terça-feira, 27 de março de 2007

A primeira vez num puteiro.


-Uiiiiiiii! Que pau gostoso, guri. Isso, assim, espirra pra tua putinha, espirra! - Ela sussurrava.

E foi exatamente dessa forma e numa cama de um madeiramento forte que acabara de dar minha primeira gozada em puteiro, fato que aconteceu no fim dos anos 60. O local me recordo até hoje,  Picuia, era assim que o chamavam. E estar ali foi o pontapé inicial dum “boyzinho” recém saído da mais progressista cidade, a mudança da família, e a minha tentativa de me adaptar às pessoas dum lugar provinciano do interior do Paraná.

recordo também que para estarmos na Zona tínhamos que percorrer mais de 20 km  contados a partir do centro cidade, 15 dos quais em chão batido, enfrentando buracos, barrancos, pedras, enfim, deixando muitas coisas para trás.  E seguíamos em frente enquanto eu observava as densas nuvens de poeira que se formavam à traseira do Ford Belina. Perturbadora era aquela sensação gélida da noite que me tornava ansioso, já que pouco mais adiante teria que enfrentar a  minha prova de fogo, o batismo de uma alma juvenil no primeiro puteiro da vida. Evidente, como era de se esperar me vestia de inexperiência e duma desbotada calça Levis unida aos sapatos vermelhos e à camisa rendada do mesmo tom que,  fazia de mim um ser diferente aos olhos locais. E era assim que a maioria me via; um garoto cheio de frescuras, alicerçado nas arrogâncias que se provêm dos centros mais desenvolvidos, fato que jamais neguei, afinal, comparando-me aos jovens dali chegara à conclusão que eu era "o cara" uma espécie de Roberto Carlos local. Portanto para mim, além da Picuia havia o prêmio dum  reinado solitário, sem súditos, plebe de fariseus que de mim  desdenhava por pura inveja, pois jamais haveria para esses sujeitos a estonteante timidez das garotas mais bonitas.

E  foi embarcado nesses pensamentos que o automóvel seguiu adiante, e convém lembrar que ver-me à caminho do puteiro era o prêmio por minha excelente atuação uma semana antes para o goleador dos gols mirabolantes e que nos deram a vitória sobre um dos melhores times da cidade na semi final do campeonato. Nosso time era conhecido como  " Os garotos do Aviação" e até onde a memória me faz recordar o Aviação era clube de fachada e onde o futebol se constituía no prato principal. Porém ele não o era,  e mesmo que disfarçado com mesas de pebolim, bilhar e ping-pong por suas dependências teve que ceder  lugar para o dinheiro grosso que se provia no carteado. O Aviação  funcionava diuturnamente e alguns que por lá davam as caras  pareciam tipos estranhos,  de credos, larguras e cores. Algumas pessoas aparentavam certa importância em  roupas caras, rescendendo à colônia Campos do Jordão. A sede do clube  se compunha duma casa enorme, sem placas de indicação,  protegida por muros de concreto que tinham por finalidade mantê-la discreta, fator imprescindível para o ramo da contravenção. Claro, não é difícil imaginar que o grêmio só pôde manter em funcionamento  graças às prováveis propinas pagas às autoridade locais que, por ironia tinham o dever de coibir e erradicar a jogatina pela cidade. E essa era a realidade, mas também havia a esperteza do presidente do clube, o Sr. Hanashiro que, no intento de mostrar seu lado benemerente praticava algumas ações filantrópicas no auxílio de famílias pobres da região, tornando o futebol o carro chefe de sua popularidade, principalmente ao levar  para o time três ou quatro garotos de favela. Portanto, não havendo sócios e nem mensalidades não seria menos verdadeiro admitir que éramos  mantidos às custas do lucro da jogatina..
E assim era o time  do "Aviação" garotos de faixa etária entre 14 e 16 anos que, suando a camisa a cada dois domingos  disputavam o campeonato juvenil da cidade. Sim, evidente, havia prêmios; Se perdêssemos, nada! Mas se ganhássemos, ah... se ganhássemos comíamos lanches e guaranás  à vontade no Bar do Mané, próximo ao clube.


E para lá fui levado pelo meu primo porque tinha um bom futebol, além de ter jogado num time dos bons de São Paulo. Evidente, o fato de ser galgado à condição de craque do time me possibilitou regalias como a de ficar zanzando pelas mesas de carteado sem ser questionado por ninguém. E também era isso que a recente memória reconstruía ao desbravarmos aquela estrada de pó e depois de ter mentido pra minha mãe afirmando que dormiria  aquela noite na casa do primo. E no clube ninguém me questionou, já que para aqueles japoneses o fato de ter mais de 15 anos significava ser o dono do próprio nariz. Por consequência  continuamos rodando até que  num ponto houve a brusca guinada à direita e depois de 300 ou 400 metros adentrávamos o terreno. Olhei para meu  relógio Orient e ele marcava 22 horas de um sábado. Imaginei que sendo a "zona" encontraria um lugar legal e de certo refino e garotas muito gostosas. Que desilusão! Ao entrarmos no terreno de parca iluminação avistei luzes coloridas no interior duma grande casa construída em madeira. Sim, era a Picuia.

Manobrando alguns metros adiante a Belina teve que desviar de algumas cabritas que, por mais que buzinássemos permaneciam tranquilas, olhando-nos até com certa indiferença.
Sim, certamente um tanto decepcionado não pude deixar de achar engraçada a situação, ainda mais ao verificar que havia próximo outros animais como  galinhas e porcos. Recordo ainda que me questionei  se não seria algum disfarce para manter a "zona" longe dos falatórios da sociedade, afinal sempre foi sabido que na Picuia sempre houvera uma ou outra  menor, assim como descaradamente liberavam  o acesso para menores de 18 anos, desde que lhes trouxessem algum dinheiro.
Bem...chegando, paramos o veículo e descemos e fomos recebidos pela  dona Goiana, a sorridente dona do bordel. Dona Goiana devia ter seus 53 ou 54 anos, mas ainda notávamos  algum estilo em seu porte e nas curvas no corpo. Olhando-a mais atentamente tudo indicava  que anos antes houvera uma mulher atraente no alto daquelas pernas  relativamente bem torneadas  E isso pude perceber no traje que vestia; uma elegante saia em linho negro e uma blusa branca em voil, onde, na altura do seio esquerdo um gracioso broche de ouro adormecia espetado. O traje justo  poderia lhe sair  mais atraente se não dessemos pela falta de um dos dentes no seu sorriso que se abriu amplo. Entretanto convém frisar que mesmo que faltando um dente na arcada superior, tal ano maia não lhe comprometia o conjunto.

Ao entrarmos na casa houve festa para o Sr. Hanashiro, pois pelo visto gozava de ótimo conceito tal a cordialidade que nos foi dispensada.  Foi então que nominalmente fui apresentado a dona Goiana. Ela sorriu e eu gostei do seu sorriso, e ele foi terno e tão acolhedor que o dente pareceu não fazer falta. Ao entramos ela pediu às suas meninas que providenciassem bebidas. Tudo se deu urgentemente e o litro do uísque Old Eight  e um par de cervejas foram colocados sobre a mesa adornada por toalha plástica com motivos florais  próxima à parede. No salão, talvez de 40 metros as singelezas de algumas luzes em tons de azul e vermelho tornavam o ambiente algo que "depre" enquanto na vitrola  Altemar Dutra iniciava o lamento de sua cantoria com a  "Sentimental Demais". Era o sinal para que as meninas tirassem os “cavalheiros” para dançar. Seguiu-se depois Bienvenido Granda e o "Perfume de Gardênia"  e isso animou ainda mais o lugar. Sucessos e mais sucessos bregas desfilavam enquanto o esperto japonês   amparado por seu cacife tomou conta da  garrafa de uísque juntamente da melhor garota do lugar. O nome dela não me recordo, mas podemos tratá-la por Marta. Isso! Marta será o seu nome daqui para frente.

O que me recordo é que Marta era uma garota linda, dona de um corpo escultural, e ela se  agarrou ao senhor Hanashiro como se ele fosse um Buda de estimação. E eles dançavam e eu ficava olhando enquanto as outras garotas me fitavam com certa insistência. Porém algo aconteceu comigo e definitivamente eu não me interessara por qualquer uma delas, exceto pelos olhares de Marta. E esse encanto veio pelo  seu modo de falar, um sotaque quase cantado, coisa de gente ao Sul do país. E isso aliado aos lábios delicados da boca carnuda e um sorriso devastador acabaram por me deixar caído por ela.  Na mesa e com ela ao seu lado o  Sr. Hanashiro ria e bebia enquanto as outras meninas  tratavam de se ajeitar com seu homem. E eu ficava atento aos movimentos delas e as via  sumir pelos corredores da casa, seguido do som de portas se fechando. Portanto eu tanto recusei as olhadas das outras garotas que, com a chegada de novos clientes  foram se desinteressando por mim. Para elas, talvez eu fosse apenas um garoto bonito e movido à arrogância. Talvez também não perceberam que havia algo de timidez, todavia deve m ter achado que a prepotência não enche bolsa de ninguém. Ainda me mantinha á mesa com os amigos do seu  Hana que, sempre voltava à mesa e emborcava o seu uísque e retornava pra Marta que o esperava para a dança no centro do salão. E eles dançavam colados, se esfregando,  e as mãos dele escorriam pela bunda de Marta que, entre risinhos safados e um aparente ar de surpresa procurava retirá-las de lá. Por meu lado, não poderia me queixar, afinal, ele bancava as bebidas e qualquer garota que escolhesse, mas como eu  estava a fim da Marta e não sendo possível tê-la,  achei por  bem surrupiar algumas doses do seu uísque, o que também se constituía um fato novo para mim.

E, ali parado, tentando descobrir o significado e o por que eu fora parar ali e por cima ainda interessado na  garota que a prudência me pedia para desprezar  foi que me bateu a vontade de beber. E eu bebi, e o líquido desceu rasgando e me queimava como se fosse  labareda viva, dessas que tostam alguém pelo tubo laríngeo  E eu bebia sem nenhum comedimento e não desgrudava os olhos do corpo de Marta enquanto dançava com o Sr. Hana. Abarrotado de desejos  eu me amparei numa espécie de parapeito de uma das janela e me aproveitava quando o japonês fazia o movimento do giro para poder cravar os olhos em Marta. E ela percebia e até retribuía, já que, apesar da bebida eu tinha a mais absoluta certeza que ela piscava e sorria para mim. Passado algum tempo e sem nada para fazer se não fosse observar as pessoas se bolinarem,  foi inevitável embebedar-me, pernas trôpegas e quase nenhum controle motor sobre mim. Repentinamente tudo começou a rodar; o salão rodava, as pessoas rodavam, e rapidamente saí e me distanciei da casa para vomitar.
E aquilo foio nojento, pois conforme eu vomitava, duas cabritas pareciam brigar entre si para saber qual teria a supremacia de lamber o meu vômito.

Ainda aproveitei para nos fundos da casa molhar meu rosto num pequeno tanque de pedra, para depois retornar ao prostíbulo. Na volta, a dona Goiana, vivida nestas situações logo sacou que eu seria um "garoto problema" e que poderia causar vexame maior; Experiente, ela sabia que era mera questão de tempo. Carinhosa,   me pegou pelo braço e sorriu com ternura ao me amparar pelo corredor.  Cuidadosamente foi me levando pelo estreito vão até entrarmos numa das portas, onde me deitou numa cama de casal de um quarto grande e simples. Ao sair, ouvi o clique do interruptor e a luz se apagou e então a sensação que veio foi horrível. De repente me senti um jogo de criança, um peão feito de gente  e tudo continuava girando, rodando, e eu me sentia mal e novo espasmos do vomito vinham. Instintivamente levantei e sentei-me na  cama e tentava  vomitar ali mesmo, mas não havia mais nada para sair. Eu amparara o peitoral nos cotovelos dobrados sobre as pernas,  e após outras inúteis tentativas de vomitar percebi que as contrações foram cedendo e os meus olhos começaram a fica pesados, difíceis de se manterem abertos.

E assim se passou algum tempo e era alta madrugada quando fui acordado por uma boca me sugando como se fosse um picolé de baunilha. O meu pau latejava e eu não sabia se era de tesão ou a vontade de mijar, apesar que não faria qualquer diferença naquele momento. Repentinamente uma sensação boa me tomava, e me sentia extremamente bem com o membro colocado dentro daquela boca.  Tomando consciência do fato soergui minha cabeça e ao meu lado um par de pernas  traseiras voltadas para cima e no outro extremo delas a boca de Marta me sugando com sofreguidão. Puta que pariu! Ali estava a garota que tanto desejei.
E ela, discreta, procurava não fazer barulhos significativos e eu não compreendia aquele tipo de atitude, pois sempre diziam que putas eram escandalosas. Porém não era isso que ocorria, e dela eu só ouvia o som discreto de sua boca lambendo o meu pau seguido de murmúrios sulistas num tom tão baixo que só essas frases me coube ouvir -  “Uiiiii, que pau gostoso, guri. Isso, assim, espirra pra tua putinha, espirra!”  -E assim fui despertando e tornando-me vivo para tudo que se passava. A sugada era maravilhoso e eu começava a gostar da sensação que a  boca me proporcionava, a língua, os dentes roçando o meu pênis, me deixando maluco e com a  impressão de que o gozo se aproximava. Foi então que  senti o pau queimar como se ardendo nas entranhas do inferno; Era o meu momento que chegava "Ahhhhhhh" murmurei num orgasmo.

E os seus olhos ainda se cravavam nos meus e com o membro se exaurido do espesso líquido  sugado por aquela boca ouvi um forte ronco vindo do seu lado. Assustado levantei ainda mais a cabeça e dei com o corpo do Sr. Hanashiro no canto da parede. Icei o tórax e olhei  para ele e achei repugnante suas pernas brancas, flácidas, abarrotadas de veias azuladas. Ele se vestia com as mesma camisa e uma cueca samba-canção  branca e  tão encardida que  quase me faz vomitar novamente. Num dos cantos dos seus lábios escorria uma gosma espessa e transparente e ele continuava a roncar alto,  e o ar parecia rarear nos seus pulmões, e por momentos ele não respirava, e era como se a morte o estivesse esfregando as mãos, satisfeita. Então como se assustado pelo próprio ronco ele teve sobressaltos, pigarreou, e novamente virou o rosto para a parede e votou a dormir.
Fato consumado e livres do perigo,  Marta levantou-se e sorriu. Foi assim dessa forma que pude ver que  estava de calcinha e sem sutiã. Eu percorria as vistas em cada milímetro do corpo maravilhoso de uma mulher  na exuberância dos seus 23 ou 24 anos. E ela,  peitos poderosos, levantou-se rebolando o mágico par de nádegas comprimido por uma calcinha branca dirigiu-se ao banheiro, onde fora dar a sua mijada de cerveja e  livrar-se dos restos de esperma contidos em sua boca.

Talvez nesse curto trajeto ela tenha refletido sobre a sua vida. Talvez tenha se perguntado se as coisas permaneceriam como estavam ou  se alguma boa chance sorriria. Talvez tenha sido isso, e mesmo que,não fosse, ou houvesse perguntado a mim e não à ela,  igualmente não saberia o que lhe responder.  E assim que ela se retirou do quarto tudo me pareceu tão triste e sem esperanças naquele fim de mundo e nos lençóis manchados de porra. Olhei novamente para o lado e o japonês desleixado persistia roncando no canto da parede, e continuei me questionando sobre ela, quando retorna. Admirando-a me questionei: "Será que durante a madrugada ela deu uma trepada com o seu Hana?"  Ainda eu não sabia mas, essa dúvida sempre me acompanhará por toda a existência, pois a cultura os oriental sabe que o silêncio e a discrição é o desfrute da sabedoria. Insisti, questionei-me novamente e sem encontrar qualquer indício que houvera a trepada acabei por fazer  uma aposta comigo mesmo, optando pelo "não transou" pois estava suficientemente bêbado para conseguir a ereção, afinal ele não tinha os meus 16 que acabara de completar à coisa de uma semana.

Assim que Marta retornou par o meio de nós dois o cobertor foi puxado e ela virou a bunda para mim e me encaixei nela até até voltarmos dormir. Acordamos lá pelas 8 da manhã e Marta persistia dormindo, porém, surpreendentemente o meu corpo estava de lado e voltado para o lado de fora da cama, sinal que ela deve ter me virado para evitar problemas com o japonês.  Lembro que o seu Hana fez sinal, tocando o dedo na frente dos lábios me pedindo para evitar o barulho. Recordo também de ter olhado pra ela pela última vez, e  ela dormia estirada à cama. Procurei ser o mais cauteloso possível e ela se manteve serena, mesmo que à luz  do dia, talvez até mais linda que antes. Continuei olhando para ela, e de diferente apenas os cabelos que,  pareciam  agora de uma tonalidade mais clara que o tom da noite anterior. Antes de sair e fechar a porta do quarto lembrei das minhas questões quanto ao seu destino e repentinamente me senti  transbordando ternura por ela. Foi então que silenciosamente lhe desejei o topo, o melhor e o sucesso, sempre e para sempre.
Após ser abraçado e beijado carinhosamente pela dona Goiana, além das recomendações para que não voltasse a beber (disse que eu era muito novo) entrei no carro e partimos. Retornávamos quietos, os três  japoneses e eu, e a mesma sensação de vazio me tomou quando virando a cabeça na direção do vidro traseiro novamente dei com a densa nuvem de poeira. Só que dessa vez havia cor, havia vida, e eu a olhava atentamente para  aquela imensidão de pó na tentativa  de definir a tonalidade mais apropriada.

Aquilo me entreteve e continuei fitando as poeiras que se avolumavam a cada metro percorrido.  Depois perdi o interesse e voltei a minha c abeça e o sr Hanashiro dirigia compenetrado. Bati a mão no bolso, tirei um cigarro do maço  e o traguei no instante que ao japonês ao meu lado tossiu incomodado. Foram quatro ou cinco tossidas, secas, dessas parecidas com a dos cachorros que engasgam. Olhamo-nos e  sorrimos com sorrisos amarelados e eu continuei em completo silêncio, à espera do cigarro terminar. Assim que senti ao cigarro esquentando entre os dedos abri o vidro pra jogar a bituca. Foi quando o sr. Hanashiro fala para o  amigo sentado sentado ao lado no banco do passageiro:.

- Aquela piranha é gostosa demais! Outra vez a danada me fez gozar três vezes!

A frase foi tão bombástica que me soou como a melhor das piadas. E o meu riso, no início, contido, se tornou gargalhada. E eu olhava pra ele e para a sua austera expressão,  e aquilo me pareceu engraçado, pois achara que mentira tão deslavadamente que, ao fim foi impossível  me conter. Agora sim eu tinha a mais absoluta das certezas que em toda regra haverá exceções,  e que nem todos os descendentes orientais são sábios. Bom, pelo menos aquele não me parecia ser sábio o suficiente

- Ta rindo do que  garoto? - Perguntou num tom sério, fitando pelo retrovisor; Talvez desconfiado que as risadas teriam conotações com o assunto dos orgasmos.

- Nada não, sr Hana! Estava me lembrando das cabritinhas da dona Goiana! - Disfarcei, e apenas continuei sorrindo. E a jogada pareceu providencial.

Ele parece ter recordado e riu e bateu fortemente na perna do rapaz ao lado. Os outros japas  também riram, e agora com a brasa do cigarro quase me tocando a pele foi que flexionei o dedo médio sobre o polegar e através do  vidro escancarado atirei pra longe a bituca. E o vento úmido penetrando pela janela traseira pareceu incentivar que colocasse a minha cabeça para fora do vidro. Foi o que fiz e senti um ar frio que chicoteou meu rosto causando ótima sensação. E lá, com os olhos fechados e cabelos esvoaçantes eu sorri satisfeito e em paz.
Não era sorriso de desdém, não, não era. Era um sorriso solitário e de quem tinha a certeza que  não perdera a aposta que fizera comigo mesmo; jamais aquele japonês falastrão teria tido três orgasmos.

Podem achar estranho, mas...nunca mais finquei os pés numa casa de prostituição.


Copirraiti11Jan2013
Véio China©

5 comentários:

Gabriela disse...

Sem palavras...

Anônimo disse...

Adorei Veio...
Vc escreve de uma maneira que nos leva a vivenciar cada detalhe, cada emocao.
É por isso que eu amo vc.
BEJO

MEL disse...

esqueci de assinar a postagen anteriior
BEJODAMELL

MImiguinha disse...

Adorei te ler...
Você escreve de maneira muito próxima ao leitor, nos leva a interagir com o texto.
Quero voltar a aqui. Posso?

Beijos... infinitos.

alvarêz dewïzqe disse...

histórias da zona são as melhores.
massa mesmo, adoro essas meninas depravadas dizendo safadezas pra deixar o pau duro. de primeira!