quinta-feira, 25 de outubro de 2012

-Crônica - Amores, serpentes e desertos




Jamais haverá surpresa na delicadeza das mentiras do amor, mesmo quando ditas dum jeito dramático, o instante que se sacramenta do essencial, de pequenas trapaças que se pretendem reais.
Também não ocorrerão perplexidades dum sim ou não diante do enigmático olhar nostálgico, belo como noite de luar, metafórico como versos de poetas.
E assim se dá porque o encantamento do amor está ao alcance daquilo que pretendemos ver, assim como a nossa admiração ante a fidalguia da onça, o estremecer ao esturro e a imponência do seu porte, mesmo cientes que a sedução sucumba às garras que poderão ferir com desespero e obsessão.

E estas são as garras do amor, pontiagudas,  que se colorem de contrastes e acabam por dar  certo sentido às nossas existências, mesmo que  possibilitando feridas profundas.
Sim,e  muitos conhecem a força  desse amor, e dele o instinto predador que nos tiraniza, subjuga, que nos impõe roupas, ora de caça, ora do caçador. Decerto não há de se negar que muitas vezes fomos presas de armadilhas infames, porém,  num noutro instante  estivemos na pele do predador, e é justo,  pois para os cinco dedos da direita haverá o mesmo tanto na mão esquerda.

E falando em amor, e em muitos casos o vemos sobreviver entre o que é banal e fútil. Evidente, não se trata de fatos generalizados, porém, parte destes descasos sejam atribuídos a internet, onde as sensações se confundem no misto de realidades e fantasias, relações que se contemplam sem o calor o calor do toque, mas que se acariciam por dedos que pressionam teclas. Portanto, não havendo olhos que nos devoram poderemos estar subjugando a importância e o peso das palavras, enfim, o valor do quilate do próprio sentimento. Todavia, dentro ou fora deste planeta virtual é comum ouvirmos a shakespeariana frase "Eu te amo" E a vivência de alguns anos me fez constatar que, em algumas oportunidades a frase se assopra irresponsável e mentirosa, da boca pra fora, e com a mesma singeleza dos sorrisos que nos arranca a primeira paixão. E é diante dessa futilidade que poderão estar nascendo promessas, mesmo que não tenham conotação com a verdade, ou com a farsa das pretensões.

E depois da decepção, virtual ou não, o fato deixará de ser importante, cairá no esquecimento, pois além do grotesco dos erros haverá gente para aplaudir e acariciar nossos egos e cabeças fartas em cabelos ou não  – Ah o amor,  começa aqui e poderá capitular ali – Muitos proclamam munidos do EU racional e estatísticas contempladoras. 
E depois do "inconcretizável"? Bem...depois virão outros relacionamentos, pessoas com novos rostos, matizes de som, e um jeito diferente de olhar ou sorrir. Então se dá  a hora do flerte, e as palavras seduzirão as almas. Contudo nesses relacionamentos jamais saberemos qual a roupagem que o destino nos vestirá; Seremos caça ou caçador?  Presa, ou do predador?

Enfim,  amor é o sentimento que se vivencia indiscriminadamente por gente assim como você, como eu, olhos vendados num mundo que forja a silhueta da paixão que mais convir. E assim é o amor, indomável,  imprevisível e empolgado por palavras que adormecem  com o orvalho das horas.  Talvez, para os que nele se agarram com insensibilidades e hipocrisias haverá a possibilidade da isenção do discernimento, fato preocupante e que nos faz clamar por um planeta menos fútil e banal, um mundo onde o lastro das palavra poderá valer menos que a embalagem pet de água mineral.

Então amigo, é isso, eis aí a paixão, o amor, e ele é como um filme de atores experientes e novatos, elenco que se reúne festivo para as fotos promocionais.  E eu faço parte deste Set, sou também um personagem,  assim faço pose e sorrio e fotografam o sujeito escolado que sou, diga-se, um cara acostumados às garras e dores. Porém não será de todo inesperado que as presas que se atrofiam na decepção, cresçam e voltem a se tornar poderosas, e elas poderão igualmente cravar e ferir. Todavia há de se dar a mão à palmatória, pois no amor o que dói é a mentira. E a mentira é aquilo que faz fenda,  escava nossos sentimentos, crateras com ouvidos à mentira que é dita, calma, convincente, dessas que fazem brotar esperanças em desertos de carências. Sim, a mentira mata, avilta, e ainda se me for possível conferir outras metáforas diria que muitas delas carregam o encanto das najas,  sedutoras, que se esgueiram às areias de nós adentrando entranhas, visando se divertir com desavisados corações. É mais que provável que se faça a pergunta: Existirão antídotos às serpentes que se esgueiram nestas poeiras incautas de nós? Sim, existe! Mas dependerá de cada um. Em mim, quando a emoção se dobra à razão concluo que posso estar a caminho do meu precipício. E nesse caso desfaço-me da venda e armo-me daquilo que resta de lógica tornando-me meu   próprio antídoto, afinal, sou vital e necessário à  preservação de mim mesmo.

Portanto....

Amores sempre serão riscos, apólices de alto valor, é pegar ou largar. Entretanto e mesmo que conteste, outra vez a experiência sussurra que não resta alternativa a não ser  mergulharmos nesse mundo de emoções,  desafiarmos medos, ebulir a paixão deixando transbordar. E se alguém acelera as suas emoções,  lute bravamente por ele,  rasteje às barricadas neste planeta que também se poetiza nos desacertos, desgraças e misérias. Não se surpreenda com nada, tudo é possível, pois viver é ser como folha seca de outono ao sabor do vento que ruge sem se importar com a direção. E se a sua figurinha estiver a  carimbada  é possível que o amor se edifique dentro de você e o mundo lhe pareça melhor. Entretanto e apesar deste entusiasmo nem tudo recenderá o odor das melhores colônias, já que a vida mais se assemelha ao jogo do poker que ao delicado frasco do  fino perfume de mulher. Além do mais, e mesmo que você se sinta vivo e  no jogo, não valorize suas cartas em demasia, mesmo que te sorriam confiantes,  pois blefar, é perigoso, já que a sequência máxima do jogo dificilmente estará em suas mãos, e você poderá desabar junto de suas cartas.
Ah, e em em caso de derrota procure sorrir da própria sorte, e ela nunca é ou será tão má quanto possa parecer. E quando estiver ao chão pelo soco no queixo do amor  duma mulher, esforce-se,  levante-se rápido, afinal, a função das suas nádegas não se destina à frieza dos pisos, às poeiras dos caminhos, ou aos escarros da ilusão.



Copirraiti25Out2012
Véio China©

4 comentários:

Valéria Cruz disse...

Amigo! caça ou caçador, dores ou delícias. O que importa de que lado estamos? Acaso o "eu te amo" proferido naquele exato instante não é verdadeiro? Creia que haja amor também nas brevidades de instantes, alias, posso afirmar-lhe que já amei absurdamente, apenas, alguns instantes. Mas tenho uma teoria para afirmar tal coisa - o amor está em mim e algumas vezes eu o compartilho com outrem - seja por toda vida, como fazemos com os filhos e pais; sejam por momentos longos com nossos companheiros; seja com nossos amigos - amor gostoso e aconchegante. Por fim, os amores de instantes, aqueles que parecem como umflash, que zupt, zapt...vivemos como se fosse a última gota de água do planeta...e quando vai...deixa em nós aquela nostálgica e eterna lembrança...esses dias, estava com "sintomas" de saudades, escrevi uma coisa que diz assim:
A
cada
vez
que
amo
vivo
apenas
uma
única
vez.
Xi, me estendi né...bjão
V.

Véïö Chïñä‡ disse...

hehehe. Pois é! Entendi o teu ponto de vista. Mas..sinceramente? Não gostaria de sentir ao amor assim tão...efêmero.Enfim..atb é possível. Mas diz a poetisa...a acada vez que amo vivo apenas uma única vez.

bacana!

Anônimo disse...

O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna, não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado. Não leva em conta o dano. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdades..... e algumas sinceras mentiras... Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. Dizem que a paixão passa após 6 meses de dor, e o amor perdura por uma longa eternidade....que seja...penso que conheci o amor, pena não poder esquece-lo por nenhum dia sequer da minha insignificante existencia...e admito....tá foda!mas se o amor é esse sentimento que causa real sofrimento é só por hoje...só por hoje,,,,
"Gostei do conto", mas ainda opto pela imparcialidade do narrador.

Véïö Chïñä‡ disse...

Atento também a última crítica. Talvez ja tenha dito que gosto mais de algumas críticas que propriamento àquilo que escrevo. E mais uma vez não me surpreendi.
Realíssima percepção do amor!

Valeus a leitura!!!