sexta-feira, 27 de junho de 2008
Deficiência.
Apesar da deficiência, ele parecia saber tudo que ocorria à sua volta.
Alegre, um pouco estabanado é verdade, mas, feliz, vivia distribuindo sorrisos e objetos espatifados por onde seu corpanzil passasse.
Um dia porém, na ante-sala de espera do ACD, uma garotinha, talvez uns 7 ou 8 anos, loira e bonita, sentada ao lado de sua mãe, olhando-o atentamente fez a seguinte observação. A sua voz soou alta e clara como a sua inocência:
-Nossa mamãe! Que garoto estranho! Tem olhos parecidos de um japonês mas, não se parece com um japonês.
O garoto síndrome de down ouviu. Apesar do esforço, não conseguiu concatenar o raciocínio e assimilar a conclusão da garotinha. Só ficou ali, parado, estático, um tanto triste por imaginar-se ofendido. Tal qual a garotinha, ele se encontrava com a sua mãe; era o dia de sua avaliação. Atingido, sentiu necessidade de ir à forra:
-Mãe, por que toda garota loira é burra? - Ele havia ouvido dezenas de vezes dos garotos da sua escola a tal famigerada piada da "loira burra".
-Filho, que é isso? - Comporte-se Fernando! - Admoestou-o a mãe.
As mães entreolharam-se amistosamente, sorrisos cúmplices e resignados.
Os garotos porém, se olharam num misto de antipatia e empáfia, mas algo tão momentâneo que não perdurou duas pulsações de um coração.
Momentos após, viu-se abrir nele um sorriso maravilhoso. E os olhos parecidos de um japonês, mas que não eram de fato de um japonês, brilharam esplendorosamente. E então ele se ateve nas reluzentes hastes metálicas que amparavam as pernas dela. Ela percebeu que ele mantinha o olhar fixo no seu aparelho, então sorriu-lhe timidamente. E a olhando novamente, concluiu que por mais que reluzisse aquele metal , jamais seria o suficiente para ofuscar os mágicos e resplandecentes olhos azuis daquela loirinha que ele achara tão linda.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Gaudêncio, um touro gaucho em Madri.
Olééééé! - Grita a platéia enquanto o toureiro se apronta nos requintes cênicos, pois o grande show estava por ser finalizado.
Ali da onde estava pressenti a fúria da lâmina e o derradeiro momento aproximando. Eu havia conhecido o meu amigo há pouco, entretanto devido as nossas diferenças idiomáticas quase nada pudemos falar ou entender. Lembro-me ainda que nos mantinham num local úmido, de parca luminosidade e de poucos metros quadrados. E eles nos incitavam aos gritos e tremulando pequenos lenços vermelhos, principalmente o meu amigo que, repentinamente se viu no centro da arena. Antes que ficasse longe das minhas vistas lembro-me de ter-lhe desejado um “Buena suerte compañero" afinal ele precisaria. Recordo também que se virou e olhou na minha direção e sorriu de forma estranha e sombria. E até hoje e sempre que me lembro dele me questiono se o enigma em seu sorriso se estampava por saber o que o aguardava, ou por não ter como rebelar-se diante o conformismo da morte. E foi assim embutido nas minhas incertezas que eu e mais meia dezena de touros o vimos às bufadas profundas, iradas com uma de suas patas dianteiras riscando o chão com contundência, criando rastros na terra. Depois disso fecharam o imenso portão e nada mais vimos, exceto o alarido dos espectadores.
Passado algum tempo reabriram o portão e lá na arena arredondada, entre um misto de terra e areia foi que tomamos ciência da verdade suprema, já que a única que interessava a ensandecida platéia era o combate entre o homem e o animal, o toureiro e o touro. E a peleja continuou por algum tempo com o toureiro fazendo sua capa ondular para frente obrigando o meu colega abaixar a cabeça, e assim atacá-lo. Era visível o desgaste do touro, até que ficou à merce do matador e do seu pontiagudo florete. O algoz estava á cinco ou seis passos de um touro extenuado quando se fez a hora da verdade, onde num lance de esperteza o matador crava a espada no pescoço do meu amigo cortando-lhe a aorta. Eu pude sentir a lâmina penetrando como se fosse na minha carne, assassinando, embaçando os olhos do touro que agora protagoniza a cena patética, a agonia enfeitada por seis ou sete coloridas bandeirolas cravadas em seu dorso. A contenda desumana brinda a platéia que exala os odores dum animal abatido enquanto eu sinto algo ruim por dentro, e tento vê-lo mais uma vez, mas o que me salta aos olhos é a terra tingida numa cor viva e que a todos excita, inclusive a mim. Sim, é a pura verdade, pois o encarnado sempre mexeu e mexerá comigo e com meus semelhantes, aliás, assim é, e assim será sempre. E agora o meu amigo passava por situação dramática ao sentir o sangue jorrando de sua carne como a fenda dum poço petrolífero, e o líquido espesso escorrendo do seu pescoço como um rio furioso que abre veios na mata.
E era tudo muito doloroso, e o víamos tombar à arrogância do algoz, mas ele era um bravo, um touro valoroso que compreendia o matador vestido num garboso traje. Sim, o meu parceiro apesar de ser um animal não era pretensioso e nem mesquinho, portanto podia compreender a necessidade das reverências do sujeito diante o aplauso do público. Talvez em seus últimos instantes tenha descoberto que apesar da contradição, a plateia humana é partidária da violência, ou à ela faz vistas grossas, e isso estava bem nítido diante da sua dor. Enfim, era assim o espetáculo, um show que não desconhece estar o touro e o toureiro à merce da gula da morte, ambos tentando salvar a sua pele ao se beneficiar do erro oponente. Mas dessa vez o homem prevaleceu, e o meu guerreiro amigo supondo que lhe restara alguma virilidade tentou se levantar do chão com os seus mais de 550 quilos, mas não havia força, apenas o instinto e um lamento mugido que confirmava que estava sucumbindo, mas que não era um covarde.
E ao fim, como se fosse ele um herói a quem é ofertado um minuto de vida o meu amigo viu o toureiro atirar o chapéu para uma linda jovem dispersa no meio da multidão no instante que os raios de sol daquele fim de domingo foram se apagando um por um como os sensores manipulados por dedos humanos.
Tudo se sacramentou quando meu amigo cerrou os olhos num aceite do fim.
Se dissesse para vocês que não senti o frio escorrendo por minha
ossatura, mentiria, ainda mais porque eu seria o próximo a desfilar o meu par de patas. Ah sim, ainda não sabem o meu nome, e com todo o prazer lhes digo; Gaudêncio Bravo, um legítimo
touro gaúcho perdido nas terras do flamenco! De linhagem nobre, eu descendo de
Fulgêncio Bravo, meu avô, o primeiro touro a tocar as 4 patas nas Plaza de Toros de
Madri. Éramos sim de uma linhagem combativa, e meu avô quando jovem e por sua
bravura ganhara de Don Henriques uma passagem de navio para a capital da Espanha. Sim!
apesar do ingresso ser só de ida (pois não se sabia se haveria volta) era nada mais que sua conquista reconhecida por Don Henriques Cerda, dono de muitas
terras ao sul do nosso grande Rio Grande.
E em se falando de Don Henriques conta a história que ainda jovem ele deixou a sua Espanha vindo fixar residência em nosso estado, Contam ainda as linhas que, sendo fanático por touros e touradas deu início á criação de touros duma estirpe nobre e da qual o meu avô foi o expoente. Portanto o milionário empresário acompanhando as virtudes e combatividade de vovô lançou-o a própria sorte levando-o ao país das touradas.
E foi assim que vovô se viu á bordo dum cargueiro com destino a Espanha, fato que poderia trazer-lhe a glória ou o triste fim como o de tantos outros touros. Querem saber se vovô morreu? Não! Vovô está aqui, e vivo, bem vivo, apesar da idade. E sobre a sua experiência nas touradas em solo madrilenho lembro da sua narrativa e dos fatos que aconteceram num feriado de muito sol e com a plaza totalmente lotada; Vovô enfrentaria nada mais, nada menos que o espetacular Domingos Figueras “El Vingador” como era conhecido á época. Sim! Figueras quando toureava era a garantia de lotação completa, cultuado por fãs que até hoje o reputam entre os três maiores da história.
E em se falando de Don Henriques conta a história que ainda jovem ele deixou a sua Espanha vindo fixar residência em nosso estado, Contam ainda as linhas que, sendo fanático por touros e touradas deu início á criação de touros duma estirpe nobre e da qual o meu avô foi o expoente. Portanto o milionário empresário acompanhando as virtudes e combatividade de vovô lançou-o a própria sorte levando-o ao país das touradas.
E foi assim que vovô se viu á bordo dum cargueiro com destino a Espanha, fato que poderia trazer-lhe a glória ou o triste fim como o de tantos outros touros. Querem saber se vovô morreu? Não! Vovô está aqui, e vivo, bem vivo, apesar da idade. E sobre a sua experiência nas touradas em solo madrilenho lembro da sua narrativa e dos fatos que aconteceram num feriado de muito sol e com a plaza totalmente lotada; Vovô enfrentaria nada mais, nada menos que o espetacular Domingos Figueras “El Vingador” como era conhecido á época. Sim! Figueras quando toureava era a garantia de lotação completa, cultuado por fãs que até hoje o reputam entre os três maiores da história.
E naquele mortal combate vovô Fulgêncio num dia
de muita sorte e mágica performance, mesmo que duramente estocado
aproveitou-se de um vacilo de "El Vingador" que se firulava garboso pela arena “mais alegre que paisano a meia-guampa” e desferiu-lhe uma chifrada certeira. O osso se cravou na coxa de Figueras deixando-o " mais esburacado que um poncho
de calavera”.
Ah vovô..vovô! E cá estou tchê, em Madri, e para que seja cumprida idêntica sina como a dele fui trazido por Ignácio
Cerda, legítimo herdeiro de Don Henriques, e que, tal qual o falecido pai é fanático por touros e touradas. Sim! e se aqui estou é pelo esmero do exigente Ignácio, pois só traria para a Europa um touro de mérito e personalidade, assim como eu. Portanto o herdeiro direto de Fulgêncio Bravo será eternamente grato ao avô, pois sob seus régios ensinamentos
é que me fiz valente e esperto, ganhando dos peões a alcunha de Gaudêncio "O Exterminador”. Sim, lá no sul todos me conhecem, pois sou um touro “mais forte que peido de burro atolado” e certamente o mais respeitado pela nação guasca.
Portanto era aquele o meu momento, e rapidamente procurei esquecer o que acabara de acontecer ao meu amigo, e assim me alicercei num espírito indomado e “mais apressado que cavalo de carteiro” adentrei a arena para enfrentar Murilo Badaró, à época um dos mais famoso e audazes toureadores da Plaza de Madri.Lembro-me como se fosse hoje que, antes de pelejar com o tal toureiro, um senhor, “mais enfeitado que carroça de cigano ”, montado num imenso cavalo branco adentrou a arena. Não era difícil perceber que trazia numa das mãos uma enorme lança pontiaguda. Curioso me aproximei e foi então que num gesto audaz ele o apontou para o meu dorso e cravou a lança.
Bah tchê! Que dor! Aquilo me deixou “mais nervoso que potro com mosca no ouvido”. Furioso com a sua atitude resolvi partir pra cima do sujeito e de sua nobre montaria.
Qual o quê, tchê! Quanto mais eu chifrava a barriga do animal, mais meus córneos colidiam numa espessa manta metálica, evitando qualquer ferimento no famigerado quadrúpede. E por mais que continuasse chifrá-lo, por mais que usasse da minha descomunal força, a única coisa que conseguia era recuá-lo um ou dois metros. Ainda sendo espetado pela lança no dorso, patinei com truculência as patas dianteiras, e isso pareceu surtir efeito, pois apesar dos ferimentos causados o homem não mais me tocou. Instantes de indecisão e eles pareciam desinteressados, portanto foi sem surpresa que notei que os par de desaforados se retirando do picadeiro. Pensei naquilo por momentos, e talvez devam ter pois percebido que poderiam entrar numa fria, já que não é aconselhável espezinhar touro brasileiro.
E assim fiquei por ali sem entender grande coisa, e triscava furiosamente as patas na terra quando surgiram alguns rapazes de roupas esquisitas, pois suas indumentárias justas e coloridas se faziam acompanhar de capas cor-de-rosa.
Subitamente se postaram cada qual num ponto da arena e ficaram por lá tremulando suas capas com o intuito de chamar a minha atenção; eu não era bobo!.
Contudo eram acintosos demais, e assim que me aproximava se escondiam atrás dum biombo dum madeiramento forte e grosso. E se ainda não bastasse, fiéis ao intuito de me deixarem mais furioso continuavam a me incitar por trás da robustez da madeira. Ora uma saia da proteção e ficava tremulando a capa, e tão logo eu chegava próximo ele voltava a se esconder. E assim ficaram algum tempo,e eu dava um carreirão num aqui, outro acolá, até que, também desinteressados acabaram se retirando do palco; Realmente aquela brincadeira estava bem chata. Entretanto, quando achei que tivessem desistido foi que surgiu na arena um par de sujeitos com roupas mais enfrescalhadas ainda. Achei-os curiosos e enigmáticos, pois cada um deles portava três bandeirolas coloridas. Achei-os corajosos quando os vi na louca desabalada em minha direção. E eram rápidos aqueles danados que com braços esticados para o alto empunhavam bandeirolas e depois as apontavam para mim com a intenção de fincá-las em meu dorso. Aliás, dando a impressão não! Realmente eles cravaram seis delas em meu lombo, deixando-me “mais enfeitado que bombacha de turco”. Depois, e talvez com a premonição de que as coisas poderiam ficar difíceis para eles, resolveram tais quais os outros a sumirem dali, E eu os via correrem e sumirem pelos biombos protetores, felizes como as puta em dia de pagamento no quartel. Claro, era bom que demonstrassem respeito por mim, apesar de ser chatíssimo estar ali sozinho e com cara idiota, assim como esses sujeitos “mais perdidos que cachorro em procissão”.
Foi quando ouvi urros, berros e uivos, pois era o povo saudando o seu herói. Lá estava ele em carne e osso, Murilo Badaró e seu traje reluzente, talvez até "mais faceiro que mosca em rolha de xarope” A sua capa diferia dos demais, um vermelho cor de sangue, e obviamente isso me excitou. Entretanto Murilo me parecia estranho, e eu olhava os seus trejeitos e o achei afeminado á bordo daqueles gestos milimetricamente estudados, algo mais apropriado para um bailarino de classe como Mikhail Baryshnikov. E ele parecia zombar de mim, e sorria e acenava galhardamente para a multidão que o aplaudia e jogava-lhe todo tipo de badulaques.
Sim! Tive que sorrir ironicamente para ele e para a turbe; Eram todos uns espalhafatosos farsantes!
Ao iniciar a “corrida” ficamos nos estudando mutuamente, pois logo de cara percebi que queria o meu escalpo. E durante nossos estudos ele caminhou com passos comedidos, algo cênico até. Bem, uma coisa tenho que confessar; Badaró entendia daquele negócio de touradas. E digo isso porque era perfeita a nobreza dos seus gestos no perfeccionismo do apronto corporal. E aquele show refinado estava me deixando confuso e eu não conseguia enquadrar os meus chifres no centro de sua capa vermelha, embora sempre soube que a perfeição inexiste, e isso obrigava a me manter esperto, pois presenciei as cenas de um pouco antes.
Eu riscava os chão com as minhas patas tentando descobrir os pontos falhos e o seu calcanhar de Aquiles para meter-lhe os chifres e acabar com aquela farsa. E assim ficamos por quase vinte minutos quando ele me pôs a correr desembestado ao tremular com veemência a sua capa vermelha.
E eu corria na direção do descomunal lenço grená e ele rapidamente levantava a capa fazendo passar por debaixo dela. “Oléééé.....Oléééé” bradava a plateia em todas as vezes que meus chifres enfurecidos não acertavam a sua capa, apesar de senti-los por duas ou três vezes resvalando em seu corpo; O diabo é que ele e sua capa eram mais lisos que sapo ensaboado.
E foi desta forma que aos poucos e se aproveitando do meu extenuamento que ele cismou zombar de mim ao tourear-me de joelhos. Confesso; nunca me sentira tão humilhado.
E sua atitude me era inacreditável, e não compreendia o fato de não conseguir acerta o homem mesmo estando ele de joelhos. Pensei naquilo e talvez aquele homem mantivesse algum pacto com o diabo, não sei. A platéia era unicamente delírio, e Badaró naquele instante era mais importante que o Rei da Espanha. E ele agradecia com reverências, ele, a espada e sua capa vermelha. Eu estava exausto e prestes a pedir um bom suco de capim quando soou uma espécie de corneta. Pela reação do público percebi que se tratava de algo muito importante, pois não mais se ouvia qualquer sussurro. Agora, Badaró, “mais sério que guri borrado”, aponta-me a espada, e ela está em riste, com selar o sinal da cruz em minha cabeça. Então entendi o instante ao reviver as cenas com a amigo da tourada precedente. Não havia dúvida, Badaró queria o meu couro, pois os seus olhos destilavam a sentença de minha morte..
“Eia toro!...Eia!” Ele bradava ao olhar fixamente para mim.
Eu procurava não olhar nos seus olhos, mas apenas me concentrar na espada e nos movimentos da sua capa.
“Eia toro! Eia toro!!” - Ele desafiava-me chegando cada vez mais perto. No resto das minhas reservas sabia que para mim poderia a contagem regressiva, a hora fatal. Por instantes roguei pragas em Ignácio, afinal, o que eu fazia ali?
“Eia toro!...Eia!” – Ele persistia na altivez –
Então me atacou e o instinto me fez desviar o corpo do florete que se fincaria no ponto mortal em meu pescoço. Eu ainda pude sentir no ouvido direito o assobio provocado pelo lâmina. Foi o momento que Badaró perdeu ligeiramente o equilíbrio, e eu, virando decididamente a cabeça para o lado direito o estoquei com força com o chifre, diga-se, com o mais pontiagudo deles.
“Aiiiiiiiiii” - Eu ouvi, o seu grito de dor.
Pelo fato de eu estar tão desgastado o golpe não se cravou em seu bucho, como pretendia, mas na região do seu baixo ventre, exatamente no saco escrotal. Badaró provavelmente olhava para mim com horror enquanto o sangue tingia a parte frontal do traje afrescalhado. Sim, não houve qualquer trabalho para retirar o chifre daquilo que um dia foi a prova de sua possível masculinidade. Assim que se viu livre do chifre Badaró gemeu de dor e se misturou ao pó da terra à “rolar mais que pau de enchente”. Ele estava completamente vencido, entregue, pronto para ser por mim liquidado. A minha mente queria matá-lo, porém algo perturbava, pois mesmo antes de lhe enfiar o chifre alguma coisa sussurrava dentro de mim como gentil ordem divina; “ Vamos lá Gaudêncio! Largue de ser durão! Fite o pobre, olhe bem nos olhos do sujeito"
E eu o olhei..............................................................................................................................
Bom...devem estar se perguntando; mas qual foi o problema?
Bem...então vou lhes dizer; O problema foi não seguir as recomendações de vovô:
“Meu filho, nunca mire os olhos dum toureiro” – Foi o que havia alertado semanas antes de me empreender na viagem desafiadora.
E foi assim, desprezando a sapiência e não seguindo os conselhos do velho foi que olhei para aquele sujeito que queria me tostar no espeto.
Ai meu Deus! Que homem mais lindo! Agora eu podia notar a maciez da tez e sua pele amorenada pelo sol. Como não me render ao contorno suaves daquele corpo sarado? Ai Jesus! As pernas eram fantasticamente torneadas, tudo de bom; compridas e musculosas. Isso sem comentar os cabelos negros com mechas platinadas, E então?
Belo! ele era belo, belo, belo! .
Porém, desgraça pouca é bobagem, assim me lasquei nos seus malditos olhos de lince.
___________________________________________________________
Hoje eu e Badaró vivemos felizes aqui no Rio Grande do Sul, e ainda me preocupo com ele, afinal, toureiro que se preze jamais perde a mania de pelejar.
Debilitado fisicamente e na surdina ele é achincalhado anonimamente pelos empregados da fazenda, os quais conheço por nomes, cabendo-me vez ou outra dar um carreirão naqueles metidos à besta. Sim, sou cuidadoso à ponto de tornar-me temeroso, pois o vejo treinar à exaustão no improviso duma arena colada ao pasto maior. Claro, percebo o seu andar manquitola diante daqueles peões sem refino, toureando rezes menores, sem expressão, todos uns grandes covardes, pois aposto que jamais pelejariam com um touro de verdade. Evidente, eu sou esse touro, mas não tenho mais idade ou saúde para bater-me com peões, pois sei que devem ter dor-de-cotovelo, já que todos eles, juntos com seus chapéus, sacos e pares de bolas jamais seriam donos dum olhar matador como o de Badá.
Quanto à mim continuo minha vida como um rei aposentado, mas que ainda atemoriza muita gente.
Sim, sim! Mesmo fora das corridas ainda persisto irado, nervoso, coisas que apenas são sentidas num legítimo touro dos pampas.
E claro, bah! Macho! Muito macho, gaúcho e de Pelotas, tchê!
O senhor Okamura

Naquela fria manha de outubro um céu povoado por densas
névoas negras o entristeceu como nunca – “O que estará havendo?” – Perguntou a
si o octogenário Sr. Okamura.
Fiel as tradições, assim como são os autênticos "velha
guarda" olhou pela vidraça do apartamento de primeiro andar e descansou a
vista em alguns jovens que, na calçada e próximos da portaria do edifício
tagarelavam entusiasmados. O Sr.
Okamura, como se mantivesse as tropas sob revista concentrou-se nas roupas que
usavam, inclusive nas calças absurdamente coloridas enquanto os seus cabelos
desgrenhados e multicores forneciam um visual inusitado, algo quase surreal. Ainda
que distante conseguia ver-lhes os penduricalhos atravessando narinas
e outras partes visíveis do corpo. Sim, ele os achava estranhos, afinal, como suportavam espetar tantas peças de metal na própria carne? Olhou para a fragilidade do seu corpo e
sorriu ao imaginar-se fisgado por uma daquelas. Entretanto não era unicamente
esse o estranhamento; O que falar de
suas músicas, então? Delas queria distância, exceto uma, especial, pois apreciava os momentos suaves de “Stairway
To Heaven.” e tanto a apreciava que, era comum contra-lo dedilhando a canção do Led Zeppelin nos orifícios de sua flauta. Quanto as outras músicas
de rock ouvidas por aqueles garotos, ele as odiava. Irritavam-no os sons das
guitarras distorcidas e sujeitos com vozes guturais que berravam coisas de forma animalescas, falas que por mais que se esforçasse, jamais conseguiria decifrar.
E assim ele ficou a namorar os jovens, tentando compreender um
pouco daquele mundo insano, ocidental, sem atinar o fato que levara seu neto fazer parte daquele bando de meninos cabeludos.
"Onde estarão as nossas tradições... Nossa
história?" – questionou-se enquanto os flertava.
Não! Definitivamente o Japão daqueles cabeludos estava há milênios do Japão dos seus sonhos, do seu ideal – Concluiu enfastiado -
Continuou a olhá-los e eles gesticulam e riam, e brincavam
de chutar uns aos outros numa atitude sem graça e fora de hora.
“ Será minha a ociosidade de aposentado que me torna tão
severo e crítico com esta nova geração?” – Perguntou-se.
Momentaneamente um sorriso nostálgico invade suas feições e
então ele se recordou que fora jovem. Sim, ele mesmo: Nagato Okamura fora um
deles, destemido, um kamikaze à serviço da realeza, o sujeito poupado da morte ante
o término repentino da guerra contra o estado norte americano. E lembrando do
fato foi impossível esquecer de um Japão prostrado, rendido ao impacto do
devastador arsenal contido no ventre do "Enola Gay” o avião ceifador de
vidas.
Então, como se fosse cravada na memória uma outra e gélida manhã de 1945 reviveu a
dizimação causada pelo cogumelo atômico e o pavor do seu povo ao se confrontar
com o adversário impiedoso.
Claro, quis o destino mantê-lo distante de Hiroshima e depois
Nagasaki, mas as vísceras de um Japão impotente e tão perplexo quanto a
comunidade internacional ficaram estampadas em fotos e nas manchetes dos
jornais que comprovaram a pulverização a que foram submetidos. “ah! Quantas
mortes desnecessárias, inocentes” – gemeu para si.
E assim, revestido de amargas lembranças recostou a fronte
na frieza vítrea da janela e munido da resignação que se oferta aos vencidos.
-B29... B29. Por que daquilo? – Murmurou trêmulo ao se
referir às siglas da destruição.
Seu neto, vindo da portaria do edifício e entrando pela
porta da sala, flagrou-o naquele estado de apatia, silabando um número
qualquer, e assim, diante do tom de lamento interpelou-o, como sempre,
irreverente:
-Ih vô! Será que faltou esse tal de "bevintenove"
pro senhor preencher a cartela e ganhar uma torradeira elétrica? – Perguntou
num riso debochado, claro, ele gozava o avô e o fato do velho na noite
anterior ter jogar bingo no clube dos oficiais da reserva.
O senhor Okamura olhou ternamente para o garoto enquanto deslizava os punhos do pulôver sobre os olhos com o efeito de disfarçar as gotículas que brotaram ali, afinal, um bravo jamais chora. E ainda assim, diante daquele jovem com idade entre os 18 ou 19 anos sorriu para o rapaz de olhos castanhos e puxados assim como os seus.
E aos poucos a sua expressão se quebrou sombria num rosto
vincado e retraído nas condolência de cicatrizes que se estampam na alma. E o seu
olhar não abandonou o garoto de cabelos aloirados e moicanos enquanto jazia
inerte a imensa águia tatuada num braço afeito à musculação. – Impressionado
com a feição assustadora da ave pousou o olhar naquelas asas e olhos por mais
algum tempo, pois havia tanta realidade no desenho grafado e nas cores empregadas
que seria capaz de jurar que ela poderia empreender voo se assim o quisesse –
Permaneceu nela por mais alguns momentos e, abandonando-a
concentrou-se novamente no neto que não desistiu:
-Fala vô, foi isso que faltou?
A resposta veio
curta, seca e aquém de qualquer compreensão daquele jovem à bordo duma camiseta
negra e regata onde no peitoral sobressaia a estampa do Ramones:
-Foi sim Hiroshi! Foi o que nos faltou. E foi pouco, tão
pouco, provavelmente, quase nada!
sexta-feira, 11 de abril de 2008
O dentista.
Houve época que a minha vida parecia não fazer qualquer sentido. Aliás, o único sentido era sentar-me diante da velha Remington e escrever estórias bobas ou contos que discorressem sobre um mundo fétido e pervertido, resevando às mulheres o papel de anjo pornográfico. Foi a época que conheci Vera. Vera e eu estávamos juntos há coisa de um ano e, antes de conhecê-la, fazia um bom tempo que não dava uma boa trepada.
À conheci numa poltrona de cinema, em uma sessão das dez da noite. O seu perfume um tanto ordinário impregnava o ar e mal deixava me concentrar na trama. Olhando-a na penumbra, sobressaia um par de pernas bem feitas, dentro de uma saia escura e nada comportada. O filme, um tanto erótico, me deixou com a libido a flor da pele ao ponto de sutilmente deixar escorregar levemente a mão no seu joelho. Claro, fiz o máximo para deixar transparecer que fora um acidente de percurso; o acaso de um braço escorregando do apoio da poltrona, sem qualquer intenção escusa, mas que, por acidente foi repousar sutilmente bem cima do seu joelho esquerdao.
Foi um momento tenso para ambos e como não houve protestos de sua parte permiti que meus dedos dedilhassem sutilmente aquelas coxas aveludadas. Ali no escuro trocamos o nosso primeiro beijo. Foi um beijo de sofreguidão e cheio de desejo. Naquela noite, ao sairmos do cine, fomos para o meu quarto de pensão e a ansiedade só nos foi contornada às custas de uma garrafa de vinho do Porto, aberta logo após adentrarmos. O vinho, tanto suave, surtiiu seus efeitos. Senti a mudança no seu comportamento logo após abrir a segunda garrafa. Ela, bêbada e tropeçando nas palavras, usava umas expressões torpes, porém engraçadas:
-Papai, vem foder o rabo da mamãe, vem! – Pedia. Papai no caso, seria eu.
Ela, a partir aquele dia alcunhou-nos de papai e mamãe. A princípio achei uma baita frescura, mas, nós homens somos chegados uma viadagem, e também acabei por me acostumae e até gostar.
Porém, naquela noite, a ansiedade aliada ao excesso de álcool me fizera brochar. Ele se mantinha ereto, mas, ao nos aproximar da sua bunda, ele e eu, perdíamos a concentração e a deixávamos rebolando naquele rabo maravilhoso, clamando por algo que, tanto ele quanto eu já sabíamos que não iria acontecer.
Num movimento abrupto e surpreendente levantou-se e concentrou suas energias no meu pau, já que nao perdera por completo a esperança. Num movimento rápido o abocanhou e começou a sugá-lo. Eu me animei. Sem deixar que a sua boca soltasse o meu pau, deitei-a calmamente na cama e tentei chupá-la. Em vão! O seu gosto, aliado à bebida me causou ânsias e tive que travar a garganta para não colocar tudo pra fora. Ela percebeu mas, excitadíssima veio de boca pra cima de mim, abocanhando-o novamente;
-Ah porra, pára! – Eu pedia. Vera parecia uma cadela no cio e o chupava, mordiscava, e isso estava me machucando. Comparativamente, parecia que eu estava sendo sugado por um triturador de carne.
Ela simplesmente não ouvia e continuava me mordendo e sorvendo como se eu fosse um daqueles imensos picolés de chocolate. -“Slap, slap, slap”- O som ainda reverberava quando senti o meu momento chegar:
-Ohhhh! – Foi o única palavra que emiti enquanto inundava a sua boca.
Terminado, olhei para o meu pau e na sua extremidade surgiu um ínfimo sangramento provocado pelos seus dentes afiados. - Ah meu Deus! Seria mais honesto ter sido engolido pelo um triturador de pia – Concluí. – Com o pau latejando doloridamente apoiei-me num das beiradas da cama. Vera levantou-se e eu rolei para um dos lados e me enfiei debaixo dos lençóis. Eu a vi lenta e cambaleante dirigir-se para o banheiro. Ver uma mulher nua à caminho do banheiro sempre surtia algum sentimento legal em mim.
Momentos após ela voltava já vestida da calcinha e do soutien, trazendo um rolo de papel higiênico. Olhando carinhosamente para o meu pau e para mim, curvou-se na altura da cama e me limpou. Eu gostei da sua atitude. Parecia uma fêmea cuidando do seu macho, não permitindo que nada de ruim acontecesse a ele. Devolvi-lhe o olhar em retribuição e a beijei carinhosamente.
Bem, a nossa vida continuou e parecia que eu estávamos numa fase totalmente seca de idéias, onde a produtividade da mina mente mais parecia o deserto do Saara, ou seja; nada!. Isso incomodava mais a ela do que a mim, já que o seu emprêgo de atendente numa clínica dentária estava sustentando a casa e pagando o nosso aluguel. Sempre que chegava mal humorada do serviço, perguntáva-me:
-Papai, escreveu alguma coisa interessante hoje? – Interessante? Ah! essa era muito boa. Eu não conseguia escrever sequer sobre o acasalamento de um casal de esquilos.
-Escrevi mamãe! Escrevi sobre um casal de esquilos transando no meio da floresta amazônica!
-Ah! Não é à-toa que estamos passando por necessidades! – Irritou-se ela. Provavelmente foi a minha resposta - imaginei -
Bem, isso era mais que o suficiente para ela começar um festival de queixas. Com feição irritadiça queixáva-se que há meses não comprava um único par de sapatos. Grande merda! Há mais de dois anos continuava com a mesma calça jeans e, nem por isso saia me queixando da vida - Justifiquei-me em conclusão -
Isso perduraria até que numa noite surgiu com um sermão diferente:
-Ah papai, você precisa arrumar um emprego fixo. Não é possível continuarmos passando por tantas dificuldades. E você, aí sonhando com os seus contos idiotas, que jamais te levarão a algum lugar. - Caracas! Ela sabia como ferir meus sentimentos.
Eu só a ouvia e não respondia nada. Se porventura eu a contestasse, certamente ela daria início a 3ª guerra mundial. E então continuou:
- Sabe papai, o meu chefe, doutor Marco Aurélio, disse que a coisa pior que pode acontecer para uma moça é ter que sustentar o seu homem. Fala que não há nada deprimente quanto isso - Terminado, fulminou-me com seu olhar severo.
Naquela noite ao dormir eu não tirava a porra do “doutor Marco Aurélio” da cabeça.
"Doutor Marco Aurélio...Marco Aurélio...Quem é esse merda pra sugerir como devem ser as coisas dentro da minha casa? Será que esse filho da puta anda comendo a Vera?
Então fiquei desconfiado, pois de um bom tempo ela estava chegando cada vez mais tarde alegando que o movimento aumentara e era necessário fazer horas extras. Doutor Marco Aurélio...Marco Aurélio".
-Vá se foder, doutor Marco Aurélio – balbuciei cerrando os dentes enquanto Vera ressonava levemente.
-Disse alguma coisa, papai? – Questionou ela, abrindo um dos olhos.
-Não, não disse nada não! Boa noite, querida! – Despedi-me com um bocejo fabricado.
Dois meses mais tarde um carro estacionado aguardava-a em frente à nossa pensão. Da janela do quarto eu pude vê-la caminhando com as suas peças de roupas dispostas em cabides. Alguém totalmente calvo a ajudava ou parecia tentar ajudar. Então aquela criatura vestida de branco tropeçou num daqueles vestidos do cabide e o cabide se esparramou pelo chão. Ela parecia nervosa e gesticulava bastante enquanto ele tentava voltar ajeitar o vestido no cabide. Era estranho mas, Vera tinha o predominante dom de atrair para si os tipos mais idiotizados possíveis. Evidente, eu fora exceção! Ela ainda gesticulava bastante quando eu os vi entrar no carro. Continuei analisando-os como personagens e não entendia como Vera pode trocar um “ainda não descoberto” escritor de sucesso por aqueles almofadinha bizarro. Talvez faltasse discernimento às mulheres – concluí – enquanto o automóvel dobrava a primeira esquina. Bem, talvez a fantástica bunda da Vera ornasse com o Mustang vermelho do imbecil Marco Aurélio. Ou, talvez, as pessoas não consigam ser imbecis por todo o tempo. Ou, mesmo, talvez eles conseguissem e por isso se mereciam– deduzi enquanto me dirigia à cozinha, a cata de uma garrafa de vinho ordinário que estava na segunda porta da prateleira. Abri e me servi da primeira dose. Ele desceu rápido demais, entao me servi da segunda. Na oitava dose levantei um brinde.
Era um brinde à Vera e ao doutor Marco Aurélio e a toda sorte que esse precisaria ter.
Ria com uma certa comiseração de mim. Eu ria, um riso triste, dolorido.
-Um brinde a vocês, cambada de filhos da puta! - Exclamei ao brindar o ar. O meu braço permanecia esticado e o copo mal se equilibrava e parecia querer escapar da minha mão.
Lá parado no meio da cozinha, olhando para o pinguim que parecia fiscalizar a geladeira, eu gargalhei. Uma gargalhada de quem precisava de mais doses de vinho. E então me servi da nona dose enquanto piscávamos um para o outro.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
BBB ( Bobagens, Bobagens & Bobagens )
Imaginei-me assistindo um BBB Universal.
Pluguei minha mente à bilhões de telas hipotéticas e as observei.
Ao final dos primeiro quinze minutos flertei com coisas tão triviais como o de tomar o café da manhã, ou o de como sorrir sem ter a menor vontade de sorrir. No último segundo, uma bunda arrebitada e de um brozeado artifical surgiu na tela; o biquíni era amarelo e avassalador.
Antes que pressionasse o OFF, me livrando dos bilhões conectores, me perguntei:
-Cara! É disso que a humanidade precisa?
Estático e perplexo, assenti:
-É!
E então clamei. Clamei por todos os meus super-heróis, por toda uma legião de super-homens que só habitaram o imaginário da minha mente; eles jamais foram reais.
E então chorei.
Chorei por nos deixarmos tapear tão fácil assim.
terça-feira, 1 de abril de 2008
O Retirante
Na sua valise, somente três pares de roupa, desodorante, pente de bolso, e o bicarbonato de sódio para a sua azia diária. Pensou em colocar um pouco de Maizena na maleta, mas concluiu: "Danem-se as assaduras!"
Na entrada do ônibus, com os braços esticados e mãos levemente trêmulas estendeu o seu bilhete ao motorista, observando que não esquecera de anotar o Rg e muito menos o endereço. Sentou-se na poltrona 26; reclinou-a, olhou pela janela e reparou no insulfilm, demasiadamente enegrecido e que revestia o vidro. Insistiu em olhar através dele e as lâmpadas da rodoviária, que lá fora pareciam tão reluzentes, permaneciam agora com uma luminosidade tênue, numa cor que poderia ser definida como um roxo, suave. Aos poucos os assentos foram tomados e o coletivo partiu. Trinta minutos após, o cheiro de mato impregnava seus pulmões e as luzes da cidade pareciam distantes como as do Cruzeiro Do Sul. No negrume da noite, apenas um discreto foco vermelho sobressaia no fim do corredor, indicando que o toillet estava ocupado. Do seu lado, os primeiros roncos de uma senhora gorda incomodavam a sua paz; evidente, as noites seriam de torturas. Pensou mais adiante, nos dias seguintes. Apalpou o bolso e os quinhentos reais que se encontravam dentro dele. Imaginou o futuro, que pra ele, agora, em nada diferiria do seu tempo presente: indecifrável. Pensou na grande metrópole; a maior do país. Pensou nos milhões de nordestinos e nortistas que habitavam por lá, que se espremiam em favelas, em construções precárias, em casebres em fundo de córregos, ou que, mergulhados em desesperanças labiam o asfalto frio e cru, cobertos por jornal. Pensou ainda mais; não conhecia ninguém pra onde ia. Então teve medo. E à medida que o ônibus imprimia velocidade, junto com ela veio a ansiedade, e essa, fazia o seu coração disparar como se fosse uma lebre assustada.
Que "Padim Pade Ciço" o guardasse. Que a grande cidade e os seus desconhecidos habitantes os acolhesse. E, acima de tudo, que a sorte e a fé em Deus jamais lhe faltasse.
Chegando em São Paulo, a sua primeira atitude foi o de comprar um cobertor, quadriculado e espesso. E assim o fêz, dando vasão ao miserável pressentimento que o empurrou para dentro da loja como se fosse uma folha, seca, assoprada pelos ventos do outono. Saiu sorrindo de la, acariciando a lã macia, sem saber porém, que aquele seria o seu único e inseparável companheiro.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Um garoto safado na padaria
Ô Pai, por que a dona Marilena tem essa bunda tao grande? -
Esse era o meu filho Junior. E ele me perguntava com a cara mais deslavada desse mundo, apontando para a vizinha que atravessava para o outro lado da rua, rumo à padaria da esquina..
-Sei lá! Vai ver porque não tendo as pernas compridas...precisa compensar de alguma forma.
Sem saber o que responder, me pareceu a melhor saída. Junior, aos doze anos, ainda estava na sua fase infantil, mas, prematuramente aguçada pelo sexo. E isso me parecia claro, já que, uma semana antes, procurando por um compasso na sua mochila me deparei com uma Revista Sexy, misturada entre os livros e cadernos. Na hora avaliei a questão e a recordação da minha infância, idêntica, me fez deixar a revista onde a encontrei.
-Pai, pedi pra mãe se a Ana Alice poderia vir estudar aqui em casa. E ela me respondeu um sonoro "Não!" - Choramingou.
Era assim, vez ou outra Gabriela tinha rompantes de inteligência e sensatez. Evidente que o seu bom senso evitou que a menina passasse por possíveis constrangimentos, já que, não era de se duvidar que Junior tentasse, no mínimo, passar a mão nas suas pernas.
-Ô pai! Os peitões da dona Marilena são enormes, não acha?
-Junior! Vamos mudar de prosa? - Eu disse, sentindo-me incomodado.
-Ah paeeeeee! Vai! Eu já vi o senhor olhando pra ela, lá da janela da sala de casa.
-Moleque atrevido! - Gritei enraivecido e apontando-lhe o dedo em riste.
Junior, que de bobo nada tinha, percebeu que era hora de manter-se calado. Atravessamos a rua; também íamos à padaria. Ao atravessarmos, dona Marilena andava a poucos metros na nossa frente. Junior tinha razão; que bela bunda tinha a danada. Entramos na padaria com ela mantendo-se um pouco à frente. Ao chegarmos. ela já fazia o seu pedido:
-Carlinhos, por favor! Oito paezinhos e uma rosca doce. Ah! de coco, tá? - Elucidou ela.
-Claro, senhora!
A voz sensual de dona Marilena era de deixar qualquer um de pau duro.
Carlinhos a atendeu; um olho nos peitos e o outro nas pernas.
Ao me ver, dona Marilena foi super cordial.
-Oi, seu Maurice! Tudo bem com o senhor? - Cumprimentou-me ela em lábios franceses, fazendo questão de jogar para trás os erotizados cabelos avermelhados.
Se havia coisa que me deixava louco por uma mulher era esse lance de jogar os cabelos para trás. Sempre que eu flagrava uma dona jogando os cabelos, era como se estivesse me dizendo; "Vem, vem me domar gostosão!"
Ligeiramente perturbado retribui ao seu cumprimento. Juninho, malandro, não perdeu um só instante daquela "ragação de seda". Assim que ela se afastou, percorrendo o balcão de frios á procurava de algo, o garoto me fuzilou:
-Hummmm..Oi seu Maurice, heim!
O seu olhar era zombeteiro e malicioso, evidente, isso me deixou constrangido. Repentinamente o balcão abarrotou de clientes à procura de pães, que pelo jeito estavam prestes a sair do forno. Dona Marilene, voltando da seção de frios abriu caminho entre as pessoas, e acomodou-se bem à minha frente. Aquele espaço estava tão abarrotado que foi impossível às suas nádegas não se colarem juntos às minhas pernas. O contato com carne tenra e arredondada da dona Marilena surtil de imediato um efeito arrasador em mim, aliás, em mim não, sob aquilo que se escondia dentro das minhas calças. Totalmente ereto, o contato foi sentido por ela. Eu não sabia como me esconder daquela situação, e eu me encontrava envergonhado; o que pensaria de mim a dona Marilena? Então, o seu rosto delicado, suavemente virou-se para mim e eu pude ver o seu sorriso quase que angelical. Sem ação, procurei não respirar. Aos poucos mais gente ia se agrupando e então seu senti; dona Marile colara o seu traseiro no0 meu pau. Mais que isso; além de grudar em mim, ela meneava sutilmente a sua mágica bunda, me deixando cada vez mais excitado. Louco, insano, me entreguei de vez ao balanço daquele rabo maravilhoso e então mexi sutilmente o meu quadril e o concentrei bem no meio das sua ancas.
Os pães chegaram na vitrina, e o povo, talvez umas 25 pessoas, receoso de ficar sem os pães, aglomerou-se de uma só vez, tornando todos nós irmãos siameses. E eu sentindo a pressão que as nádegas exerciam em mim, sentindo cada milímetro das suas carnes em movimentos bruscos, quase explícitos. Todos ali, sem exceção, clamavam por pães, enquanto nós rogávamos por sexo.
Aquele vai-e-vem durou uns 5 minutos e o tempo suficiente para que eu, irrecuperavelmente excitado, gozasse dentro das cuecas. Ela percebeu esse momento, imbecil, solitário, silencioso.
E, tão logo notou, afastou-se rapidamente para outro lado oposto ao de onde eu estava. E eu ali, com cara de idiota, parecendo o colegial que se masturbou no banheiro da escola, nada pude fazer a não ser o de repousar em frente da braguilha, marcada pelo esperma, a sacola que eu trouxera comigo.
"Meu Deus! algo está errado; Cadê ele?" - Eu havia me esquecido completamente do guri. Preocupado, acheio-o; estava grudado em mim. A sua expressão era a mais safada que alguém poderia dirigir a alguém.
-Pãozinho bom esse, heim pai? Ainda bem que o senhor trouxe a sacola, né?
E então olhou descaradamente para a sacola e para o traseiro da Dona Marilena que, percebendo, não deu a mínima, ao contrário; ainda a vi píscando para o pirralho que, sorrindo, retribui. A partir daquele momento, eu sabia que JUnior tentaria usar o "fato" e obter alguma vantagem
Já recomposto, paguei o pedido, sem não antes vê-la sair pela porta tal como entrara; de rabo empinado. Saímos também e, ela, caminhava bem à nossa frente. Junior não se concentrava em outra coisa que não fosse nas suas voluptuosas ancas. Repentinamente o garoto disparou e alcançou-a. A distância não era tanta que nao permitisse ouví-lo oferecendo-se para ajudá-la nas compras. Dona Marilena sorriu e despachou-o com a mais terna das palmada no bumbum:
-Devagar com o andor que o santo é de barro, guri! Ainda se faz cedo para poder levares as minhas compras!- Repreendeu-o no mais perfeito e sensual sotaque gaúches
sexta-feira, 14 de março de 2008
Sodoma & Gomorra - By Véio China -
-Ah minha Sodominha! Estou com vontade de trepar novamente. - Disse, totalmente excitado e demonstrando certa ansiedade
Sodoma o olhava, enquanto sua língua profana passeava nos lábios grossos e pervertidos. Era a própria personificação da volúpia.
-Ahhhhhhhh! O meu Gomorrinha quer me foder, outra vez, é? - Zombava divertida.
-Sinceramente, minha deusa? Tô doido pra gozar dentro, de novo! - Confirmou suplicante, com as pupilas parecendo escapar-lhe dos olhos.
Essas duas figuras, lendárias, velhas conhecidos dos anais da história, apenas aguardavam que tudo se acabasse. Gomorra havia alertado que os seus dias estavam contados. E dessa forma, diante do quadro e sem saída, nada havia a se fazer que não fosse foder, foder muito e intensamente.
-Vem Sodominha! Vem minha rainha! Vem fazer uma chupetinha pro seu Gomorrinha, vem!
-Caracas, Gomorra! Nós aqui, prontos a sermos soterrados à qualquer momento, e você nessa tranqüilidade , apenas desejando uma chupada? Não há nada o que possamos fazer a nao ser trepar, trepar? - Questionou em olhos suplicantes e quase nenhuma resignação.
As preocupações de Sodoma se justificavam,já que a qualquer momento despencaria, dos céus, bolas de fogo e de enxofre, e isso os aniquilaria de vez. Mediante à falta de solução, ambos permaneceram calados. O desejo de Gomorra cedia às premonições. Sim, ele, além de pervertido, era fadado às premonições, que o faziam constantemente antecipar-se ao futuro. Repentinamente, já em transe, não mais pousava os olhos naquele libidinoso quarteto de pernas e seios. Então, vislumbrou o futuro.
E o futuro lhe veio límpido e com imagens bem definidas. Viu o muito de sofrimento e desgraças reservadas à espécie humana. E mais do que isso; vislumbrou o Todo Poderoso, pensativo, sapateando o chão com o cajado, solenemente bocejando em sua poltrona. Apesar do bocejo, o ar do Senhor se mantinha grave. Então levantou uma das sobrancelhas, e austeramente sentenciou:
-Bom! É Sexo ? É disso que precisam? Se for, tudo bem! A partir de agora, farão dele o esteio da vossa própria destruição!
A sentença de Deus retumbava em sua cabeça. Como num truque de mágica, Gomorra foi arremetido para 1470 DC; haveria de presenciar a profetização do Senhor
E foi com aqueles olhos castanhos, que o fogo e o enxofre haveriam de comer, que ele presenciou corpos sendo jogados em uma fogueira descomunal. E Elas dizimavam almas que, ardidas em chamas, obrigavam a Igreja punir os demônios que habitavam entre os fiéis. Achava ela que a loucura havia tomado os corpos daqueles pobres miseráveis, torrados aos milhares, exterminadas por algo que a ciência e a Igreja desconheciam; Sífilis.
Gomorra se debatia diante da visão, e num novo transe, viajou por longos 500 anos, até presenciar o progresso da ciência, que se confrontava com os desígnios celestiais. E foi nessa árdua batalha, Ciência x Deus, que foi descoberta a cura para o Sífilis. E foi um jovem cientista, Fleming, que ao acaso encontrou num antibiótico denominado por penicilina, o medicamento redentor. Cura encontrada, a humanidade voltava a trepar como nunca, para o amargo desgosto do Pai Celestial.
Saído do transe, Gomorra trazia um sorriso maquiavélico no rosto; o homem havia vencido Deus. E, se o homem vencera, ela também poderia, afinal, era homem. Repentinamente, sem que se desse conta, Gomorra tem outra de suas visões. Desta feita, a premonição era devastadora; o Todo Poderoso, diante da luxúria e insana perversão dos anos 80, faz vistas grossas para a criação do mais avassalador de todos os vírus: o HIV.
E Gomorra, aterrorizado, assistiu todos os primeiros passos da doença. Ainda incrédulo, testemunhou a devastação que ela provocava, tornando impotentes e inoperantes, física e psicologicamente todos aqueles que desgraçadamente fossem infectados por ela. Mais uma vez o homem e a ciência pretenderam desafiar Deus; um coquetel medicamentoso que aumentava em muito a sobre vida dos infectados. Gomorra, perplexo, olhava para Deus e o via impassível, indiferente diante desse novo embate.
E antes mesmo que Gomorra voltasse para a realidade, sua vida e seu destino de morte, Deus observou-o, e levantando-se da poltrona o chamou num "psiuuuuuu". Gomorra cravou os olhos nos olhos do Senhor, e percebeu que Ele abriu o paletó e fez surgir 9.845.329.000 "curingas", dispostos milimétricamente no bolso do colete.
E mais ainda, cada curinga correspondia a uma nova chance para que os homens encontrassem saídas para os problemas que eles mesmos criavam.
E foi assim, desperto, voltando ao seu mundo e para Sodoma, que, Gomorra riu o seu riso derrotado. Ela, ardentemente o aguardava, sorriso insinuante e pernas deliciosamente abertas. Gomorra, excitado, a penetrou fundo e com força até alcançarem juntos o orgasmo. No mesmo instante, bolas de fogo e o cheiro do enxofre sufocavam a terra, devastadores, transformando a existência numa única e ardente imensidão vermelha. Para Sodoma e Gomorra não houve tempo para nada, nem de se limparem. Estava tudo sacramentado.
O homem, jamais venceria Deus.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Morrendo na praia.
-Hey velhinho, venha aqui me foder! E....Um Feliz Ano Novo pra vocêêêê!
Essa era Paty. Umas dessas garotas da classe média, tanto perdida, e pelo seu sotaque, oriunda de uma faculdade qualquer ao sul do país. Eu estivera acompanhando a sua forma de viver nos últimos 15 dias e o jeito indiscriminado que se relaciona com as pessoas, dormindo à cada dia numa nova barraca e com um novo cara. Definitivamente, ela me inspirava a menor confiança. E, mesmo para um sujeito sem escrúpulos como eu, justificava-se preocupar-me com a sanidade física do meu corpo. Claro, as minhas concepções poderiam ser plenamente discutíveis e poderia até estar incorrendo em algum erro de avaliação, já que jamais teremos a certeza que a aparente conduta de uma pessoa possa estar nos expondo à algum tipo de risco de saúde. Mas, errado ou não, com ela era assim que funcionava. E para evitar maiores preocupações ou dissabores, achei melhor manter-me longe da sua insistência e do seu corpo maneiro. Quanto a mim? Bem, eu era um escritor ou ao menos achava que era um. E era lá no meu trailer, sempre no meio da noite que essa maluca surgia em calcinha e sutiã me incitando para uma trepada relâmpago. Já que mencionei a minha casa “andante”, nós, eu e ela, estávamos nanquele local há quase dois anos; um camping, agregado a um braço de mar entre a divisa do Rio e São Paulo, conhecido por Camburi. Pra quem o visse lá do alto da estrada, admiraria aquela maravilha de lugar e chegaria à conclusão que; são raras as vezes como essa que o homem esquece-se de predar e depredar o meio ambiente. E este, estando uniforme, intacto, nos agracia com locais mágicos e espetaculares como esse, onde o bucolismo nada mais é e se faz paisagem dessa pintura chamada; natureza. E assim no camping e naquele extenso gramado, a minha casa e eu, vivíamos quase que solitários até a chegada sa época de férias.
E essa, chegava entre dezembro e fevereiro, fazendo aquele local abarrotar de gente de todo tipo e credo. Isso, por um lado, tornava o lugar um tanto confuso, mas, se visto por outro, reparíamos na sua insolitez. Bem, voltando a garota da trepada relâmpago, sempre que ela dava as caras, ou estava drogada, ou alcoolizada. Quase sempre a sua voz arrastada e a falta de coordenação motora denunciavam que estava numa “viagem”. E era fácil constatar o quanto a garota era pirada; Estávamos no dia 19 de Dezembro, portanto há 12 dias de um Ano Novo.
E, fora isso, eu decidira não mais manter relacionamentos sexuais e afetivos com quem eu não houvesse trocado ao menos umas 30 frases completas. Equacionei rapidamente e cheguei à conclusão que eu jamais houvera trocado mais que quatro ou cinco cinco frases com a maluca. Absolutamente certo dos meus cálculos, virei-a de costas, dei-lhe uma boa palmada na bunda, e a mandei passear. Ela se foi, trôpeçando, resmungando enquanto descia os degraus da escada. Assim, conforme ela se foi eu a olhei por trás e quase senti pena de mim por ter enxotado aquela doida, de corpo fenomenal. “E se eu estivesse errado?” Avaliei novamente - Bem,era complicado, e como eu houvera resolvido assunto daquela forma, voltei para a velha Remingtom e tentei retomar o romance que tentava desenvolver. Para piorar, estava empacado com a trama, e a minha mente se encontrava tão oca que nada produzia que fizesse a safada Judith, mulher de César, o advogado , abandonar as abastadas suites de motéis, muito menos as trepadas sempre as escondidas e com os seus melhore amigos. Eu estava nesse dilema quando fui acordado por batidas na porta do trailer:
-Quem é, porra? - Esbravejei. Eu não havia gostado da quantidade de porradas que desferiram na porta. Um breve silêncio, após, ouvi pessoas cochichando lá fora. Pareceram munir-se de coragem.
-Somos nós! Holly, seu velho sacana! Somos os seus fãs! - Acho que nunca me deixariam em paz. Um pouco após, ouviá-se risos e eles pareciam se divertir. Aquilo me irritou:
-Mas que merda! – Gritei.
– Ah, Holly, larga de ser chato, Trouxemos para você umas boas garrafas de vinho do Porto! – Gritava lá fora um deles.
Hã? Eu ouvira corretamente? Três garrafas de vinho do Porto? Mais que de repente passei gostar da surpresa da visita, e já fazia um bom tempo que não bebia um bom e legítimo vinho português.
-Tá certo, porra! Entrem! – Convidei-os, abri a porta e os olhei bem nos centro dos olhos e para as garrafas que traziam. Vi os rótulos; legítimos. Eu era um tanto desconfiado. Abri-lhes à passagem: dois rapazes e uma moça. Estava mais que evidente que eram universitários – Eu estava habituado com aqueles garotos e seus sorrisos e seus modos de nada quer, como nao estivessem nem aí. Pura lorota. Eles estavam sim e sempre estarão, e o problema se consiste no fato deles nao gostarem da idéia que você saiba do fato.
-Holly, até que enfim te achamos! – Disse o que tentou ser o mais parecia esperto deles.
-É sim, Holly! Viemos aqui porque lemos uma matéria sua no “Ratos de Esgoto” onde mwncionavam que você estava morando nessa praia. – Completou a garota, que logo achou um banco e acomodou-se bem à minha frente.
Sentada, cruzou as pernas no alto e me deixou ver debaixo da minúscula saia jeans, uma ponta de algo de um vermelho vivo que nem sangue; sua calcinha.
A garota lera algo na “Ratos de Esgoto”. Uma tiragem para um público composto ´por estudantes universitários e um público alternativo, principalmente para os que transitavam no “subterrâneos”. Portanto, além de fazerem matéria sobre as minhas andanças, convidaram-me à publicar semanalmente qualquer coisa que eu quisesse.
Me pareceu interessante. E como não ditavam o que deveria ser publicado, aceitei prontamente. E assim ficamos nós três naquele lenga-lenga dos diabos, uma conversa sem pé e nem cabeça, dando fim nas três garrafas de vinho do Porto. Os rapazes bebiam rápido demais, e ao fim da segunda percebi que estavam embriagados; coisa de amadores – conclui – A garota, mais maneira, não queria ficar “balão” tão depressa, e assim sorveu lentamente o seu néctar. O porre veio e os garotos silenciram e ficaram lá com suas expressões idiotas estampadas nos rostos. Ela,não! Ela me olhava diretamente nos olhos e não perdia qualquer dos meus movimentos. Trocamos algumas palavras e ela me falou o seu nome; Andréa. Sem dúvidas, Andréa era linda, talvez uns 23 anos, pernas fortes e bronzeadas e um par de olhos azuis que teriam causado ciumes à Jesus Cristo. E conforme a bebida ia surtindo os seus efeitos, para a garota foi inexistindo a inibição e bem mais em cima as suas pernas se cruzaram. Eu passei a devorá-la com os olhos; à ela e a calcinha vermelha escancarada à minha frente. Eu e ela passamos a rir de algumas bobagens enquanto os garotos pareciam não agüentar mais. Trôpegos, e com as mãos segurando suas bocas abandonaram o trailer. Achei decente a atitude deles; mesmo alcoolizados perceberam que seria ridículo vomitarem ali, bem no meio da minha sala. Com a Andréa, não! Ela agüentaava firme, apesar da voz ligeiramente pastosa, mas que dizia coisa engraçadas do tipo; “Hey, Holly! É verdade que uma vez você transou com três mulheres de uma só vez? - ou – “Holly, é verdade que você conseguiu chupar o seu próprio caralho?”
Eu a olhava e me divertia também com o seu sorriso sexy e ainda mais com aquela minúscula calcinha, que parecia ter ido com a minha cara. A noite estava quente, muito quente, então ela desabotoou os primeiros botões da blusinha brancae eu vi saltarem fora, dois belos volumes estampados num tecido vermelho, idêntico ao da calcinha. O sutiã, um tanto cavado, exaltava dois volumes bronzeados, magníficos, tal qual o par de coxas. Sem demonstrar afobação, levante e me encaminhei na sua direção.
Lá fora, os garotos, talvez já estivessem desmaiados já que não ouvíamos qualquer ruído vindo de lá. Ela continuava me olhando de forma provocante e suspirou deliciosamente tão logo sentiu a minha mão penetrando por dentro de um daqueles bojos. Com movimentos circulares, eu fazia massagem em seu seio, e esse movimento se estendia até a extremidade, onde fazendo voltas com a ponta do dedo indicador, eu sentia o seu mamilo crescer. E ele ficava mais rijo à cada volta dada. Ela, excitada, sussurrou sensualmente;
-Não Holly! Por favor....não!
Eu conhecia aquele “Não” com um sabor de “Sim”. Com a outra mão destravei o fecho do sutiã e os libertei da escravidão. Eles surgiram soberanos, belos, voluptosos. Fiz um meneio de cabeça e então desci com a boca. Chegando lá, eu rodeava seus mamilos com a ponta da língua e, um por vez. Aquilo foi demais para Andréa:
-Vem, Holly! Vemmmmmmmmm!
Eu peguei em suas mãos e a puxei do banquinho. Ela veio por inteiro, e com a sai ainda em cima, já que não houvera tempo do tecido ganhar o seu caimento natural. Ainda em pé, acariciava com os meus dedos a parte da frente da sua calcinha e notava que ela ficava cada vez mais úmida aos toques. Ela cerrava os olhos e seus cabelos brilhavam sob a lâmpada que pouco lumiava. Estava soberba. Tentei beijar a sua boca, mas ela não permitiu:
- Holly, por favor! Sem beijos. Só sexo, Holly! - Disse para mim.
Rapidamente procurei o zíper da sua saia e os desci e então surgiu o esplendoroso corpo de mulher. Excitada, ela chutou a saia e tirou o sutiã que se mantinha dependurado. E ali nos entrelaçamos ferozmente. Éramos duas feras; uma no cio e o outro, um macho, sedento por sua femea. Ali, em pé eu a possuí e o meu pau penetrou a sua gruta, quente, apertada, úmida. Era uma sensação indiscritível.
Eu olhava para o rosto de Andréa e ele parecia arder em brasas. Eu me concentrava em seus olhos e eles faiscavam, talvez fosse até a filha do próprio Demo. E aí ela implorou;
-Assim, Holly! Assim, seu puto! Me foda mais rápido! Maissssss!
E eu a estocava com golpes rápidos como se fosse um esgrimista. Era o prenúncio que o grande momento dela estava próximo. Andréa pedia para que eu fosse cada vez mais rápido e contundente. Eu também queimava e as minhas estocadas se tornaram fortes como alguém que estivesse martelando num único local. Por essa altura ela gemia forte e vez por outra me sussurrava a fêmea, satisfeita. Antes mesmo que ela chegasse ao clímax, eu a virei de costa e indiquei para que fosse para a ponta da cama e permanecesse na posição de "quatro". Ela gemeu deliciosamente; havia entendido o que eu queria. Pelo jeito que gemia, sussurava e separava as pernas, uma da outra, deixando um bom vão entre elas, com certeza, queria aquilo também:
-Vem Holly! Eu quero, agoraaaaaaaaaa! – Rogou naquela sucessão de “a”
Eu entrei por trás. Ela sussurrou, resmungou, urrou ais e uis e pedia para que eu penetrasse cada vez mais fundo em seu rabo. Eu, excitado e ensandecido pela súplica, soquei forte, enquanto ela, com uma das suas mãos, extasiava-se masturbando, acariciando o seu clitóris. O momento do gozo foi intenso e mágico para ambos. Ela, urrando de prazer, e eu mais discreto me preocupei com o escândalo que ela causava. "Acho que Deve ter acordado todo o acampamento" - imaginei - Eu era um predador sim, mas não um exibicionista - justifiquei-me As minha pernas tremiam e eu, encurvado, mas ainda dentro dela, mordiscava a sua nuca. Sutilmente, Andréa foi se deitando, mas nao permitindo que ele saísse de dentro dela. Acompanhei a sensualidade do seu movimento e me deitei completamente por cima das suas costas. estirado por toda extensão do seu corpo. Ficamos ali, por uns bons minutos, e o meu peito arfava e fazia pressão nas suas costas. Um pouco além, assim que meu pau amoleceu, Andréa virou-se para um dos lados e me puxou para que aninhasse ao seu lado.
Olhou-me no fundo dos olhos. Fixou-se bem nas minhas feições dos quarenta e tantos anos, e no meu rosto nem feio e nem bonito, e então me beijou como poucas. E eu amei aquele beijo poderoso e aquela lingua sugando a minha. e os seis dentes mordiscando meus lábios, paea depois, com a ponta da lingua, contorná-los voluptosamente. Amei e deixei que ela me possuísse mais do que a possuíra poucos momentos antes. – Eu sempre achara que o ato de beijar é muito mais íntimo e avassalador que o sexo em si.
Por outro lado, e para empatarmos, eu também acabara de quebrar as minhas regras já que, talvez, ela e eu não tivessemos trocado mais que 10 ou 15 frases, além dos 50 palavrões. Erros de cálculos...erros de cálculos; sinceramente, não me diziam nada nessa altura. Eu me via absurdamente compensado por todos esses erros em meus cáculos e por transgredir as mimhas próprias imposições. Andréa olhou-me novamente, encheu os pulmões e o esvaziar num longo suspiro:
-Holly, que delícia! Você foi a das melhor trepada que eu dei na vida. Você foi um Antonio Banderas!
-Hummmm. Você achou, baby? – Respondi um tanto desconsertado, afinal, o que eu tenho a ver com a porra do Antonio Banderas?
E o pior foi que ela me fez sentir na pele de um jovem no seu dia de prova. Bom, talvez a pretensão, juntamente com a auto-suficiência, sejam a marcas características nos jovens nos dias de hoje. Eu também teria dito que ela fora uma “número um”, mas, qualquer coisa que eu falasse agora soaria pouco imaginativo ou, sem qualquer criação. Ficamos ali mais uns 20 minutos, somente nos olhando, nos beijando, mas sem nada dizer um ao outro: éramos de diferentes gerações e certamente nem compartilhávamos das mesmas idéias ou ideais. Mas, à despeito de tudo isso, havia algo que combinávamos explendorosamente; nos beijos e no sexo.
Silenciosamente, Andréa se levantou e deixou eu perceber toda a sua graça de mulher ao se recolocar nas sensuais lingeries cor de sangue. Após, vestiu-se com aquelas roupas tão singelas e joviais que a deixavam com a aparência de uma garotinha de 16. Levantei e me vesti. Silenciosamente a acompanhei até a saída do trailer. Descemos os degraus e procuramos pelos rapazes já que eles pareciam não estarem próximos. A neblina dificultava a nossa visão – era quase 01:30 da madruga, e percorrendo o longo do gramado, uns 15 metros adiante os encontramos. Estavam lá, dormindo um sono pesado, inocente, e etílico. Com algum esforço, ela e eu conseguimos colocá-los em pé, e apoiá-los em nossos ombros. Eles balbuciavam coisas incompreensíveis, e eu só achei engraçado quando o garoto loirinho, ao se ver levantado da gramam berrou um “va se foder” Eu não pude deixar de rir, gostosamente. Assim que estavam firmemente amparados ela me pediu
-Holly, poderia me ajudar a levá-los pra barraca? –
-Claro, claro, Andréa! – Afirmei, afinal, um pouco mais de esforço até que me faria bem.
E assim andamos uns 60 ou 70 metros até chegarmos onde haviam acampados; um par de barracas colocadas uma do lado da outra. A maior seria a dos garotos; uma dessas com quartos, cozinha e os cambaus. A da Andréa era menor, do tipo iglú, porém, muito confortável. Acomodamos os garotos na barraca e, assim que se perceberam deitados em seus colchonetes, balbuciaram algumas coisas incompreensíveis e voltaram à ferrar no sono. Ao sairmos da barraca deles, Andréa me olhou profundamente. Apesar do pouco tempo e das incompletas 30 frases, eu percebia o significado daquele olha. Então me perguntou:
-Holly, quer dormir aqui? – Aquilo soára mais que um questionamento; fôra um convite.
-Não, não, Andréa! Não me ajeito com nessas coisas. To acostumado com o meu colchão de molas. – Me desculpei.
Foea melhor assim; aquela menina poderia me matar sem apertar um único gatilho. Então me despedi e segui rumo ao trailer.
Ela ainda olhou ao me afastar. Talvez eu tivesse caminhado uns 12 metros quando eu ouvi a sua voz. O tom era doce, até que meio romântico dessa vez:
-Holly, posso te visitar no seu tariler? Ah! Se eu puder, juro que não levo esses babacas, ta?
Evidente que ela não pode reparar nas minhas feições e nem perceber o meu sorriso:
-Claro, claro! Você será sempre bem-vinda...sabe disso! – Respondi numa tonalidade elevada, talvez acordando oessoas nas barracas vizinhas.
-Ok, Holly! Estarei lá. Me aguarde! – Disse num ar vitorioso com o polegar ereto e para cima. Eu sabia distinguir o som que emite uma mulher vitoriosa
Dito isso, entrou na barraca e então eu ouvi o irritante som daqueles enormes zíperes se fechando.
Caminhando lentamente rumo à minha casa eu pensava que um homem nunca haverá satisfeitos todos os seus absurdos e insanos desejos. E o desejo que eu tinha era o de pegar aquela garota e trancafiá-la no trailer e tê-la só pra mim, escondê-la da humanidade. Essa idéia me assustou, mas depois, pareceu me satisfazer.
Percorri aqueles 60 ou 70 metros com um olho voltado para a neblina e o outro, no dia seguinte. Claro, eu sabia que havia o perigo dela me matar sem detonar qualquer projétil. E, além do mais, eu jamais teria para mim a imortalidade. Isso era pra Zeus e outros da sua turma. Eu era somente um ser humano. Eu poderia morrer à qualquer momento, picado por um escorpião, uma cascavel, por dengue ou até por uma gripe mal curada. E, se fosse assim, qual seria a desgraça em morrer por mãos ou dentro do corpo de uma bela mulher? Nenhuma!
A minha sorte estava lançada.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
O dia que Don Juan DeMarco pescou.
-Vô, por que as garotas estão vivem querendo pisar na gente?
O velho olhou para o guri. Achava um tanto engraçado vê-lo no alto dos seus 12 anos, vara de pescar numa das mãos e olhos concentrados no balanço das águas. O guri, efetivamente se saíra um melhor pescador que ao conquistador que tanto o velho gostaria que o neto se transformasse. Ele se orgulhava do guri. Orgulhava do jovem e eficiente “pescador”, mas, a natureza deste de só interessar-se por de vídeos-game, computadores e ter a casa abarrotada de amigos distanciavam-nos de uma intimidade maior. Não foram poucas as vezes que o neto e os amigos silenciavam tão logo entrasse no quarto de Felipe. E, além do mais, o futuro do garoto o preocupava. Seria Felipe um desses “nerds” que pensam com a rapidez e desenvoltura de um computador, como se toda sabedoria produzida pela sua mente, tivesse que desembocar ali, naquele amontoado de teclas e letras? Poderia haver mais num teclado e nos vastos programas de computadores, tão excitante como um bronzeado par de coxas ou o baton vermelho na boca de uma mulher? Era nisso que pensava o senhor Chilavert. E os pensamentos se amontoavam e ele vislumbrou o garoto na pele de um executivo. Num desses almofadinhas engravatados, exalando Paco Rabanne, sufocando o ar com o perfume bom mas enjoativo, num olhar altivo, insensível, credor de que nada lhe servia a humanidade, salvo fazer-se de uso como fazemos num trampolim. Acontecera dentro da sua própria casa e com a única filha. Mônica era o seu nome. Era uma dessas pessoas; uma excepcional executiva que expandíra em mais de trinta vezes os negócios e o patrimônio da família Chilavert. E tudo isso começara nele e com a editora que fundara e outorgara a ela, tão logo essa terminou a faculdade. Talvez houvesse sua parte de culpa nesse processo Ele mesmo, comandara o barco por uns bons anos, mas, a convivência entre escritores nunca fora fácil. Ele mesmo o sabia, pois fora um. – “Os escritores são ególatras e narcisistas e sempre se julgam melhores uns aos outros. Consideração? Oras bolas! A desconsideração entre a nata é tão contundente, e tratam-se entre si como se fossem excrementos que se se vão, descarga abaixo, num único pressionar de botão” – Concluía o senhor Chilavert. Porém, Mônica, ao contrário, saiu-se diferente dele e amava ter por perto aquela cambada de exibicionistas e canastrões, embora houvesse entre eles, raras e deliciosas exceções. E assim, diploma na mão, ela se dedicou à editora como se fosse a um filho e fez aquilo crescer como ninguém jamais o faria. Porém, apesar de todo o sucesso, a filha se tornara uma pessoa triste; uma executiva eficiente e fria.
Talvez a convivência com a falsidade ou a prematura viuvez que afastou de si o marido, logo após o primeiro ano de casamento, tivessem sido os maiores responsáveis. Houve sim, após a morte do marido, um escritor por quem ela se apaixonou e por ele fez tudo que se pode fazer por alguém. E ele foi reconhecido pelo público, talvez nem por seus méritos, mas pela irritante insistência de Mônica , que às duras penas o introduziu no mercado. Mais uma vez ela provava da falsidade do mundo literário, e assim que esse se viu reconhecido, best seller, desfez-se dela e até trocou de editora. Não raras, foram as vezes que a vi, olhar perdido, rosto sombrio, telefone numa das mãos e toda a desesperança de ter a certeza que, mais uma vez, ele mandara dizer que não se encontrava. Retornar ligações? Nunca!
Dessa forma, usada, ferida, viu ruir o seu castelo ilusório, para trancafiar-se ainda mais no mundo dos negócios e dos resultados. Para o filho, quase não sobrava tempo, principalmente após o terceiro ano de idade. Felipe sempre foi preterido diante das sucessivas e exaustivas reuniões que faziam de Mônica, uma refém dentro da redoma empresarial. E assim, para o senhor Chilavert sobrara a incumbência de tentar manter-se o mais próximo do neto, assumindo a ausência de um pai falecido e de uma mãe faltosa. Não era uma tarefa das mais fáceis, e ele tinha as suas dificuldades com o Felipe e, afora o fato de curtirem juntos uma boa pescaria, poucas coisas lhes diziam comuns já que ele, sempre ao lado dos amigos de escola e, incentivado pelo dinheiro e os raros contatos com mãe, mantinha-se cercado de toda parafernália tecnológica possível. Não é necessário dizer que isso o afastava das coisas simples da vida e do real sentido da natureza humana. Acordando desses pensamentos, ateve-se à questão do neto e lhe respondeu:
-Ah, não sei Felipe! As mulheres são assim mesmo. Talvez seja a sua natureza de ser – Falou, sem desviar o olhar da fina linha de nylon, que suspensa, fundiasse a uma pequena e bóia de cor alaranjada, imersa ali, ao encontro com a água.
Claro, qualquer tremor na bóia significaria que algum peixe estivesse mordiscando, ou mesmo, abocanhado a isca. O garoto, silenciosamente, mas atento, prestava atenção na sua bóia que sutilmente era puxada para baixo. Ágil, como deve ser todo bom pescador, deu uma guinada com vara para a direita e esse movimento fisgou de vez o peixe. Ainda, com movimentos rápidos e precisos, e com as mãos trabalhando em conjunto, foi trazendo-o para o barranco, num jogo de muita paciência. O peixe, voluntarioso, não queria entregar-se assim tão facilmente, e então lutou bravamente para não se deixar levar. Mas, o seu esforço para livrar-se do anzol o exauriu completamente, e ao final, permitiu-se capturar sem oferecer maior resistência. O senhor Chilavert percebia os movimentos e, assim que o neto içou o peixe, viu aparecer um belo e pesado pacu. Examinou o peixe e sorriu para Felipe - aquele peixe deveria beirar uns 3 quilos – concluiu.
O menino, cuidadoso, bem sabia o quanto de complicado era retirar um daqueles do anzol, e o menor descuido seu representava devolvê-lo à lagoa. E foi com muita habilidade que o trouxe até o barranco. Içado, reparou que o peixe respirava com muita dificuldade. Havia sido uma boa briga e, antes de tirá-lo do anzol para colocá-lo no cesto, questionou o avô, novamente:
-Vô, por que todass não são iguais aos peixes? – O velho, sorriu. Um sorriso interno, anônimo. Evidente, sabia por dedução que havia “algo” detrás das questões do garoto. Fez-se desinteressado, desentendido, e sem desviar a atenção da sua vara de pescar, questionou o garoto:
-Como assim, Felipe?
-Assim vô! Que dessem trabalho, se debatessem, ficassem bravas, mas que no fim, tudo voltasse ao normal e não mais brigassem com a gente! – Explicou em tom inconformado.
-Bem, Felipe, as mulheres são assim e às vezes, nem elas mesmas sabem o porquê de estarem brigando. Muitas, se não arrumarem alguém para brigar, acabam brigando com si próprias! - O garoto pareceu se divertir com a afirmação do avô e então gargalhou gostosamente.
-Éééééée! É isso aí, vô! O senhor sabe das coisas! – O estardalhaço do menino veio em má hora e o senhor Chilavert seria capaz de jurar que um peixe dos bons havia acabado de mordiscar a sua isca, pode sentir até a fisgada na linha, mas o barulho o afugentou:
-Psiuuuuuuuu. Silêncio, moleque! Assim você me fará perder todos os peixes! –
Felipe silenciou-se, colocou o seu pacu de 3 quilos no cesto. Ele se debatia em vão, sabia que o seu fim tinha sido decretado. Assim que se viu livre do peixe, inspecionou a sua vara e a isca; um daqueles peixinhos plástico e, novamente, num hábil lançamento a fez aninhar-se no lugar pretendido; no meio da lagoa. E assim permaneciam avô e neto, ambos calados, prestando atenção no movimento das águas. Pouco após, um novo tremor, e o senhor Chilavert olhou incrédulo; não era a sua bóia que acabava de submergir. Felipe fisgava o seu oitavo peixe. O velho, um tanto desanimado, com o canto dos olhos olhou para o seu cesto, e lá, permaneciam duas pequenas tilápias, inertes, olhos vidrados, gozadores, como estivessem se divertindo com ele e com o seu ineficiente estilo de pescar . A sensação o incomodava. Olhou novamente e elas continuavam lá, inertes, zombeteiras – Puts! Que merda! E nem grande coisa eram! – concluiu. Desalentado, desviou o seu olhar de lá e voltou a concentrar-se no o neto:
-Menino, e não é que a sorte está do seu lado hoje? –
E, admirado, percebia os movimentos do neto em pleno embate com mais esse peixe; a briga, desta feita, era das boas e o peixe, dos bons. A água, freneticamente, espirrava para os lados e o combate qualificava a destreza de cada um; peixe e pescador. Agora, o garoto não encontrava tanta facilidade e, se não fosse possuidor de tanta paciência, do senso exato de perceber que, com esse, teria que fazer uso de outras táticas, diferentes das que usara com os outros. Esse peixe era um “brigador”. Um daqueles que desafiam a nossa sagacidade. Com esse, teria que adotar a tática de cansá-lo, para daí então trazê-lo de forma segura até o barranco. E assim ele o fez, soltando a linha da carretilha, dando terreno para o peixe, deixando-o imaginar que pudesse estar se livrando, e então o surpreendia, recolhendo a linha e o trazendo novamente. Sucessivamente, soltava e voltava a manivelar a carretilha, e , brigar com um peixe daqueles não era tarefa das mais fáceis, ao contrário, também o deixava exausto. O avô sempre lhe fizera ver que a pescaria, nada mais é que um jogo; um formidável jogo. E nessa contenta, a desproporção entre os combatentes é brutal, mas, que não significa dizer que o combatente dotado de inteligência sair-se-á sempre vencedor. Ele mesmo, por precipitação já deixara de capturar alguns belos exemplares, que se foram, lagoa adentro, quando já os imaginava capturados. E assim foi, até que o peixe, exausto, veio à tona, sucumbindo à força daquele homem-menino. Um outro belo e imenso pacu surgiu. Esse, beirava facilmente os 5 quilos. Preocupado que, num movimento de sorte, o peixe conseguisse se livrar, ofereceu ajuda ao neto.
-Não vô! Não é necessário não! Desse eu dou conta. Eu só não consigo é da conta da Angélica! Mas, desse “peixinho”aí? Ah desse, dou conta sim! – Disse sorrindo, recolhendo o peixe para o alto do barranco. O peixe, exaurido, mau se mexia.
O senhor Chilavert, curioso, ficou a matutar o que podereia haver por detrás daquele “ Não dar conta da Angélica”. E, continuando a fazer-se despretensioso, inquiriu-o com um ar de desinteresse:
-Ah, sim! Por acaso seria àquela loirinha linda, de olhos azuis que você ficou seguindo o tempo na festa do teu aniversário?
-Sim vô! Ela mesma! Tão brava que parece um escorpião acuado! – Respondeu um tanto desanimado, enquanto tentava retirar o baita do anzol. O avô, prevendo problemas com o peixe e, antes que a auto-suficiência de Felipe colocasse tudo à perder, assumiu a incumbência de resgatá-lo da vara de pescar. O garoto, percebendo que a briga agora seria de “cachorro grande”, postou-se ao lado cedendo a tarefa ao avô. O senhor Chilavert assumiu o posto com a atenção redobrada, já que, sabia, que tão logo se visse livre do anzol, o peixe faria tudo para se libertar, mesmo que extenuado; era da sua natureza, também.
-Mas, o que foi que aconteceu, Felipe? – Perguntou o avô, enquanto uma de suas mãos segurava o peixe firmemente, e a outra insistia em desenroscar aquela enorme cabeça do anzol.
-Bem, vô, é o seguinte; A Angélica me pegou com a “boca na botija”
-Como assim....com a boca na botija? Explique isso melhor! – surpreendeu-se o velho.
-Assim, vô! Lá na escola, tem uma garota de outra classe que vive me dando “mole”. O Nome dela é Luana, Sabe vô, mas eu acho que ela não é pra namorar, é mais pra passar tempo. Essa garota tá sempre dando “bola” pra todos, e parece que ela nunca se contenta com um namorado só. Ela tava namorando um tal de Luigi quando começou a me provocar. Sabe vô, ela é muito bonita e tem até uns.... grandes – Explicou ao avô, com as duas mãos em concha, curvando-as no próprio peito, simulando o par de seios da garota. Sentia-se envergonhado ao explicar para o avô, mas, já que chegara até ali, não poderia parar:
– Entendeu vô, o porque eu não quero namorar com ela? Pra namorar eu quero a Angélica. E, além de gostar dela, sei que ela não fica marcando “bobeira”, dando “mole” pros garotos. Bem, pelo menos, não que eu veja!
E então continuou explicando ao avô, que à coisa de 20 dias atrás, estava de paquera com essa Luana e quando ninguém olhava, sinalizou para que ela o seguisse. Ele descobrira um lugar deserto na escola, onde raramente aparecia alguém. Era uma espécie de depósito. Lá eram guardados objetos quebrados e sem serventia; cadeiras, mesas, computadores e outras bugigangas. E, ele, sempre curioso, descobrira aquele local, meio que por acaso, ao subir por uma escada que saia anexa à casa dos geradores. Descoberto o local, e sem que as pessoas percebessem, o usava o para dar vazão as suas pequenas safadezas. Era lá que ele em companhia do inseparável Jonas, folheavam as Revistas Playboy, Penthouse, e outras mais apimentadas, que o amigo trazia escondido na mochila escolar. Nunca houvera nenhum problema e não seria agora a tê-lo. E assim, Luana o seguiu. Ela seria a sua estréia no campo “pessoal”, no “olho no olho”. Seria o seu primeiro passo, a sua “avant-premier”, a realização do seu primeiro e ansiado desejo; correr a mão por debaixo daquela saia. Mas, algo dera errado e a sorte pareceu lhe abandonar – Explicava, gesticulando os abraços, formando as frases, ora desalentadamente, ora alegremente, para um atendo avô, que não perdia qualquer dos seus movimentos - E o que não dera certo ficara por conta da Angélica, que desconfiada, naquele dia não desgrudou os olhos, dele. E, tão logo percebera que Luana o seguiu, postou-se cuidadosamente alguns bons passos atrás e os seguiu. E pra piorar, com muito cuidado, Angélica entrara pela porta, sem que eles se dessem conta e então os pegou “flagra”, com a “boca na botija”. Ele, claro, excitado, saciava o seu desejo e passeava a mão por debaixo da saia de Luana, enquanto a outra mão, nervosamente, entrava pelo vão onde os botões foram desabotoados, e acariciava um dos seios de Luana, por sobre o sutiã branco e rendado. Foi assim que, perplexos e assustados deram com a presença dela. Ele, sintomaticamente, retirou apressadamente as mãos da garota, enquanto ela, assustada, tentava abotoar os botões da camisa escolar. Felipe, gaguejou ao tentar se explicar, enquanto Luana, rapidamente, abandonava o local. Evidente, Angélica nem o deixou justificar-se, e, saiu de lá tão furiosa, que não mais voltara a conversar com ele.
-Então vô! Foi isso que aconteceu. O que a Angélica não percebeu é que não pretendo abusar dela. Ela não é menina pra isso, e muito menos precisa se insinuar para chamar a atenção dos garotos. O que eu sinto por ela é algo bom, um geladinho que me da na barriga toda vez que ela está próxima à mim. Eu realmente gosto dela! Sacou tudo, vô?
-Hehe!Claro, claro, que saquei! - Dignou-se à sorrir o avô. – Olha Felipe, chegando em casa vou te dar um presente! E, definitivamente não fique preocupado com a Angélica, que, logo, logo estarão conversando novamente. Ainda mais se ela te gosta.... E, em gostando, ela te perdoará. Pode demorar um pouquinho, mas, te perdoará!. As mulheres são assim; se magoam facilmente, mesmo que os motivos que as fazem-nas magoar-se, sejam para preserva-las. Nunca se esqueça disso, Felipe; essa é a natureza da mulher
Como já estavam em fim de tarde, acharam melhor retornar para casa. No caminho, o garoto ficou imaginativo quanto ao presente que o avô lhe daria. Durante o trajeto questionou o avô sobre o assunto. Ele, numa expressão misteriosa, apenas sorria para o neto, mas, sem nada elucidar.
Chegando em casa o garoto, insistente, perseguiu o avô até o quarto desse:
-Vô, o que é? O que é? – insistiu.
-Calma ! Vocês, jovens, parecem que nasceram com toda a pressa do mundo. Calma, Felipe, calma! – Respondia.
O garoto acomodou-se numa poltrona ao lado do computador do avô, enquanto esse, procurava no seu armário coisas de um passado distante. Não, não era aquele um armário qualquer. Não! Esse, estivera consigo nos últimos 30 anos.
-Ah! Achei! – Exclamou o senhor Chilavert com voz abafada. O som truncado era pelo fato da sua cabeça estar completamente dentro do compartimento.
Retirou-se de lá e encaminhou-se na direção do garoto. Na mão, trazia um pequeno estojo negro com as inicias V.C em filete dourado, gravadas nele. O garoto olhou espantado para o seu presente tão logo o viu fora do estojo:
-Mas, vô! Pra que eu vou querer um par de óculos de lentes escuras e arredondadas ? – Questionou manipulando os óculos
-Sabe por que garoto? Porque você é um excepcional garoto! – Dito isso abriu um imenso sorriso ao Felipe. Ele se encontrava feliz ao poder dar ao garoto aquele objeto que muito lhe representara na sua trajetória de vida. E aquele objeto significava para si, um tempo de liberdade. Um tempo que, como escritor anônimo e desconhecido, gozou da plena liberdade de escrever o que quisesse e para quem quisesse. Os óculos apenas simbolizavam isso; a liberdade de expressar seus sentimentos, seus conceitos e convicções, aceitasse quem aceitasse, doesse em quem doesse
E, aquele garoto havia feito por merecer. Poderia parecer, à primeira vista, que o neto estivesse arraigado de em preconceitos. Não, simplesmente o garoto já pressentia o que lhe pudesse ser bom ou não, o discernimento necessário e que faz toda a diferença entre ser e estar feliz ou não. Talvez, Felipe fosse possuidor de um dom que ele jamais detivera; o de evitar problemas. Mais do que nunca, ele tinha a plena convicção agora que, mais que um grande pescador, batia no peito do neto, um coração de conquistador. Sim, conquistador, mas um conquistador sensível, generoso, emotivo, mas sem abrir mão da racionalidade. E ele soubera ali, naquela breve conversa à beira de um barranco, que o neto haveria de ser alguém nessa vida. Haveria de ser homem que respeitaria e exigiria respeito aos seus semelhantes. Haveria alguém que não usaria do poder para passar como um rolo compressor por cima das pessoas e dos seus sentimentos. Afinal, estivera ali, diante dos seus olhos, um novo e verdadeiro Don Juan Demarco. E com um sorriso nos lábios, e sua mente dominada por esses pensamentos, conclusões, o senhor Chilavert pediu ao neto:
-Felipe, por favor. Vá até a geladeira e traga a minha Sputnik. É uma garrafa de rótulo esverdeado.
O neto o olhou divertido e então meneou a cabeça, cerrou os olhos e o gozou:
-Que porcaria, vô! Aquela bebida nacional? Como o senhor pode gostar de uma bebida tão horrível e barata?
Pelo jeito, o danado, além de ver o preço estampado no rótulo, estivera bebendo da sua vodka. Então sorriu. Sabia que Felipe estava coberto de razão, mas a Sputnik o acompanhara por toda uma existência , e não seria justo e nem agora que, quase que ao fim de vida, depois das alegrias e desgraças vividas em conjunto, que a abandonasse por completo. O velho se manteve o sorrindo ao vê-lo se aproximar com a bebida em mãos. Sabia que existiam no garoto todos os ingredientes que o fariam, com o tempo, perceber compreender todas as suas opções e escolhas na vida, como ao fim acabaria compreendendo as escolhas do avô. Tudo era uma mera questão de tempo. O tempo é o senhor de tudo; o tempo é o absoluto senhor da razão. E o tempo parecia conspirar à favor do neto como nunca conspirara pra si. E ele se aproveitaria dele enquanto houvesse mais alguma disponibilidade de tempo para si. O que vivia era o segundo tempo do seu jogo com a vida. Após isso, restar-lhe-ia, se muito, um diminuto tempo de prorrogação, e ele bem o sabia.
sábado, 5 de janeiro de 2008
Perfume de Mulher ( By China )
- Zambroni, temos "carne nova" no pedaço. Se quiser, vai te custar "cinquentinha" extras, pra fazer o "test drive" com a mulher.
Essa era Matilde, a cafetina do local. O lugar, um tanto inusitado com pequenos quartos distribuídos numa enorme casa de dois pavimentos. Na entrada, um imenso jardim e uma estreita alameda nos levava direto à entrada principal. Em que pese o bucolismo e aquele estático e insistente par de querubins urinando no alto de um chafariz, bem ao lado da entrada principal, encontrávamo-nos numa casa de tolerância. Sim, num perfeito e saudável puteiro!
Mas,não era um puteiro qualquer. Esse tinha as suas particularidades que o transformavam em nada tradicioal e totalmente diferente. Se eu pudesse classificá-lo, diria estarmos diante de uma zona da "terceira idade". As prostitutas, zanzando de lá pra cá, nada tinham a ver com essas garotas de rabos e tetas siliconadas, comumente encontradas em puteiros tradicionais. Não! ali não funcionava dessa forma. As "garotas", na casa dos 40 em diante, todas escoilhidas à dedo, num processo seletivo, severo e tão difícil como o de classificar para cursar a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Assim colocado, não seria difícil deduzir que, apesar de experientes, eram ainda belas mulheres e davam uma "meia sola", e das boas. O senhor Zambroni, um cinquentão, comerciante na área de automóveis usados, e um dos seus assíduos frequentadores, lá deixava, duas ou três vezes por semana, boa parte dos seus ganhos, no meio daquelas pernas bem depiladas e cheirosas, mas que, somadas umas as outras, suplantariam facilmente a marca de alguns séculos de existência. Talvez a rota do puteiro lhe fosse obrigatória por haver perdido, por completo, o encantamento pela senhora Zambroni. Ela, aparentemente tímida, apesar de bela mulher, não mais conseguia despertar o interesse sexual do marido. E ele, já não suportava vê-la vestida naquelas calçolas enormes e nem muito nos imensos sutiãs que não deixavam de mostra, sequer, dois dedos de carnes do seu volumoso par de seios. E raro, quando uma davam uma trepada, tinha que ser debaixo de lençóis e com as luzes apagadas; timidez, dizia ela. Em algumas ocasiões, o desinteresse era tão latente que ele brochava em pleno ato sexual. Ele abrira mão dela muito cedo e as traições, corriqueiras, se tornaram meras consequências. Mas,o senhor Zambroni,um incorrigível mulherengo, queria mais, sempre muito mais, desde que não fosse a própria mulher. Ela, sentia a sua indiferença na carne e aquilo a magoava, profundamente:
-Tá certo Matilde, mas, me garante que essa dona ainda tem o rabo "firme" e uma par de seios suculentos?
-Claro homem! Me passa logo esses "cinquentinha" extra e vá lá, você mesmo, conferir!
Ele conhecia Matilde há anos e ela bem sabia do seu gosto por mulheres. Sabia de como ele gostava que fossem e da sua predileção por bundas rijas e seios enormes, mas que nao ficassem dependurados como uma fruta qualquer no pé. E ainda mais, se ela garatira era porque a mercadoria era de boa procedência e valia a pena. Ainda na penumbra e sob os efeitos da luz suamente rósea que inundava o ambiente, subiu as escadas; a novata o aguardava na última porta à ditreita, ao fim do corredor. Seus passos ecoaram no corredor de tábuas largas. Parou e entrou sem bater. Foi uma supresa inesquecível e assim que a viu, exclamou:
-Oh! Por todos os deuses! Não acredito !
A prostituta, deu um salto da cama e então ele pode visualizar por completo aquela bela mulher. A idade, talvez uns quarenta anos e os cabelos lisos e negros desciam pela extensão da bunda e lhe dava um ar de garota traquina. No rosto não se via uma única ruga e os olhos, igualmente negros, brilhavam e na boca, o vermelha do baton tornava aqueles lábios carnudos em algo mais que desejado, ansiado, e aquilo queimou na na alma de Zambroni. Na testa, dois pequenos filetes de suor desciam lateralmente , mediante a visão da langerie negra, pequena e justa, que tornava aquela mulher na coisa mais desejável, mil vezes melhor de todas com as quais, ali se relacionara.
E ela, dona de uma sensulidade acima dos padrões, e sabedora dos efeitos que exercia naquele homem, assim que o viu entrar, discretamente ligou o system Aiwa e iniciou uma dança para ele. Ele, insano, a saboreava com os olhos, e teve até medo em tocá-la e quebrar aquela magnífica porcelana de mulher. Então, ela aproximou e volteou os braços no pescoço de senhor Zambroni e enfiou as pernas no meio das pernas dele, num devastador e misericordioso atrito de genitais. A mulher ensaiava e o levava com alguns passos de dança num tango de Carlos Gardel. Ele, estupefato e sem palavras, não se mantinha quieto e só balbuciava:
-Mas, mas, mas! -
Então não mais permitiu que a surpresa o dominasse e deixou suas mãos descerem por detrás dela e alisou o seu maravilhoso traseiro. A paixão, a volúpia, foram tão devassadoras que ele, não conseguia se concentrar em quialquer outra coisa que não fosse ela e aqueles seus olhos negros. Gardel, prosseguia:
"Por una cabeza, todas las locuras. Su boca que besa, borra la tristeza, calma la amargura." -Ele tinha a mais absoluta certeza agora que já o ouvira essa canção e a apresentação de uma dança de tango num filme chamado; "Perfume de Mulher". Pra ele estava sendo a continuidade dquela cena. E dançando, o atrito causado pelas coxas dela e os seios, fartamente espremidos no seu peito, faziam- desejá-la com mais voracidade. Os movimentos dos seios e a carne que jorrava deles, acomodados que estavam num sutião dois números menores, definitivamente o transtornavam. Não mais resistindo à excitação, cedeu por completo, arrancou com o violência todos os panos da muler a a galgou, penetrou, com tanta fúria como jamais houvesse ocorrido com outra. Obcecado pelo desejo, seus movimentos se tornaram descompassados e o orgasmo não tardou a chegar. Ele veio intenso, prazeroso e então quis beijar aquela boca de batom:
-Esqueceu que putas não beijam seus clientes? - Zombou num ar misterioso e provocador. O senhor Zambroni ficou olhando atentamente para ela. Admirava suas curvas nuas, ali ao seu lado, no leito. Aos poucos a respiração ofegante cedeu à normalidade e então falou:
-Oras Manuela! Que frescura foi essa? Você e a Matilde se aliaram? Foi um presente de aniversário antecipado? Estranhei quando ela ligou e solicitou que viesse aqui hoje e sem falta - Dito isso, continuo a namorar a mulher. Ele esquecera até de como era namorar uma mulher, e sentindo-se o rei do mundo pediu:
-Vamos para casa, meu amor! Adorei a surpresa e a brincadeira. Saiba que nunca mais pisdarei meus pés aqui, novamente! - Dito isso sorriu meigamente. Mas, estava feliz demais e então abriu o seu coração; sentia-se apaixonado:
-Agora, posso te dizer com a mais absoluta certeza, Manuela; Passados esses 20 anos, te redescobri, meu amor!
Então sorriu, e suavemente abriu o armário, pegou o casaco da esposa que estava dependurado e a vestiu, beijando cada milímetro do seu corpo. Ela, sorria, maliciosa, satisfeita, e antes que ele lhe fechasse todos os botões ainda sentiu a boca do marido mordiscando um dos seus mamilos. Compostos, já estavam de saída quando, um rapaz, aparentando seus 25 anos, subia as escadas com um ar de preocupação estampado no rosto. Ao passar por eles, Manuela virou-lhe o rosto, na tentativa de não ser reconhecida pelo rapaz. Cruzando, o rapaz a olhou quase que despretenciosamente: Ah! era ela! Jamais poderia esquecer aquele rosto - Voltou a olhá-la e agora, com a absoluta certeza de que era a pessoa que lhe dera aquele prazer, único, raro, interceptou-a sem dirigir o olhar para ele, imaginando que fosse um cliente qualquer:
-Morgana, desculpe te aborrecer, mas ao sair, não percebeu se esqueci o meu par de abotuaduras em cima da mesinha de cabeceira?
-Morgana? Morgana? Morgana? - Balbuciava um incrédulo senhor Zambroni.
Então, ele tudo entendeu. As luzes róseas foram se apagando suavemente das suas vistas, e uma dor, forte e centrada, surgiu. Faltou-lhe o ar e umas das suas mãos se dirigiu ao coração. Na boca, ele podia sentir o coração pulsar, como se quisesse escapulir dentes afora. O enfarto veio rápido e fulminante. O rapaz, ali, sem saber exatamente o que acontecia, tentou ajudar, mas foi em vão.
Ele se despedira desse mundo. Desistira dessa vida, deixara tudo para trás, sem ter sido ao menos, o "Number One"
Assinar:
Postagens (Atom)









