-lo orgulhoso&amp;nbsp; diante dos movimentos da sua Nadine. Eram momentos que Captain my Captain gritava palavras de incentivo a cada salto da baleia como se ela fosse&amp;nbsp; a sua cadela de estimação. E ele apenas ria e ria; Nem ele sabia se havia enlouquecido ou transmutado num&amp;nbsp; peixe; Um peixe com feições humanas. Um homem-peixe que alimentava-se unicamente&amp;nbsp; daquilo que o mar oferecia.&lt;br /&gt;Quem o visse navegando os mares, sem destino e relegado a própria sorte questionaria se Deus o houvera esquecido ali &amp;nbsp;ou &amp;nbsp;apenas se divertia ao vê-lo digladiar com a fúria dos oceanos. Jamais se soube a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, num dia de mar agitado e céu cinzento a trégua veio.&amp;nbsp; Nadine se manteve quieta, serena, apenas emitindo lamentosos assobios. Naquela manhã a baleia não irrompera em saltos&amp;nbsp; e nem espanara a cauda na fragilidade da embarcação à espera dos xingamentos do velho comandante.&amp;nbsp; Captain my Captain não acordara com a aurora e nem tocara por três vezes o bastão no madeiramento&amp;nbsp; para chamar a atenção da velha amiga. Nada disso aconteceu. Ao contrário; supõe-se que Deus tornou-se tanto mais&amp;nbsp; melancólico ao abrir mão do seu destemido guerreiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao fim daquela mesma tarde, cravado entre as pedras costeiras&amp;nbsp; o barco de Captain my Captain foi resgatado. Um pouco distante dali&amp;nbsp; Nadine mergulhava incansavelmente, voltando à tona , rodopiando a sua imensidão no ar como se fosse&amp;nbsp; a estrela de um show aquático. No barco, ao lado do leme, entre os enrijecidos dedos de Captain my Captain um papel de amarelado tempo foi encontrado. Nele,&amp;nbsp; uma poesia ainda legível; Era de sua autoria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Captain my Captain&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perversa, num quebranto além mar&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;a tempestade avassala o que&amp;nbsp; resta&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No horizonte vislumbro coisas que me desordenam&lt;br /&gt;Seria o arco-íris ou as visões das minhas quimeras?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Desorientado, dobro-me às terminações nervosas&lt;br /&gt;sangrando lamentos nas interseções do meu tempo&lt;br /&gt;Qual a finalidade de mim nessa vastidão azul?&lt;br /&gt;Desconhecendo, amaldiçoo aquilo que me fez sobrevivido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim, sem saber quem sou, que deixo-me levar pelas ondas;&lt;br /&gt;Talvez eu seja apenas a deriva dum velho barco solitário&amp;nbsp; &lt;br /&gt;que singrou todos os mares, mas que jamais resgatou&lt;br /&gt;a consciência perdida do sujeito que um dia fui&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por algum tempo&amp;nbsp; os estalidos de Nadine foram ouvidos&amp;nbsp; por todo aquele pedaço de costa. Porém tudo mudou num dia de ondas mansas ante a torridez dum sol que abrasou rochedos e fez arder a pele dos pescadores.. E foi sob a exuberância dum ceu de nuvens densas que pareciam raptar&amp;nbsp; a beleza do firmamento&amp;nbsp; que uma última vez a baleia&amp;nbsp; foi vista  ; Talvez Nadine descobrira que nada mais havia ali. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010Dez&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-4695351375428781278?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/4695351375428781278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=4695351375428781278' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4695351375428781278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4695351375428781278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/captain-my-captain.html' title='Captain my Captain'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TQArWwy6NNI/AAAAAAAAAFA/FNinzfnjDj4/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-7131560723683719805</id><published>2010-12-06T22:40:00.012-02:00</published><updated>2010-12-07T08:04:21.443-02:00</updated><title type='text'>BBFB -  O BBB do Bar do Escritor -</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TP123hYT7jI/AAAAAAAAAE8/-geYsrN1o_Q/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TP123hYT7jI/AAAAAAAAAE8/-geYsrN1o_Q/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;5:00 AM – O silêncio reinava completamente na casa BBFB - Nesta edição a  produção do Big Brother Fazenda Brasil apostou metade de suas fichas numa comunidade  literária de Orkut,&amp;nbsp; convidando alguns dos seus membros para o  "reality show". &lt;br /&gt;Programa em curso em sua 8a semana,&amp;nbsp; metade dos participantes se encontra eliminada, rendida ao magnetismo e empatia que  os sobreviventes mantinham junto ao grande público – Sete sobraram;&amp;nbsp;  quatro mulheres e três homens, carismáticos, todos da comunidade do Bar do Escritor, óbvio.&lt;br /&gt;Naquela madrugada foi a primeira vez que o bicho  pegou. O aborrecimento da maioria ficou latente pois os embalos daquele  sábado à noite não foram curtidos na sua plenitude, fato comprovado pelos "ochokos" contendo  saquê e deixados&amp;nbsp; pela metade, espalhados entre exóticas&amp;nbsp; iguarias da culinária e a eclética e vibrante decoração de uma festa japonesa. Não passava de meia-noite quando&amp;nbsp; todos  se recolheram, exceto o Veio China que,&amp;nbsp; solitário e na varanda dedilhava a nolstalgia em seu violão relembrando canções de um passado que lhe abria algumas&amp;nbsp; fendas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lampião de gás, lampião de gás....!" - Ele cantava com a&amp;nbsp; voz grave e ligeiramente ébria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentaneamente algo se junta ao seu canto&amp;nbsp; triste; Era nada mais nada menos que o  sapo Harry, seu&amp;nbsp; inseparável parceiro de melancolias. Aliás, Harry, exceto a sua  grande amiga na casa, era o único a lhe prestar alguma solidariedade. Incentivado pelo apoio repentino&amp;nbsp; seguiu-se outra canção, agora acompanhado pelo desafinado anuro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oh Chalana sem querer....! ROAH! ROAH ROAH!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a canção,&amp;nbsp; de certa forma trazia um complexo sentimento quanto a árdua batalha de sobreviver a tudo&amp;nbsp; naquele maldito jogo  de egos e vaiades. E a constatação se viu no anteceder da madrugada e nas agressões  mútuas, acusações pesadas,&amp;nbsp; atiradas por vezes à esmo. Tudo começou por volta das 22:00 horas,&amp;nbsp; como passaremos a&amp;nbsp;  relatar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Véio, não agüento mais dormir na cama ao lado da sua! – Reclamou Liz – Não há nariz que aguente esses gases fétidos a noite toda! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Uai! Aonde consta no regulamento que eu não posso flatular? Eu flatulo, tu flatulas, ele flatula! – China  ver e defende-se batendo firme o dedo indicador no grosso tampo de  madeira da mesa da cozinha.&lt;br /&gt;Liz sorri sarcástica ao ouví-lo criar o verbo "flatular". Contudo, conhecedora da teimosia do velhaco achou melhor não colocar reparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vocês que ficam mostrando o rabo o tempo todo?&amp;nbsp; Por acaso eu reclamo? – Vocifera olhando para todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aprendera desde o pré primário que o ataque sempre será a melhor defesa, eficiente ou não. Aliás,  isso só poderia ser gozação do Véio China; se havia algum sujeito que jamais  reclamaria de mulheres mostrandos as nádegas, fatalmente essa pessoa seria ele.. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, cê tá de&amp;nbsp; brincadeira, Véio! - Replicou Rosa Cardoso - E quanto as tuas flatulências, nem deveria se valer do regulamento e sim da educação! Deveria por princípios saber onde termina o seu espaço e começa o  do outro! – Concluiu severa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Isso mesmo. Tá com toda razão, Rosa ! - Reforça Barbara  em apoio à amiga - E ainda se fosse só isso! O pior são os&amp;nbsp; roncos  dele que me fazem acordar sobressaltada&amp;nbsp; - Finalizou ao olhar com severidade para o homem dos puns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom! Se eu solto gases e ronco,&amp;nbsp; é  inconsciente! Se estiver dormindo não domino as ações do meu corpo. E se não  domino, como posso controlar as vontades que se dão nele? Sabem... tudo isso é científico.... - Defende-se mal sabendo se há sustentação na ciência para sua afirmação. .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Humm,  humm, humm....... Deixe de conversa fiada, Véio! Isso já é estória pra boi  dormir! – Exulta Zulmar, para depois completar – Pior que isso são as  tuas cuecas deixadas dentro do box do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, e o que tem minhas cuecas? - Descaradamente&amp;nbsp; China. questiona o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O  que tem suas cuecas? Óras! Larga de ser cara de pau, Véio.&amp;nbsp; Elas ficam mofando já que nao tem o hábito de lavá-las. Vira e  mexe tem moscas zanzando por la! - Revolta-se o amigo dirigindo a todos, abandonando sua costumeira e metódica postura iogue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem resposta que contradissesse o amigo, o velhinho dessa vez sentiu&amp;nbsp; chamas tosqueando suas batatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha  gente, acho que vocês estão sendo intransigente com ele. Eu  não tenho nada a reclamar do meu velho queridón,&amp;nbsp; tun tun tun – Tenta defendê-lo a  Fazendeira da semana e amiga de todas as horas; IndiaOnhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro  né! Não há nem como te sentires&amp;nbsp; incomoda! Se tu dormes com&amp;nbsp; fones de ouvido e tubinho de  oxigênio, reclamar do que? – Ironizou a Liz. – Vai me dizer que quando não estás com esses fones horrorosos não escuta o arrotos desse troglodita? - Ataca novamente Rosa Cardoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu não! Não ouço, não ouço e não ouço! Jamais ouvi o Véio  arrotando –&amp;nbsp; Outro dia o vi soluçando, mas, arrotando? Nunca, tum tum tum! - Novamente&amp;nbsp; IndiaOnhara defende o amigo. &lt;br /&gt;, &lt;br /&gt;Claro que ouvia! Contudo sua extrema  gentileza com o amigo jamais deixou de ser exercitada. Se fosse preciso  ela o defenderia até o fim. E outra; Índia pressentia que o velho corria  perigo. Ela podia sentir nos olhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Putz, India! Então você é  mais incrível que ele! Os roncos do infeliz mais parecem&amp;nbsp; turbinas de&amp;nbsp; 747 em plena decolagem- Finaliza Barbara mais debochada que irônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem,  querem que confirme algo que não ouço? E quanto ao tubo  de oxigênio é por causa minha bronquite asmática! tum tum tum – Justificou-se Onhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá! E os fones de ouvidos? – Investiu Rosa Cardoso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Bem...Quanto aos fones é que só consigo dormir com músicas árabes. E  pra se ter a plena comunhão com o universo é necessário ouvi-las sem  qualquer interferência dos ruídos do universo, na plenitude da paz! Capito? tum tum tum! – Conclui Onhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, vocês  estão fazendo tempestade em copo d’água – Ameniza mestre Calaça, entrando em  ação – Os meus problemas com o Veio são bem outros... – Anota o poeta –  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;China surpreende-se com as falas do amigo. Ele nunca imaginou  que tivessem problemas. Pelo sim ou pelo não isso o perturba:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E quais são esses problemas, cumpade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Veja,  Veio. Eu entrei na casa com 12 cuecas samba-canção. Agora só me restam  quatro. E pelo que eu saiba, eu e você somos os únicos nesta casa a  usá-las. O compadre Zulmar gosta daqueles mais entradinhas no rêgo – Se queixa contrariado – Será que minhas cuecas criaram perninhas por conta  própria? – Finaliza tanto sarcástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom... acho que não, né? Mas...  Você é mesmo um ingrato, mano velho! – O tom lamuriento da voz do Veio  tem finalidade; ele tenta sensibilizar o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ingrato? E  por que eu seria ingrato, amigo China? Sempre fui correto com você – Afirma  Calaça. Ele sabia que teria que ficar esperto; conhecia as jogadas do  amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ingrato sim! Quer ver como és um?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quero! – Mostre! Desafia Calaça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Por acaso é você que lava as cuecas que eu possa abduzir da sua gaveta? – Pergunta- à queima roupa ao&amp;nbsp; bom e velho Calaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não.. num lavo, mas... - Calaça claudica. Que raios de colocação estapafúrdia foi aquela? Aonde aquele espertalhão pretendia chegar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então!  Se você não lava e eu não lavo, já não é um motivo para estarmos  quites? Ô mania de perseguição comigo, sô! - Exclama Veio China com um  sorriso sacana no rosto ante a&amp;nbsp; perplexidade do amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente, matreiro do jeito que sempre foi, o China sempre supõe-se escapando  daquilo que normalmente não se escapa. Pois bem! Não escapou; Apenas Calaça, sabedor  dos lenga- lenga e lero-lero daquele sujeito tinhoso soube que o momento era de  fazer-se de desentendido; bosta de cachorro impregnada em sola de  sapato sempre seria um transtorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;..........................E assim decorreu aquela semana  até que se chegou no domingo. Domingo, c mo todos sabem é o dia de eliminação. Como era de se prever, lá estavam o&amp;nbsp;  China e&amp;nbsp; a Liz no paredão. Como fazendeira da semana, ÍndiaOnhara, indicara Liz.&amp;nbsp; Do outro lado e por votação, o Veio China foi emparedado pelos participantes da casa, sem que compreendessemos exatamente a  composição dos votos:&lt;br /&gt;Dos seis votos possíveis o China obteve a indicação de  100%, ou seja, a totalidade. Mas para se chegar nessa totalidade seria necessário que ele&amp;nbsp; votasse contra si próprio. Pois é, ele votou!&lt;br /&gt;Todavia a hora era agora e  chegara o grande momento. O Brasil votava em peso e o âncora do  programa, Fredo Trial, dava oportunidade aos emparedados&amp;nbsp; dizerem ao o porquê mereciam permanecer na casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Liz, querida! Por  favor, vá ao confessionário e diga ao Brasil os motivos pelos quais merece continuar na Fazenda! – Solicitou à participante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liz,  sorridente, tchauzinhos para a câmera, solta um gritinho histérico assim que entra no confessionário”  Allan! A mamãe te ama!”&amp;nbsp; Depois senta-se e ansiosa pede apoio ao Brasil: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Olha gente! Eu mereço continuar porque  participo das tarefas. Logo cedo vou ao estábulo e cuido dos  cavalos, ao chiqueiro e lavo o local. Ordenho a vaca diariamente. Muitas vezes consigo extrair 6  litros do mais puro leite - Diz com ares de cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não existem outras coisas que faça e que gostaria que o Brasil soubesse? - Insinua Fredo Trial. Provavelmente ele achara&amp;nbsp; fracas as justificativas de Liz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem.... Ainda ajudo nos afazeres da casa, lavo louça, limpo o fogão, o chão.&amp;nbsp; Que mais, que mais? Ah! Faço comida, lavo o banheiro, limpo o furô. Tava me esquecendo...faço pipocas em microondas, corrijo e faço indicações aos poemas dos meus colegas,&amp;nbsp; menos do  Veio,&amp;nbsp; é claro! Bem gente! É isso! &lt;br /&gt;É por tudo isso que mereço ficar na Casa! Obrigada, Brasilllllllllll!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Grato, querida! – Responde um sorridente Fredo Trial, ao pedir para que saia do confessionário &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Véio China! Pode se dirigir à cabine e fazer sua defesa.  Rápido, por favor! - Indica ao participante aparentando certa  impaciência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Veio China adentra o confessionário. Fredo Trial o  bombardearia com perguntas capciosas, tal qual a descarada edição  televisiva da Rede Bobo ao dar&amp;nbsp; de mão beijada a vitória a Collor sobre Lula.&lt;br /&gt;Antes de passar a defesa ao emparedado, Fredo Trial faz iniciar suas tendenciosas colocações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Veio China,  vou relatar algumas situações que gostaria que respondesse ao Brasil.  Certamente seriam perguntas que o povo estaria fazendo, se pudesse – E  continuou -Não é verdade que você levanta depois do meio dia? – E  continuou....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Minto se falar que você nada faz só para ficar de papo pro ar na rede da varanda? E insistiu....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seria  menos verdadeiro o fato de você terminantemente se recusar a limpar  qualquer cômodo da casa ou, participar da turma da bóia? Persistiu.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seria  inverdade dizer que espertamente aproveita-se dos descuidos das pessoas  para subtrair-lhes o sabão Omo e o amaciante  Confort para as suas cuecas?&amp;nbsp; E perseverou....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seria mentira dizer que os animais não  tem a menor afinidades com você?&amp;nbsp; -Concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Véio se&amp;nbsp; manteve&amp;nbsp; impassível diante a parcial metralhadora de Trial. Era mais que evidente que Trial pretendia eliminá-lo. Estratégicamente fez bocas e caretas ao disparar a  pergunta final que, segundo sua avaliação sacramentaria a exclusão do China:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Você tem como justificar tudo isso, senhor Veio China?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Véio  permaneceu impassível dentro do confessionário. Repentinamente vai ao ar para milhões de brasileiros um  sonido estreito, agudo: Era umas dassuas&amp;nbsp; famosas flatulências. Mais alguns segundos e um arroto gutural também  estarrece o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Brasil, desculpe a flatulência e a eructação - Diz aparentando toda a calma desse mundo. -&amp;nbsp;  Bem....sobre as questões levantadas por Trial, tenho a dizer que sobre o sono é porque sofro de Tripanossomíase Africana –&amp;nbsp; Justifica ao apresentador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah sim! Já ouvi falar da tal doença  do sono – Exclama Fredo Trial – Contudo, até para ela há remédio...e há  muito tempo!&amp;nbsp; – Trial sorri,  sarcástico; tentava demolí-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O China percebe a sua joagada. Ocupa alguns segundos com su avaliação&amp;nbsp; da situação. Processado, responde com naturalidade ao Brasil induzido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem,  Trial... é que de fato nunca senti a necessidade de fazer tal tratamento! A doença vive comigo  há 57 anos. Nasceu comigo, de parto. Atravessou uma infância pobre,  conviveu&amp;nbsp; numa juventude espancada pela ditadura, esteve comigo na  imaturidade das minhas ilusões, nos casamentos desfeitos, e até nos momentos de alegria. Sabe... há quase 40 anos trabalhamos juntos. Aposentamos juntos, e ainda juntos diante da necessidade damos nossos pulos na informalidade de uma banquinha de&amp;nbsp; livros de 2a mão no Largo da Concórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim...mas.. - Tenta protelar Fredo Trial. Contudo a hora do apresentador passara. Aquele momento pertencia ao Véio China, e ele sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe Trial...somos eu e a minha doença mais  dois brasileiros que envelheceram juntos. Apenas mais dois andarilhos recorrentes das  humilhações nas filas do SUS, vilipendiados por olerites escarnecidos de paupérrimas aposentadorias pagas pela União. Aposentadorias essas que não nos permitiriam&amp;nbsp; sequer pagar o&amp;nbsp; aluguel de um quarto e sala na periferia de São Paulo. Portanto Trial, não fale do meu sono. Fale das dificuldades que vivo, das necessidades que passo apesar de tanto de mim ter dado a esse país. Vagabundos não se aposentam por tempo de serviço! Sabia, Trial? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fredo Trial o ouve atônito. Por essa ele não esperava; “Esse filho da mãe sabe como fazer uma chantagem emocional”– Rumina Fredo, entre dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na  casa, no confortável sofá do BBB as justificativas do China&amp;nbsp; sensibilizam os colegas. Liz  também se comove. Alguns deles deixam rolar a emoção em discretas lágrimas. O Brasil também se mostrara solidário, e sensível vota em  peso, talvez numa tentativa frenética de mudar o que já parecia  sacramentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrada a votação e passados menos de 10 minutos entre as peças de publicidade para a TV,  Fredo Trial anuncia o resultado; Pela sua feição tanto decepcionada já se previa o resultado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Com 51,09% dos votos....Você....Liz! Está eliminada! - Anuncia oficialemnte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vocês vão ter que me engolir" – Grita um Véio China pulando e socando o ar ao mais puro estilo do Rei Pelé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os  participantes abraçavam-no emocionados; ainda não se tinham dado conta  que no dia seguinte a vagabundagem se reiniciava. Cavalheiro, o Véio  suspende do chão&amp;nbsp; a enorme bagagem de Liz e juntos se encaminham até o portal  de saída onde será recebida por Trial, familiares e torcedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ela transpor o portal, eles se abraçam enquanto ele sussurra para ela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Foi pena, Liz! Definitivamente você era a melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu  sei! – Ela responde – Porém você foi esperto. Percebi a tua joagada -&amp;nbsp; Ela responde enquanto se encaminha para o portão de saída. Ele a vê sumir pela porta. Os pensamentos não lhe largam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na  mente daquela sujeito de cabelos ralos reprisam velhas imagens dos vídeos dos Mundiais de 50, 54, 74. Brasil, Hungria e Holanda eram  descaradamente os melhores, e não levaram.&lt;br /&gt;Depois só o imenso alarido lá fora: parecia  dia de jogo de Palmeiras x Corinthians, de Flamengo x Fluminense.&lt;br /&gt;Ele apura os ouvidos com as mãos em concha e escuta da galera “Liz Liz Liz Liz” &lt;br /&gt;Logo depois “Véio Véio Véio Véio”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorri. E sorrindo segue o caminho de pedras brancas, caprichosamente  dispostas no gramado, fazendo um caminho que o levará a sede. Ele sabe que tudo se faz motivo para um  show, ele é parte disso.&lt;br /&gt;E o show, como dizem, jamais poderia parar. Ele  sabe que nada mais é que um festival de tempo perdido, de fatos tolos, coisas fúteis e&amp;nbsp; falsidades planejadas. Ele tenta compreender a necessidade da  nação por ídolos. Ídolos tão inúteis e fúteis quanto às fumaças que  desaparecem pelos vãos dos dedos dos fumantes impregnando pulmões incautos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe se ele não poderia vir a ser a pessoa mais amada do Brasil?&lt;br /&gt;Claro! Um inútil famoso por 30 ou 40 dias, não tinha problema!&lt;br /&gt;Ele  estava cansado de saber de tudo isso. As manipulações, em maior ou menor grau jamais lhes passaram desapercebidas.&amp;nbsp; Sempre ele soube que  a lábia é capaz de conduzir mansamente o mais feroz dos bois ao  matadouro. E ele era prova cabal; acabara de penetrar na sensibilidade dum Brasil  sedento por mentiras. Aquilo fora uma farsa! Alias a farsa mais séria da  sua vida.&lt;br /&gt;E agora finalmente compreendia&amp;nbsp; que tanto quanto os outros estava ávido por aqueles dois milhões de reais.&lt;br /&gt;“Custe o que custar” – Disse para si ao sentir a tendenciosidade de Fredo Trial.&lt;br /&gt;E foi naquele momento que descobriu o quanto valia a pena competir.&lt;br /&gt;E agora era pra ganhar! Ganharia? Ele não sabia! &lt;br /&gt;Sabia sim que para haver chances razoáveis deveria elaborar boas estratégias. &lt;br /&gt;E, estratégias, eram com ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010Nov&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-7131560723683719805?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/7131560723683719805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=7131560723683719805' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7131560723683719805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7131560723683719805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/o-bbb-do-bar-do-escritor.html' title='BBFB -  O BBB do Bar do Escritor -'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TP123hYT7jI/AAAAAAAAAE8/-geYsrN1o_Q/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5572473333871260570</id><published>2010-12-05T00:59:00.076-02:00</published><updated>2010-12-06T12:45:19.786-02:00</updated><title type='text'>Dezesete anos, bonito, sensível e viciado em bloodmary</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPr8BezPOqI/AAAAAAAAAE4/2ZEDPWPXCEY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPr8BezPOqI/AAAAAAAAAE4/2ZEDPWPXCEY/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu chegara em casa mal pra caramba. A angústia viera comigo pelo caminho onde tudo parecia triste, inlusive as lágrimas estacionadas nos meus olhos. Decididamente eu não choraria – Eu era macho, muito macho – Disse para a gota que aflorou. E além do mais, chorar pra que? – Tentava me conformar – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao colocar as chaves na porta percebi que havia algo estranho. O som numa altura insuportável vinha pelo corredor, atravessava a sala e reverberava em meus ouvidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas que merda seria aquilo? Meus pais estavam viajando, Benê (de Benedita) nossa empregada, em férias coletivas (Sempre que meus pais viajavam cismavam em dar férias&amp;nbsp; pra coitada da Benê). E ainda mais porquê não havia ninguém. Ah sim!&amp;nbsp; Havia o meu avô. Mas o velho pouco ou quase nada falava e se&amp;nbsp; refugiava em seu dormitório mais que qualquer outra coisa. Aliás, o local que eu apelidara de bunker, cercado de mistérios e segredos onde ninguém tinha autorização para entrar, nem mesmo a minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, só foi o velho marcar bobeira uma única vez&amp;nbsp; para que sentindo-me vitorioso descobrisse os seus tolos mistérios. Lembro-me que ao entrar me deparei com as paredes forradas de pôsteres dos seus ídolos e amores. Por la desfilavam Leila Diniz com uma rosa vermelha nos cabelos, miss Marta Rocha,&amp;nbsp; Rachel Welch e Brigitte Bardot. Um pouco mais adiante o mártir de todas as gerações; Che Guevara, os&amp;nbsp; Beach Boys,&amp;nbsp; Beatles e a bandeira do Esporte Clube Madureira.&amp;nbsp; No lado oposto uma enorme&amp;nbsp; flâmula da Beija Flor ladeava com Eder Jofre, Jerry Lee Lewis, Creedence Revival,&amp;nbsp; Bob Dylan, AC\DC. E por fim,&amp;nbsp; na cabeceira de sua cama um sorridente John Fitzgerald Kennedy diante o casal Jean Paul Sartre e&amp;nbsp; Simone de Beauvoir. Todos me pareciam fazer sentido, exceto o AC\DC, já que não sabia o que&amp;nbsp; Angus poderia ter em comum&amp;nbsp; com os aqueles sujeitos, muito menos com a idade do vovô. Talvez o pai de meu pai&amp;nbsp; fosse aquilo que pudessemos rotular de.... um figuraça. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ensimesmado avancei e ganhei o corredor e notei que o som nascia em meu quarto, mais precisamente no meu Pró-1200 – um antigo amplificador da Gradiente que agüentava um pau danado junto ao par de pesadas caixas acústicas “Jumbo”&amp;nbsp; da mesma marca e da boa década de 70.&amp;nbsp; Gostava de curtir esses aparelhos unitários, toca CDs, tape-deck, equalizador, sintonizador, já que além de agüentarem bordoadas, sabia de onde partia o defeito quando surgido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Caraca! Seria o velhinho que curtia&amp;nbsp; “Hells Bells” naquela altura? Pra saber só entrando. Entrei. As vidraças da minha janela trepidavam ante o som avassalador. O velho dançava ao mais puro estilo Angus Young, levantando uma das pernas, indo em frente, saltitando, tocando uma guitarra imaginária. Em cima da minha mesa de cabeceira uma garrafa da vodka Sputnik pela metade. Em sua frente um copo quase vazio. Ao me notar&amp;nbsp; o velho não deu o menor sinal de ter ficado surpreso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;“Hells bells/&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Hells bells, you got me ringing/&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Hells bells, my temperature's high/&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Hells bells” &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vovô acompanhava o AC\DC – Era simplesmente inacreditável o vigor do velho. Ele dançava com uma das pernas semi eguida. Eu via a sua boca se mexer, mas sem que lhe precisasse&amp;nbsp; algum som, exceto a voz&amp;nbsp; esganiçada de Brian Johson que trovejava em meus ouvidos. Eu também sou da turma do rock, mas meu gosto era literalmente oposto ao que vovô curtia. Assim que a música terminou ele diminuiu o volume.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Fala, seo bunda mole! Vá la cozinha pegar um copo pra você! Aproveite e traga uma garrafinha de suco de tomate que ta na geladeira. E ah, não se esqueça o vidrinho de pimenta, sal, limão e muito gelo. – Ele pediu ao colocar três dedos de vodka em seu copo –&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Bunda mole”? – O meu avô nunca tinha falado comigo daquela maneira. Será que o velho estava pensando em se suicidar? – Cada coisa maluca que ele pedira. Em todo caso fui à cozinha e trouxe-lhe o que indicou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vô, pra que esse monte de bagulho? – Perguntei curioso ao colocar tudo em cima da rack do meu computador.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Hoje você vai conhecer o bloodmary. Bebida de macho!&amp;nbsp; – Ele me disse grave e depois abriuc um sorriso sacana. Era a primeira vez que eu bebia algo com meu avô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais estiveramos tão próximos -Concluí. - enquanto ele despejava a vodka em meu copo, depois o suco de tomate, seguindo-se as gotas de pimenta, de&amp;nbsp; limão,&amp;nbsp; e uma pitada de sal.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Por fim misturou tudo com uma colher , adornou com duas pedras de gelo e me mandou&amp;nbsp; beber.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Um gole profundo, anda! –Incentivou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez me fizesse bem beber. Eu acabara de voltar da casa da Aninha, minha namorada, aliás, ex-namorada. Ela havia me dado um pé na bunda&amp;nbsp; pra ficar com um carinha do cursinho da Poli&amp;nbsp; -&lt;br /&gt;" Alex, entenda por favor! Estou apaixonada por um sujeito mais maduro que você" -&amp;nbsp; Ela confessou enquanto me devolvia o skate que&amp;nbsp; guardara&amp;nbsp; quando cheguei - "Quer saber, Aninha? – Vá se foder!" –&amp;nbsp; Ruminei&amp;nbsp; num murmúrio assim que ela&amp;nbsp; me deu as costas para desaparecer por detrás da porta da sala. Eu me fodera;&amp;nbsp; Eu amava a loirinha de&amp;nbsp; peitos 46 e manequim 38. Valéria era três anos mais velha que eu. Talvez fosse essa diferença o motivo da minha grande paixão, vá se saber.&amp;nbsp; Tentando me desviar dessas lembranças&amp;nbsp; fiquei olhando o velho preparar a sua bebida&amp;nbsp; – “Vamos lá! manda ver!” - Ele ordenou ao tocar o seu copo no meu. Olhei para a bebida de cor atraente e enfiei goela abaixo aquele treco de gosto horrível. Eu era macho, muito macho!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Bom, né? – Ele me pergunta. Eu não queria desapontá-lo, portando levantei o polegar num sinal de positivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O velho sorveu o seu copo em no máximo quatro grandes goles. Terminado voltou para meu aparelho de som e colocou outra faixa. Dessa vez foi a “&lt;span class="watch-extra-info-left"&gt;For Those About to Rock”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;“&lt;/span&gt;For those on the line and those on the make,&lt;br /&gt;we salute you, yeah&lt;br /&gt;We salute you, we salute you&lt;br /&gt;We salute you&lt;span lang="EN-US"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os caras cantavam. O velho ordenou para que eu desaparecesse com o bloody do meu copo. Dei umas cinco ou seis talagadas e sumi com aquele líquido carmim que descia rasgando. Aquilo apesar de não ser bom tava me dando barato. Terminado ele preparou mais dois e novamente&amp;nbsp; bebemos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Ah, Aninha! Sua vaca! Tinha que me chutar pra ficar com aquele babaca?”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu pensava enquanto o som penetrava em meu espírito. Aqueles dinossauros do AC\DC tinham as manhas de fazer um rock maneiro. Claro, nada de moderno, mas,&amp;nbsp; pesado e competente. No fim do nosso segundo drink&amp;nbsp; a Sputnik&amp;nbsp; havia terminado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vô! Eu quero mais dessa merda! – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Pega leve, garoto! Pega leve! – Ele alertou. Eu não entendi qual era daquele velho safado; primeiro me manda beber,&amp;nbsp; depois, maneirar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois daquele copo eu me senti bêbado, completamente bêbado. Aquela coisa tinha me devastado. O bloodmary era bem diferente dos Ice que eu estava acostumado&amp;nbsp; beber. O som persistia enquanto ele preparava mais drinks. Eu não relutava e bebia e meu olhar e sentimentos se perdiam no cadência do contrabaixo e nos diabólicos riffs de Angus.&amp;nbsp; - “Ah Aninha, por quê? Por quê? - Eu me atormentava&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No início do terceiro bloody&amp;nbsp; la estava eu dançando com meu avô.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;“Back in black, I hit the sack&lt;br /&gt;I've been too long, I'm glad to be back&lt;br /&gt;Yes I'm let loose from the noose&lt;br /&gt;That's kept me hangin' about”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A cabeça rodava e eu sentia que não podia parar, então dançava. Cruzávamos um à frente do outro pulando tal qual canguru. Aquilo estava divertido e eu pegara o jeito que Angus fazia com a perna. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vô, quer saber? ! A Aninha é uma grande&amp;nbsp; filha da puta! – Eu disse enquanto ele foi ao aparelho colocar outro&amp;nbsp; CD pra rodar.&amp;nbsp; Pelo jeito naquela noite só ia dar&amp;nbsp; AC\DC. .&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Quem? Ah! a Aninha... É&amp;nbsp; aquela loirinha de bunda magra e peitos grandes? – Pelo jeito nada passava&amp;nbsp; desapercebido por ele..&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É vô! É essa mesmo – Confirmo.&amp;nbsp; Em meu rosto algo parecia estar incomodado por sentir-se represado. Foi então que elas desceram fazendo um caminho até o queixo. Meu avô percebeu. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Guarde um pouco dessas lágrimas, garoto – Ele disse – Você necessitará de muitas em sua vida. O problema&amp;nbsp; é se secarem. - A sua voz soava dura, gélida, insensível. Talvez meu avô jamais tivesse amado. Talvez nem soubesse o que era o amor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vô, o senhor chora? – Perguntei enquanto tentava disfarçar esfregando&amp;nbsp; o dorso&amp;nbsp; da mão nos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Choro, claro! Choro, ouço AC\DC e encho o cu de bloodmary – Ele respondeu gelado como um iceberg.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi então que notei; ele também devia estar com seus problemas. Mesmo envolto em pensamentos confusos e complexos&amp;nbsp; eu percebia agora o toque que ele me dera: “Não deixe que sequem” – Sua voz&amp;nbsp; carregava o peso dos erros enquanto na boca&amp;nbsp; o gosto de um sangue putrefato e anoitecido fosse sentido.&lt;br /&gt;Para mim os bêbados deviam parecer tristes. Eu estava triste.&lt;br /&gt;Então entornei mais um gole quando&amp;nbsp; surgiu a primeira ânsia e com ela só o tempo de trôpego ir ao banheiro e vomitar. &amp;nbsp;E eu vomitei. Vomitei&amp;nbsp; muito, vomitei&amp;nbsp; tudo o que havia para ser vomitado; detritos alimentares, vodka, suco de tomate, e por fim, &amp;nbsp;Aninha. Esbarrando em objetos, derrubando coisas&amp;nbsp; pela casa eu retornei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Duro na queda,&amp;nbsp; ele persistia dançando com aquele&amp;nbsp; estrambótico passo&amp;nbsp; de Mr. Young. Um sujeito e seus&amp;nbsp; 63 anos se equilibrando, pétreo, e naquilo que&amp;nbsp; fazia toda a diferença entre o de ser louco ou estar são.&lt;br /&gt;E&amp;nbsp; bebia, bebia com mesmo vigor da idade que não mais possuia, enchendo o&amp;nbsp; rabo com seus&amp;nbsp; bloodmarys,&amp;nbsp; suportando o peso das tantas mágoas por vezes&amp;nbsp; mais encorpadas que sua própria compleição. Contudo,&amp;nbsp; para os poucos que o conheciam,&amp;nbsp; suas lágrimas se tornavam perceptíveis mesmo que não desaguassem. Provavelmente ele estivesse cansado desse jogo todo,&amp;nbsp; do feio sobressaindo ao belo, as desgraças às bençãos. E isso me deixava esperto para o quanto essa vida poderia me surpreender&amp;nbsp; - Concluí. &lt;br /&gt;" You shook me all night long" - Mr. Brian começava a cantar &amp;nbsp; enquanto eu atravessava o quarto imitando Angus Young e meu avô. A bebida&amp;nbsp; se aproveitava e curtia seus restos de efeitos em mim.&lt;br /&gt;Eu tinha um avô, um mestre, e aquilo começava parecer interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti Dez2010&lt;br /&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-5572473333871260570?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/5572473333871260570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=5572473333871260570' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5572473333871260570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5572473333871260570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/dezesete-anos-bonito-sensivel-e-viciado.html' title='Dezesete anos, bonito, sensível e viciado em bloodmary'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPr8BezPOqI/AAAAAAAAAE4/2ZEDPWPXCEY/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-8904938987884845615</id><published>2010-12-03T22:01:00.009-02:00</published><updated>2010-12-04T20:56:11.811-02:00</updated><title type='text'>Andie MacDowell que me perdoe! ( Para Rosa Cardoso)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPl31v9LMdI/AAAAAAAAAE0/e1VxnBKS0ys/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPl31v9LMdI/AAAAAAAAAE0/e1VxnBKS0ys/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sentia-me ansioso ao aguardá-la ali entre os cotovelos de algumas dezenas  de pessoas. Era chegado o dia de conhecer uma das minhas poetisas  prediletas que vinha à São Paulo unicamente para conhecer seus  amigos escritores. &lt;br /&gt;Aliás, o meu estado parecia ir além da ansiedade já que  ardia em meu peito uma alegria quase juvenil que fez-me revoar em rgressão aos meus 14 anos. Resguardadas as devidas proporções, era como  se me devolvessem o tempo e a admiração quase santa que nutri pela  professora de francês no meu 4º ano ginasial. “Saviez-vous que je vous  aime, ma chère?” - ela costumava dizer-me à saída das aulas, sempre aos  beicinhos e de uma meneira que eu gostava de supor provocante. &lt;br /&gt;Talvez  os seus olhos amendoados e o belo par de pernas por debaixo de suas  saias sempre justas, aliados ao meio palma acima do joelho me causassem compreensivo pânico. No fim das contas um “oui” era a única resposta que eu lhe  tinha antes de abandonar a sala e ganhar o alarido dos corredores. – Deuses jamais  estariam sujeitos à profanações - Era a conclusão que chegava a cada  de suas insinuações, brincadeira ou não. Lógico,&amp;nbsp; conspirava contra a lascícia o respeito que sentia por dona Catarina, ainda mais diante  do fato dela ter sido minha professora desde o 1º ano daquela série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez&amp;nbsp; a recordação pouco ou nada tivesse a ver com a poetisa que eu  aguardava. Todavia encontrava-se lá a mesma excitação dos tempos das aulas de francês, lembranças que de mim não desgarravam ao esperá-la na ala de desembarque do Aeroporto de Congonhas. Conforme o que combináramos eu viera munido da placa indicativa com meu nome&amp;nbsp; - “Véio China” -&amp;nbsp; o que deveria facilitar o reconhecimento.&lt;br /&gt;Repentino,&amp;nbsp; um imenso alarido e o saguão é tomado por outras dezenas  de pessoas portando&amp;nbsp; cameras e filmadoras  profissionais. “Nossa! O que poderia ser?” questiono-me ao perceber o&amp;nbsp;  bando se infiltrando entre nós, deixando-nos ainda mais espremidos. Um pouco mais de correria generalizada e os “clicks” das máquinas foram&amp;nbsp; ouvidos às dezenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flashes espocavam como se querendo fazer sol&amp;nbsp; naquele início de noite de  um dia de calor modorrento. Repentinamente ela surge pelo saguão interno. Era ela!&amp;nbsp; O andar refinado num par de saltos 12, clássico, espetacular. Os flashes persistem espocando em sua homenagem.&lt;br /&gt;Uau! Era para a minha linda poetisa todo aquele aparato?&lt;br /&gt;Claro! La estavam os paparazzi&amp;nbsp; a sua espreita,&amp;nbsp; o que não deixava margem para qualquer outra interpretação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  isso me deixou feliz. Contente ao presenciar o fato que sua poesia, de alguma forma&amp;nbsp;  havia galgado os horizontes impostos àqueles que pretendam se tornar  celebridades. Chegara no topo, no mais alto dos&amp;nbsp; degraus sem que eu soubesse como foram vencidos. Me era uma gratíssma surpresa! Todavia  sentí-me incomodado; E se perguntassem para ela quem era o&amp;nbsp; senhor  de barba branca e óculos negros que lhe pareceu tão amigável? Quem seria aquele sujeito de ares desgastados com um cartaz&amp;nbsp; irregular em folha de cartolina? Eu pressenti-me&amp;nbsp;  insignificante naquele momento que me foi impossível não acatar à mesma conclusão dos  tempos de ginásio – deuses jamais deveriam ser incomodados – Diante a definição nada mais me restou se não esconder o cartaz –&amp;nbsp; Talvez ela nem tivesse&amp;nbsp; notado&amp;nbsp;&amp;nbsp; –&lt;br /&gt;Notara sim! Tanto que vinha sorridente ao meu encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nice  to meet you. You seemed very nice! – Ela disse-me à queima roupa –  Permaneci estático. Mas por que estaria falando comigo em inglês ? –&amp;nbsp; Me questionei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  não sabia o que poderia estar se passando por debaixo daqueles cabelos sedosos e de um  perfume delicioso. Esnobismo, talvez? Não! Impossível! Jamais lhe  percebera tal ranço. Em todo o caso eu não seria&amp;nbsp; indelicado,  então lhe respondi timidamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! Você também é tão ou mais simpática e bonita que em suas fotos de Orkut - &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-What? Orkut? what has this to do? – Ela rebateu olhando com certa surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu continuava sem compreender. Ainda mais que os paparazzi  avançam para uma nova sessão de fotos. Eram mal educados, grossos,&amp;nbsp; berravam, urravam,  gemiam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Please, Andie MacDowell, join the old man! Please! – Rogavam num inglês que se pretendia surtir efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Andie  MacDowell? Jesus Cristo, ela é a Andie MacDowell? - Balbucio  estarrecido. Então tudo me fez sentido ao relembrar suas fisionomias e  os traços dos rostos e sorrisos. - Como eram parecidas a minha amiga e Andie MacDowell! – Concluí  abismado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E surpreso eu sentia os cotovelos dos fotógrafos nas minhas costelas e  aquilo me incomodava. Eles que fossem à puta que pariu! Malditos caçadores de celebridades! Eu não precisava daquela corja pedindo para a senhora  MacDowell&amp;nbsp; posar ao meu lado, ou melhor; ao lado de um velho  decrépito– “Abutres sensacionalistas! Quanta falta de respeito!” –  Indignei-me e irado regurgitei para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo o surrealismo daquilo me faz olhar à volta e perceber o enorme equívoco que eu cometera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  tinha ido parar no&amp;nbsp; desembarque dos vôos internacionais, quando  de fato deveria estar na ala dos nacionais. Olho para o relógio e passava mais de 25 minutos do horário previsto para o pouso do seu vôo – “Meu  Deus! Numa hora dessa ela deve ter desembarcado” Exclamei para mim, apreensivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-What? – Novamente&amp;nbsp; lady MacDowell&amp;nbsp; me pergunta. Certamente ela não entendera uma única palavras que dirigi àqueles idiotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  tentava me desvencilhar dela e da multidão enquanto lady MacDowell  insistia nos olhares sem que eu entendesse os motivos; parecia que  ela se afeiçoara à mim. Talvez a minha feição lhe fosse excessivamente familiar e a fizesse lembrar o pai,  o tio, o avô, ou mesmo algum velho amante de flagelos, coisa  muito comum entre esses atores carismáticos. Em todo caso não me havia  tempo e nem vontade de descobrir. Olhei para Andie e acariciei as maçãs do seus rosto enquanto lhe dava o melhor dos meus sorrisos; Era agradecimento.&lt;br /&gt;Em  seguida estiquei o pescoço, pus-me nas pontas dos pés e lhe dei um respeitoso beijo na fronte. Ela pareceu gostar. Comovida fecha os olhos como se aquilo fosse um  cerimonial na entrega do Oscar.&lt;br /&gt;Antes de desaparecer de sua vista estaciono o meu olhar em seus  expressivos olhos castanhos esverdeados e procuro me fazer compreender no meu  sofrível inglês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Andie! His eyes are wonderful. And you're a  talented actress and success. However, there is poetry in his eyes -  Falo mansamente sem a certeza de estar usando as palavras certas, mas esperando compreenda, sem enganos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda  ouço o último dos seus “what?” enquanto saio em disparada para a outra ala. Eu estava atrasadíssimo&amp;nbsp; no meu encontro com  a poesia.&lt;br /&gt;Eu não mentira para a senhora MacDowell. Havia enorme beleza em seus olhos e a intrigante curiosidade minha ao deparar com alguém de tanto sucesso e de reconhecimento internacional. Contudo, apesar da beleza não havia poesia naquele olhar.&lt;br /&gt;E ainda mais porque não seria Andie MacDowell que me deteria o prazer&amp;nbsp;  encontrar-me com uma de minhas poetisas. E no atraso apertei o passo ainda mais e suo em bicas ao chegar aonde  deveria estar desde o princípio. Olho para os meus pés que latejam  dentro do tênis menor do que deveria ser. Passo-me em revista e percebo que a&amp;nbsp; placa encontra-se na&amp;nbsp; minha mão e adormece à altura do joelho direito. Encho-me de heroísmo e levanto o cartaz enquanto a  procuro com o olhar. Súbito, por trás de mim sinto um leve toque no  meu ombro esquerdo. Viro incontinenti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seu velho safado! Eu já  tinha te visto! Nem precisei da tua placa! Reconheci pela barba e os óculos  escuros! – Ela exclama divertida. Cansado do jeito que me encontrava, à princípio só  consegui responder um “Pois é” Porém ela queria falar, demonstrar a sua  felicidade ao estar ali. E além disso o seu senso de humor era ótimo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-China, aposto que  se eu fosse a Andie MacDowell,&amp;nbsp; você&amp;nbsp; estaria me esperando na 1ª fila  há mais de meio século! – Exclama uma sorridente Rosa Cardoso. Eu retribuo;&amp;nbsp; Nós sempre brincáramos com aquela coisa dela  se parecer demasiadamente com&amp;nbsp; Andie MacDowell. Porém ela não sabia da missa um terço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei sorrindo, à princípio, discreto, divertido, "China, aposto que  se eu fosse a Andie MacDowell..." sua frase reverberava em minha mente. E as cenas de momentos antes se reprisavam, grotescas, ridículas, e isso me fez rir, alto, espalhafatoso e  depois&amp;nbsp; largar-me em gargalhadas incontroláveis. Surpresas, as pessoas que passavam  nos olhavam, aliás, mais à mim que a ela ja que não supunham o que podia se passar pela cabeça do velho louco. &lt;br /&gt;E assim foi por mais de minuto e até se tornarem doloridas as contrações que as gargalhadas me provocavam.&amp;nbsp; Decididamente,&amp;nbsp; Rosa Cardoso deve ter considerado a hipótese de estar diante dum demente.&lt;br /&gt;E ela simplesmente persistiu sorrindo, sorrindo, sorrindo.... sem nada compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010Dez&lt;br /&gt;Véio China©&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***Rosa Cardoso é uma das poetisas exponenciais dentro desse novo universo literário tupiniquim.&lt;br /&gt;Dona  de sensibilidade e lirismo impar, nada mais me restou se não a grata  oportunidade de homenagear&amp;nbsp; minha querida amiga. Afinal...ela também  ansiava por esse encontro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-8904938987884845615?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/8904938987884845615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=8904938987884845615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8904938987884845615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/8904938987884845615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/12/andie-macdowell-que-me-perdoe-para-rosa.html' title='Andie MacDowell que me perdoe! ( Para Rosa Cardoso)'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPl31v9LMdI/AAAAAAAAAE0/e1VxnBKS0ys/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1477484104915731937</id><published>2010-11-28T02:48:00.014-02:00</published><updated>2010-11-28T03:38:19.447-02:00</updated><title type='text'>E por falar em poesia......</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPHKHQSi4_I/AAAAAAAAAEs/vh0HvMl4hV8/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPHKHQSi4_I/AAAAAAAAAEs/vh0HvMl4hV8/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ele saíra de um desses prédios comerciais onde fora entregar para a firma&amp;nbsp; alguns  contratos importantes e que deveriam ser vistados pela outra parte. Já&amp;nbsp; na rua, sentou-se numa das mesas dum barzinho da moda e em plena Av. Juscelino Kubitschek. Olhou para o relógio; quase 18 horas dum estúpido horário de verão. Olhou também para o cardápio e deu por falta do rol de bebidas. Estalou os dedos e chamou o garçom que voltava de uma mesa próxima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Meu rapaz, você pode me servir uma dose da Sputnik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espu... o quê senhor? - O garçom arregala os olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sputnik! - Paciencioso esclarece e depois complementa - Sputnik é uma vodka, nacional, muito boa por sinal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, é uma pena, mas,&amp;nbsp; não temos, senhor! – Ele confirma e depois sugestiona - Senhor, o que temos é uma polonesa,&amp;nbsp;  ótima, aWiborowa, ou, se preferir a Stolichnaya, russa. Maravilhosas, ambas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Humm... e quanto sai a dose? - O senhor pergunta-lhe com um olhar cravado no desinteressante cardápio. Talvez o incitador dessa&amp;nbsp; apatia foi o preço do primeiro sanduíche que pousou os olhos&amp;nbsp; - X  Burguer à moda do Rei - 28 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem...A polonesa, 42 reais. A russa, 46,&amp;nbsp; a dose,  senhor! - Ele respondeu num sorriso encabulado - Claro, a essa altura o garçom devia ter percebido os trajes do sujeito que,&amp;nbsp; aliado à deplorável aparência de sua barba de&amp;nbsp; mais de três dias faziam-no um peixe fora da água e&amp;nbsp; bem distante das praias que costumava frequentar. Em todo o caso, o forasteiro se surpreende com os valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nossa! Tudo isso? -&amp;nbsp; Assusta-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem  senhor.... em promoção temos a tônica da Antártica. Dois reais e  cinqüenta! Sabe como é, né? Esses jovens não querem saber de água  tônica. Pra falar a verdade acredito que nem saibam que gosto tenha –  Completa com ares de&amp;nbsp; propriedade naquilo que fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cliente o olha de cima àbaixo. Ele tal qual o garçom&amp;nbsp; também viera de  baixo, ele podia perceber. E vindo de baixo&amp;nbsp; tinha a certeza de quanto é duro subir nessa selva de vidraças e concretos. Contudo, simpatizou-se pelo rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Seu  nome? - Ele pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Genivaldo, senhor! - Devolve-lhe o garçom&amp;nbsp; dirigindo-lhe a mão em cumprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Prazer! Gonçalves –&amp;nbsp;&amp;nbsp; Retribui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele pede ao rapaz&amp;nbsp; duas garrafinhas de 290 ml&amp;nbsp; daquele refrigerante; era necessáio se refrescar do calor que rachara mamona naquele tarde embolorado.&lt;br /&gt;Talvez Genivaldo fosse um sábio ou uma criatura bondosa como Madre Teresa de Calcutá, afinal  poderia ter-lhe&amp;nbsp; indicado o boteco mais próximo e que fugisse daquele  corredor de ostentação. Portanto, com a sua simpatia induziu-o às duas garrafetas,  pressentindo talvez que o sujeito estivesse propício á embebedar-se&amp;nbsp;  caso encontrasse preços compatíveis com o poder aquisitivo do su bolso  pelos bares da redondeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocadas em cima da mesa, o velho despejou o conteúdo num&amp;nbsp; copo alto e sorveu o líquido em fortes talagadas,&amp;nbsp; estalando a língua no céu da boca assim que o copo se esvaizou.&amp;nbsp; Genivaldo sorriu.&lt;br /&gt;Atrás  do forasteiro, numa mesa,&amp;nbsp; dois garotos e uma garota riam alto. Ele olhou para&amp;nbsp;  eles e percebeu que eram bem bonitos e que vestiam roupas caras, de grife, e provavelmente estivessem ali às custas de seus carros do ano e contas de poupanças mantidas pelos pais. Continuou bebendo seu refrigerante enquanto  os observava pelos cantos dos olhos. Eles continuavam rindo, rindo muito,&amp;nbsp; sabe-se la de quê. Repentinamente os risos foram cessando quando um deles consultou  um laptop colocado à sua frente. Achado o que procurava, o silêncio. Ele pigarreia duas vezes, enquadra os ombros numa postura ereta&amp;nbsp; e solta a voz na declamação de um poema; uma poesia de sua criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que pensaram as araras,&lt;br /&gt;divisando ao longe as naus&lt;br /&gt;naquele dia de abril?”&lt;br /&gt;Que terão pensado as onças,&lt;br /&gt;as tainhas e os saguis&lt;br /&gt;quando os botes do homem branco &lt;br /&gt;vieram dar ao litoral?&lt;br /&gt;Teriam previsto o destino?&lt;br /&gt;Teriam sentido que......." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma poesia de época e que retratava um Brasil descoberto, as  aflições, os transtornos que esse descobrimento causou aos povos indígenas,  à flora e à fauna.&lt;br /&gt;De onde ele estava pode ouví-lo com toda  clareza; o poema seguia linhas descompromissadas com o sentimento do ser  ou de suas inexploradas profundezas.&lt;br /&gt;E o seu poema era lido sem  interpretação, raso, um desses que não se envolvem em demasia, que não&amp;nbsp; falam&amp;nbsp; da dor, do amor e nem de nada que demande alguma  carga emotiva contundente. Ao terminar&amp;nbsp; pode ouvir dos&amp;nbsp; amigos que o acompanhavam os mais efusivos elogios: “Oh, que  bárbaro” ... “Putz, cara! Que bacana!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu. De fato não  gostara do poema com um todo. Houvera sim uma ou outra parte  interessante, porém distante das viscerações e daquilo que ele tinha como valores. E analisando a situação concluiu que&amp;nbsp; hoje,&amp;nbsp; mais que  ontem,&amp;nbsp; lhe parecia que o importante era ser o explorador dos seus próprios  oceanos. Que era necessário mergulhar e de lá submergir trazendo consigo as dores, esperanças e  as desilusões que não foram encontradas na superfície, mas que certamente estariam&amp;nbsp; escondidas nas profundezas e entre as pedras mais rasteiras.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;E o tema?&amp;nbsp; Oras! Tanto faz! - Concluiu - Não lhe parecia importante desde que trouxesse sentimentos ao chegar-se na superfície.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a declamação os rapazes voltaram aos sorrisos e discutiam os caminhos da poesia enquanto o nosso cliente consultava o relógio se dando conta das horas.&amp;nbsp; Pago  os refrigerantes, apertou a mão de Genivaldo e seguiu o seu caminho;&amp;nbsp; ainda  pensava naqueles três. Sorriu novamente ao olhar para trás. Dessa vez um  sorriso cúmplice; Naquela idade ele também fora um contestador do seu  tempo. Recordou que&amp;nbsp; gostara de alguma de suas namoradas. Mas, gostava-as acima de tudo  quando entre de quatro paredes, sem&amp;nbsp; exposição.&lt;br /&gt;Amou algumas delas,&amp;nbsp; é verdade, mas não  admitia demonstrar publicamente o seu afeto. Palavras meladas então, nem pensar! À seu ver eram coisas sentimentalóides, de babacas! Claro, ele jamais quis&amp;nbsp; pagar o  mico já que sabia que seria interpretado pelos amigos como um mero atorzinho afeito aos dramalhões, assim como eram as novelas mexicanas de então.&lt;br /&gt;Portanto vencida a juventude e com a maturidade lhe batendo nos calcanhares foi necessário que mergulhasse nos mares da existência e de lá surgisse à tona com a sensibilidade debaixo de um braço e a fragilidade por baixo do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes  de dobrar a esquina parou e voltou o olhar. De&amp;nbsp; donde estava ainda era  possível ver-lhes as roupas.&lt;br /&gt;O rapaz de camisa amarela que aplaudira  a poesia parecia estar agora compenetrado no laptop do seu amigos,&amp;nbsp; provavelmente à caça de outros poemas&amp;nbsp; ou de fotos de garotas no HD . A garota loira,&amp;nbsp; de pernas bonitas e  lindamente bronzeadas atirava os seus lindos cabelos, ora para o lado,  ora para trás, enquanto&amp;nbsp; o poeta,&amp;nbsp; de camisa vermelha, não conseguia&amp;nbsp; traduzir que aquele lance da menina e dos seus cabelos eram&amp;nbsp; com ele. O velho sorriu saudoso do tempo.  Provavelmente jamais tinham alertado aquele poeta – Concluíu&amp;nbsp; - À ele alertaram sim! Isso quando entrou pela casa dos 14 ou 15: - "Filho, toda mulher que  insistentemente joga os cabelos enquanto conversa com você, é  porque tem a intenção de conhecê-lo mais intimamente – Instruiu-lhe o pai. Houveram muitas ocasiões em que seu pai errou já que nunca fora um sábio. Mas....e quanto a isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Te devo essa, velho! Isso naunca falhou! - Admitiu num sussurro de saudade. Depois sorriu para o nada, sacanamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre àquele garoto poeta,&amp;nbsp; ainda havia tempo para ele.&amp;nbsp; Tempo suficiente para que aprendesse essa e outras coisas da vida, além dos sentimentos e das esmeradas poesias, é claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010NOV&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1477484104915731937?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1477484104915731937/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1477484104915731937' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1477484104915731937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1477484104915731937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/e-por-falar-em-poesia.html' title='E por falar em poesia......'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPHKHQSi4_I/AAAAAAAAAEs/vh0HvMl4hV8/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-4937885156753032851</id><published>2010-11-27T17:44:00.013-02:00</published><updated>2010-11-28T00:11:59.046-02:00</updated><title type='text'>Rio 40 graus!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPFeKXgwUjI/AAAAAAAAAEo/8zzU35ykkZk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPFeKXgwUjI/AAAAAAAAAEo/8zzU35ykkZk/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bexigas amarelas, verdes, azuis estouravam ao contato de ínfimos gravetos colhidos no chão de terra. – A gurizada se deleitava entre brincadeiras de pega-pega e de pular cavalinhos. Surpreendentemente no aniversário outro balão acabava de espocar. Um balão humano e de sorriso arteiro mesmo&amp;nbsp; lhe faltando um dente. O que se viu foi o sangue esvair e manchar de encarnado o corpo pequeno e frágil de pouco mais de sete anos. O gosto da morte se apossou de tudo; do bolo de chocolate aos sanduíches de cachorro quente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nas vias de acesso ao morro homens fardados numa mescla de tonalidades do verde empunhavam metralhadoras poderosas pondo em polvorosa toda a comunidade. A cena era de terror. Tiros espocavam morro abaixo, morro acima. Nas ruas, veículos incendiados&amp;nbsp; pelas mãos do tráfico como se fossem tochas de balões indicando o aviso fatal;&amp;nbsp; Estamos aqui, venham nos buscar! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mais tiros à deriva se ouviam numa possibilidade infinda de ceifar outras vidas&amp;nbsp; ou atingir&amp;nbsp; outras gentes inocentes de tal gravidade que&amp;nbsp; nunca mais recuperassem seus movimentos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O cheiro da morte persistia na atmosfera. O vento sul&amp;nbsp; soprava nos estreitamentos daquelas vielas&amp;nbsp; deploráveis,&amp;nbsp; silêncio apenas entrecortado pelo trotar das ágeis pernas dos soldados e das vozes estabelecendo comandos. Nas entradas dos barracos nenhum morador;&amp;nbsp; todos enfurnados para dentro de suas portas de madeiras compensadas,&amp;nbsp; reclusos no próprio medo. Nas escadarias nenhum agrupamento de crianças, suas algazarras, muito menos o som pueril de seus pés serelepes escalando os degraus que as levavam morro acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto dali os braços abertos de uma estátua descomunal pareciam assimilar a violência. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela nos olava. Olhos pétreos que à tudo percebia e que pareciam chorar as mesmas lágrimas das nuvens, contudo, impotentes, e mesmo em&amp;nbsp; sendo o Cristo, não pôde fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte em meio ao trânsito caótico e na frieza dos envidraçados corredores das segundas feiras, homens fardados e autoridades civis se pronunciariam ante um batalhão de repórteres e microfones e TVs. Naquelas horas das mais tristes onde se perdeu gente inocente e não se chorou por filhos que não eram deles,&amp;nbsp; se baseiam em estatísticas para amenizarem o caos que nos vemos expostos-&amp;nbsp; “ Neste ano, se comparado ao &amp;nbsp;mesmo período do ano anterior,&amp;nbsp; veremsos que as mortes ocasionadas pela guerra do tráfico” reduziram em 25%&amp;nbsp; – Dirá um deles&amp;nbsp; dentro dum terno de boa marca e um sorriso eficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para eles, acostumados a estudar a desgraçada alheia como mero número estatístico&amp;nbsp; pouco importará que estejam há poucos momentos do laudo do&amp;nbsp; IML com o resultado da “causa mortis” da criança aniversariante – “Disparo de projétil de arma de fogo - calibre 38” –&amp;nbsp; Certamente confirmarão os caracteres de um laudo&amp;nbsp; gélido ante a insensíbilidade alva da folha de um computador.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nos céus o sol continuará cintilando, forte,&amp;nbsp; desumano, 40 graus,&amp;nbsp; enquanto&amp;nbsp; as areais se enamorarão das ondas sob os olhares plácidos de mulheres que se bronzeiam em toalhas estiradas. As agitadas ruas de bairro acolherão os feirantes que bradarão&amp;nbsp; suas bacias de um real.&amp;nbsp; No alto, o Redentor continuará de braços abertos numa postura impassível para mais um dia das sabidas desgraças.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nas vias, casas e escritórios outras guerras acontecerão, sejam elas do tráfico, de casais, de pais e filhos, amigos e inimigos,&amp;nbsp; ou mesmo,&amp;nbsp; dos chefes e seus subordinados.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Muitas sirenes se farão ouvir. Muitos choros&amp;nbsp; serão inaudíveis viscerando apenas um pranto de alma. - " O Rio de Janeiro continua lindo/O Rio de Janeiro fevereiro e março/Alô, alô, Realengo/Aquele Abraço" Gilberto Gil cantará em alguma caixa de som de qualquer&amp;nbsp; bar de orla. O turista o&amp;nbsp; ouvirá sorridente&amp;nbsp; e meneará os quadris numa tentativa&amp;nbsp; desastrada de repetir com&amp;nbsp; sucesso os passos vistos num mestre sala vencedor do carnaval.&lt;br /&gt;" O Rio de Janeiro continua lindo" Insistia o poeta. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Copirraiti 2007/2010&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Véio China© &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-4937885156753032851?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/4937885156753032851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=4937885156753032851' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4937885156753032851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/4937885156753032851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/rio-40-graus.html' title='Rio 40 graus!'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPFeKXgwUjI/AAAAAAAAAEo/8zzU35ykkZk/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1284306017198949732</id><published>2010-11-23T06:53:00.015-02:00</published><updated>2011-01-21T04:31:26.151-02:00</updated><title type='text'>A morte pede carona na ABL</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOt2pq3_XyI/AAAAAAAAAEg/mdvNr2TkC-4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOt2pq3_XyI/AAAAAAAAAEg/mdvNr2TkC-4/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Sabiam que peixes se constituem animais perigosos?&lt;br /&gt;Sim! Saborosos, mas de alta periculosidade!&lt;br /&gt;Entre eles posso citar o mais terrível: O “We are Champion”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  que muitos não sabem sobre o “We Are Champion” é que é um peixe de água  doce e se origina no Rio Tamisa, na Inglaterra, berçário de sua  espécie. E o fato nos passou despercebido até que foi trazido ao Brasil  da era colonial pelos fidalgos ingleses, assíduos freqüentadores dos  salões de Buckingham. Também não devem saber que esse peixe fornece uma  carne compacta e de sabor inigualável. Contudo, apesar de tantos  predicados o We are Champion veio junto com alguns dissabores,  tornando-se algoz de muitos de nossa corte ante o despreparo de nossos  "chefs" no processo do estripamento e preparo do peixe, e o que permitia  que, camuflados, seus perigosos espinhos fossem à frigideira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta  a história que numa noite chuvosa da década de 20, na Academia  Brasileira de Letras, o We Are Champion foi servido num jantar de gala.  Milionário e sabedor dos segredos gastronômicos contidos aos redores do  mundo, sigilosamente um dos imortais reproduziu a espécie em cativeiro e  quis surpreender seus pares com um fausto jantar onde pudessem conhecer  a inimaginável iguaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi; Numa mesa imponente O “We  are Champion” foi consumido com avidez. Atônitos, os mortais procuravam  entender o milagre daquilo. Todavia não contava o Barão de Tiririca,  patrocinador do deguste e titular da cadeira número 5, que fosse sufocar  ao ter um enorme espinho cravado à garganta. O desespero do barão  tornou-se evidente para o seu companheiro de mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O que foi  Barão? – Assustado perguntou-lhe Adamastor Freijó – titular da cadeira  de número 29, apreensivo ao vê-lo esganiçar tal qual cachorro engasgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-We Are Champion! – Respondia o velho Barão, massageando a garganta com insistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim  Barão! Eu sei que o senhor é um vencedor, mas... – Retrucava Adamastor  sem entender perfeitamente aquela estória de "We are Champion”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We Are Champion! We Are Champion! – Aflito insistia o Barão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente,  o esforço vocal fazia o espinho deslocar-se e aprofundar-se na faringe  do imortal. E, em se aprofundando o Barão passou a ter problemas para  respirar – O ar parecia fugir dos seus pulmões –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-We Are  Champion! We Are Champion! – Ele repetia ante a perplexidade Adamastor  que estapeava as suas costas, mas sem que surtisse efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-We Are Champi... We A…Cham… – O Barão murmurava. A sua voz agora rouca perdia a força como a de alguém em estado terminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem  o ar para ventilar os pulmões o rosto do barão ganhou uma tonalidade  arroxeada, acompanhado das pupilas dilatadas e pernas tremulantes. Não  tardou para que desabasse como um prédio implodido. Surpreso, Adamastor  gritou por socorro. Diante da gravidade do fato instalou-se um  corre-corre, telefonemas e pedidos de ambulância. Porém, quando chegaram  se fazia tarde; O Barão de Tiririca falecera, desencarnara. Após muito  fuzuê, policiais, imprensa, curiosos, o corpo do homem foi retirado.  Academia evacuada, os imortais aglomeraram-se no salão nobre para  discutirem entre si o que se fazer numa situação daquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Adamastor, como isso pôde acontecer? – Questionavam-no perplexos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não  sei ao certo, digníssimos colegas – Respondeu o imortal, desolado – Eu  só sei que ele perseverava: We Are Champion! We Are Champion! E assim  foi até arroxear-se e lhe faltar o ar vital - Respondeu desconsertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Oh! Pelo grande Machado de Assis! – Exclamou um deles – Estúpida tragédia! – Retrucou o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Estúpida  coisa nenhuma! Esse filho de uma puta mereceu! – Excitado berrou o  quase centenário Afrânio Coutinho, titular da cadeira de número dois –  Esse miserável não teve humildade nem pra morrer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o imortal Afrânio Coutinho, como se mergulhado num processo de  perturbação persistiu na ladainha, duas, três, quatro, dez, vinte,  trinta, cem vezes e até sua voz definhar. Ele estrebuchava e continuava  fora de controle e nada nesse mundo e nem os protestos dos seus pares o  fizeram calar. Aliás, algo fez sim; um fulminante enfarto do miocárdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E  assim, melancolicamente, dois funerais foram agendados para a manhã do  dia seguinte abortando uma pendência de mais de 40 anos entre os  antagonismos literários e batalhas de egos.&lt;br /&gt;Dizem as más línguas que a  partir daquela desgraça os imortais jamais foram os mesmos. Dizem até  que em comum acordo determinaram a proibição de almoços e jantares nas  dependências da Academia.&lt;br /&gt;Contudo e em respeito à fleuma britânica e,  principalmente ao inesquecível "We Are Champion" mantiveram e realçaram  um fato light e que se tornaria a marca registrada da casa;  Precisamente, o chá com torradas, das cinco em ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti 2010Nov&lt;br /&gt;Véio China©&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1284306017198949732?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1284306017198949732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1284306017198949732' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1284306017198949732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1284306017198949732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/morte-pede-carona-na-abl.html' title='A morte pede carona na ABL'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOt2pq3_XyI/AAAAAAAAAEg/mdvNr2TkC-4/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1379671213391882310</id><published>2010-11-18T17:18:00.002-02:00</published><updated>2010-11-23T07:00:52.219-02:00</updated><title type='text'>A Tattoo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOuCpF58h9I/AAAAAAAAAEk/incyU2dyA5k/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOuCpF58h9I/AAAAAAAAAEk/incyU2dyA5k/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Novembro. Minha vida não andava lá grande coisa nos meus incompletos 57 anos. E como desgraça pouca era bobagem lá estava eu desempregado pela 33ª vez, lutando bravamente com a solidão causada por uma &amp;nbsp;mulher que me deixara há menos de três meses. &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O seu nome era Elisabeth, e em nosso último mês de convivência &amp;nbsp;ela dera de me chamar de bêbado e&amp;nbsp; alcunhar-me de&amp;nbsp; “o escritor fracassado”. Claro, jamais seria ingênuo o suficiente para não considerar algumas coincidências entre mim e alguns nobres e bêbados escritores de uma ou duas gerações anteriores à minha. E para piorar ou realçar as tais evidências eu achava-me um talento na escrita, um Ferdinand Celine ainda não descoberto. E esse clímax de desesperança, apatia,&amp;nbsp;&amp;nbsp; tinha muito a ver com as infindas madrugadas onde&amp;nbsp; à caça de estórias&amp;nbsp; mirabolantes&amp;nbsp; eu deixei de deitar-me ao seu lado ou mesmo levantar-me à tempo para o &amp;nbsp;turno de trabalho que começava às 8 em ponto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sobre Beth, devo consentir que ela esteve sempre com a razão. Beth queria o que toda mulher quer; o corpo do seu homem na hora do descanso. Evidente, não no sentido de se dar mais uma boa trepada, mas sim, no aguardo do apego e da cumplicidade entre duas pessoas que se querem bem. E isso as deixavam felizes;&amp;nbsp; o roçar dos corpos por debaixo dos cobertores, onde as carícias e a calidez dos beijos&amp;nbsp; fazem-nas sentir que ainda aflora um resto de vida&amp;nbsp; e de romance dentro de suas almas e carcaças voluptuosas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do trabalho e do meu chefe eu jamais poderia reclamar; Fora a minha 17ª falta no ano, apesar de estarmos no mês agosto. Conclusão; bilhete azul na 2ª quinzena daquele mês..&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ocioso, minha rotina se constituía em enviar currículos pela internet e para as empresas que pudessem se interessar pelos meus serviços. Meus serviços? Uma grande piada, isso sim! Que préstimos poderiam existir num sujeito que abandonara a faculdade de administração no 2º semestre do primeiro ano? Quais serviços relevantes poderiam sobreviver num cara que jamais se especializara em algo e que vivera toda sua vida de servicinhos &amp;nbsp;variados, ora fazendo um bico aqui, outro ali? Confesso até que em minha juventude tentei me sobressair no boxe. Tentei, porém o meu queixo de vidro e um fígado tanto sensível acumularam 7 nocautes nas 10 primeiras lutas. Lembro-me ainda desta última luta onde eu ajoelhara ante o meu adversário e ao terrível castigo que impusera à minha linha de cintura.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Recordo também que antes de levar-me ao nocaute em definitivo eu o olhava com muita raiva ao girar em seu torno; “Vou te matar, &amp;nbsp;filho da puta!”&amp;nbsp; Eu lhe dizia.&amp;nbsp; E foi desta forma,&amp;nbsp; procurando na lona pelo meu protetor bucal que tive a mais absoluta certeza que&amp;nbsp; a nobre arte&amp;nbsp; jamais se faria o meu forte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Talvez, essa entre outras tantas de minhas inconstâncias aliadas ao fato de eu supor-me um grande escritor&amp;nbsp; tenham pesado na resolução tomada por Beth; O que eu poderia dar a ela se não meia dúzia de pães franceses e margarina Delícia ao alvorecer?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Portanto ali eu estava e sozinho dessa vez, sem nada e sem ninguém, &amp;nbsp;salvo o abrigo das madrugadas onde as minhas estórias, amargas regadas á vinho barato eram criadas &amp;nbsp;para depois serem impressas em folhas de papel A4.&amp;nbsp; Dormindo sempre depois das 5 da matina eu acordava um pouco depois do&amp;nbsp; meio dia, &amp;nbsp;preocupado,&amp;nbsp; já que em minha caixa de e-mails nunca havia respostas para os meus currículos. Pior; &amp;nbsp;seria aquele &amp;nbsp;penúltimo mês do meu seguro desemprego.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porém, &amp;nbsp;naquela manhã algo começara diferente já que debaixo da porta uma correspondência aguardava a atenção dos meus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Sr. Erico Zambini, Favor entrar em contato com editoração deste jornal “&amp;nbsp; - &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Daí,&amp;nbsp; davam o endereço, o nome da pessoa, e o horário que deveria me apresentar. Olhei novamente para o comunicado e pensei ; finalmente estavam dando uma chance pro genial escritor &amp;nbsp;que entregara-lhes suas estupendas estórias há &amp;nbsp;mais de mês? &amp;nbsp;Eu sorri.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No dia seguinte lá estava eu na sede do Jornal Aqui e Agora. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Senhor Erico, sou a Matilda.&amp;nbsp; Um minutinho, que o Sr. Maciel irá atendê-lo – Apresentou-se a secretária. Olhei para ela enquanto ela se levantara&amp;nbsp; para regular a temperatura do aparelho de ar condicionado. De costas, um vestido justo e negro colado ao corpo acentuava o seu bumbum &amp;nbsp;e linhas das perna. Eles eram estupendos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Temperatura ajustada, ela retornou para sua mesa enquanto eu aguardava ali numa das poltronas da recepção. Esperando a minha vez ative-me atentamente a ela. Talvez &amp;nbsp;estivesse na casa dos&amp;nbsp; 32 ou 33 anos. Morena clara, olhos negros luminosos e dona de uma voz sensualíssima assim como os lábios vermelhos e o seu jeito de se expressar. Sempre há mulheres que exalam sensualidade mesmo que não queiram – Acabei por concluir enquanto mantinha um sorriso idiotizado em meu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesse meio tempo o seu telefone tocou. Ela atendeu e após desligá-lo, &amp;nbsp;me pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sr. Erico, o senhor me permite &amp;nbsp;dizer-lhe uma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Claro, fique à vontade meu anjo! – Foi então que ela sorriu. Um sorriso lindo, que faria o sol aparecer por entre nuvens densas de uma tempestade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Bem...é que o senhor me lembra alguém muito especial! – Respondeu-me num tom agradável,&amp;nbsp; cúmplice&amp;nbsp; até – Depois, voltando à realidade, solicitou-me: O senhor poderia acompanhar-me?&amp;nbsp; O Sr. Maciel falará com o senhor, agora! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dito isso se pôs à minha frente e me conduziu á sala do Sr. Maciel. O seu modo de andar era espetacular, &amp;nbsp;estiloso, e as nádegas apenas meneavam discretas, majestosas. Entramos na sala do tal homem e ela fez o caminho de volta tomando o cuidado de delicadamente encostar a porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Erico Zambini? – Ele me perguntou com um certo ar de idiota – Claro que eu era o Erico Zambini! Quem eu poderia ser?&amp;nbsp; Diego Maradona?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, sou ele mesmo, Erico Zambini! – Respondi num sorriso pálido. Era estranho, mas era comum acontecer comigo; Eu não fora muito com a fachada daquele sujeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Pois bem Sr. Zambini. Gostamos dos contos que nos enviou e gostaríamos que escrevesse para nós nas edições dominicais. Poderíamos fazer uma experiência para vermos se da certo – Disse secamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Claro, claro! – Concordei – E que tipo de material estão querendo? –&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Estamos precisando de contos cheios de sensualidade e &amp;nbsp;romantismo para o nosso caderno feminino! Contos que envolvam a sensualidade e algum erotismo, porém, sem flertar com o chulo ou o mau gosto – Ele afirmou&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Bem...esse não é o meu forte. Sou mais afeitos às estórias de&amp;nbsp; uma escrita mais pesada, e....&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim! Sabemos que é um contista que adora textos pornográficos – Ele me interrompeu – Porém, para alguém tão pródigo na criatividade com textos eróticos acreditamos que&amp;nbsp; a tarefa não seja das mais difíceis – Concluiu com naqueles seus olhos castanhos e imbecis e numa impostação de voz desses que acham sabedores de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Fechado? – Inquiriu-me&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Fechado! – Confirmei. Eu não tinha nada a perder.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi então que ele discorreu sobre o valores.&amp;nbsp; O pagamento semanal não era estupendo, contudo o suficiente para livrar-me do pesadelo do seguro-desemprego. Instruiu também que eu deveria entregar a matéria até as 17 horas de sábado para que houvesse tempo suficiente para a editoração&amp;nbsp; e prensagem no jornal&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Concordando com todos os detalhes, o Sr. Maciel chamou a secretária para que me levasse&amp;nbsp; ao RH da empresa e onde eu deveria apresentar os meus documentos pessoais e já deixar assinadas as duas vias do nosso contrato de prestação de serviços.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Evidente, o Sr. Maciel acha que não percebi, mas vi pelos os cantos dos olhos ele bolinando a bunda da secretária. Reparei ainda no sorrisinho safado da Matilda ao fechar a porta e me encaminhar ao Sr. Dilermando. Apresentado ao encarregado do RH ficamos por ali no preenchimento dos documentos enquanto Matilda não desgrudava os olhos de mim. Isso poderia me parecer estranho, mas não era, afinal, algumas mulheres gostam do feio, ou do não tão belo. Tudo assinado sai com ela me levando pelo braço onde senti alguma pressão da sua delicada mão. Antes de sair, num repente de coragem que são destinados unicamente aos heróis, arrisquei:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Matilda, quer sair amanhã para bebermos algo? – O amanhã que eu me referia era a sexta feira, dia seguinte. Ela pensou por alguns momentos e fez o fatal charme de mulher:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Amanha? Amanhã...não sei se devo! – Sussurrou naqueles lábios carnudos e tingidos de carmim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Só para alguns drinks. – Insisti, delicado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então ela&amp;nbsp; sorriu e me deu o telefone da sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sexta feira, conforme combinamos pelo telefone lá estava eu em frente ao seu endereço num bairro próximo dali. Talvez ela tenha estranhado ao entrar no meu Gol 85 – Provavelmente Matilda estava acostumada aos carros imponentes, luxuosos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em todo o caso foi uma noite excelente, onde bebemos bastante, trocamos muitas confidências e acabamos na cama de um motel de terceira e com espelho no teto. Eu torrava a grana do meu seguro desemprego, mas, sem problema; eu estava empregado e com um futuro promissor pela frente; quem afirmaria em sã consciência que eu não poderia vir a ser o redator chefe daquele jornal? Ninguém!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Da noite de sexta e&amp;nbsp; da madrugada de sábado ótimas lembranças. Ainda mais porque aquela garota foi um espetáculo na cama. Deixei-a em sua residência por volta das 4 da manhã e fui para casa. Chegando, extenuado fisicamente caí na cama e ferrei no sono.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Abri os olhos e olhei para o relógio:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Jesus Cristo! Quase duas da tarde! A crônica! – Exclamei ao dar um salto da cama.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Fui à cozinha, passei um café e me entreguei ao computador e à crônica. Depois de duas horas lá estava eu com o serviço pronto. Eu havia escrito uma belíssima crônica sobre a sensualidade e independência&amp;nbsp; da mulher moderna. E, modéstia á parte; uma crônica finíssima, refinada, nada de chulo ou de mau gosto. Após a última revisão, e conforme o que acertáramos enviei uma cópia por e-mail ao Sr. Maciel e&amp;nbsp; depois imprimi. Tudo terminado saí em disparada para o jornal; eles faziam a questão da minha presença junto ao editor-chefe;&amp;nbsp; talvez para troca de&amp;nbsp; idéias sobre o texto ou a mudança de algo que se fizesse necessário.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cheguei por lá faltavam 15 minutos para as cinco da tarde. Eu estava orgulhoso de mim dessa vez.&amp;nbsp; “Nada como a responsabilidade”&amp;nbsp; - Murmurei comigo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entreguei o material para o editor que o examinou minuciosamente para depois se abrir num sorriso: “Ótimo! Uma grande matéria” – Disse ele, parabenizando-me.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em seguida nos despedimos e eu retornei para casa. Naquela noite de sábado eu nada quis escrever, muito menos chegar próximo do computador. No armário,&amp;nbsp; uma garrafa de vinho do Porto que me fora dada de presente&amp;nbsp; por Beth, guardava uma ocasião muito especial. Haveria dia mais especial que aquele?&amp;nbsp; Não! Aquele dia era&amp;nbsp; tão especial que abri a garrafa e a sorvi durante a noite&amp;nbsp; intercalando com algumas doses de vodka e latas de cerveja. Eu fiquei bêbado, um bêbado feliz que se sentia o rei da farofa de camarão rosa.&amp;nbsp; Adormeci, profundamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No domingo acordei por volta das dez e meia e corri para a banca de jornal onde adquiri um exemplar do Aqui e Agora. Passei no supermercado, comprei duas caixinhas de cerveja, mais dois vinhos tintos&amp;nbsp; e voltei para casa. Chegando, desfolhei o jornal abrindo- o no caderno de cultura e procurei avidamente pela minha crônica. Nada! Nem uma linha sequer!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Reli o jornal de cabo a rabo e nem sinal do meu texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O que será que aconteceu? – Me perguntei. Porém, domingo, não haveria resposta para mim. O jeito era aguardar a 2ª feira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Ah! O Sr. Maciel vai comer o rabo de alguém!&amp;nbsp; Ah se vai!”– Sussurrei comigo. Evidente, alguém falhara, e não fora eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Durante à tarde eu enchi o caco de cervejas e acabei adormecendo diante da TV e do&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;jogo do meu time de coração. Acordei por volta das dez da noite. Levantei, fui à cozinha e fiz um sanduíche de presunto com queijo e voltei para a&amp;nbsp; cama. De madrugada acordei sobressaltado; o que aconteceu com minha crônica? – me perguntava – Fiquei pensando por alguns momentos até que novamente adormeci.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Segunda feira, 9 horas da manhã, o telefone toca, insistente. No oitavo toque eu atendo:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Alô, quem é? – Indago&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Érico? – Perguntou-me a voz de uma mulher.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, ele! – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Érico, aqui é a Matilda! – Ela disse-me seca, lacônica, bem distante da simpatia da noite do motel.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, meu amor! Tudo bem? O que foi, Matilda? –&amp;nbsp; Questionei gentilmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Tudo bem o cacete! – Ela respondeu ríspida&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Com assim, não estou entendendo! – Exclamei surpreso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Erico! – Ela insistiu&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, meu anjo, fale! - Aquilo estava me deixando confuso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Erico, então saiba; Você é um safado! – Ela retorquiu raivosa, irada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Hã? – Foi a minha única resposta&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-A arara azul! Não era do seu direito....seu grande filho duma puta!&amp;nbsp; Eu fui demitida! – Ela esbravejou&amp;nbsp; e depois bateu furiosamente o telefone.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;No exato momento em que eu voltava o telefone à base, toca a campainha. Ainda em estadoi de perplexidade fui na direção da porta; era o carteiro que trazia um telegrama. Abri:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;“Sr.&amp;nbsp; Zambini, informamos que não mais necessitamos do seu serviço. Favor vir aos nossos escritórios para receber seu cheque dessa semana” – Dizia o texto em letras negras num formato Lúcida Sans, onde se lia perfeitamente o nome do remetente; Ortega Maciel.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi então que me caiu a ficha: A tal arara azul fazia parte da sensível crônica que escrevera para o jornal. Nela eu falava de uma mulher maravilhosa, independente, sensual e de sua belíssima arara azul cravada delicadamente em sua nádega esquerda; Uma tatuagem requintada, feita por um artesão, susceptível,&amp;nbsp; e tão real, apesar de diminuta, que não me surpreenderia se ela tivesse alçado vôo num daqueles momentos de luxúria. Talvez&amp;nbsp; houvesse alguma chance para Matilda se eu não fosse tão perfeccionista e não tivesse descrito a coloração rósea de algumas de suas penas que se fundiam&amp;nbsp; sensíveis à uma quase totalidade do azul escuro do restante da &amp;nbsp;plumagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E pensando nisso eu sorri. Um sorriso amargo, de derrota, de abatimento,&amp;nbsp; como tantos outros que sorri&amp;nbsp; em minha vida.&amp;nbsp; Ortega Maciel não era exatamente um homem a quem devíamos tratar ou tê-lo&amp;nbsp; por imbecil.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E eu sentia a falta de Beth. Agora, mais que nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Copirraiti&amp;nbsp; Nov2010 &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Véio China&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 13pt;"&gt;©&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg 2&amp;quot;; font-size: 8.5pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1379671213391882310?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1379671213391882310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1379671213391882310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1379671213391882310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1379671213391882310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/tattoo.html' title='A Tattoo'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/S2tHV9wxmaI/AAAAAAAAAZk/0DzzZLlVAjI/S220/chinaskioculos.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOuCpF58h9I/AAAAAAAAAEk/incyU2dyA5k/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-6872670900116382632</id><published>2010-11-15T20:43:00.005-02:00</published><updated>2010-11-17T03:01:57.519-02:00</updated><title type='text'>São Paulo 1993 - Numa noite de inverno -</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOG3Zq-uyCI/AAAAAAAAAEc/D7-slJfBRwg/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOG3Zq-uyCI/AAAAAAAAAEc/D7-slJfBRwg/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;-Sabe...acho você demasiadamente triste - Ela sussurrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de  estarmos bêbados eu achei o murmúrio algo despropositado e um tanto  fora de hora; não se fala pras pessoas ébrias que elas sao ou estão tristes.  Muito menos com aquele seu sorrisinho de de escárnio impregnado nos cantos dos lábios. Eu não entendia bem os motivos, mas, a bebida nos fazia degladiadores, como se estivéssemos duelando por nossas vidas sobre uma toalha quadriculada em preto e branco. Eu olhava para a garrafa de cerveja e acompanha o suor que, escorrendo pelo seu corpo vítreo desbrava o caminho pelo tecido grosso e de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem...acho  que não sou exatamente um sujeito triste. Talvez, apenas nostálgico -  Cada qual sabe da cruz que carrega. Defendi-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mim só coube a  tentativa de preservar-me e não deixar ruir os meus elefantes  construídos em areias de devaneio. Em todo o caso estava sendo difícil  enfrentar o seu olhar. Um olhar de quem reabre feridas e não respeita  cicatrizes. Eu me senti acuado e defendia minha rainha ante o seu  exército de bispos e torres. Talvez o xeque-mate me fosse iminente.&lt;br /&gt;Perturbado lancei-me com desespêro em defesa da realeza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-À  propósito, mesmo com esse olhar de quem não erra em jogo eu te sinto  extremamente melancólica. Talvez me seja mais fácil conviver com as  saudades das coisas que não estão comigo mas, que ainda permanecem lá,  ao resistir bravamente à melaconlia donde nada ressuscita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a  vez dela sentir o golpe. Nos seus olhos brotaram apenas duas lágrimas,  tristes, transparentes, dilaceradas por dores que eu não sabia quais  eram e que me deram a sensação de reabrirem fendas que o tempo tentava unificar.&lt;br /&gt;Eu nada mais&amp;nbsp; disse pois não foi necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Mais um cerveja? - Propus ao olhar nos seus olhos e perceber que incomoada procurava se entreter com o copo deslizando sobre ele suas unhas esmalte carmim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! - Ela respondeu num som abafado, talvez saído mais das&amp;nbsp; chagas que da embriaguês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Garçom, mais uma Boehmia! - Pedi estalando os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente soergue o rosto e suas  lágrimas ainda nao haviam secado quando&amp;nbsp; me sorriu; Um sorriso  diferente dessa vez. Trazia no olhar apenas a mansidão de quem também evitava  o ruir das suas borboletas de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentaneamente, imaginário,&amp;nbsp; empurrei todas as peças ao além do tabuleiro; Não havia motivos para que houvesse algum ganhador.&lt;br /&gt;Naquele instante eu tive a plena certeza do quanto as palavras tinham o poder de unir, ou até mesmo, destruir.&lt;br /&gt;Um sorriso mútuo dessa vez, ainda triste, é verdade, mas,&amp;nbsp; nós lutávamos para não sucumbir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copirraiti nov2010&lt;br /&gt;Véio China&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-6872670900116382632?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/6872670900116382632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=6872670900116382632' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/6872670900116382632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/6872670900116382632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/sao-paulo-1993-numa-noite-de-inverno.html' title='São Paulo 1993 - Numa noite de inverno -'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TOG3Zq-uyCI/AAAAAAAAAEc/D7-slJfBRwg/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-7210135187126230832</id><published>2010-11-13T11:39:00.004-02:00</published><updated>2010-11-13T11:55:15.980-02:00</updated><title type='text'>A estória mais espetacular dos últimos tempos!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TN6UzJm-G7I/AAAAAAAAAEY/1fwEu5mibiU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TN6UzJm-G7I/AAAAAAAAAEY/1fwEu5mibiU/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cheguei em casa passava das sete da noite. O dia fora exaustivo naquele sol de verão onde à sombra chegou-se a mais de 35 graus. Correndo de um lado para outro em estações do Metro apinhadas de gente, pressa, muita pressa, unicamente pressa é o que se via no olhar e andar das pessoas. São Paulo se tornava cada vez mais desumana e amada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entrando em casa, com a ponta do sapato direito fiz pressão sobre outro calcanhar, livrando-me do sapato do pé esquerdo. Com o pé desimpedido procedi da mesma forma com o outro, ganhando assim a liberdade condicional; Sim, condicional sim! Afinal, tudo na vida não é condicional? &amp;nbsp;Tudo que nos cerca é condicional. Respiramos até termos força e ar em nossos pulmões. Enquanto formos potentes teremos relações sexuais. Inclusive até o amor é condicional; não amamos até se findar amor? &amp;nbsp;Aliás, talvez aí resida um erro de avaliação; Talvez o amor flutue nas nuvens da transitoriedade e não num deserto de condicionamentos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Desapertei-me da cinta, do nó da gravata e lá estava eu em cuecas na sala de estar. Utopia era denominar aqueles seis metros quadrados como sendo uma sala de estar. Mas como é chique se referir a ela dessa forma, então eu digo de boca cheia; eu tenho uma sala de estar! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Jogados em cima do sofá deixei a minha calça de tergal risca de giz e a puída camisa branca de mangas longas que me acompanham por uns bons anos.. Inspeciono o local e na mesinha de centro percebo uma crosta no vidro. A sua tonalidade de um cinza esverdeado não me deixou dúvida; “O filho da puta do Alfredo andou cagando por aí!” Resmungo comigo ao curvar-me e observar atentamente o empastamento em alto relevo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Alfredo! Onde você está? – Vocifero Se eu o conheço bem ele não tardará a se manifestar&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Currupaaa! Currupaa! Aqui! Aqui! – Ele da sinais de vida ao sair detrás de um Buda; um bibelô de mais ou menos 15 centímetros de altura por 25 de largura. Eu nunca soube quais eram os seus motivos, mas, Alfredo sempre foi fissurado pelo gorducho. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Alfredo, seu mini urubu tingido de verde! Vem aqui com o papai! – Eu o provoco&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Urubu verde! Urubu verde! – Ele repetiu ao voar para o meu ombro esquerdo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu e Alfredo éramos do tipo "bom camarada" E desta longa convivência sobreviviam gostos que nos mantinham unidos, tais como ao amor ao mesmo time e a profunda admiração pela música de &lt;i&gt;Tchaikovsky.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Geralmente os humanos se derretem por seus canídeos, felídeos, fazendo deles o seu bicho de estimação, quando não a extensão de suas próprias famílias. &amp;nbsp;Comigo não tinha essa! Eu sempre preferi os psitacídeos; jamais um cão uivará um “Currupa”, latiria um "filho da puta" ou gostaria de música clássica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E assim com a mascote em meu ombro me dirigi à cozinha, abri a geladeira e peguei a garrafa de água mineral gasosa e a emborquei num longo gargalo. Isso pareceu ter incentivado Alfredo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vodka! Vodka! – Falou tão rápido quanto suas patas que iam num daqui pra la, de la pra ca em minha musculatura.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Isso não é vodka, seu filho da puta! É água mineral com gás! – Para o Alfredo, tudo que se mostrasse líquido e incolor tinha um nome; vodka.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O papagaio tinha uma facilidade estupenda em aprender coisas, por isso eu estranhava o fato dele não conseguir assimilar o “ah” que em vão eu tentava ensinar-lhe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E isso me deixava perplexo, pois o que seria um “ah” diante das falas dificílimas que ele produzia? Até alguns nomes próprios o Alfredo falava!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bem, também isso não tinha importância agora. &amp;nbsp;Saciado da minha sede devolvi a garrafa à geladeira e me dirigi ao quarto. O que falar de um quarto que mede 2,5 X 2,5? &amp;nbsp;Absolutamente nada!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ao entrar percebi que a luz de alerta da secretaria eletrônica mantinha-se piscando, portanto havia recados para mim. Olhei no visor e havia somente um. Apertei o botão de mensagem:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Véio, preciso falar com você, urgente! O assunto é de extrema importância! – Disse a voz quase em súplica. Aliás, não era uma voz qualquer, e o timbre um tanto afrescalhado logo o denunciou – Assim que chegar, por favor, me ligue! – Ele pediu no final da gravação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Gigio era o seu nome. Eu o conhecera há uns bons anos. Gigio era o dono de uma produtiva comunidade de Orkut, denominada Bar do Escritor. O Bar era um local virtual voltado à literatura e que abrigava milhares de escritores que lá postavam seus textos para as críticas dos demais. Peguei o telefone e me dirigi à sala e liguei a TV.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;..... “A presidenta eleita Dilma Houssef prevê um 2011 com significativos avanços para a classe trabalhado..... – Não deixei o repórter da TV Globo terminar reportagem. Com o controle remoto em mãos apertei uma tecla e mudei de canal. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;... –“Foi sem querer querendo! Ele falou para o senhor Barriga. Eu também não sabia dos motivos que me faziam adorar os personagens do "Chaves", principalmente o seo Madruga. Dei algumas boas risadas, porém o meu pensamento estava voltado para o recado no telefone. Será que seria dinheiro emprestado? Fiança em contrato de aluguel? Aval em Nota Promissória? Bem, eu não sabia. E Não sabendo eu tinha que estar preparado. Peguei novamente o telefone, diminui o volume da TV e pressionei algumas teclas. Dois toques. No terceiro, atenderam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Gigio?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Fala Veio! Pegou meu recado, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Parece que sim! – Respondi laconicamente a sua pergunta imbecil. – Então continuou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Véio, como você está comigo há uns bons anos, e por respeitar a sua experiência queria a sua opinião em algo que to pretendendo fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, e qual é?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;- Sabe esse treco de vender cachaça em balcão pra poetas não ta dando muito certo. Esse mundo literário é excessivamente ególatra e nada lucrativo – Disse-me ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, e daí? – Perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Daí que to pensando em mudar o ramo. Fazer do Bar do Escritor um Clube de Mulheres e de Homens! – Respondeu eufórico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Como assim? Não to entendendo completamente!&amp;nbsp; – Repliquei&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Assim, eu explico,Veio! Segunda, quarta, sexta e domingo, Clube das Mulheres...Terça, quinta e sábado, Clube dos Homens!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, mas... O que isso quer dizer, Gigio? – Eu não estava alcançando aonde ele queria chegar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Calma! Eu chego la! O que eu quero dizer é que convidarei alguns escritores para estrelarem os shows! Claro, mediante uma participação financeira, é óbvio! – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Meu Deus! Aquele cara só poderia estar louco! – Pensei – Ele estava excitadíssimo&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Veja, Veio. Imagine que bacana seria se nos fizéssemos shows de Pole Dancing. Imagine as meninas em lingerie negras, no mastro de metal dando voltinhas, subindo, descendo, fazendo bocas e caretas! – Ele exclamou com um entusiasmo que há muito eu não ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Gigio, por Santa Filisbina! Você está bem? – Com muito custo consegui me expressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que to, Veio! Imagine a Barbara, Maria Julia, Michelle, Magmah, Cristina, Cris, Lena, Yvana, Hadassa, Michelle, Mare, Juleni, Márcia, Ruth, Liz, Olga e mais uma pancada de garo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Epa...opa! – Eu interferi -. Você só pode estar batendo estacas! Márcia, Ruth. Liz e Olga são damas de alta estirpe. Algumas são casadas, têm filhos. Uma é até avó! Duvido que elas se prestem a essas coisas! – Revidei na tentativa que enxergasse a quimera que se entregara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Será que não topariam? – Surpreso, e pra não fugir do padrão ele respondia com uma nova pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro que não, porra! – Da onde você tirou essa idéia, Gigio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, tudo bem, vá! A Márcia a gente coloca na bilheteria. A Ruth assume o cargo de diretora de palco. A Olga, a gente registra como redatora chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Registrar? Redatora chefe? Redatora de que? – Questionei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah! É que ainda não te falei tudo! É que to pensando também em produzir um teatrinho erótico - Disse numa cara bem safada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu simplesmente não pude acreditar no que ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom...e a Liz? – Respondi impaciente, dando corda para ver até onde iria a sua insanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom...a Liz...a Liz...bem, na peça a gente da pra ela o papel de “tia das meninas"&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Heim? O que você disse Gigio?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Isso mesmo que ouviu, Veio. E além do mais, ela leva jeito para esse papel. &amp;nbsp;Você nunca reparou no seu ar de autoridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sei, sei! Traduzindo; na tua peça a Liz seria a dona do bordel! ! &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É! É isso mesmo! Dona do bordel! – Ele exclamou satisfeito&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Puts! Só me faltava essa! – Respondi com certo desânimo. – E você ainda quer um show só com os homens? - Emendei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim, claro! Quero o show com os rapazes, também. To pensando neles na barra de metal. Imagine o Allan e seus longos cabelos numa sunguinha fio-dental, branca! Ele, Gutemberg, Sacharuk, Daniel, Axl, Zulmar, Cruz, Lanoia, David, Tiago, Calaça, Edy e tantos outr... – Novamente fui obrigado a interrompê-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Calaça? Com aquele corpinho esbelto que ele tem? Cheirou Água Raz, Gigio?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Puts! É mesmo, ele é excessivamente forte, né? Bem, então pra ele não da. Mas... não é o Calaça que mexe com teatro?&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim. O Calaça mexe com peças teatrais. E daí?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Então, Veio! O Calaça pode ser o diretor da companhia. - Respondeu eufórico. Parecia que seus olhos saltariam das cavidades oculares a qualquer momento&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ta bom! – Acabei por concordar – Eu estava doido pra terminarmos aquele papo de gente biruta. Além do mais, que eu poderia fazer numa circunstância daquela? &amp;nbsp;Meter-lhe camisa de força? E se ele fosse do tipo agressivo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Viu Veio? Não é mesmo uma idéia genial? – Perguntou-me com certo convencimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É... Mas... é melhor saber agora; você &amp;nbsp;não poderá contar com o Edy – Centifiquei-o.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ué! Não poderei contar por quê? – Novamente a miserável mania de responder-me com uma pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Porque pegaria muito mal! O Edy tem uma caveira do Edie, do Iron Maiden, tatuada na em nádega esquerda! E isso desanimaria qualquer público feminino, exceto essas garotinhas que andam de negro e curtem heavy metal. E convenhamos... é um público bem diminuto&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ah! É verdade! Aí num dá mesmo – Se ainda fosse a tatoo da Lady Gaga, até que passava! – Ele concluiu num profundo suspiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É... – Concordei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mantivemo-nos em silêncio por alguns instantes. Eu apenas ouvia a sua ofegante respiração; certamente ele devaneava outras soluções.&amp;nbsp; O silêncio perdurou enquanto o Alfredo me olhava com certa desolação; E era como se aquele filho da mãe percebesse aquela loucura toda..&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ah, Alfredo! Que bobagem a minha! Imagine se você teria a compreensão dessa piração toda? &amp;nbsp;Disse-lhe enquanto sentia os seus pés indo e vindo no meu ombro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Foi então que envergou as asas e soltou a voz de uma forma que eu nunca ouvira;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Dá licença, chefe filho da puta? Vocês são tudo porra louca! E o Gigio é gay!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Atônito eu o ouvi. Era a primeira vez que Alfredo não citava palavras isoladas. A primeira vez que ele formara frases e com raciocínio. Vencida a perplexidade veio a vontade de rir. Eu ri e gargalhei até provocar-me dolorosas contrações abdominais. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Do outro lado da linha alguém berrava descontrolado, insano, desvairado:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Veiooooooooooo, seu filho da puta! Eu ainda como a rabo desse teu papagaio!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Copirraiti Nov2010&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Veio China&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 13pt;"&gt; ©&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;MS Shell Dlg 2&amp;quot;; font-size: 8.5pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-7210135187126230832?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/7210135187126230832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=7210135187126230832' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7210135187126230832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/7210135187126230832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/estoria-mais-espetacular-dos-ultimos.html' title='A estória mais espetacular dos últimos tempos!'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TN6UzJm-G7I/AAAAAAAAAEY/1fwEu5mibiU/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-1330374249808273523</id><published>2010-11-07T23:25:00.015-02:00</published><updated>2010-11-10T20:04:37.680-02:00</updated><title type='text'>O exterminador de mendicantes.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TNdL999U7aI/AAAAAAAAAEU/CrZAR-4JYtQ/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TNdL999U7aI/AAAAAAAAAEU/CrZAR-4JYtQ/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TNdL999U7aI/AAAAAAAAAEU/CrZAR-4JYtQ/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sargento,&amp;nbsp;&amp;nbsp; posso colocar fogo nesse aqui ? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Nao, não pode! Vai feder à churrasco de terceira –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Certo, senhor! - Acata o soldado ao dirigir sua arma para a cabeça do mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o miserável o olha assustado ao receber o balaço. Há tempo ainda para&amp;nbsp; um último gemido; não se soube se de dor ou resignação. No ar, agora,&amp;nbsp; apenas os odores fétidos emanados do seu&amp;nbsp; corpo&amp;nbsp; e um nauseante cheiro de sangue que&amp;nbsp; escorre da &amp;nbsp;sua têmpora&amp;nbsp; esfrega-se ao chão numa trajetória impune por entre as imperfeições do asfalto da calçada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não se sabem os mandatários e nem os motivos; uns dizem ser&amp;nbsp; os comerciantes locais enquanto outros apenas indicam&amp;nbsp; a índole desumana e carniceira das milícias. Pensasse também, porém&amp;nbsp; improvável nesse caso, &amp;nbsp;nos filhos das classes mais abastadas; &amp;nbsp;garotos mimados&amp;nbsp; e truculentos, que vêem os mendicantes como&amp;nbsp; meras tochas de balões de São João ou batatas doces em&amp;nbsp; brasas vivas.&lt;br /&gt;Todavia, seja qual for o grupo o fato remete-nos ao hediondo, à uma espécie de inquisição dos tempos modernos onde o discernimento se faz sentença de morte num julgamento instantâneo, desonesto, sem defensor, promotor,&amp;nbsp; júri ou juiz. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Contudo a cena me parece tão escabrosa que a seqüência, infame, &amp;nbsp;não me custa devanear......&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sargento, com esse são três vagabundos. Duzentinho cada....dá seiscentas pilas, é isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Exatamente, soldado! Seiscentas pratas! Pagamento na segunda, no boteco e hora combinada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Graças à Deus! – Exclama o milico; nos seus lábios paira o riso dos &amp;nbsp;inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Graças á Deus, por que? Não entendi! – Espanta-se o sargento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bem, chefe...é que agora vai sobrar algum pra uma festinha e cervejinhas pros&amp;nbsp; amigos. Sábado é o batizado da minha menorzinha – Confessa o soldado ao recolher a arma&amp;nbsp; e alojá-la na cintura. No ar agora&amp;nbsp; uma atmosfera mais carregada, ocre mistura entre os cheiros de pólvora e do corpo do pobre infeliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tô nessa, soldado! Gosto de prestigiar os homens da minha corporação -&amp;nbsp; Presunçosamente convida-se o sargento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Certo chefe! Será um prazer ter o senhor em nossa casa! A minha bonequinha vai estar linda como um anjo no vestidinho de rendas brancas que vi e vou comprar nas Casas Pernambucanas.&amp;nbsp; Cento e cinquenta mangos, custa! - O subalterno&amp;nbsp; exclama feliz&amp;nbsp; ao comunicar o moitivo da sua alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Clao que &amp;nbsp;ela vai estar linda! Crianças nessa idade são como&amp;nbsp; anjos da guarda! – Sorri o sargento ao dar&amp;nbsp; tapinhas amigáveis no ombro do seu rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço executado, os corpos transcendem numa atmosfera fúnebre como se fossem resultados dum&amp;nbsp; campode batalha. &amp;nbsp; Silenciosos, os assassinos ajeitam suas roupas respingadas à de gotas de sangue e entram no carro&amp;nbsp; sem placas e somem na calada de uma noite sem lua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;No alto do poste apenas uma lâmpada neon sombria e enfraquecida pelo tempo. A&amp;nbsp; tristeza é tão sentida que parece inferir em sua tênue luminosidade. Testemunha solitária dos horrorres daqueles momentos, impassível à tudo&amp;nbsp; olha.&lt;br /&gt;Porém,&amp;nbsp; se questionada do caso, precavida, dirá que nada viu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-1330374249808273523?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/1330374249808273523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=1330374249808273523' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1330374249808273523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/1330374249808273523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/o-exterminador-de-mendicantes.html' title='O exterminador de mendicantes.'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TNdL999U7aI/AAAAAAAAAEU/CrZAR-4JYtQ/s72-c/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5209109977961878017</id><published>2010-11-02T07:16:00.006-02:00</published><updated>2010-11-02T08:09:14.976-02:00</updated><title type='text'>Asas de Vidro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TM_Weq87BZI/AAAAAAAAAEQ/BeuTcCEyISI/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TM_Weq87BZI/AAAAAAAAAEQ/BeuTcCEyISI/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 class="smller"&gt;&lt;/h3&gt;Das encruzilhadas se faz o meu caminho.&lt;br /&gt;Porém, as pernas pesam, os passos não andam e a visão se turva impendindo-me de saber onde estou. O destino me observa impassível e parece zombar de alguém que não sabe da sua estrada.&amp;nbsp; Sem opões&amp;nbsp; fito à minha direita e volto o olhar à esquerda; Aonde eu poderia ir?&lt;br /&gt;Na dúvida&amp;nbsp; desisto das outras direções e olho em frente para uma reta que jamais se funde ao horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os descaminhos me remetem ao pequeno pardal que num dia de tempestade de outono bateu  as asas na minha vidraça. Não havia guarida para ele, somente concreto,  esquadrias e vidros. Por instantes ele me olhou e no lugar dos  mirrados olhos só havia um rastro de pavor,&amp;nbsp; frio, e um medo tão humano  que tive vontade de abrir a janela&amp;nbsp; e convidá-lo para algumas migalhas de  pão e restos de um bolo de chocolate.&lt;br /&gt;Todavia resisti à minha&amp;nbsp; insanidade e não lhe abri a vidraça deixando-o à própria sorte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obstinado,&amp;nbsp; as suas asas batiam&amp;nbsp; com mais vigor no vidro e isso pareceu ferí-lo.  Novamente os diminutos olhos me fitaram, desta vez perplexos e ungidos de  dor: Eles me questionavam os motivos que me fazia renegá-lo de forma tão desumana.&lt;br /&gt;E assim, no meu silêncio e na falta de minhas atitudes  ele desistiu e atravessou a tempestade&amp;nbsp; para um  futuro que nem ele e nem eu sabíamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são essas lembranças que neste momento insistem em não me  abandonar enquanto o destino persiste a observar-me impassível. Olhando para a reta que não tem fim eu tento vislumbrar a luz de outros&amp;nbsp; caminhos; não consigo. E mesmo que conseguisse minhas pernas estacaram no concreto e não há um passo sequer. Sorrisos de derrota&amp;nbsp;  espocam em meu rosto impregnado-me os lábios. Há neles algo de  impotência e&amp;nbsp; irônico escarnecimento; A obsessão do destino&amp;nbsp; tomou-me de  arrebato&amp;nbsp; transformando-me&amp;nbsp; numa redoma de cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é na frieza do vidro que expurgo e me limito refém da própria sina:&lt;br /&gt;A de relembrar mortificado o magoado olhar daquele inofensivo pardal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-5209109977961878017?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/5209109977961878017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=5209109977961878017' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5209109977961878017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5209109977961878017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/11/asas-de-vidro.html' title='Asas de Vidro'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TM_Weq87BZI/AAAAAAAAAEQ/BeuTcCEyISI/s72-c/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5821091309480392474</id><published>2010-10-31T07:23:00.007-02:00</published><updated>2010-11-28T04:53:45.201-02:00</updated><title type='text'>Ainda sobre o Bar do Escritor e janelas do Metro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPH8Ywcrs8I/AAAAAAAAAEw/CZ7kgQj-Hrc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPH8Ywcrs8I/AAAAAAAAAEw/CZ7kgQj-Hrc/s1600/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Quarta-feira, dez dias haviam se passado do episódio com o rapaz do metro. E eu, fanático por esse tipo de transporte lá estava novamente. Um sol abrasivo e desumano latejava lá fora porém sem que me desse aos calores daquela tarde insana; eu permanecia sentava no fresco de um  banco de metro que me deixaria na Estação Sé. O trem seguia viagem e vagão não se lotara  completamente , afinal, 15 horas ainda não se traduzia em&amp;nbsp; horário de pico. Eu o pegara nas Clínicas. Chegando à estação Consolação, vi embarcar na  composição alguém muito semelhante ao Allan, um dos poetas da comunidade. Claro, até então eu não  tinha tido o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas o ar feudal que  revestia aquele ser de calça jeans e camiseta negra,  juntamente com seus longos cabelos faziam-no muito semelhante ao sujeito do avatar do Orkut. Entrando no vagão sentou-se à minha frente e  estirou-se no banco e olhou em volta e depois na minha direção. Ao fixar  os olhos em mim pareceu surpreso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Opa! Será que o senhor é quem eu estou pensando ? - Disse-me. Ali eu tive a plena certeza que era ele; Provavelmente deve ter acontecido com ele o mesmo que comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Já  sei já sei o que está pensando! - Respondi - Sou ele mesmo, meu bom amigo Allan! O velho fanático por  metro.&amp;nbsp; O próprio, Véio China, pelancas e  ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorriu marrom num tom abaixo do castanho dos seus  olhos. Em seguida levantou-se do assento e veio sentar-se ao meu lado.  Permanecemos em silêncio por alguns instantes até que puxou conversa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Véio, a coincidência de estarmos aqui ta me fazendo lembrar daquela sua insana conversa&amp;nbsp; com aquele tal de Hortênsia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, Allan!  Apenas conversas de metrô! - Sorri e continuei a olhando para  a escuridão através da minha&amp;nbsp; janela. Um pouco mais e entraríamos na próxima  estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Poxa, China, que cara filho da puta aquele, heim! – Exclamou num tom de desagrado enquanto meneava a cabeça, negativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Está falando do Quimera? - Perguntei. Claro, eu estava dando uma de joão sem braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! Ele mesmo! Quimera, Hortênsio, Primavera, é tudo a mesma merda! Não é verdade, China?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Hum..,acho que sim! Fedeu, é bosta! Mas... na verdade; aquele sujeito era um grandíssíssimo dum filho da puta! – Acabei concordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Allan silenciou-se. Porém algo parecia o incomodar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Véio, será que o destemperado se reportava a mim quando se referiu ao tal Clube do Gamão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Como vou saber, Allan? Talvez sim, talvez não. Nunca se sabe – Retorqui –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pareceu-me&amp;nbsp; incomodado com a minha resposta. Novamente caiu em profundo silêncio. Eu podia sentir os seus miolos torrando à procura de algo que fizesse sentido; Eu tinha esse dom de pressentir&amp;nbsp; quando pessoas  inteligentes pensavam. E mais anda; Essas pessoas costumavam, depois de concatenadas, disparar flechas certeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois é, Véio.&amp;nbsp; Esse sujeito é um cara tão sacana que provavelmentose também deva ter  incluído você no núcleo de pessoas que ele considera compadres,  puxa-sacos, e congêneres! Um grande sacana!- Procurou responder num ar de aparente&amp;nbsp; despretensiosidade e com  o olhar fixo na minha janela. Parecia que estávamos num jogo de xadrez; ele avançava a sua poderosa Rainha contra o meu Cavalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-É! É bem provável que  estejas certo, Allan! – Para mim não havia outra saída se  não assimilar o movimento e tentar livrar meu nobre quadrúpede. Novamente nos mantínhamos em silêncio quando eu arrisquei uma jogada arriscada; eu tentaria pegá-lo desprevenido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, e por falar nisso, quem ganhou, Allan? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ganhou o que, Veio? Do que você está falando? – Inquiriu surpreso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porra! To falando da partida de gamão! – Atirei sem olhar pra ele,&amp;nbsp; mantendo-me concentrado&amp;nbsp; na janela. A sua rainha dançava no tabuleiro procurando safar-se do meu ataque com a Torre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah! Aquela partida acabou em empate técnico. O cansaço nos fez desistir. Nem eu e nem meu oponente! - Sentenciou, recolhendo a Rainha e a coloocando à salvo num movimento defensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente caímos em silêncio e ele pensava. Não era um bom sinal. Então disparou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pena, né China? Você não conseguiu assistir aquele partida porque estava&amp;nbsp; ocupado com os seus “bom dia” para uns e outros. Sabe,&amp;nbsp;  admiro muitíssimo essa sua amabilidade otimista -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho da mãe encontrará uma brecha e me atacava com o Bispo. Por instantes pensei, analisei mas não vi perigo nesse movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amabilidade otimista? - O que isso quer dizer, Allan?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Bom..eu quero dizer que aquele dia estava horrível. Desaguava uma terrível tempestade enquanto os trovões urdiam nas calçadas, avenidas, parques municipais. E os raios então? Caiam por todos os cantos! Não se lembra disso, Véio? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não, não lembro! O tempo estava tão ruim assim, Allan?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Putz! Que memória fraca, heim China? Você quando entrou no Bar estava completamente encharcado pela chuva. Até espirrava! Lembra agora? - Perguntou-me num tom de gozação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele executava um movimento interessantíssimo com o seu Cavalo. Só restou-me salvar um peão que eu tentara colocar estratégicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah... é mesmo! Você têm razão! Agora me lembro. Lembro perfeitamente – Correto, Allan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me abalara; sabia disso. Vinha pro ataque com um arsenal de jogadas previamente&amp;nbsp; ensaiadas por sua capacidade de tramar.&amp;nbsp; Não falamos mais nada, constrangidos, quando,&amp;nbsp; decidido voltei-me para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava para ele enquanto ele persistia olhando através da minha janela a paisagem de  concreto aparente, afinal, ainda estávamos no fundo e à dezenas de metros  da superfície. Estrategicamente ele não deu conta da minha presença em observá-lo, portanto retornei à posição  original. Aí foi a sua vez de virar-se e olhar para mim. Claro que igualmente não lhe causou surpresa o fato  de eu continuar admirando as mesmas paisagens subterrâneas do Metrô. Assim que trem abandonou as trevas e  alcançamos a luz as nossas feições deixaram de ser&amp;nbsp; sombrias e  soturnas. Parecia que a claridade do sol havia dado algum&amp;nbsp; promissor  sentido ás nossas presenças.&lt;br /&gt;Levantei-me, afinal a minha estação seria a  próxima. Assim que sai do meu lugar eu o olhei e o surprendi com o olhar cravado em mim. Então nos olhamos com simpatia, cordiais, como se nos dissessemos: " O time! Tudo pelo Time. A unidade é o que importa"&amp;nbsp; - Naquele momento embaralhavamos todas as peças do tabuleiro de xadrez. Não havia vencidos e nem vencedores. Antes de ganhar o corredo lhe convidei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Allan, topas um blood mary com Sputnik, na próxima sexta, la no Bar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sputnik? Que é isso Veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, é uma vodka nacional que eu gosto! 16 mangos a garrafa - Respondi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Claro, Véio! Mas sob uma condição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E qual é? – Eu quis saber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que me acompanhe num Chateau Fombrauge Saint Emilon Grand Cru 2005!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chateau Fombrauge? Que diabo é isso, Allan?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah! É um vinho francês! 1 barão e meio a garrafa – Respondeu com um sorriso e&amp;nbsp; sem ostentar qualquer afetação de grandeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Putz... - Foi a única coisa que consegui responder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então, ta combinado! Até la, Allan! – Despedi-me dele; Eu havia chegado ao meu destino e a porta me aguardava aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Combinado! Até la, Véio! – Ele retribuiu com um sorriso e um aceno de mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair da estação do Metrô, duas certezas me acompanhavam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele faria o possível para segurar as tripas e não botar goela afora o meu bloody com a Sputnik.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De  meu lado, eu tentaria esquecer que a grana que ele pagaria por aquele  vinho garantiria os quatro meses do meu aluguel, em atraso, evidente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5769304454583925168-5821091309480392474?l=veiochina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://veiochina.blogspot.com/feeds/5821091309480392474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5769304454583925168&amp;postID=5821091309480392474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5821091309480392474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5769304454583925168/posts/default/5821091309480392474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://veiochina.blogspot.com/2010/10/ainda-sobre-o-bar-do-escritor-e-janelas.html' title='Ainda sobre o Bar do Escritor e janelas do Metro'/><author><name>Véïö Chïñä‡</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05692483004996136184</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xsEblBdYufw/TPH8Ywcrs8I/AAAAAAAAAEw/CZ7kgQj-Hrc/s72-c/V%25C3%25A9io+China+2_100x120.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5769304454583925168.post-5855431362121560838</id><published>2010-10-26T06:51:00.005-02:00</published><updated>2010-10-27T00:10:19.907-02:00</updated><title type='text'>O Bar do Escritor visto através da janela do metrô</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/TMaVaDs7HRI/AAAAAAAAAs0/NAH03ry21nE/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_mLjVaVqh3JU/TMaVaDs7HRI/AAAAAAAAAs0/NAH03ry21nE/s1600/V%C3%A9io+China+2_100x120.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Notei que um &amp;nbsp;rapaz me olhava ostensivamente na plataforma de embarque do metrô, ali, na estação Sé. &amp;nbsp;Parados, aglomerávamo-nos &amp;nbsp;numa grande quantidade &amp;nbsp;de pessoas que aguardava o metrô das 6 da tarde. Afinal, terminado a jornada de trabalho as pessoas queriam voltar para suas casas. Tudo poderia acontecer à partir daquele horário,&amp;nbsp; inclusive,&amp;nbsp; entrarmos na composição sem sentirmos nossos pés tocando o chão, num estado de levitação,&amp;nbsp; não por dom, é claro, mas&amp;nbsp; soerguidos pela turba que ao abrir da porta automática entraria &amp;nbsp;enfurecida, sedenta pelo banho das 7, &amp;nbsp;jantar das 8&amp;nbsp; e a novela das 9. &amp;nbsp;&amp;nbsp;Assim como previ me senti &amp;nbsp;levado por eles ao entrar. A ansiedade e impaciência das pessoas faziam-nas semelhantes a uma manada se refugiando no vagão como se ali fosse um lugar &amp;nbsp;seguro e onde pudessem se safar dos capatazes e o sons dos &amp;nbsp;porretes num matadouro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Milagrosamente do lado de dentro, mas, &amp;nbsp;mal acomodado, eu sinto um dedo estacando o meu ombro esquerdo. Olhei; &amp;nbsp;era o rapaz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Desculpe, mas o senhor não é o Veio China, do Bar do Escritor?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sou! – Respondi lacônico.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Pois é! O reconheceria em qualquer parte do planeta. Impossível confundi-lo&amp;nbsp; com essa aparência cansada e óculos de lentes negras e redondas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Pois é! Também não confundo-me comigo&amp;nbsp; – Devolvi sem olhar para ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Desculpe-me aborrecê-lo seu China! É que eu também faço parte dessa comunidade, e, apesar de não postar, eu os leio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Olhei-o com algum estranhamento. Porém, o que ele acabara de mencionar vinha&amp;nbsp; reforçar a minha teoria sobre muitos dos anônimos da comunidade; eu acreditava que centenas deles &amp;nbsp;não postavam por não terem culhões o suficiente ou &amp;nbsp;excessivo receio de &amp;nbsp;sentirem-se feridos no caso de críticas ácidas aos seus textos. Em todo o caso o meu amigo parecia querer continuar falando:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sabe, &amp;nbsp;bem que gostaria de postar algo meu, principalmente os meus poemas, que são razoavelmente bons, garanto, mas que fatalmente seriam discriminados por lá. &amp;nbsp;&amp;nbsp;Disse &amp;nbsp;com voz&amp;nbsp; empostada. Não soube discernir o motivo, mas ele me soou falso como um diamante de zircônia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É só a insegurança que te impederia de &amp;nbsp;postar? – Questionei&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-E já não seria o suficiente, seu China? Sabe, vocês me lembram uma confraria, um clube privê. E com os novatos então? Acho que são severos demais com os que postam pela primeira vez. &amp;nbsp;Às vezes as poesias são ótimas, mas parece haver algum prazer ásperero nas críticas que tecem. &amp;nbsp;E isso, ainda quando se preocupam em comentá-los, pois muito comum são os seus textos &amp;nbsp;&amp;nbsp;mofarem pelos cantos &amp;nbsp;e lá permanecerem no aguardo de uma ou duas almas caridosas que se interessem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Epa! Pêra lá!....não é bem assim! – Argumentei. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Evidente, apesar do exagero,&amp;nbsp; sabia por experiência que ele tinha alguma parcela de razão. E sabendo, não me senti excluso da sua observação, mesmo que a realidade &amp;nbsp;não fosse exatamente àquela. Talvez por perceber o desconforto com seu comentário procurou amenizar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Não falo exatamente do senhor, seu China. Não é sempre, mas percebo que o senhor vez ou outra se esforça para não fazer parte do grupo dos indiferentes e dar uma força para os novatos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Sim, não, mas, mas.... – &amp;nbsp;Eu ainda tentava refutar a sua argumentação, porém, sem conseguir o efeito desejado; parece que havia a necessidade de expelir o que o incomodava no Bar. Sua boca era uma máquina de se abrir e fechar, e ele&amp;nbsp; falava como se fosse rajada num deserto,&amp;nbsp; como se tivesse na boca&amp;nbsp; pentes de metralhadora no lugar da dentição alva e regular.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Mas, mas o que, seu China? Não há o que o senhor possa defender. São visíveis os grupelhos que se formam por la. Mesmo no senhor eu noto um trânsito esforçado para uma &amp;nbsp;política de boa vizinhança com as mais diferentes correntes. Às vezes saltita tanto que me faz&amp;nbsp;&amp;nbsp; lembrar um vereador numa praça pública&amp;nbsp;&amp;nbsp; pedindo votos para releição! - Disse-me com um ar de malícia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Euuuuuu? – Tentei me defender.&amp;nbsp; Que diabo era isso? Mais que a um comunitário, eu tinha topado com um verdadeiro psicólogo de ambientes literários.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É sim seu China! E toda essa politicagem de vocês afasta os intencionados em postar alguma coisa. – Concluiu com feição enfastiada.&amp;nbsp; Evidente, as azedas críticas do rapaz despertaram&amp;nbsp; em mim alguma curiosidade sobre ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Vem cá! Quais são esses grupelhos que você insiste em ver formados por lá? – Cutuquei-o.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Óras! São tanto que &amp;nbsp;não vê quem não quer! &amp;nbsp;Tem a ala dos compadres, onde qualquer coisa se faz pretexto para um bom dia, mesmo que o dia esteja péssimo e chuvoso. Tem o grupo dos visitadores compulsivos, melhor dizendo, a ala da reciprocidade mútua. Tem o pessoal que nutre &amp;nbsp;antipatia gratuita por qualquer um que escreva. E por fim&amp;nbsp; há o Clube do Gamão!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Clube do Gamão? Que porra é isso? – Eu quis saber&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ah! É aquele grupelho de sete ou oito escritores que não comenta ninguém, salvo os seus parceiros de jogatina, ou àqueles que julgam estarem ao seu nível intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Ah sim!... você os trata como o Clube do Gamão! – &amp;nbsp;O termo reverberava em minha mente, então&amp;nbsp; sorri.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Bom...até que nesse ponto eu teria que concordar com ele. Quanto a isso só nos diferenciavamos na nomenclatura do tal núcleo; para mim eles eram o&amp;nbsp; “The Gallery” a turminha do José Victor Oliva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-É sim seu China! É a turma do Gamão, sim! – Ele repetiu &amp;nbsp;ao reparar que eu sorria – E continuou -&amp;nbsp; Ah! também me divirto com a&amp;nbsp; sua postura diante do senhor Ruy Barbosa, da comuna. Ah, seu&amp;nbsp; China! Para não confundir o "cabo da enchada" com a "bunda inchada" esclareço que nada a ver com o poeta Ruy, que é um excepcional escritor. Estou me referindo sobre àquele&amp;nbsp; sujeito que deita e rola em textos rebuscados, eruditos, inclusive já li diversas de suas postagens onde critica o abusivo zelo literário do rapaz – Disse-me olhando pelo rabo dos olhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Momentaneamente percebi que ele tentava&amp;nbsp; me provocar. Talvez &amp;nbsp;quisesse ver aonde eu &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;iria desaguar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-O Senhor acha mesmo que o rapaz escreve aqueles textos cheios de erudição após a consulta de um dicionário? – Insistiu&amp;nbsp; e depois concluiu-&amp;nbsp; Também tem uma ou outra coisinha sua que leio e logo penso; o Véio andou visitando o Aurélio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sabia! Agora sim eu pude sentir o seu ar de galhofa!&amp;nbsp; Simplório, eu estava permitindo que o meu telefone interno só desse ocupado.&amp;nbsp; Portanto era mais que a hora de deixar cair a ficha cair. Aquele rapaz estava simplesmente zombando de &amp;nbsp;nós e da comuna como um todo. Esperto, sob o &amp;nbsp;pretexto de me adular comparou-me aos políticos. E convenhamos; acho que não há nada pior nos dias de hoje que ser comparado a um político. Além disso ele criticava todos aqueles que tinham suas preferências e o hábito de se lerem mutuamente. &amp;nbsp;E ainda não satisfeito meteu o pau na turminha do Gallery, ou melhor, do “Clube do Gamão”. Porém o inconcebível foi ele pretender tirar um sarro em mim e&amp;nbsp; no “Sr. Camões”, &amp;nbsp;um desafeto meu, porém, mais por questões conceituais&amp;nbsp; sobre a linguagem do escritor ante uma literatura de vanguarda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Claro, poderia até concordar com o rapaz&amp;nbsp; na questão de mantermos diferenças literárias com um ou outro, porém, nisso nada há de pessoal. E nesse caso a minha birra com o caro escritor era com&amp;nbsp; o desnecessário e exacerbado&amp;nbsp; uso semântico com um&amp;nbsp; prazo de validade extinto na primeira parte&amp;nbsp; do século passado. Inclusive porque nos dias de hoje é impossível imaginar que possam haver interlocutores para esse tipo de linguajar, talvez nem na própria ABL. Portanto, para mim,&amp;nbsp; algo não natural, que me soava falso, porém viável ante&amp;nbsp; a consulta&amp;nbsp; de bons&amp;nbsp; dicionários. &amp;nbsp;Contudo, isso era um problema interno e não para estar sendo discutido dentro de uma composição de metrô e com alguém que &amp;nbsp;eu nem conhecia, ainda mais num dia calorento de horário de verão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Repentinamente a acidez de suas críticas me fez sentir&amp;nbsp; incomodado com a unidade. Sacam esse lance de termos o nosso time e &amp;nbsp;mantermos uma rivalidade agressiva contra torcedores de outros times? O nosso time e os nossos jogadores são os melhores -&amp;nbsp; costumamos pensar -&amp;nbsp; Pois é! Contudo, há senso de unidade, espírito de equipe, maior que nossos times. Como? Para isso nos bastaría nossa seleção jogar contra uma Argentina e ganhar com um gol no apagar das luzes, de preferência&amp;nbsp; aos 47&amp;nbsp; do segundo tempo. Acreditam que nos importaríamos&amp;nbsp; quem&amp;nbsp; foi o jogador que fez o gol&amp;nbsp; da redenção? Claro que não! Tanto faria se esse jogador fosse do nosso ou de algum time que não gostássemos. Entenderam do que falo?&lt;br /&gt;Portanto foi desta forma que senti que ele nos colocou em xeque a&amp;nbsp; nossa unidade. E, terminantemente; isso eu nao&amp;nbsp; permitiria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Escute aqui meu rapaz!&amp;nbsp; Qual o seu nome? – Perguntei-lhe com severidade no olhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;-Alberto Margarida Vera! – Respondeu-me com altivez enquanto&amp;nbsp; olhava para o seu reflexo na janela do trem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois espalmou as mãos, esticou os dedos e os penetrou nos fartos cabelos loiros com alguns reflexos castanhos escuros; obviamente um bom trabalho em al
