sexta-feira, 27 de julho de 2007

Contos e Crônicas postados no Bar do Escritor part.II


DELIRIUM TREMENS

Ele estava doído. Seria a solidão?
Doía ao sentir-se irritado com a própria presença. Ela lhe machucava mesmo na rua quando pouco importava, se era noite ou dia. Percebia-se na própria dor ao conversar no telefone por insistência dela, justo ela, que tanto amara e hoje nada mais representava que o desalento em palavras, morto em transmissões via satélite e sepulto nos fios do seu viva-voz. Afinal, o que exatamente lhe incomodava?? Perturbava-o a sensação de haver falhado em algum lugar. Incomodava-o o fato de não ter conseguido causar ou manter qualquer interesse que fosse. Doía se ver dilacerado, sentir-se por si enganado. Feria-se ao vestir da falsa fé e ainda crer que poderia surgir fatos bons, todos por acontecer. Sangrava porque não sabia a fórmula e, não havia nada que o fizesse voltar a sorrir. Foram tantas as coisas que imaginou. Foram tantos os sonhos que, hoje, havia até o medo de sonhar. E quanto as ilusões? Foram exaustivas e todas haveriam de vingar mas, no fim um blefe e tudo se perderia em devaneios, inconsistentes, tal qual o ar passar por entre os vãos dos dedos. Era preciso manter os pés nos chão e qua jamais deveria permitir que os desvarios sobrepusessem-se aos fatos e, fundamentalmente, da forma que eles eram. Fórmulas mágicas? Para ele existia uma única; a bebida. E com ela, ele bebia a vida, tragava a realidade , nua, crua e sem ilusão. Era necessário beber para se manter na lucidez. E o pleno estágio da verdade se dava ao sentir-me embriagado. . E assim, a boca mole, silabando “SSSSSS”, em frases babadas no balcão, endireitava até o chão se lhe parecesse torto mas, era o efeito o poder da bebida que o tornava suficientemente forte pra questionar de si o seu conflito mediante a vida.. Então perguntava por que a vida o dilacerava.
Por que ela insistia em zombar de si. Quais os motivos ele lhe dera para que fosse transformado no mais vil e indiferente dos humanos. Não lhe havia qualquer traço de afeição, nem mesmo com o pai, a mãe ou qualquer parente. Não havia em si a menor sensibilidade que o fizesse discernir a beleza duma flor e o alívio do espírito no regalo do amor. E por que os momentos de incerteza o faziam confiar menos em Deus e mais no diabo?
Ele não sabia de todos esses por quês Ele só sabia que enquanto sóbrio não vivia. Só sabia que bêbado, ignorado no mundo, jogado num canto num monólogo absurdo e insano ele não sofria. Não havia a parte física da dor, já que era a alma que lhe doía.
E então, sabendo de tudo isso, cada vez mais, ele bebia.


AOS MENINOS DOS ANOS 60...UMA HOMENAGEM

Eu queria as suas "minas", ter aquelas "bekas", vestir suas "Levis" e seus sapatos da "Cougar". Eu queria os seus fuscas, as putarias nas madrugas, queria estar no Arouche passando a mão nas bundas das safadas. Eu queria as estaturas dos grandes, ser os seus corpos em movimentos, fazendo amor com uma gostosa, tão inacessível ali, num banco reclinável do carro estacionado no drive-in do bairro. Eu queria ter as penugens no rosto , queria estar no Aurora, primeira fila, assobiando, pênis ereto ali, diante dos streapteases das bundas mal feitas e dos peitos de fora. Eu só queria ter a grana pros "catecismos" a cada quatro semanas. Eu queria, ser o garoto prodígio, tipo de "Robin", queria ser o escolhido pela garota do rosto mais bonito, nas noites de carnaval do meu time favorito. O que eu queria era me sentir um deles. Eu queria estar na "crista da onda", tomar o guaraná do "Teobaldo" com o uisque Red Label. Eu queria "muita coisa", queria ser de Liverpol mas, não podendo, ao menos, ser tal qual o Lennon, correndo dos gritos das gurias e, se pego, agradecer num inglês de jogadas, carregado nas gírias. Ah, como eu queria. E eu queria tanto, queria o mundo e a porra da idade não me deixava. Eu tinha apenas treze anos.




2 comentários:

Silvia Cássivi disse...

Muito triste essa primeira parte,parei no meio. Quero alegrias,nem que sejam de mentiras,estou cansada da tristeza da verdade.

Sobre a 'melhor idade',veja pelo lado positivo: não paga passagem.
Sobre ser um adolescente (juro que não sei se esta escrito certo assim rs) mas tratado como criança: tudo um dia passa,até o frescor...e um dia essa criança vai querer voltar no tempo.Não vai dar mais!

lena casas novas disse...

véi safado!

Vejo que tu tem evoluído em seus textos.Tu até entende de poesias!(gargalhada)